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Como funciona a Roc Nation, agência de Jay-Z responsável por Vini Jr. e Endrick
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00:03Seja bem-vinda, seja bem-vindo. Aqui você está dentro da Arena, o programa que trata esporte
00:09como negócio. Ou seja, aqui a gente discute o que está por trás daquilo que você assiste,
00:14torce, que te emociona. No Dentro da Arena, a gente traz as principais personalidades que
00:19fazem o esporte acontecer. O que é o dinheiro, o negócio que faz essa indústria gigantesca,
00:25que cresce todo ano, não só no Brasil, como no mundo, se movimentar.
00:28Eu sou Ivan Martinho, estou muito feliz de trazer um convidado especial, um amigo, hoje
00:33aqui. Seja super bem-vindo, Fred Pena. Feliz de ter você aqui no Dentro da Arena.
00:38Obrigado, Ivan. Prazer em estar aqui. Obrigado pelo convite. A gente que já se conhece aí,
00:43sei lá quantos anos, mais de uma década.
00:46Trabalhamos juntos. Trabalhamos juntos. Então, isso aqui vai ser um papo de amigo. E para
00:49começar, o Fred Pena é o CEO da Roc Nation. A Roc Nation é a empresa do Jay-Z. O
00:56Jay-Z
00:57que no Brasil talvez seja mais conhecido como o marido da Beyoncé, mas a grande verdade
01:01é que ele é o primeiro bilionário da música no hip-hop, um grande empreendedor, um multi-investidor,
01:07que além de ter feito muito sucesso no mundo da música nos Estados Unidos e no mundo todo,
01:11ele também passou a ser um empreendedor.
01:14Essa história se encontra com a história do Fred, alguns anos atrás, quando a Roc Nation,
01:19a divisão de esportes da Roc Nation, que cuida de talentos do mundo da música, como
01:23a Rihanna, como a própria Beyoncé, o próprio Jay-Z, várias atletas como o Lamello Ball ou
01:29Kevin De Bruyne, os brasileiros Vini Jr., Henrik e Gabriel Martinelli, outros mais de 120 atletas
01:35que ele vai contar um pouco aqui. Essa história se cruza poucos anos atrás, quando o Fred
01:40fez a carreira dele e vendeu parte da empresa dele para a Roc Nation. A gente vai falar disso,
01:45mas antes da gente começar, eu queria perguntar para o Fred. Fred, o que é a Roc Nation?
01:51Explica o que faz, qual é o trabalho da Roc Nation?
01:53A Roc Nation é uma agência de representação que une música, esporte, entretenimento e cultura.
02:03E ela tenta ser mais do que uma agência, uma empresa de entretenimento. Então, além dela ser
02:07uma agência de representação, tem uma gravadora que faz parte do grupo, tem um braço de consultoria,
02:14um braço de produção. Então, ele é um ecossistema integrado, onde os ativos desses mundos todos
02:22se unem e criam uma ponte de conexão e de relevância cultural.
02:28Muito interessante. O seu cliente, ele é o clube, ele é o contratante, no caso da música,
02:35não é o seu caso aqui, porque você cuida de Roc Nation Sports, são as empresas que fazem
02:39negócios no mundo da música, mas especialmente no esporte são os clubes, são as marcas.
02:43Mas, em especial, os próprios atletas, é isso?
02:46O principal cliente é o talento. O talento que é representado pela agência.
02:51Então, no caso do esporte, são os atletas profissionais, e no meu caso, especificamente
02:56no Brasil, o jogador de futebol.
02:58Conta um pouco, quem são esses atletas e como que você vende esse serviço, que é um tipo
03:03de cliente super interessante e diferente do que a gente está acostumado.
03:06É um cliente diferente porque a gente não está aberto a ser contratado por qualquer
03:12cliente. Nós identificamos os atletas nos quais a gente vê o potencial e aí a gente
03:19tenta recrutá-los para se tornar clientes da agência. Então, é um processo um pouco
03:27invertido. Eu, na verdade, me vendo para trabalhar para ele. Então, não é uma agência onde eu
03:33cobro do atleta uma mensalidade, uma taxa de serviço. Eu presto um serviço na construção
03:41da carreira dele, construção e administração, e sou remunerado no sucesso. Então, a partir
03:48do momento que ele tem sucesso, que ele vai ganhando mais dinheiro, eu sou comissionado
03:53por esse trabalho.
03:54Ou seja, as negociações, existe um percentual nessa transação que vai, então, para
03:58esse agente. Porém, essas negociações podem acontecer de dois em dois anos, três
04:01em três anos, quatro em quatro anos, depende. Se você estiver falando de contratos de trabalho,
04:05né? E aí é que você se remunera. Mas a prestação do serviço, ela acontece todos
04:08os dias.
04:09Exatamente. A prestação do serviço é contínua e tem alguns momentos em que a gente
04:15é remunerado. Quais são? Assinatura do contrato de trabalho, onde a gente recebe um percentual
04:22da remuneração do atleta. Uma transferência entre clubes, onde a gente recebe um percentual
04:28do valor da transferência, ou seja, do valor da negociação, e os contratos comerciais,
04:34né? Que são aí os contratos de patrocínio, as parcerias comerciais dos atletas, em que
04:38a gente recebe também um percentual desses contratos. Então, o percentual é negociado
04:44caso a caso. Você tem uma base standard de mercado, que é 10%, mas como tudo no mundo,
04:51essa margem está sendo achatada, aos poucos, ao longo do tempo.
04:54E como funciona esse modelo de negociação? Como começa? Como que é um processo? A gente
05:01tem o exemplo do Vini Júnior. Todo mundo acompanhou, o garotão, um grande craque, considerado talvez
05:08o melhor da sua geração, um cara que jogava no Flamengo, depois foi para o Real Madrid.
05:13Existiam vários clubes querendo contratar o Vini Júnior. Quando ele chegou no Real Madrid,
05:18há quem diga, há quem disse que ele não funcionaria, que não daria certo esse negócio
05:23e tudo mais e tal. Então, por que o Real Madrid e como funciona esse modelo de negócio?
05:29Na verdade, o trabalho da agência funciona da seguinte maneira. O nosso primeiro passo é
05:33a identificação do talento. Então, a gente tem uma área dentro da agência, que são
05:38os scouts, que é o pessoal que está vendo o jogo, analisando o jogo, estão nos estádios,
05:45estão vendo o jogo em vídeo e estão analisando quem são os jogadores, ou os melhores jogadores
05:50atualmente, ou os jogadores, os que serão os grandes jogadores.
05:54Que é o olheiro, popularmente conhecido como olheiro.
05:56Exatamente. Então, o trabalho todo começa daí, porque em cima de um mapa de identificação
06:04de talento é onde nós vamos definir quem são os clientes que nós queremos atacar.
06:11Atacar no sentido de ir lá, tentar começar o relacionamento, marcar uma reunião, para
06:17começar um relacionamento de representá-lo. A partir do momento que você identificou,
06:23fez a reunião do recrutamento por nossa parte, começou o relacionamento com o atleta,
06:30aí nós somos os representantes, os agentes daquele atleta. E aí a gente começa o trabalho,
06:36que é o trabalho da administração da carreira dele, que começa com desde a ajuda no desenvolvimento
06:44dele como atleta, fora do clube, aí estamos falando de performance física, parte nutricional,
06:53análise de dados de jogo, comunicação, media training, redes sociais hoje em dia.
07:02Então, você tem todo esse trabalho de administração e as negociações dos contratos.
07:06Então, esse atleta geralmente vai estar já vinculado a um clube e aí começa a negociação
07:14do contrato, uma renegociação do contrato, a busca por uma transferência, aí começa
07:18o plano de carreira que é desenhado em conjunto com o atleta e sua família e a gente começa
07:24a tomar as devidas ações.
07:27E a contraparte que está no clube é o diretor de futebol do clube.
07:31Exatamente.
07:31E isso se estabelece uma relação de cliente?
07:35Estou perguntando porque existe talvez uma coincidência, talvez uma relação estabelecida
07:40que vocês fizeram a transferência do Vini Júnior para o Real Madrid e alguns anos depois
07:43fizeram a transferência do Hendrick para o próprio Real Madrid.
07:46Imagino que existe então uma relação de confiança estabelecida, como é normal no mundo dos negócios.
07:51Então, existe isso ou não?
07:53Na verdade, cada história é uma história ou você vai sempre olhar para todas as possibilidades?
07:57Cada história é uma história.
07:59O nosso cliente, isso é uma coisa que eu acho que é bom ficar claro para quem está
08:04assistindo e está aprendendo, o nosso cliente é o atleta.
08:07Então, sim, não importa se eu vou negociar com o Corinthians, com o Palmeiras, com o Real
08:10Madrid, com o Arsenal ou com o time de segunda divisão.
08:16O meu cliente é o atleta.
08:17Eu estou ali para defender os interesses dele e seguir o caminho que nós determinamos do plano de carreira dele.
08:26E, obviamente, a parte, que é a parte mais importante, que é maximizar o ganho financeiro dele.
08:31Geralmente, numa negociação, é o objetivo número um.
08:36Então, sim, óbvio que dentro do mercado, à medida que você vai conhecendo as pessoas, tem o network, você tem
08:43relação melhor com uns, pior com outros, mais próximo de uns.
08:48Então, isso aí vai fazendo com que a gente tenha alguns diferenciais.
08:53Quando você é uma agência grande, estabelecida, que tem um histórico grande, um track record forte, você tem contato com
09:00grandes clubes, principalmente lá fora, isso é um diferencial para a gente na hora de captar um novo cliente que
09:07a gente acha que vai ser um grande jogador da próxima geração.
09:10Então, se eu estou entendendo direito, o cliente jogador, ele te escolhe, a família, provavelmente você começa a trabalhar quando
09:16o garoto ainda é muito jovem, mas você também escolhe quem é o seu cliente.
09:21Porque se eu fosse pai de um jogador de futebol, eu provavelmente ia querer trabalhar com quem levou o Vini,
09:29o Hendrik para a Europa, o Martinelli, a turma toda.
09:32Eu ia querer trabalhar, falava, isso aqui tem um caminho, né? Já tem lá, você já sabe como funciona.
09:36Mas nem sempre é assim, porque você também só vai trabalhar com esse cliente que tenha, que gere valor para
09:42você.
09:42Afinal, você só vai ser remunerado se conseguir fazer negócio com ele. É assim?
09:46Exatamente. Como a gente não é um serviço em que a gente cobra do nosso cliente,
09:50Na verdade, a gente ganha uma taxa na intermediação do serviço que a gente está fazendo por ele.
09:57E na grande maioria das vezes, na verdade, quem acaba nos pagando não é o cliente, sim o clube.
10:02Ou seja, o contratante é que nos paga.
10:06A gente não é um serviço que está aberto ao público.
10:09Você não pode, porque o seu filho joga futebol, bater na porta da Roc Nation e falar assim,
10:12Eu tenho um filho aqui que joga futebol, eu gostaria que você tentasse transformá-lo no próximo Hendrick ou Vinícius
10:18Júnior.
10:20Como é que funciona? Quanto que eu te pago por mês?
10:22Como é que é esse? Esse é um serviço que a gente não faz.
10:25Tem até outras pessoas no futebol que fazem isso.
10:29Mas nós estamos posicionados como uma agência de elite.
10:35Então a gente busca realmente aquele atleta que é o atleta que está na ponta do iceberg do mundo do
10:41futebol.
10:42E quando você pensa no seu cliente também, na sua contraparte, no seu outro cliente, que é o clube de
10:48futebol,
10:48você pensa, é possível distinguir o que é o estilo de jogo do Real Madrid, que tipo de jogador que
10:54ele vai buscar,
10:55versus o que é o estilo do Liverpool, ou talvez do Paris Saint-Germain, do Bayern.
11:00Estou falando de times de mesma liga ou de ligas diferentes, do futebol europeu.
11:04Agora mais recente, o futebol árabe que passou a fazer grandes aquisições.
11:08É diferente o estilo de jogo e isso endereça o perfil de jogador que vai ser contratado ou não?
11:14Qualquer um que é um bom atacante, qualquer um que é um bom goleiro, qualquer um que é um bom
11:17zagueiro.
11:18Na verdade, você tem uma política de contratação.
11:20A política de contratação dos clubes é diferente.
11:23Então, a gente está falando do Real Madrid, tem dois casos similares,
11:29que são o do Vinícius Júnior e do Hendrik, que foram para o Real Madrid.
11:35Mas eles não foram para o Real Madrid pela nossa relação com o Real Madrid.
11:40Na verdade, eles foram para o Real Madrid porque eles se encaixavam numa política de contratação do Real Madrid
11:45que busca ter o melhor jogador no mundo de cada geração e, por uma feliz coincidência,
11:54em duas gerações o que eles consideraram como sendo o melhor jogador dessa geração era cliente nosso.
12:00Mas da mesma maneira que a gente negociou, no caso tanto do Vinícius quanto do Hendrik, com o Real Madrid,
12:08nós negociamos com outros clubes também.
12:10É que o Real Madrid tem essa política muito bem definida e ela não fez isso só com clientes nossos.
12:14Tanto é que ela também contratou o Rodrigo, que na época era do Santos,
12:19contratou o Renier, contratou agora o Franco Mastantuono, que é um jogador argentino, que era do River Plate,
12:25contratou o Arda Guller, dois anos atrás, que era um turco do Fenerbahçe.
12:29Então, essa é uma política do clube.
12:31Trouxe o Mbappé já resolvido, que já tinha acontecido na carreira.
12:34Exatamente.
12:35Então, assim, o Real Madrid tem uma visão, o Barcelona tem uma visão parecida,
12:42mas o Barcelona teve problemas financeiros nos últimos anos que fez com que eles tivessem que segurar esse tipo de
12:48contratação
12:49e acabou, por outro lado, dando muito espaço para a base deles.
12:52E aí você tem os vários clubes no mundo que têm políticas diferentes.
12:56Tem clube que não contrata jogadores tão jovens, prefere pagar mais pelo jogador jamais estabelecido,
13:02onde ele acha que vai ter uma maior taxa de sucesso na contratação.
13:08Então, isso vai caso a caso.
13:10A gente, por estar no mercado há muito tempo, ter as conexões,
13:17a gente vai fazendo reuniões de tempos em tempos, visita os clubes.
13:23E a gente tem jogadores também de todos os níveis.
13:26Não temos só jogadores jovens, temos jogadores de todas as idades.
13:29Então, a gente está no mercado conversando com todo mundo.
13:32Então, essa combinação de fatores, ela precisa ter, primeiro, a sua capacidade de convencer o jogador a trabalhar com você,
13:38ao mesmo tempo o jogador querer trabalhar com você.
13:40Então, existe essa vontade mútua.
13:42Depois, também o desejo de uma grande marca internacional querer fazer essa transferência, trazer o jogador.
13:47Nesse caso, você já conseguiu fazer algumas vezes,
13:49mas citando esses dois exemplos aqui muito visíveis, muito notórios para o nosso futebol recente,
13:54o Vini e o Hendrick.
13:55E aí eu queria me aprofundar um pouco mais nesse ponto específico.
13:58O que faz o Vini, o Hendrick?
14:01O que é necessário para se transformar em uma estrela global?
14:05Olha, primeiro de tudo, você tem que ter um talento extraordinário, para você ser uma estrela global.
14:11Hoje em dia, até no futebol, você não precisa, não é só o talentoso que vence.
14:16Você tem jogadores menos talentosos, como a gente vê aí em vários jogos de futebol.
14:20Mas assim, no nível...
14:22Não, mas exatamente.
14:24Eu acho que o talento, ele não é suficiente.
14:28Isso está claro, é uma frase batida, mas é super verdade.
14:35Para você ser um talento global, um ícone, como é o Vini hoje, como o Hendrick está no seu caminho,
14:42mas vamos falar do Martinelli, do Paquetá, vários outros jogadores importantes,
14:48você tem que ter um talento extraordinário.
14:51Mas eu acho que, além do talento, o grande ponto de diferenciação vai ser
14:57propensão ao sacrifício, resiliência, ambição, competitividade.
15:05Se você não tiver esses outros elementos, só o talento não vai fazer você chegar.
15:12E eu costumo dizer, e óbvio, para você ter estudo, a disciplina é fundamental.
15:17Mas se você tiver tudo isso, você vai ser um cara disciplinado por princípio.
15:21Então, sim, eu acho que esse é o ponto principal.
15:25E eu te diria que, talvez, até numa discussão legal, para o pessoal que está assistindo,
15:30para o pessoal falar, por que geralmente o jogador de futebol,
15:36diferente até talvez de outros esportes, ele vem de uma classe social mais baixa,
15:41vem da parcela maior da população pobre do Brasil?
15:44Pela propensão ao sacrifício.
15:47Porque a propensão ao sacrifício não é só do garoto, é da família como um todo.
15:54Quando você está numa família mais afluente,
15:57a propensão da família como um todo a se sacrificar pelo sonho de um membro,
16:02ela é muito menor do que se é uma família que não tem os meios
16:06e que aquilo ali é a maneira da família como um todo.
16:09Pode ser a salvação.
16:10É a salvação da família.
16:12Então, sim, a propensão ao sacrifício, ela é fundamental.
16:17E, ao mesmo tempo, tem um perigo nisso, que é o quê?
16:21Você vê, durante a categoria de base, uma grande propensão ao sacrifício,
16:25pelo fato de ser a salvação da família.
16:27E, no momento em que o atleta faz a transição da base para o profissional,
16:33que entra aquele primeiro respiro financeiro, aquela propensão já cai.
16:38Porque também houve ali um sacrifício muito grande,
16:41que é quase que a perda da infância e da adolescência daquele garoto.
16:44Então, ali, na hora que entra a primeira parte financeira do sucesso,
16:57aquilo ali, muitas vezes, causa um relaxamento
16:59e aí você não tem o segundo passo, que é a continuação.
17:04Por isso que ali é importante ter a competitividade.
17:09Você está falando de pessoas que querem ganhar a todo custo,
17:14não aceitam perder, que a derrota encoboda a eles.
17:18Você está falando de pessoas que são resilientes,
17:20ou seja, não vão desistir na primeira dificuldade.
17:23Então, sim, essas características aí são fundamentais,
17:28estão presentes tanto no caso do Vini quanto do Hendrick.
17:32E aí, junta-se a isso o talento extraordinário deles
17:35e faz com que eles possam ser ícones globais.
17:40Nessa mesma linha, está tudo dando certo.
17:44Hendrick, por exemplo, um nome incrível,
17:47já convocado algumas vezes para a seleção,
17:50transferência para o Real Madrid, números recordes,
17:53tudo impressionante.
17:54Chega o Real Madrid, ainda não teve o que a gente fala no futebol,
17:57que é minutagem suficiente,
17:59aí se conversa sobre a hipótese de que o técnico vai realmente
18:02utilizá-lo para a próxima temporada, ou ainda nessa temporada,
18:04não vai ou ele vai fazer uma transação, mudar para outro clube.
18:09A gente às vezes vê lá o Hendrick sentado no banco,
18:12parece que ele não está muito feliz de estar no banco,
18:14claro que ele queria estar jogando, dá para ver a expressão dele.
18:17O que é esse momento do Hendrick?
18:19Como que funciona isso?
18:20Porque ao mesmo tempo que ele passa, um ano atrás,
18:23por uma notícia transformadora, essa que muda a família,
18:25e assim por diante, o jogador é novo, o garotão,
18:27tem a carreira inteira pela frente e de repente ele chega lá,
18:30tem o Mbappé, tem o Vini, tem toda aquela turma
18:34e ele precisa arrumar um espaço nesse time.
18:36Como que gerenciar isso e como que vocês apoiam esse momento também?
18:41Na verdade, isso faz parte do nosso trabalho é esse.
18:44O nosso trabalho é você faz o desenho da estratégia
18:47e na hora da execução vão vindo os desafios
18:49e você tem que ir adaptando e lidando com eles
18:52de uma maneira que vai dar a possibilidade do atleta chegar no objetivo dele.
18:58No caso do Hendrick, é uma situação um pouco diferente do normal
19:06porque, como ele é um atleta muito fora da curva,
19:12foi uma negociação que foi feita 18 meses antes
19:15dele efetivamente chegar ao Real Madrid.
19:17Então, assim, era um cenário que naquele momento foi analisado
19:24e aí o que não...
19:25Só que você não tem todas as cartas na mesa, né?
19:28Então, ali é um jogo que as coisas vão evoluindo.
19:32Tanto da carreira do Hendrick, que é um risco para o Real Madrid,
19:35porque não sabia que a carreira dele ia ser tão precoce quanto foi,
19:40ou seja, imaginava-se, mas você não tem a certeza.
19:42E também, pelo lado dele, tem o risco do que vai acontecer no clube
19:46nesses próximos 18 meses.
19:48Infelizmente, o que aconteceu foi que surgiu uma oportunidade para o Real Madrid
19:51contratar o Kylian Mbappé, livre do contrato do Paris Saint-Germain, né?
19:56Então, é um atleta que eles tinham interesse, estavam tentando comprar, né?
20:01Fazer a transferência durante muitos anos, não estavam conseguindo
20:05e tiveram a chance de exatamente na janela de transferência que o Hendrick chega no Real Madrid
20:11fazer essa contratação, que não era algo que a gente imaginava,
20:17o que o próprio Real Madrid imaginava 18 meses antes.
20:21Então, enfim, tem o processo de adaptação, o atleta chega, se enturma, joga,
20:28teve uma minutagem menor do que ele esperava na primeira temporada,
20:33mas teve uma performance que foi excepcional em termos de número de gol,
20:37gol versus minutagem.
20:40E nesse ano, devido a uma lesão que aconteceu,
20:43que é o outro imponderável, né?
20:45São coisas que acontecem,
20:47ele acabou perdendo espaço, não fez a pré-temporada com o time,
20:51aparece um outro jogador da categoria de base
20:53que tem um destaque nos jogos em que ele estava machucado,
20:56e aí a gente tem que fazer uma correção, uma correção da rota.
21:01No caso do Hendrick, provavelmente será um empréstimo de seis meses,
21:08no primeiro semestre de 2026,
21:10que é o segundo semestre da temporada europeia,
21:13que são exatamente os seis meses antes da Copa do Mundo,
21:16então vamos ver se isso vai dar a ele a minutagem,
21:20dar a ele uma visibilidade,
21:22talvez, quem sabe, até para participar da próxima Copa do Mundo
21:24com a seleção brasileira,
21:26já que quando ele chega ao Real Madrid,
21:27ele tinha vindo da Copa América,
21:29onde inclusive ele foi o camisa 9 da seleção brasileira.
21:32Muito bom.
21:33Agora a gente vai para o quadro Geral Quer Saber.
21:35Eu comentei com alguns amigos que estaria com você fazendo essa entrevista,
21:39e o nosso amigo Guilherme Ávila,
21:41que eu encontrei no evento de lançamento lá da Casa Casa TV,
21:45que aliás foi muito legal,
21:47um evento que eles vão fazer para uma espécie de uma fanfest,
21:49para a Copa do Mundo.
21:50E o Guilherme estava comentando comigo
21:52sobre essa curiosidade de entender,
21:55na Rock Nation, especialmente o seu trabalho,
21:57como preparar um garoto de 14, de 15, 16, 17 anos,
22:01porque pelo que você está falando,
22:02óbvio, a gente tem o talento dentro de campo,
22:04mas tem uma questão de saúde mental que é super importante.
22:06Então, como preparar esse garoto,
22:09não só do ponto de vista técnico,
22:10mas para passar por todas essas etapas
22:12que cada vez mais se tornam naturais durante a carreira?
22:15Olha, no caso do jogador que vai para o Real Madrid,
22:18como é o caso do Vinícius do Henrique,
22:19é até mais fácil, Ivan,
22:21porque você está falando ali,
22:23óbvio, você tem um processo educativo,
22:25que é passar a informação para o atleta,
22:27ou seja, prepará-lo,
22:28ou tentar prepará-lo para o que ele vai encontrar,
22:31e a gente já sabe disso,
22:32porque a gente está no mercado há muito tempo,
22:35então a gente tem inúmeros exemplos para passar,
22:37tanto exemplos de sucesso,
22:38como exemplos de insucessos,
22:43e montar a estrutura.
22:44Então, assim, e aí vai da empresa que tem esse know-how
22:51a montagem da estrutura para o atleta,
22:54e aí você está falando de suporte para ele,
22:57que vai, de novo,
22:58a gente está falando de suporte de performance,
23:00então hoje em dia você tem o personal trainer,
23:02você tem o personal fisioterapeuta,
23:05você tem o chefe de cozinha,
23:07você tem a parte de análise de dados
23:09e preparação tática para os jogos,
23:13isso tudo é individual,
23:15além do que ele já recebe do clube.
23:17Tem uma parte fundamental,
23:19que é a parte da língua, do idioma,
23:22então o atleta saber que isso é importante,
23:27é esperado dele,
23:28e exige também aqui um sacrifício,
23:31porque é uma coisa que é chata,
23:34frustrante às vezes,
23:35você passar por,
23:36quando você é criança,
23:37que a gente está mais preparado para aprender.
23:40A mais plasticidade cerebral,
23:42que fala que é isso.
23:43Já é uma coisa difícil,
23:44imagina quando você já está mais formado,
23:48mais adulto,
23:49mas isso é uma coisa importante.
23:50Qual que é a grande dificuldade, Ivan?
23:52É quando o atleta faz essa transição,
23:56e não é para o Real Madrid,
23:57ou seja, é para o clube menor,
23:59onde a remuneração dele vai ser N vezes menor,
24:02então aí já começa a ser um desafio,
24:04porque quando o atleta vai para o Real Madrid,
24:06é um atleta que já está indo a uma negociação
24:08em que o cara já é,
24:09já está, digamos assim,
24:11entre aspas, com a vida ganha.
24:12É difícil melhorar depois,
24:13já está no Real Madrid,
24:14maior clube do mundo.
24:15E o cara já está indo para um nível de remuneração
24:17muito alto,
24:17muito mais alto do que qualquer clube
24:21do futebol brasileiro.
24:21Então o cara já vai como um jovem milionário,
24:25digamos assim.
24:25Então ele tem tudo,
24:28tudo é fácil para ele contratar,
24:29e não é uma coisa que vai fazer diferença
24:31no orçamento mensal familiar dele.
24:34O problema é quando o atleta está indo para um clube menor,
24:37e na verdade é o primeiro clube,
24:41às vezes, de uma carreira que vai ser
24:43de tanto sucesso,
24:46quanto desses atletas que estão indo direto
24:48para um clube grande,
24:49mas ele, qualquer coisa ali,
24:52mexe no orçamento do cara.
24:53Então, essa é a dificuldade maior
24:56que a gente lida,
24:57e aí muitas vezes a gente
25:00ajuda, inclusive,
25:01dá suporte financeiro
25:02onde a gente acha que é necessário,
25:04dependendo da condição de cada jogador.
25:08Mas eu diria que é isso,
25:09a estrutura e a educação.
25:11Eu sei que o Fred
25:14se encantou com essa carreira.
25:15O Fred já teve um passado em banco de investimento,
25:17ele se encantou com essa carreira,
25:18uma vez que ele assistiu o filme Jerry Maguire.
25:20Olha que coisa interessante
25:22como acontecimentos da vida
25:24moldam a nossa vida
25:26mais do que a gente acredita, inclusive.
25:28E depois ele foi parar na indústria do esporte
25:30porque ele foi atrás de conversar com uma pessoa
25:32em um evento e tudo mais e tal,
25:34uma história muito curiosa da carreira dele.
25:36Mas a grande verdade é que o Fred
25:38se acompanha há muito tempo o futebol,
25:42assim como eu,
25:43e já acompanhou várias gerações,
25:44mesmo como torcedor,
25:45ainda quando não trabalhava nessa indústria.
25:47O futebol brasileiro já teve muitas gerações,
25:50a geração, obviamente, do Pelé,
25:52essa eu não acompanhei,
25:53mas conheço bem porque você é de vereador.
25:55Aí depois, talvez, já mais 94,
25:59quando tinha a geração do Romário
26:01e o Brasil ganhando a Copa do Mundo,
26:04sei da história que você teve lá
26:05naquela final e tudo mais.
26:08E depois, várias outras gerações,
26:10a geração do Neymar
26:11e essa mais nova geração.
26:12Você tem uma carteira
26:14de mais de 120 atletas,
26:17clientes que você atende.
26:18O que mais te impressiona
26:19nessa geração?
26:21O que é diferente
26:22quando você vê o comportamento
26:23do Romário, do Edmundo,
26:25do Renato Gaúcho
26:26versus o que acontece hoje em dia
26:28com os atletas?
26:30Eu acho que hoje,
26:33eu acho que tem um lado
26:35que é a ambição dos atletas hoje
26:39e eu acho que teve um ganho aqui
26:40que é uma coisa que liga um pouco
26:42no que a gente,
26:43quando a gente fala
26:44da junção de esporte
26:46com entretenimento e cultura,
26:48que é o fato do videogame
26:51fez com que todos esses garotos
26:53hoje em dia,
26:54por jogarem o EAFC,
26:57o antigo FIFA,
26:58já durante muitos anos,
27:00no modo carreira,
27:01jogador,
27:02eles entendem o que é
27:03a construção de uma carreira.
27:06Então, não é uma conversa difícil
27:08na hora que você fala de estratégia,
27:10onde você quer chegar,
27:12o entendimento do nível
27:14daquele atleta
27:14e quais são os passos
27:16que ele tem que seguir.
27:17Então, eu acho que
27:17essa informação
27:18que eles têm hoje em dia
27:22com uma ambição
27:25e uma propensão ao sacrifício
27:28fazem com que essa geração,
27:30e eu, como você disse, Ivan,
27:33eu acompanho o futebol
27:35há muitas décadas,
27:37mais do que eu gostaria,
27:38gostaria de ser mais jovem,
27:39mas sou agente há 20.
27:42Então, sim,
27:43a diferença hoje
27:44do que é você conversar
27:45com um garoto
27:46de 15, 16 anos,
27:48de um garoto de 15, 16 anos
27:49há 20 anos atrás,
27:51ela é gigantesca.
27:51E também do atleta já formado.
27:54Você falava do atleta
27:55já profissional,
27:57jogasse aqui no Flamengo,
27:59no Atlético Mineiro,
27:59no Palmeiras,
28:00é uma geração diferente,
28:04eu acho que essa geração
28:05é uma geração
28:05que ela tem mais informação,
28:07ela é mais profissional,
28:10e acho que ela tem
28:13também uma preocupação maior
28:17com a longevidade.
28:18Ou seja,
28:19entendeu-se hoje
28:20que o futebol
28:25é um esporte
28:28para atletas de alta performance
28:30e não para artistas.
28:31E isso é uma coisa do brasileiro,
28:33porque o brasileiro
28:33sempre foi encantado
28:34com a técnica,
28:36com o drible,
28:36com a magia,
28:38e hoje...
28:39O joga bonito, né?
28:40O joga bonito, exatamente.
28:41E acho que hoje
28:43essa nova geração
28:44está entendendo
28:46que ela depende do corpo,
28:48ela precisa preparar o corpo
28:49e ela precisa cuidar do corpo.
28:51E cada ano de carreira a mais
28:52que ela tem,
28:54a gente está falando
28:55do impacto financeiro gigantesco,
28:57direto e indireto,
28:58que é um ano a mais
29:00de salário que você recebe
29:02e um ano a mais
29:03de força
29:05de marca,
29:07de personalidade
29:08que você tem
29:08para depois você...
29:10Porque depois você vai ter
29:10mais 50, 60 anos
29:12de pós-carreira.
29:13Então, acho que
29:15na hora que você junta
29:16essa nova visão
29:18do atleta brasileiro
29:20com o joga bonito,
29:22aí você tem a possibilidade
29:23de ter esses atletas hoje
29:24que eu acho que estão
29:25no topo da pirâmide
29:27do futebol mundial.
29:28Se der tudo certo,
29:29a gente está falando
29:29de uma carreira
29:30de jogador de futebol
29:30que vai durar quantos anos
29:32de atividade?
29:33Hoje em dia,
29:34assim,
29:35se você falar
29:36tudo certo,
29:37você já vê aí
29:39os casos,
29:40tantos casos
29:40no exterior,
29:41o caso do Cristiano Ronaldo,
29:43quanto o caso
29:44no Brasil,
29:45o caso do Hulk,
29:46por exemplo,
29:46do Atlético,
29:47você está falando aí
29:48do cara ser profissional
29:49por mais de 20 anos.
29:51Zé Roberto?
29:52Zé Roberto foi até 41.
29:53Você imaginar
29:54que o cara desse nível,
29:56ele geralmente
29:57já vai...
29:58Quer dizer,
29:58o primeiro contrato profissional
30:00é assinado
30:00a partir dos 16 anos.
30:01Mas você pode considerar
30:02o cara como um atleta,
30:04digamos assim,
30:04do time adulto
30:05a partir dos 18.
30:06Você está falando
30:07dos 18 aos 40.
30:08São 22 anos de carreira.
30:10Nenê do juventude?
30:11Nenê, é.
30:11Ou seja,
30:12gente que está aí,
30:13mas que provavelmente
30:13fez o que você falou,
30:14fez a lição de casa,
30:15se cuidou.
30:16Se não se cuidar,
30:17não chega.
30:19Não chega.
30:20E aí você olha
30:21para trás,
30:23o Romário ainda jogou
30:24até os 40,
30:25né?
30:25Mas você olha o Ronaldo,
30:27que aí não...
30:28Quer dizer,
30:29teve o problema das lesões,
30:30que foi gravíssimo.
30:33Mas você imagina
30:35os anos de carreira
30:36que o Ronaldo...
30:39Que ele não jogou.
30:40Imagina o quanto de dinheiro
30:42ele deixou na mesa.
30:43Imagina o quanto mais
30:44um cara que é
30:46extremamente influente,
30:48imagina o quanto mais
30:49de influência
30:50ele poderia ter.
30:51O que mais ele
30:52poderia significar
30:53para a cultura do país,
30:55para a cultura global.
30:56Então, sim,
30:56é uma pena, né?
30:58Você usou a palavra
30:59artista e me chamou a atenção
31:01e aí eu queria comparar.
31:01Porque você é, obviamente,
31:03responsável pela
31:03Roc Nation Sports,
31:04mas dentro de um conglomerado
31:06que tem um negócio
31:07de artistas,
31:09propriamente dito.
31:09Aliás, começou daí,
31:10o dono é um artista,
31:11que é o Jay-Z.
31:13Que tipo de sinalidade
31:14ou diferença você vê
31:15nessa formação
31:16ou nesse processo
31:18de um artista
31:19ou de um artista
31:21ou de um atleta?
31:22Você diz formação
31:23em que sentido?
31:24No sentido de que um talento
31:26é identificado,
31:27talvez a Rihanna,
31:28por exemplo,
31:29que vocês cuidam lá
31:29da carreira.
31:30A Rihanna também,
31:31tinha lá o talento dela,
31:33surgiu muito nova
31:34e tudo.
31:35E aí também
31:35uma pressão grande
31:36da mídia,
31:36uma expectativa grande
31:37e tudo.
31:38Então, provavelmente,
31:39eu imagino que exista
31:40também um suporte
31:41para que essa artista
31:43possa performar.
31:44A diferença aqui
31:45é que a carreira
31:45não vai durar 15 anos,
31:46a carreira vai 20,
31:4725, 30,
31:48se der tudo certo.
31:50Pode também sumir
31:51em um ano
31:52se tiver um grande fracasso,
31:53como alguns artistas
31:54aparecem,
31:54explodem,
31:55depois somem.
31:55mas imagino que tanto
31:57de um lado
31:57quanto no outro
31:58exista algo em comum
32:00ou eventualmente
32:01algumas diferenças.
32:02E aí minha dúvida é essa,
32:03a curiosidade de entender
32:03dentro da Rock Nation
32:05se você tem conhecimento
32:07do que é feito
32:07no mundo dos artistas também.
32:09Na verdade,
32:10eu não tenho experiência
32:11nesse mundo,
32:12eu acho que,
32:13assim,
32:13mas é óbvio
32:14por conversas internas,
32:17a gente vê que
32:20algumas linhas
32:21de comportamento,
32:23foco,
32:25resiliência,
32:27tem uma frase,
32:28a carreira,
32:30na verdade,
32:30no hip hop
32:32parece que
32:33ela tem uma duração
32:34super curta,
32:35está falando de 3 anos,
32:38em média.
32:40Então,
32:40a carreira que vai durar
32:4120, 25,
32:42é do artista
32:43que, na verdade,
32:44virou um grande ícone.
32:46Então,
32:46acho que tem uma coisa
32:49importante,
32:50sim,
32:50no sentido de
32:51ter a resiliência,
32:52ter disciplina,
32:54eu acho que é um trabalho
32:55de ambição,
32:57está sempre querendo aprender,
32:59está sempre aberto
32:59para novas experiências,
33:02não deixar o sucesso
33:03subir a cabeça,
33:03que eu acho que isso
33:04é em qualquer indústria
33:06hoje em dia.
33:08Mas, assim,
33:09o detalhe do dia a dia,
33:11da preparação como é,
33:12não posso dizer
33:13que eu vou estar chutando aqui,
33:15não tenho experiência
33:16nessa área.
33:16Tá bom,
33:17e você vê uma diferença
33:18cultural?
33:18Porque uma coisa
33:19é o esporte nos Estados Unidos,
33:20eu estou falando que a Roc Nation
33:21é uma empresa originalmente
33:22americana,
33:23mas o teu principal mercado
33:25é o mercado europeu.
33:27Você vê uma diferença
33:28de entendimento
33:29do que é lidar
33:30com o Lamello Ball,
33:31por exemplo,
33:32que é um atleta
33:33agenciado pela Roc Nation,
33:35e quando ele vai fazer
33:35a negociação lá,
33:37das negociações
33:38que eles acessoram
33:38da carreira dele,
33:39é diferente negociar
33:40com uma franquia da NBA
33:42versus o que é negociar
33:43com um clube
33:43como o Real Madrid,
33:45como o Liverpool,
33:46como o Tottenham,
33:48é diferente esse tipo
33:49de negociação culturalmente?
33:50A turma da Roc Nation
33:51entende isso
33:53ou é um processo
33:54de aprendizagem?
33:55Não,
33:55ele já...
33:57a atividade já está
33:59madura o suficiente
34:00dentro da empresa
34:01para entenderem
34:02que há diferenças
34:03e existe uma diferença
34:04cultural do esporte,
34:07e o futebol tem uma coisa
34:09que eu diria
34:10que é quase única,
34:12na verdade,
34:12ela não é única
34:13porque ela existe
34:13em outros esportes,
34:14mas é uma coisa
34:15que ela é essencial
34:17no futebol,
34:18que é o mercado
34:19de transferências.
34:20Então,
34:20existe ali
34:23um comércio,
34:24de uma certa maneira,
34:26que é estranho,
34:27porque na verdade
34:28é uma taxa
34:28de transferência
34:29para você
34:31contratar
34:32um determinado funcionário,
34:34mas na prática
34:36e no linguajar
34:36é o comprar,
34:39vender,
34:39emprestar,
34:40e isso não acontece
34:42tanto nos outros esportes.
34:43Os outros esportes
34:44são os esportes
34:45em que os atletas
34:47são mais empoderados,
34:49é a minha sensação.
34:50E eu acho que
34:50essa é uma tendência
34:52do futebol
34:52que está mudando agora.
34:53E isso está vindo
34:56de fora para dentro.
34:59Eu acho que hoje,
35:00e falamos aqui
35:01do caso do Mbappé,
35:04um dos principais jogadores
35:05do mundo,
35:06que se transferiu livre
35:08de um clube para o outro,
35:09que é uma coisa
35:10que se você for pensar
35:11há 20, 30 anos atrás
35:12era inimaginável.
35:14O atleta só vai
35:15se transferir livre
35:16quando ele está
35:16em fim de carreira,
35:17lá na frente.
35:18Mas o atleta
35:19na idade dele,
35:21está no prime
35:22da carreira dele
35:24e livre.
35:25Você nunca
35:26ia imaginar
35:27que o cara
35:27ia deixar o contrato
35:28terminar.
35:29esse mercado
35:32no futebol
35:33é essencial
35:34e ele é essencial
35:34inclusive para as regras
35:35do fair play,
35:36do fair play financeiro,
35:38que vai ser uma novidade
35:39no mercado brasileiro.
35:40Um outro assunto,
35:41assunto com outro podcast,
35:43mas eu acho que
35:44isso é uma coisa
35:45que faz com que
35:45o futebol
35:46seja único.
35:49Então,
35:50em termos de,
35:51na hora que você fala
35:52de uma estratégia
35:53de onde aquele atleta
35:54quer chegar,
35:55é muito diferente
35:56você fazer a estratégia
35:58de um jogador
35:58de futebol
35:59do que
36:00de um atleta
36:01da NBA,
36:02um atleta
36:03da NFL,
36:04um atleta
36:04de beisebol americano.
36:05O mercado é outro,
36:06a cultura é outra.
36:08A maneira como
36:09os contratos
36:10são negociados,
36:11a duração
36:11do contrato
36:12é diferente.
36:12Nos Estados Unidos
36:13você tem o draft,
36:14que é
36:16um outro conceito.
36:17Na verdade,
36:18o clube escolhe
36:19qual jogador
36:20vai querer,
36:21que é uma coisa
36:21que no futebol
36:22não existe.
36:23No futebol,
36:23o atleta é formado
36:24na categoria de base
36:25de um determinado clube.
36:26Então, assim,
36:27as relações
36:28são diferentes,
36:30mas você tem
36:31um lado,
36:32que é esse lado,
36:33que eu acho
36:34que é o diferencial
36:35da Rock Nation,
36:35que é a transformação
36:37do grande atleta
36:38num ícone
36:39cultural,
36:40global,
36:41isso aí você está
36:42falando de
36:43seguir certos
36:44processos
36:45que são similares,
36:46independente
36:47do atleta
36:48ser brasileiro,
36:49ser americano,
36:49ser belga,
36:50ser italiano,
36:51eu acho que isso aí
36:52não muda.
36:52Ou seja,
36:52uma transformação
36:53que está em acontecimento.
36:54Exatamente.
36:56isso é tendência,
36:57né?
36:57Isso é tendência,
36:58saber quem se dá bem
36:59é quem consegue ler melhor
37:00o futuro.
37:01O que você acha
37:01que são as principais tendências
37:03para os próximos cinco anos?
37:04O que um atleta
37:05hoje precisa fazer
37:06para ele estar bem
37:07daqui cinco anos?
37:08eu acho que
37:11principalmente cuidar do corpo,
37:12a gente já falou aqui,
37:13eu acho que a coisa
37:14mais importante
37:16para o atleta,
37:17eu acho que hoje
37:17você tem uma série
37:19de novos
37:22métodos de treinamento,
37:25novos suplementos,
37:26novas,
37:26assim,
37:28é ter uma equipe
37:30em volta,
37:30porque é óbvio,
37:31o atleta não tem como
37:32ele ficar antenado,
37:33ele está focado
37:35na arte dele,
37:36que é jogar futebol,
37:37mas eu acho que
37:39é isso,
37:40é saber
37:43da importância disso
37:44e enxergar isso
37:45não como uma despesa
37:46e sim como um investimento.
37:48Você saber
37:49que cada centavo
37:52que você está
37:54investindo no seu corpo,
37:55ele vai te dar
37:55muito mais retorno
37:56lá na frente.
37:57E aí a gente pode
37:58entrar aqui também
37:59na parte comercial,
38:01na hora que a gente
38:02pensa no
38:04inteligência artificial,
38:05streaming,
38:06mídias sociais,
38:07você tem aqui
38:08talvez uma tendência
38:09de como que você
38:12consegue utilizar
38:13essas novas tecnologias
38:15para aumentar
38:16o valor comercial
38:17desses atletas,
38:18aumentar o valor
38:19de influência dele.
38:20Eu acho que a gente
38:21vai entrar numa era
38:23em que o atleta
38:24cada vez mais
38:25ele vai ser
38:26um influenciador.
38:27Um influenciador
38:28e isso, assim,
38:30vai ser uma mudança
38:31que vai vir.
38:33Hoje há um
38:37tabu
38:38se falar desse assunto,
38:39mas é a vinda
38:41provavelmente
38:42do jogador influenciador.
38:43E na hora que isso chegar
38:45vai mudar
38:46provavelmente
38:47o benchmark
38:48de toda uma próxima
38:49geração de atletas
38:50que está vindo aí.
38:52E aí você cria
38:53uma outra possibilidade
38:54de recurso
38:54que ainda não é,
38:56existem vários casos
38:57no Brasil,
38:57mas não é a regra
38:58para todos,
38:58que é a atração
38:59de marcas patrocinadoras.
39:01O Vini é um grande
39:01exemplo,
39:02me parece que tem
39:03mais de 10 marcas
39:04patrocinadoras,
39:04o Hendrick tem
39:05mais de 8 marcas
39:07patrocinadoras,
39:07o Neymar,
39:08um ícone importante,
39:09algumas estrelas
39:10muito vencedoras
39:11do esporte,
39:11não é o seu dia a dia,
39:12mas o Gabriel Medina,
39:14o Ítalo Ferreira,
39:15Raíssa no skate,
39:16mas são exemplos
39:17dentro de cada esporte,
39:18o João Fonseca agora,
39:20mas são exemplos
39:21dentro de cada esporte,
39:22na verdade,
39:23não quer dizer
39:23que toda a categoria
39:24ou todos os outros,
39:26o segundo melhor
39:27não necessariamente
39:28tem metade
39:29dos patrocínios.
39:30Isso também acontece,
39:32que tem a ver
39:32com essa formação
39:33desse ícone global
39:34que é capaz
39:35de influenciar,
39:36o sentido de influenciador,
39:37uma palavra que quase
39:38ficou um pouco
39:39pejorativa no Brasil,
39:40mas no sentido
39:40de influenciar,
39:41de moldar comportamento
39:43e tudo mais.
39:44Ou seja,
39:44isso acontece
39:45e é importante
39:45para a estratégia de vocês.
39:46Exatamente,
39:47moldar comportamento,
39:48moldar cultura.
39:49É uma coisa muito importante
39:50na formação
39:51da Roc Nation,
39:53como agência,
39:54como empresa
39:54de entretenimento.
39:55Isso aí é o ponto
39:56mais importante,
39:57é um ponto para nós
39:58que é fundamental
39:59como modelo de negócio,
40:00porque você tem que lembrar
40:01o seguinte,
40:02da onde vem
40:03a ideia
40:05de nós sermos
40:06uma empresa disruptiva?
40:07Ela vem,
40:08na verdade,
40:08do fato do hip hop
40:10ser um gênero
40:11de música
40:11que é outsider,
40:13é de fora.
40:14E ele,
40:15como era de fora,
40:16e aí você tem
40:17um histórico grande
40:18dos artistas negros
40:20e latinos
40:21nos Estados Unidos
40:22serem explorados,
40:24eles vieram com
40:25um modelo de negócio
40:26diferente
40:27da música tradicional,
40:28que é
40:29do it yourself.
40:31Você tem que fazer,
40:32é um empreendedorismo
40:34musical cultural.
40:37E o Jay-Z
40:38é o cara
40:38que representa isso.
40:40E isso mudou.
40:41Então,
40:41você pega a música,
40:43você pega os Beatles,
40:44Rolling Stones,
40:44Michael Jackson,
40:45o que é?
40:46É gravadora,
40:48rádio,
40:50turnê,
40:51merchandising,
40:52básico,
40:52venda da cabisa.
40:54Quando você pega
40:55a geração
40:55desses artistas
40:57do hip hop,
40:59do rap,
41:00estamos falando aí
41:01final dos anos 80,
41:02final dos anos 90,
41:03é o que?
41:04É cultura,
41:06comunidade,
41:07música,
41:09marca,
41:09equity.
41:10Produto.
41:11O Jay-Z tem a champanhe dele?
41:13Exatamente.
41:13Então, você já começa a entrar.
41:14É o Beats by Dr. Dre,
41:16é a champanhe do Jay-Z,
41:18é a Vitamin Water
41:20do 50 Cent,
41:22a maquiagem da Rihanna.
41:24Então,
41:25esse conceito
41:27que o Jay-Z representa
41:29é o que,
41:30na verdade,
41:30é o que a gente vê
41:31como sendo o futuro
41:33do esporte e do futebol.
41:35Então,
41:35a visão é trazer isso
41:37para os atletas,
41:38tratar os atletas
41:40como esses artistas
41:42da nova geração
41:43foram tratados
41:44e é onde eles geraram
41:45a riqueza.
41:46Na hora que você vê,
41:46ah, o Jay-Z é bilionário,
41:48ele é bilionário por quê?
41:49Não é porque ele vendeu mais música.
41:50A Beyoncé
41:52vende mais música,
41:53tem mais download,
41:54tem mais venda de discos
41:55do que ele.
41:56Mas ele criou equity,
41:59ele criou valor,
42:00ele criou empresas,
42:01ele criou marcas.
42:02Rihanna é a mesma coisa.
42:03Por que ela é bilionária?
42:04Não é por causa da música,
42:06é por causa da maquiagem.
42:07Mas por que tem a maquiagem?
42:08Por causa da música.
42:09Então,
42:09a gente está falando aqui
42:10de um mundo
42:11de quebrar barreiras
42:14e a influência
42:15é fundamental para isso.
42:17Então,
42:17é exatamente o que você falou.
42:18O jogador e influenciador
42:20não é no termo pejorativo
42:21que é o cara
42:22que vai ficar se postando
42:24no Instagram
42:25ou no TikTok.
42:26Mas é o cara
42:27que sim consegue influenciar
42:29e consegue mover a cultura.
42:30Agora,
42:31do mesmo jeito
42:32que você assistiu
42:33um dia
42:33o Jerry Maguire
42:34e se encantou
42:36e decidiu
42:37que você ia querer sair
42:37da sua carreira
42:38de banco de investimento
42:39para trabalhar no esporte,
42:41é muito provável
42:41que tem bastante gente
42:43assistindo aqui
42:44o Dentro da Arena
42:44e que olhou o Fred
42:45com toda essa categoria
42:47explicando para a gente
42:48o que é o mundo do futebol,
42:50toda essa transformação
42:51e vai se inspirar
42:52não só porque aprendeu
42:53muito como eu aqui,
42:54mas também porque
42:55eu quero fazer
42:56o que esse cara faz.
42:57Eu quero trabalhar
42:57na Roc Nation
42:59ou eu quero trabalhar
42:59nessa indústria.
43:00Que dica você dá
43:01para quem quer entrar
43:02na indústria do esporte?
43:05Olha,
43:05eu acho que
43:07muito estudo,
43:09propensão a sacrifício,
43:10resiliência,
43:11disciplina,
43:12eu acho que
43:13são coisas
43:14que são
43:16da personalidade
43:17de qualquer pessoa
43:18que hoje quer vencer.
43:19A gente está falando
43:19do mundo
43:20cada vez com mais gente,
43:23com mais competição,
43:25então,
43:25acho que a gente tem que
43:27não tem muito
43:29fórmula mágica,
43:30não.
43:31É o trabalhar duro.
43:33Pessoal,
43:33a gente fala
43:34no futebol
43:35dos craques.
43:36Eu tenho o privilégio
43:37de ser amigo
43:38desse cara,
43:38o Fred,
43:39que é um craque,
43:40como vocês viram aqui
43:41no papo de hoje,
43:42qual que é
43:43a capacidade,
43:44o repertório
43:45que o Fred tem,
43:45não só de explicar
43:46o que ele faz,
43:46mas especialmente
43:47de toda essa carreira
43:49de sucessos
43:50que ele segue acumulando
43:50e vai trazer,
43:51com certeza,
43:52mais sucesso
43:53nos próximos anos.
43:53Então, Fred,
43:54muito obrigado por vir
43:55ao Dentro da Arena.
43:57Felicidade de ter você aqui,
43:58obrigado por compartilhar
43:59todo o seu conhecimento
43:59com a nossa audiência
44:00e muito boa sorte
44:01nos próximos passos seus
44:02de todo o time
44:02da Rock Nation.
44:03Obrigado a você.
44:04Espero voltar mais vezes.
44:05O Dentro da Arena
44:06fica aqui
44:07e a gente volta
44:08no próximo episódio.
44:09Até lá!
44:09O Dentro da Arena
44:14o Dentro da Arena