- há 2 dias
Confira o assunto da conversa de estúdio do Fala Espírito Santo
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00:00E a gente chama a sua atenção porque neste fim de semana, a gente já adiantou esse assunto aqui,
00:04tivemos dois casos de afogamento e isso reacende o alerta para essa época, né, que é muito calor.
00:11Quando aumenta a procura por quê? Por piscinas, praias, lagoas.
00:15Vamos bater um papo sobre isso?
00:16Aqui no nosso estúdio eu recebo a capitão Andresa Silva, muito obrigada, capitão, pela sua participação.
00:22E também a soldado Priscila Rocha, também muito obrigada pela sua presença.
00:28Explica pra gente quais são as principais causas de afogamento, né?
00:33Nós tivemos aí um caso em Cachoeiro, que foi num parque aquático, infelizmente, e também um caso em Marataízes, numa
00:40lagoa.
00:41A falta de supervisão, especialmente com relação às crianças, é uma das causas.
00:46A questão também da pessoa se aventurar, às vezes ela não sabe nadar, se aventura em um local mais profundo,
00:51também pode se afogar.
00:53A gente sempre reforça a questão da prevenção, que o afogamento, ele é um acidente que existe a prevenção, a
00:59gente consegue evitar.
01:00Então, se é uma criança, a supervisão é sempre constante.
01:03Infelizmente, nesse caso do afogamento, a criança, ela ficou um tempo sozinha, sem a supervisão e estava sem boia.
01:09Então, ela veio a se afogar.
01:11O uso de coletes e alguns tipos de boias que podem soltar, por exemplo, aquelas boias só de braço, ou
01:17a boia redonda que a criança pode se virar, também não é indicado.
01:20O ideal é aqueles coletes que têm espuma, que aí não tem risco de furar, e também aqueles que fixam,
01:24tanto no braço quanto a parte do peitoral, para garantir uma maior segurança para a criança.
01:28E ficar sozinha, jamais, né, capitão?
01:31Jamais.
01:31Sempre a supervisão constante em cima das crianças.
01:34Até porque, como um adulto, já fica complicado, né, já é difícil a gente supervisionar cada segundo, porque é questão
01:41mesmo de um segundo para o outro, né, assim, uma criança, uma distração, o pior pode acontecer.
01:46E hoje a gente tem o celular, que é um dos maiores distratores aí, se a gente acompanha inúmeros vídeos
01:51aí na internet, às vezes você pode estar do lado da criança, a criança se afogando, e os adultos ali
01:56no celular, sem perceber esse afogamento.
01:59O afogamento, ele é silencioso, e se ninguém perceber e retirar essa vítima o mais rápido possível, em poucos minutos
02:04ela pode até mesmo ir a óbito.
02:06Agora, esse caso de Marataízes, se trata, né, de um jovem de 21 anos, e aí isso chama atenção, porque
02:15às vezes a gente pensa assim, ah, eu sei nadar, não, tô acostumado com praia, com piscina, mas, por exemplo,
02:21lagoa, é uma relação diferente, né?
02:23A gente acredita, muitas pessoas acreditam que a maior parte dos afogamentos acontecem no mar, mas na verdade são em
02:29água doce, né, 80% dos afogamentos em água doce.
02:32Então, nunca se aventurar, se não tiver ali, não saber nadar, não dar pé, aquele local, né, então nunca se
02:38aventurar em um local profundo, e também evitar o consumo de bebidas alcoólicas.
02:43A gente sempre reforça isso, que isso é uma das grandes causas também, associar bebida alcoólica.
02:47A bebida alcoólica não combina nem com tranço e nem com água, independente se é praia, lagoa ou rio, nunca
02:52fazer esse tipo de associação também.
02:53E olha, com esse calorão que tá fazendo, a gente sabe geralmente que as crianças que estudam de manhã, nesse
02:58contraturno, ficam em casa pra refrescar, amanhã às vezes colocam no chuveiro, numa bacia com água, na banheira.
03:05São detalhes, momentos que a gente tem que tá ali supervisionando.
03:10Supervisão, não. Existem acidentes já relatados, a gente já veio aqui conversar, por exemplo, em baldes de água, né, então
03:16afogamentos em balde.
03:17O afogamento, ele pode acontecer num filete de água, então balde, banheira, depois que usou, guarde virado pra baixo, né.
03:25Na banheira, na hora que for dar banho também no bebezinho, observar ali as vias aéreas, que às vezes na
03:29distração, a mãe tá banhando e a criança, na verdade, tá com o narizinho e a boquinha na água, né.
03:34Então sempre tá olhando ali pra criança na hora de banhar e usou a banheira, joga essa água fora e
03:40deixa ela guardada e virada pra baixo, porque a criança, ela pode se atrair.
03:43Criança gosta de banho, banha aquele momento gostoso de se refrescar, de diversão, às vezes aqueles brinquedinhos ali, então ela
03:50pode ali se aventurar.
03:52Se ela se apoiar, a cabecinha do bebezinho geralmente é mais pesada que o corpo, então em qualquer balde ou
03:57banheira, se ela se apoiar, ela pode virar e não conseguir retornar.
04:00Então vira-se afogar.
04:01Já, já, gente, a Capitão Andresa e também a Soldado Priscila vão ensinar pra gente as manobras, né, caso a
04:08gente esteja ali numa situação de emergência, a gente precise salvar alguém que esteja se afogando.
04:12Mas antes, eu vou bater um papo, vou convidar aqui a Rosa Maria, daqui a pouquinho a gente tá ali,
04:16ó, no nosso espaço gourmet.
04:18Rosa, você já passou um aperto com o seu filho, né, há alguns anos.
04:22Já, já passei, boa tarde.
04:24Boa tarde, conta pra gente.
04:25O Pedro, ele tava com cinco anos e nós fomos pra um condomínio, um ambiente controlado, a piscina toda perto
04:34e ele tinha começado a fazer natação.
04:36Mamãe, eu sei nadar.
04:37E a gente orientou na beirada da piscina, onde era mais fácil dele chegar e ele foi correndo e pulou.
04:43Só que ele pulou no meio da piscina, que era justamente a parte mais funda.
04:48A gente tava sentado e só via aqueles bracinhos pra cima balançando e o rostinho dele afundando, a gente sem
04:54pensar, eu pulei, entrei de roupa, com o celular no bolso, com tudo que tinha direito pra poder tirar ele
05:00de lá.
05:00E assim, é desesperador, porque quando você olha o braço pra cima, aquele rosto abaixado, é uma sensação de potência
05:06muito grande, mesmo sabendo que tava o pai, tava a mãe, tava todo mundo vigiando ele ali e ele afundando
05:12na piscina.
05:13E olha só que interessante, ele tava há quanto tempo já fazendo natação?
05:17Ah, ele já tava há uns 4, 5 meses já fazendo natação.
05:21E às vezes a gente pensa, né? Não, ele realmente sabe nadar.
05:24Mas se tratando de crianças, principalmente, o excesso de autoconfiança, a gente não pode deixar, né?
05:31Coloca o colete, que aí você vai ficar mais tranquilo e evitar, assim, as boias que podem furar ou escorregar.
05:37Então, ele dá aquele coletinho mesmo de espuma preso ali, que aí, pelo menos esse risco não vai correr.
05:42Pois é, então a partir de agora a gente vai te ensinar, né?
05:46Vamos relembrar, caso você também já tenha visto em outros momentos aqui no Fala Espírito Santo, mas é sempre bom
05:51relembrar, porque a gente, às vezes a gente esquece o procedimento correto, pra que a gente possa ter essa oportunidade,
05:57né?
05:57De salvar a vida de alguém, caso a gente presencie também o afogamento.
06:02Vamos lá então, Capitão? Vamos lá, saudade.
06:03Primeira coisa, é importante a gente frisar que no afogamento, a pessoa não pode ter o contato corpo a corpo
06:10com essa vítima, se a vítima está se afogando.
06:12Porque no desespero, a pessoa só quer respirar, ela vai segurar em você, ela vai tentar respirar e ao invés
06:18de uma vítima, nós vamos ter duas, três, quem for ali ajudar.
06:22Então, nos afogamentos, esses casos são comuns de uma pessoa se afoga e outra vai tentar ajudar, acaba se afogando
06:27também.
06:27Então, nunca entre em contato corpo a corpo, lance algo flutuante, um isopor, uma boia, uma corda, um galho, pra
06:34que essa pessoa se agarre, não submerja.
06:37E aí sim, depois que ela for retirada, a gente faz esses procedimentos que a gente vai relembrar aqui.
06:41Perfeito, vamos lá então.
06:43Momento para o que você estiver fazendo em casa, porque são manobras que podem salvar, que podem salvar vidas. Vamos
06:50lá então.
06:51Então, a gente retirou uma criança da água, a gente vai primeiro chamar por ela, pra ver se ela está
06:55consciente ou não.
06:56Então, a Priscila está chamando ali, a criança não responde, ela vai verificar se ela respira, checando ali, abrindo a
07:03boquinha, verificando o ver, ouvir e sentir.
07:07O ver se o tórax está se expandindo, ouvir o barulho da respiração e sentir ali o ar quente, se
07:13ele está saindo ou não, pra confirmar se a criança está respirando ou não.
07:16Se ela não respira, ela deve fazer cinco ventilações de resgate.
07:21Essas ventilações, elas são importantes pra evitar que essa criança, ela tenha sequelas.
07:27Então, ela pinça aqui o nariz, puxa o ar e sopra na boquinha da criança, fazendo boca a boca.
07:33Caso tenha alguma máscara específica, né?
07:35Nós, os bombeiros, temos uma máscara específica, a gente utiliza também.
07:38Então, lembra, pinça o nariz, puxa o ar, sopra na boca.
07:42Puxa o nariz e sopra na boca, durante cinco vezes.
07:46Fez as cinco vezes e a vítima não respondeu, deve-se iniciar as compressões cardíacas no centro do peito com
07:52as duas mãos.
07:54Se for criança, a gente dose uma força ou pode ser com uma mão apenas.
07:58Então, com as duas mãos dosando a força, vou comprimir no centro do peito forte e rápido 30 vezes.
08:03E depois das 30, eu vou ventilar mais duas vezes.
08:07A cada dois minutos, a gente checa se essa criança vai responder ou não, vai estar responsiva ou não.
08:13Então, fez 30 vezes, respira ali e faz as duas ventilações.
08:19Providencia mais 30 vezes.
08:25Agora, o que é mais difícil nesse momento, pra quem é pai, pra quem é mãe, é manter o controle
08:31emocional.
08:32Porque a gente não sabe o que fazer e relembrar disso tudo, mas é ter consciência mesmo, né, desse momento.
08:40Roberta, a gente teve um caso há pouco tempo do Heitor, lá no sul do país, que ele foi retirado
08:45depois de mais de 10 minutos submerso.
08:48Ele estava submerso, o pai salvou, retirou e na hora que ele retirou, ele já iniciou as compressões e as
08:55ventilações.
08:56O Heitor, a equipe de resgate, chegou em torno de 20 minutos depois.
09:00Ele foi transportado de helicóptero e ele sobreviveu sem sequelas alguma.
09:04Então, a importância de executar esse procedimento pra garantir uma sobrevida até o socorro chegar.
09:10Esse foi o caso que o irmão ficou de joelho, né, fazendo a oração.
09:12Isso, esse foi o caso que o irmão ficou orando ali de joelhos.
09:14Foi uma cena linda, inclusive, né, de assim, linda em relação à atitude do irmão mais velho e o pai
09:20ali fazendo as manobras.
09:22O pai na hora que retirou, ele já iniciou as compressões e não parou até o corpo de bombeiro chegar.
09:27E aí, depois, essa criança foi transportada de helicóptero e ele sobreviveu sem sequelas alguma.
09:32É importante você frisar isso, porque às vezes, na hora do desespero, a gente não sabe se coloca no carro
09:38e leva diretamente pra uma emergência
09:40ou se alguém vai ligando, né, pro socorro pra chegar até você.
09:45Então, o indicado é isso?
09:47Ligar pro socorro especializado, iniciar as compressões pra garantir uma sobrevida até o SAMU ou o corpo de bombeiro chegar.
09:54Então, liga, porque se ninguém fizer essas compressões e essas ventilações, não vai adiantar.
09:59Até mesmo quando o socorro chegar ou quando você chegar lá no hospital depois de 5, 10 minutos, não vai
10:04adiantar.
10:04Então, inicia as compressões e ventilações.
10:08Sempre 30 compressões, 2 ventilações, 30 compressões, 2 ventilações e a cada 2 minutos a gente vê se essa criança
10:14responde ou não.
10:15Se ela não responder, continua.
10:18Se você cansou, pede alguém pra te ajudar, pede alguém que tá ali à sua volta, ó, vamos revezar, ensina
10:23ele ali, né,
10:23ó, com as duas mãos, dosando a força na criança ou com uma mão apenas, inicia as compressões 32 até
10:30a chegada do socorro especializado.
10:31Essa manobra também serve pra adulto?
10:33Serve pra adulto.
10:34Aí no adulto a gente vai colocar toda a força quando a gente faz as compressões com dois braços.
10:39Na criança a gente dosa um pouquinho pra fazer menos força, porque a caixa torácica é menor, mas no adulto
10:44com as duas mãos.
10:45E no bebezinho, aí a diferença é com dois dedinhos.
10:48Então, no bebezinho são apenas dois dedinhos no centro do peito aqui, ó, na linha dos mamilos, vai fazer essas
10:54compressões.
10:54Então, pra bebê, dois dedinhos aqui com menos força, né?
10:59Isso.
10:59Pra criança, já com as duas mãos só, que um pouco mais de força.
11:03Isso.
11:03E pra adulto você vai colocar toda a força do seu corpo.
11:04Toda a força do seu corpo.
11:06Usar o peso do seu corpo mesmo.
11:07E o fato de pinçar o nariz pra todas as faixas.
11:10No caso do bebezinho, como a boquinha e o nariz é bem pequenininho e bem pertinho, a gente acaba englobando
11:15os dois.
11:15Então, a gente dá um soprinho ali, ó, na boca e no nariz juntinho.
11:20A gente engloba os dois, dá um soprinho.
11:23No caso da criança e do adulto, a gente tampa o nariz e sopra pela boca.
11:26Porque se a gente não tampar, gente, não adianta nada.
11:29Tem conexão, né, boca e nariz.
11:31Então, se eu não tampar, na verdade, o ar vai saindo pelo nariz.
11:34Perfeito.
11:35Soldado, muito obrigada pela sua participação.
11:37Pode ficar à vontade com a gente aqui no estúdio.
11:40Capitão, agradecemos imensamente esse momento que vocês destinam para os nossos telespectadores
11:45para multiplicar a informação de como salvar vidas em caso de afogamento, viu?
11:51Obrigada, volte sempre.
11:52Fala, Espírito Santo está sempre de portas abertas.
11:54Obrigada.