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  • há 1 dia
Unida por amizade de décadas, banda gaúcha coleciona hits como "Camila, Camila" e se tornou ícone do pop rock nacional

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Transcrição
00:00Música
00:05Mas se não tivesse chovido naquele dia, a gente não estaria sentado aqui.
00:12Depois da última noite de festa, chorando e esperando amanhecer, amanhecer.
00:23No estúdio onde a gente estava ensaiando, o dono do estúdio, o Walter, era um cara que cuidava muito do
00:31carapete.
00:32Então, quando chovia, a gente já sabia que a gente ia chegar lá e ia estar tudo forrado de jornal.
00:38Mas assim, todos os passos do estúdio, para não botar o pé molhado, ele botava jornal.
00:45Por uma coincidência do destino, ele botou na minha frente, quando eu estava tocando ali, a gente ensaiando, eu baixei
00:51a cabeça.
00:51E estava em uma programação de cinema, tinha um anúncio de um filme argentino chamado Camila.
00:58Aí eu só olhei e cantei, Camila.
01:09E dessa amizade sempre tinha música, sempre tinha música, não se escapava dela.
01:14Então, o cara não fundou uma banda, eu acompanhei bastante, fui nos ensaios lá na arquitetura.
01:20Ele reuniu os caras, que eram os engenheiros do Havaí, mas por opção dele, ele não quis permanecer com a
01:28banda.
01:29Achei que nem era certo.
01:31E aí a gente falou, pô, tudo que a gente precisa para fazer uma banda é ter uma guitarra.
01:37Tu tem uma guitarra agora, a gente aqui...
01:39Nada mais nos detém.
01:40É, a gente se vira, eu e o Sadio vamos virar para aprender a tocar baixo de bateria, podemos fazer
01:46uma banda.
01:48Mas foi assim, meio de loucura, de...
01:51A gente tinha, o Nenhum Latim Norte, assim, que a gente mesmo colocou desde o princípio, assim, tinha um monte
01:56de bandas surgindo, então eles tocavam a música dos Paralamas, tocavam a música do Legião, tocavam a música dos Titãs,
02:01tocavam a música de todo mundo.
02:03A gente também tocava para praticar, mas a gente tinha, o nosso Norte é o seguinte, nós vamos compor o
02:08nosso repertório, nós vamos fazer as nossas músicas e elas vão ser a nossa prioridade desde o início.
02:12Eu acho que essa foi a escolha que a gente fez, foi a mais acertada de todas.
02:16E aí o Sadio começou a tocar nesse bar, o Bagagô, e o que que acontece? Ele ficou muito amigo
02:22do dono lá, e durante o dia o bar ficava fechado, o equipamento ficava lá parado, ninguém usava para nada
02:29o equipamento, e o Sadio, se a gente vier para cá ensaiar, né, não tem problema, o Ricardo disse, ah,
02:34não tem problema, pode vir.
02:35É, o colega da Ponto.
02:36É, só não bebo um todo, a bebida.
02:38Eu me lembro que a gente começou a compor a Camila nesse lugar, o Bangalô foi muito inspirador, era um
02:45lugar bacana, que a gente não tinha o reloginho correndo, então a gente fazia no ritmo nosso, né.
02:50Porque a gente sempre teve um ritmo muito lento de composição, assim, o nosso sistema de composição no começo era
02:55muito de idas e vindas, né.
03:03Eu ficava alguns meses ensaiando no bar, e um dia o dono veio perguntar, vem cá, vocês estão ensaiando aqui,
03:09não vão tocar?
03:11Eu falei, pô, vai dar uma noite pra gente, a gente não toca a música dos outros, as bandas, a
03:15maioria ia pro bar animar à noite, com cover, nem se chamava de cover, né.
03:20Ele falou, se trouxerem gente, tá valendo. E aí a gente levou, parente, amigo, tudo.
03:28Estava lotado, tinha vários, vários caminhos, 80 pessoas.
03:32Era um baixo e um mezanino, assim.
03:34Isso gerou essa notinha na zero hora, ou seja, começou a existir uma banda nova em Porto Anérico.
03:50Vamos procurar um baterista, vamos procurar um guitarrista pra fazer uma banda, como a maioria acaba sendo.
03:56Não, nós éramos amigos que resolvemos aprender junto.
04:01Esse aprendizado gerou uma banda.
04:02Então, isso, ao longo dos anos, sempre foi um fator, um acordo seguro, um fator de nação.
04:19O João, a coisa foi toda muito surpreendente, assim, porque de todos nós, o João era o mais novo de
04:25nós todos aqui.
04:26Até então, a gente nem considerava, nem de longe, a possibilidade que uma coisa dessa pudesse vagamente acontecer, assim, foi
04:34extremamente rápido.
04:36É uma violência drástica e não tem como a gente encarar o palco sem a presença dele.
04:46E é porque é presente, né.
04:48Mesmo, como eu costumo dizer, mesmo que não tenha a nota do acordeão do teclado, não é isso que faz
04:55falta.
04:56Falta um irmão no palco.
04:58E foi, a gente continuou, acho que, em grande parte, porque a gente acha que era a forma certa de
05:05homenagear eles.
05:06Mas não é fácil, não foi.
05:08Não está sendo fácil de, essa perda, assim, porque a gente está sempre subindo no palco, quando a gente olha
05:14no palco, sente falta.
05:23Passamos todos os percalços da indústria do disco, para resistir, sair do vinil, do cassete, para o CD, para hoje
05:31estar dentro do celular uma obra inteira.
05:34Mudança de governo, mudança de moeda, sabe.
05:37E tu dizia, cara, a gente está abraçado nisso.
05:40Na mesma coisa que os guris sempre falam uma coisa que, para mim, é interessante.
05:44A banda só acaba quando a gente quiser, na verdade.
05:46A banda só acaba quando a gente quiser.
05:51A banda só acaba quando a gente quiser.

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