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  • há 12 minutos
A vida social da pessoa aposentada muda drasticamente, sem mais os colegas de trabalho e a rotina diária. Além disso, muitos aposentados se sentem perdidos e sem dinheiro, o que pode piorar a situação. A nossa convidada especial é a Dona Carmelita, uma aposentada que vai contar suas experiências e desafios enfrentados após se aposentar. Juntamente com ela, teremos a Rose que vai falar como enfrentou esses desafios. Para nos ajudar a entender melhor esses desafios e propor soluções, teremos a Gisélia Freitas, uma psicóloga especializada em idosos. Ela nos ajudará a entender como lidar com a transição para a aposentadoria e como criar uma rotina e uma vida social saudável e feliz.

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Transcrição
00:00Olha só, agora a gente muda de assunto, hoje é dia do aposentado, você sabia?
00:03Mas e aí, será que quem se aposenta no Brasil tem de fato motivos para comemorar?
00:10Eu te pergunto.
00:11Olha, você trabalha a vida inteira, trabalha, trabalha, trabalha pensando o quê?
00:15Ai, vai chegar a hora, eu vou descansar, vou curtir a vida.
00:18Só que, junto com a aposentadoria, meu amigo, minha amiga, vem um turbilhão de problemas, né?
00:25São cerca aí de 21 milhões de aposentados hoje no Brasil.
00:30Os dados da Previdência Social mostram que, atualmente, apenas um terço dos aposentados
00:37recebe acima do salário mínimo e há anos não recebem um aumento real.
00:44E, justamente, quando a renda cai de forma drástica, os gastos com a saúde tendem a o quê?
00:52A aumentar, né?
00:53E a gente não está falando só de questão financeira, não.
00:56É agravante? É.
00:57Mas também tem a questão da vida social, né?
01:00A vida social da pessoa que se aposenta, né?
01:03Que a gente sabe que muda, não tem mais aqueles colegas de trabalho.
01:06A rotina, né?
01:08Que a pessoa, às vezes, se sente perdido.
01:10Vem a solidão.
01:11Aí não tem dinheiro para piorar.
01:13Vamos bater um papo sobre essa mudança.
01:16Como que era a sua vida antes da aposentadoria e como que é hoje?
01:19Participa com a gente no Facebook, que aqui no nosso estúdio, ó, eu recebo a dona Carmelita.
01:24Está até respirando fundo, assim, ó.
01:27Repondo o fôlego para falar do assunto aposentadoria.
01:30Obrigada pela sua participação.
01:32Dona Rose, também maravilhosa.
01:34Obrigada pela sua presença.
01:35Eu agradeço.
01:36Nós que agradecemos.
01:37Gisele Afreitas, nossa querida psicóloga, também contribuindo com a gente com esse assunto.
01:42Dona Carmelita, por que a senhora respirou fundo quando a gente falou de aposentadoria, hein?
01:46É, boa tarde a todos.
01:48É, porque é difícil, não é?
01:50Vou te contar.
01:53Eu moro só, eu e Deus, né?
01:55Se eu depender da minha aposentadoria, não dá para mim.
01:59Não dá.
02:00Não dá.
02:01E pessoas que têm cinco, seis, até nove, dez filhos, como que vai viver?
02:06Eu, graças a Deus, meu filho me ajuda muito.
02:10Eu vivo fazendo meus trabalhos, faço meus crochês, faço várias coisas, né?
02:14Para mim poder adiantar a minha vida, para poder pagar minhas contas.
02:19Senão, não dá.
02:20A aposentadoria não dá.
02:23A senhora imaginava...
02:24Hoje a senhora tem quantos anos?
02:2674 anos.
02:2774 anos.
02:28A senhora imaginava que aos 74 anos a senhora precisaria fazer um trabalho esse, faz o crochê,
02:34depende também da ajuda de filho, para conseguir fechar essa conta?
02:37Não, não pensava isso.
02:38Achava que a gente ia viver tranquilo, né?
02:41Poder viajar, poder andar para lá, andar para cá, mas não dá.
02:45E você, dona Rosa, e a senhora?
02:47Não dá.
02:47Boa tarde.
02:47Boa tarde, Roberta.
02:49Boa tarde a todos que estão aqui no estúdio, de casa também, que estão não assistindo, né?
02:57Mas eu sempre trabalhei desde novinha, né?
03:02Eu não tive adolescente, eu trabalhei de novinha para ajudar, não tive aquela fase de adolescente, né?
03:11Trabalhava para ajudar o meu pai a criar meus irmãos.
03:16Então, depois eu casei, né?
03:18Fiquei uns anos casada e tal.
03:21Separei, né?
03:22Aí continuei trabalhando, trabalhava como manicure, trabalhava como cozinheira.
03:28Eu me aposentei como cozinheira, tem quatro anos.
03:32Mas realmente não dá.
03:35Eu me aposentei com salário mínimo.
03:37Eu trabalho como acompanhante idoso, eu sou manicure.
03:44Eu, às vezes, faço evento, né?
03:47Porque eu sou DJ, faço evento com som para ajudar na renda.
03:53Porque se depender só do dinheiro da aposentadoria, não dá.
03:58Já, já a gente vai falar das outras mudanças também, não só do lado financeiro, né?
04:03Aquilo que a gente citou, as amizades que vão ficando para trás.
04:06Vai vendo a vida seguir, alguns colegas também vão se perdendo, né?
04:10Deixa eu só antes falar aqui com a Gisele, né?
04:13Gi, boa tarde.
04:14Obrigada mais uma vez pela sua participação.
04:16Como que a pessoa se prepara mentalmente para todas essas mudanças?
04:22Porque o que é muito importante não é só o aspecto financeiro, que pesa muito,
04:28mas muda completamente o estilo de vida, né?
04:31O padrão também.
04:32Totalmente, porque a perda de capital não é só financeira.
04:35Existe uma perda de capital social, relacional, afetiva.
04:40E quando a gente fala da nossa cultura, isso ainda fica mais maximizado, né?
04:45Então, para se preparar, existe uma preparação que é familiar também, né?
04:49É psicológica também, de saúde.
04:52A gente fala que primeiramente tem que preparar o físico, a saúde.
04:55É saúde mental e saúde física, né?
04:57Então, a qualidade cognitiva, Robertinha, conta muito,
05:01porque essa perda é uma perda significativa.
05:04E a gente não está acostumado a envelhecer de forma saudável.
05:09Só que hoje a qualidade de vida proporciona que a gente fique em atividade produtiva
05:14muito mais tempo, né?
05:15Tem pessoas que se aposentaram e que continuam com a empregabilidade.
05:19A empregabilidade não é manter carteira assinada, é manter sim a atividade produtiva,
05:23aumentando a renda, que como você falou muito bem, o valor é muito pouco.
05:26O custo de vida no Brasil só tem aumentado.
05:29O custo de vida é alto, remédio é caro, para ter uma vida sadia,
05:32depois que você finalmente quer sossego, quer paz, você tem que ter capital financeiro também, né?
05:39E também é impactado, como eu falei, com afetivo, relacional,
05:43porque perde também o significado social.
05:45E agora, quem eu sou frente à sociedade, né?
05:48Ó, na minha faixa etária, por exemplo, eu gasto X com remédio.
05:52Quando chega aí na fase de aposentado, acima aí de 60 anos,
05:56hoje a senhora gasta quanto com remédio?
06:00Graças a Deus, eu não preciso de remédio.
06:02Graças a Deus.
06:03Graças a Deus.
06:04A senhora é uma exceção.
06:05Eu não preciso, não.
06:06Porque o que a gente sabe de aposentado, né?
06:08Porque vem junto aí na fase, justamente a fase da terceira idade,
06:12é remédio atrás de remédio.
06:14É assim com a senhora, dona Rose?
06:16Não, Roberta.
06:17Graças a Deus, eu tenho muita saúde.
06:19Que bom.
06:20O único problema que eu sofro é o problema de estômago,
06:23porque eu tomo remédio, mas o SUS dá, né?
06:25Só tem um remédio que eu compro, pantoprazol.
06:30Esse o SUS não dá.
06:31Então, eu tenho que comprar todo mês duas caixas.
06:35E eu, sim, tenho atividade, né?
06:37Tenho minhas atividades.
06:39Graças a Deus, eu não sinto nem dor de cabeça.
06:41Olha, isso é uma exceção, porque a gente sabe...
06:44A própria Gisele já adiantou aqui pra gente o quanto que se gasta um remédio.
06:47É muito caro, é muito caro, né?
06:49Como ela diz, precisa da ajuda também pra se manter da família, dos filhos.
06:54Ou tem que ter uma renda extra.
06:55Ninguém aqui tá vivendo só da aposentadoria.
06:57Não só da questão de saúde, mas também social.
07:00Como é que viaja?
07:01Como é que paga as contas?
07:03Luz aumentando, custo de vida alto.
07:05Então, a pessoa não consegue se manter se ela não tiver realmente uma renda que abasteça a sua vida.
07:11E o outro aspecto também, dona Carmelita, por exemplo, a mudança do padrão de vida, né?
07:18Que a gente vê que precisa fazer escolhas, mudar, às vezes, o estilo, né?
07:24Se antes a pessoa conseguia viajar, opa, reduziu a renda, já não consigo dar conta.
07:28Então, não pode viajar, não pode comprar a roupinha que quer.
07:31Isso a senhora também sentiu?
07:33É, sim, senti.
07:35Mas, graças a Deus, sobre isso daí, eu não posso reclamar sobre roupa.
07:40Até viajar, eu tenho até viajado, né?
07:42Porque meus filhos estão criados, graças a Deus, né?
07:45Meus filhos bem empregados, né?
07:48Minha nora, você, vovó, novamente, né?
07:51Depois de 23 anos, você, vovó, de novo, se Deus quiser.
07:54Então, isso não me atinge, não.
07:56Mas não atinge porque a senhora faz o crochê.
08:00Eu faço o crochê e agora eu sou modelo também, né?
08:04Ganha cachê também como modelo.
08:05Ganho os cachêzinhos de vez em quando, né?
08:07E tô no crochê até, às vezes, eu fico acordando até duas horas da madrugada,
08:13crochetando.
08:14E no outro dia, como é que a senhora acorda?
08:15Como é que fica a sua saúde?
08:16Fica cansada?
08:17Eu fico cansada.
08:18E, às vezes, eu durmo com a agulha na mão, pra lá, pra cá.
08:22Aí, fico na cama até lá, pras oito, nove horas.
08:26Levanto, vou pra ginástica, vou pro CRAS.
08:29Graças a Deus, minha saúde é boa.
08:31Fiz uma cirurgia, já te falei, né?
08:35Tomo o remédio.
08:38Esqueci o nome daquele remédio.
08:39É 0,25 miligramas.
08:41Não, se preocupa com o nome do remédio, não.
08:43Só isso daí que eu tomo, mas é uma coisa que a doutora falou que quase não tomo mais precisando.
08:47Bola de badalinho, nem dá sono.
08:49Qualquer hora, se eu precisar, bola de badalinho, o remédio é barato.
08:52O Roberto, nenhuma das duas aposentou, não, tá?
08:54É, tá bem, não aposentada.
08:56Nenhuma das duas foi aposentada, não é referência.
08:59Nós não aposentamos, nós não estamos aposentadas.
09:02Continua mais ativas até.
09:04Muito.
09:05Você, hoje, continua até mais ativa do que era antes?
09:08Assim, mais ativa.
09:10Porque depois que eu me aposentei, eu me tornei DJ.
09:14Então, isso aí, para mim, é uma atividade muito grande.
09:17Que eu tenho problema de dar uma filha doente.
09:20Eu ajudo a minha filha, né?
09:22Eu já te falei que ela terminou agora o segundo tratamento do câncer.
09:27Então, graças a Deus, está bem.
09:29Mas eu continuo ajudando ela.
09:31E eu não abro mão dos meus eventos que eu tenho que fazer, da minha vida social.
09:39Eu continuo, sabe?
09:41A primeira vez foi um baque.
09:44Por que a primeira vez foi um baque?
09:45Porque eu não achei que aquilo nunca ia acontecer na minha família.
09:48Quando eu vi minha filha chegando em casa, mutilada, foi para mim, foi um baque.
09:55Eu custei para me levantar.
09:59Muita oração, muita fé em Deus.
10:01Fizemos uma corrente de oração.
10:03A família toda.
10:05E, graças a Deus, minha filha venceu.
10:08Depois de cinco anos, outro susto.
10:11Olha só que interessante, Gisélia.
10:13Mais uma característica, mais um aspecto que quando chega nessa fase da aposentadoria, né?
10:20Já que a gente está falando ali que acontece a partir de, beirando ali 60, 70 anos, é também lidar
10:26com as perdas.
10:27Isso.
10:28Com as possíveis perdas.
10:29Com os lutos.
10:29E isso se torna mais comum.
10:32Interessante você trazer esse discurso e entrar com duas temáticas dentro do que elas colocaram.
10:38Isso, a questão de viver o luto, que existem várias perdas, né?
10:41Falamos da financeira, afetiva, relacional, vários capitais.
10:45Existe também a perda física dessas pessoas e não só de forma subjetiva.
10:50Então, a resiliência psicológica tem que ser grande.
10:53E ela está trazendo questões que essa geração de aposentados foi a geração, talvez, mais forte que a gente já
10:59teve, dessas mulheres, né?
11:01Porque hoje a nossa geração dos jovens, a gente estava falando recente aqui da geração neném, da geração que fica
11:06na casa do pai, fica na casa da mãe.
11:07Muitas dessas gerações de agora estão dependendo é delas, para continuar a sobreviver.
11:12Então, os pais deveriam estar dependendo dos filhos e, na verdade, é reverso.
11:16Então, estamos vivendo uma geração de aposentados que continua trabalhando porque precisa continuar sustentando a família.
11:23Verdade.
11:23Olha só, e um dos grandes desafios, né?
11:26Para quem se aposenta é o quê?
11:29Exatamente o que a gente estava falando.
11:30É manter aquele mesmo padrão de vida que você levou a vida inteira.
11:34E isso é quase impossível, né?
11:36Não tem jeito, porque se a renda cai, você não se aposenta com o valor que você ganhava o salário.
11:41Então, a gente precisa se adaptar a uma nova realidade.
11:44Vamos convidar também a Eduarda Araújo, que é economista, aqui para o nosso bate-papo.
11:48Eduardo, eu estava vendo uma pesquisa muito interessante, que 90% do brasileiro, ele quer se planejar, né?
11:57Ele se preocupa com a aposentadoria, mas apenas 6% de fato se planeja.
12:05O que isso representa?
12:06O que esse número representa para você?
12:09O que está por trás disso?
12:10Boa tarde.
12:11Boa tarde, Roberta.
12:13Boa tarde a todos aí que nos escutam.
12:15Na verdade, isso é uma característica, eu diria, do brasileiro e do ser humano.
12:19Essa dificuldade de fazer o planejamento e também de fazer aquela escolha, né?
12:26De deixar, de consumir hoje, para poder consumir um pouco mais no futuro, né?
12:31A gente...
12:32É uma característica humana, essa tendência da gente olhar só para o presente e não planejar muito o futuro.
12:39E, assim, tendo, assim, em consideração que as pessoas têm uma dificuldade de fazer uma programação financeira, até para o
12:47próprio ano, né?
12:48Imagina agora das pessoas que estão nos escutando em casa.
12:52Quem são aquelas pessoas que já conseguiram parar nesse início de ano para fazer um planejamento do orçamento até o
12:59final do ano, de dezembro?
13:00Quem será que são aquelas pessoas que têm uma planilha, que conseguem, ali, calcular mais ou menos quanto é que
13:06ele vai receber ao longo dos meses, vai gastar?
13:09Então, quando a gente começa a conversar com as pessoas, a gente percebe que as pessoas parecem que estão mais
13:16ali naquela coisa do dia a dia, né?
13:19Que estão falando, ah, vou levando do jeito que eu posso e aí vai tentando administrar do jeito que dá.
13:26Esse tipo de comportamento, ele é muito preocupante porque quando a gente pensa na situação da aposentadoria, como você explicou,
13:35há uma tendência das despesas das pessoas aumentarem e da receita diminuir.
13:40Uma pessoa vai gastar um pouco mais com o plano de saúde, ela vai gastar mais com o medicamento, em
13:46alguns casos, né?
13:47Pode ser das senhoras que estão aí participando do seu programa, mas a gente tem essa característica.
13:53E a remuneração, que é o seu salário, dependendo do trabalho, né?
13:58Às vezes a pessoa sai de uma condição do trabalho que ela tem alguns benefícios e esses benefícios, eles somem
14:05ali quando você passa a se tornar um aposentado.
14:08Então, isso faz com que a sua renda caia e o padrão de vida de muitos aposentados tendem a cair.
14:17Muitos passam a depender, às vezes, de ajuda de algum filho.
14:23E é isso que traz aí a importância da gente repensar e fazer essa programação.
14:29E falando agora para o público jovem também que nos assiste, Eduardo, tem uma idade que a gente precisa parar
14:37para pensar?
14:37Falar assim, olha, de agora em diante eu preciso dar uma poupada pensando no meu futuro?
14:43Para todo mundo que nos escuta aí agora, Roberta, a regra geral que os economistas recomendam é você tentar tirar
14:51ali 20% do seu salário para fazer uma poupança, né?
14:55Então, aquela pessoa que está recebendo um salário mínimo ali, algo em torno de R$ 1.500 por mês,
15:00ela deveria verificar se todo mês ele está conseguindo tirar pelo menos os R$ 300 ali do seu salário.
15:08E considerar aquilo como uma despesa.
15:11E para a pessoa que é maior, é muito importante, até se conseguir fazer uma taxa de poupança maior,
15:17e às vezes me preocupa quando eu converso com alguns jovens, eu percebo que tem muitos que já querem ter
15:23uma vida de luxo
15:24e se esquecem do efeito que essa poupança pode trazer para todos os projetos que eles vão ter ao longo
15:31da vida.
15:32E no Brasil, tem um grande incentivo para a gente fazer poupança, porque a taxa de juros daquele dinheiro que
15:40você coloca lá no banco
15:41para fazer uma aplicação, ela tem de ser uma taxa interessante, sabe?
15:45Hoje você tem aplicações financeiras que te dão uma rentabilidade aí de renda fixa de 10%, 13%.
15:54Então, para a pessoa que está mais jovem, ter um conhecimento, utilizar o seu tempo para poder aprender um pouco
16:02mais também
16:03desses produtos financeiros, é uma recomendação que a gente dá.
16:07Tentar fazer o máximo, ampliar essa taxa de poupança, né?
16:11Se eu estou falando de 20%, é um percentual conservador.
16:14Mas quanto mais você consegue fazer essa capitalização, isso tem um efeito mágico, assim, de que ao longo do passar
16:23do tempo,
16:25trabalhando com juros no posto no Brasil, isso faz com que tem um resultado muito positivo.
16:32Eduardo, a nossa ligação começou a falhar, daqui a pouquinho eu volto a falar com você,
16:36mas disso tudo que você está falando, deixa eu ver aqui com a dona Carmelita, por exemplo.
16:39A senhora, antes de se aposentar, planejou a sua aposentadoria?
16:45Eu não pude planejar, Robertinho, porque eu tive quatro filhos, né?
16:50E o meu marido, ele não foi aquele pai que ajudou muito, então eu tive que trabalhar, trabalhei de faixa.
16:56Eu trabalhei até lá dentro do Tubarão, raspei muito minério de barra das correias.
17:01Eu tinha 43 anos quando eu entrei para o Tubarão e para criar meus filhos, né?
17:05Meu marido ajudou pouco, então eu não pude fazer essa economia, não pude.
17:11E a senhora, dona Rose, conseguiu se planejar para a sua aposentadoria?
17:15Eu planejei, Roberta.
17:17De que forma?
17:17Fiz vários planos, eu viajei, né?
17:22Não, mas a senhora guardou dinheiro?
17:24Sim, não.
17:24Pocou dinheiro pensando assim, olha, vou aposentar e vou ficar tranquila, não quero dor de cabeça, é a fase de
17:30eu descansar.
17:31Não, eu não deu para guardar por estar ajudando a minha filha, que ficou doente, né?
17:38Agora, graças a Deus, acredito que eu vou conseguir fazer uma poupança, né?
17:44Ou seja, ainda tem esse detalhe, quando surge o imprevisto ainda, que às vezes tudo que você guarda, é preciso
17:51ser utilizado em prol de um assunto maior, né?
17:55Aí haja, haja, é mentalidade para isso, né, Gisélia?
18:01Isso que Edu está falando, né, que esse economista está falando, não é só para aposentar, né?
18:08Então você tem que ser uma pessoa organizada nessa autogestão financeira, porque a gente não sabe dia do amanhã com
18:13parentes, com a nossa saúde.
18:15Hoje vocês estão melhor do que eu e a Roberta, né?
18:18Mas a gente não sabe no dia do amanhã.
18:19Então a gente tem que guardar, tem que reservar, até para fazer aquela viagem do sonho, para ter aquela roupa
18:24do sonho, aquela casa do sonho.
18:26A gente tem sonhos, e sonho até onde eu sei, gente?
18:28Não cai do céu, vem do dinheiro, vem do trabalho.
18:31Então, independente da idade que a gente tem, temos que começar, principalmente ensinar os nossos filhos, né?
18:36Ensino a minha filha com 13 anos a guardar o dinheirinho para não assim, ganhei, vou gastar.
18:41Porque a gente tem uma tendência, né?
18:42Brasileira adora gastar, trabalhei demais, eu mereço.
18:45Vou gastar, vou comprar aquele sapato, aquela brusinha, né?
18:48A gente quer, e acho que a felicidade está direcionada a isso.
18:52Mas vem a idade, vem o tempo e vê que a gente precisava ter se organizado melhor financeiramente.
18:58Olha só, a Maria da Penha participa com a gente, ela diz, eu também tenho que fazer unhas das clientes
19:04para ter um troco a mais.
19:06Depois eu sei as dores que eu sinto, até porque a disposição da pessoa também vai mudando, né?
19:13Ela também diz, pagar plano de saúde é o valor de um salário mínimo.
19:19Também tem mais outro comentário aqui, a Lenira Moura, ela diz, é muito difícil, o salário mínimo realmente não dá.
19:25A gente precisa arrumar algum meio para ganhar um extra, para tentar manter o padrão de vida.
19:30E aí a gente quer saber, Gisélia, essa mudança do padrão de vida, por que é tão difícil assim para
19:38a sociedade aceitar, encarar um novo estilo de viver que é preciso abrir mão de algumas coisas?
19:45É, primeiro que dentro de uma trajetória psicológica, nossa, cultural, a gente tem um processo de negação muito forte quando
19:52vai envelhecendo.
19:52A gente não quer aceitar nosso novo corpo, nossa nova situação, muito menos social.
19:58Então esse é um preparo não só financeiro, né?
20:00Eduardo está falando de forma econômica, eu estou falando de questões psicológicas, você chamou muita atenção para isso no início.
20:06Como me planejar em termos de qualidade cognitiva, ter essa resiliência psicológica,
20:13para que quando eu chegar e começar a cair certos padrões que eu estou acostumada,
20:18eu consegui lidar isso ainda no nível de felicidade, produtividade, de satisfação,
20:23porque quando a gente fala de perda, isso aí é muito relativo, varia muito.
20:26O que é perda para ela, não é perda para ela.
20:28Depende de como foi a sua estrutura de vida.
20:31Agora, após esse planejamento, planejou, se preparou psicologicamente também,
20:37você tem que ver o que é prioridade na sua vida, porque não dá para querer fazer tudo.
20:41Até porque existem limitações físicas, não apenas financeiras e sociais.
20:45O mais importante, gente, é continuar tendo uma qualidade de vida em termos psicológicos,
20:51a estar feliz com quem você é, o que você conquistou, porque a história delas são fantásticas, né?
20:57A gente fica aí já com aquela pontinha de que eu quero também juntar capital de repertório de vida.
21:03Vocês têm repertório de vida e isso é rico.
21:05Então, vocês chegaram aqui com história para contar que muitos não têm.
21:09Isso já é muito bom e isso já é uma vitória.
21:11Quer ver só um exemplo? Eu conheço várias pessoas, né?
21:14Que à medida que a pessoa, com os anos vão passando, a família também, os filhos vão saindo de casa.
21:20Às vezes a pessoa se mantém naquele imóvel, naquela casa grande, onde a família toda vivia ali reunida.
21:27E às vezes é preciso repensar.
21:29Ir para uma casa menor, né?
21:31Às vezes até mesmo uma kitnet.
21:34A senhora mora sozinha?
21:35Eu moro...
21:36A senhora mudou de casa?
21:37Não, eu não vou acostumar mais numa casinha pequenininha, né?
21:40A senhora não acostuma mais.
21:42Não.
21:42Está vendo a mudança do padrão de vida que a gente fala?
21:44Vai fazer crochê até duas horas da manhã mesmo.
21:47É, vai fazer crochê aí.
21:47Meu filho mora no sul do quintal, né, meu filho?
21:50Eu não moro sozinha de tudo, não.
21:52Eu moro dentro da minha casa.
21:53Mas ele mora ali, ele está sempre ali.
21:55Ontem mesmo ele chegou na janela do meu irmão e está bem.
21:58Falei, estou bem.
21:59Então...
22:00Tem dois quartos, uma varanda, uma área de serviço bem grande, um quarto grande, uma
22:07copa, uma cozinha e uma sala.
22:11E nessa residência, não estou falando do quintal, nessa residência a senhora mora sozinha.
22:15Isto.
22:16São essas situações que a gente fala que às vezes é preciso repensar.
22:19É verdade.
22:20No padrão de vida que a gente leva.
22:22Será que eu preciso realmente de uma casa grande, espaçosa, igual a senhora está falando?
22:27São coisas que talvez ali na hora de colocar na ponta do lápis, na hora de enxugar, talvez
22:31seja o ponto para ser revisto, né?
22:33Mas é difícil abrir mão, né?
22:34O custo para manter, né?
22:35É a casa com a história dela também, né?
22:37Vou alugar um quartinho seu lá, hein?
22:40Vou colocar para fazer renda.
22:44Eu preciso dar uma reforma na minha casa.
22:47É um sonho meu, tá?
22:49É, mas sustentando certos padrões, inibem outros sonhos.
22:52Então você tem que colocar no papel o que você quer, o que vocês vão fazer com o dinheirinho, né?
22:56Agora, deixa eu voltar a falar com o Eduardo, porque eu vi aqui alguns comentários.
23:00O Eduardo Araújo, economista, continua com a gente na ligação de vídeo.
23:03Eu vi aqui alguns comentários, já que ele orientou, né?
23:06O ideal, o cenário ideal seria tentar poupar ali 20% do salário, pensando aí na aposentadoria, Eduardo.
23:14Mas aí muita gente falou, poxa, mas poupar 20% de um salário mínimo aí de R$ 1.412
23:20,00, é muito difícil.
23:22Qual é a orientação?
23:25É difícil, mas o pouco que você conseguir poupar, o máximo que você conseguir avançar na sua poupança,
23:33significa que lá na frente você vai estar numa condição melhor, né?
23:37É difícil abdicar, mas aí a discussão toda que a Gisele também está conduzindo aí com você
23:43é sobre essa questão do padrão de vida que a pessoa também quer atepar.
23:48Então, se você consegue ter uma taxa de poupança suficiente de um lado, ou você tem que fazer uma adequação
23:59do seu padrão de vida,
24:00ou então investir em alguma estratégia para poder fazer com que a gente realmente...
24:04Ó, mais uma vez, Eduardo, a nossa ligação está falhando, mas eu vou usar uma fala sua que você já
24:11falou em diversos momentos aqui no programa com a gente,
24:15que a gente precisa pensar, então, se o salário não está dando, é pensar em trabalhos extras, né?
24:20Assim como a dona Carmelita, que faz o crochê, a Rosa, que também é de dia nas horas vagas.
24:25Gente, obrigada pela participação de vocês.
24:28Uma boa tarde, pode tomar sua águinha com calma, viu, dona Carmelita?
24:32Um beijo, boa tarde.

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