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  • há 4 semanas
Comandante da Guarda de Vitória é morta por companheiro policial; amiga destaca a urgência de entender a violência doméstica.

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Transcrição
00:00Ela enfrentava a violência todos os dias, protegia vidas, defendia mulheres, mas dentro da própria casa não conseguiu escapar.
00:11A comandante da guarda de Vitória, Daisy Barbosa, foi assassinada a tiros, segundo a polícia pelo próprio companheiro Diego Oliveira,
00:20um policial rodoviário federal.
00:23A arma era a dele.
00:26Hoje quem decide falar é a melhor amiga de Daisy, uma amizade de décadas, madrinha da filha dela, confidente de
00:35uma vida inteira.
00:37Era minha irmã, eu era irmã dela, entendeu? Por muitos anos assim.
00:41Uma mulher forte, determinada, que nunca se colocou como vítima.
00:46Ela de frente, ela enfrentando assim, né?
00:50Nunca acuada?
00:52Nunca acuada, nunca acuada.
00:54Uma líder, uma mãe, uma referência.
00:58No começo, o relacionamento de Daisy e Diego parecia perfeito.
01:03Ele agradava muito a ela, tá?
01:08Surpreendia ela com passeios, né?
01:11Ele trabalhava em Brasília, então quando ele vinha, era só coisas boas, né?
01:19Então ele, ela estava muito feliz no começo do relacionamento com ele.
01:23Mas o comportamento mudou.
01:26Vieram os términos, as indas e vindas e o silêncio.
01:31Depois do primeiro término, a qual ela não tornou isso público,
01:38mas você via que cessava um pouco aquelas fotos no Instagram, né?
01:43E depois ela teve algumas idas e vindas.
01:48Com o tempo, os sinais ficaram mais claros.
01:51De uns dois anos a um ano pra cá, as coisas se tornaram muito, como dizia ela, né?
02:02Dando pitir por causa de ciúmes.
02:04Ela usava muito essa palavra, né?
02:07Pitir.
02:07Ciúmes, controle, desequilíbrio e até ameaças.
02:12E ela foi e explicou o pai dela.
02:14Troquei os cadeados, tamo aqui a chave, né?
02:16A chave pra ela e pro pai dela, que eram os moradores da casa.
02:20E falou, né?
02:21Assim, o pai dela, no domingo de manhã, ela saiu, o pai dela foi com ela, né?
02:26Não deixava ela ficar sozinha.
02:28Na última semana, o aviso foi direto.
02:31Na última semana, né?
02:33Foi até uma conversa que eu tive com o pai dela.
02:35Eles brigaram.
02:39E ela avisou o pai dela.
02:44O Diego falou que vai me matar.
02:46Ela trocou as fechaduras.
02:49Avisou o pai.
02:50Tentou se proteger.
02:52Mas a pergunta que sempre aparece
02:54precisa ser feita de outra forma.
02:56Ao invés de por que a vítima não saiu,
02:59teria que ser por que o agressor não parou.
03:03Não é sobre a vítima.
03:05Não é sobre a vítima.
03:05As pessoas estão questionando, né?
03:09Por que a pessoa não avisou a ninguém.
03:13Mas isso não vai te impedir de morrer
03:15se o agressor for atrás de você.
03:19No início dessa semana, enquanto dormia, o pior aconteceu.
03:23Quando eu vi o Samu na porta,
03:25eu ainda fui confiante de que ela teria sido socorrida, né?
03:31Tivesse um fio de esperança, né?
03:34Que aquilo pudesse terminar bem, né?
03:38E quando eu subi, que eu vi ela caída no quarto
03:45e a forma que ela estava caída,
03:48pela primeira vez, pela primeira vez na minha vida,
03:52no meu relacionamento com ela, na minha amizade,
03:54eu escutei.
03:56Eu escutei a voz dela pedindo socorro.
03:59E então, um momento que nunca mais será esquecido.
04:02E a forma que ela caiu foi de fuga.
04:07De tentar realmente fugir daquela situação ali.
04:11Uma mulher forte que enfrentou de tudo na vida,
04:14mas que naquele instante precisou pedir ajuda.
04:17A Deise era uma mulher forte, determinada, corajosa.
04:22Deise passou a carreira lutando contra agressores de mulheres,
04:27mas foi vencida por aquilo que jurou combater.
04:31Não foi falta de coragem,
04:33mas a violência que cresceu escondida
04:35e matou sem pedir licença.
04:38A gente não tem que questionar absolutamente nada em relação à vítima.
04:45Nada, nada.
04:46A vítima não tem um perfil.

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