- há 4 semanas
No "Se Liga, Mulher" desta semana, Iza Mendonça trouxe as palestrantes internacionais, Rita Mamede, também especialista em multicultural e mentora de expatriados para Ásia e Oriente Médio, e a Tania Telles, empresária e mentora de líderes. Juntas, falam sobre a importância de mulheres em posições de poder e sobre suas experiências fora do país.
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00:04Tá no ar mais um Se Liga Mulher. Nossa, eu fico esperando ansiosa pra poder a gente vir fazer
00:13esse programa, porque cada vez que eu trago uma mulher aqui, eu sempre trago uma mulher que vai
00:19trazer muita coisa positiva pra quem tá ouvindo a gente. E hoje eu tenho duas convidadas super
00:26especiais, que é Tânia Telles e Rita Mamed. Tô até aqui com um pouquinho da bio delas, vou ler pra
00:34vocês,
00:34porque é muita coisa, então, essa mente, assim, de 52 anos já não tá gravando tudo mais, não. Vamos lá,
00:42olha, Rita Mamed é treinadora, escritora, consultora, especialista em multicultura, empresária, mentora de
00:50expatriados para a Ásia e Oriente Médio e nos últimos anos teve uma vivência fora em países da Ásia e
00:58do
00:58Oriente Médio, conferindo um diferencial nos treinamentos e palestras. É membro da OICP, Organização Internacional
01:06de Ceremonial e Protocolo, e da CNCP, que é o Comitê Nacional de Ceremonial e Protocolo. Seja muito
01:12bem-vinda. Obrigada, Isa, é um prazer estar aqui com você. E Tânia Telles, que é minha mentora, gosto sempre
01:19de dizer isso, mas ela é palestrante internacional, com foco em liderança e gestão de mudança, mentora de
01:27líderes e carreira, treinadora de treinadores, empresária e escritora. Possui uma vasta experiência no mundo
01:36corporativo e tem uma visão sistêmica, personaliza suas palestras de acordo com a realidade, inspirando a
01:44liderança e equipes para a ação. Tânia foi eleita mentora do ano em 2022 pela GMG, que é a Global
01:52Mentory
01:53Group. É embaixadora da Integral Human Global no Espírito Santo e membro da AHBLA. Assim que fala?
02:03HABLA. HABLA. Academia Hispano-Brasiliana de Ciências Letras e Lartes. Ui, muito chique essas duas
02:12mulheres, viu, gente? Olha, Tânia, muito bom ter você aqui comigo hoje, viu? Nossa, estou muito honrada de
02:19estar aqui com essas duas mulheres incríveis. Gratidão pelo convite. Pois é, gente, e o nosso assunto aqui
02:25hoje é exatamente isso, né? É a gente falar da liderança feminina e da vivência no exterior que
02:34vocês têm de sobra. Então, eu quero primeiro, assim, saber como é isso, como é ser líder de mulheres,
02:43digamos assim, ser uma líder mulher, feminino, né? E ser líder para mulheres também. Como é que é isso?
02:51A Isa, eu acho que é uma dádiva, porque primeiro, antes de ser líder, nós somos mulheres plenas. E a
02:58liderança, ela é influência, é inspiração. Então, antes de tudo, a gente precisa se inspirar para a ação.
03:04E, com isso, conduzir equipes. Acho que a principal característica da liderança feminina, ela se vê como
03:12integral, como plena e capaz de inspirar outras mulheres.
03:16Com certeza, com certeza. É isso, Rita? Sim, com certeza. Eu acho que o primeiro ponto é quando a gente
03:23começa a fazer uma própria gestão, quando você começa a ser líder de si mesma. Uma autogestão. Uma autogestão.
03:30E, nesse momento, você consegue inspirar outras mulheres, consegue trabalhar com outros homens, consegue
03:36realmente contribuir para o outro. Isso é muito gratificante. Agora, existe, assim, uma preferência, você falou
03:43trabalhar com outros homens. Existe uma preferência, de repente, prefiro mais trabalhar com mulher do que com
03:48homem?
03:49Não vejo diferença, porque é humano. Eu lido com pessoas. É claro que são características diferenciadas, são
03:57exigências diferenciadas. A mulher, ela carrega aí toda uma bagagem, uma responsabilidade, que são como se
04:04fossem caixas. E essas caixas, a gente precisa ajustar isso. Ser mãe, ser mulher, o ser esposa, o ser profissional.
04:11E nós lideramos pessoas acima de tudo, sejam homens ou mulheres. Então, para mim, não existe
04:16diferença. Eu acho que o mais importante é a gente ter esse olhar e se posicionar como
04:23um ser humano integral. E trazer todas essas caixinhas que nós dividimos para um único
04:29patamar, que é o ser.
04:31E a gente tem muitas caixinhas mesmo. Muitas, muitas. Só complementando, a minha experiência
04:38passa a ser maior com os homens, porque o fluxo, o movimento de homens expatriados é
04:43maior do que o de mulheres expatriadas. Acontece. Tem muitas mulheres hoje maravilhosas executivas
04:49no mundo aí fora. Mas ainda o número de homens é bem maior. E como eu trabalho com o treinamento
04:55para que eles possam se adaptar a uma nova cultura, para que eles possam se sentir um expatriado
05:02realmente acolhidos numa nova cultura, é um número bem maior de homens. Eu digo para
05:07você que a cada dez expatriados, um só é mulher. Uma só é mulher.
05:12E aí, geralmente, é uma esposa, filha ou não?
05:15Não. Quando a mulher é executiva, o marido vai, se acompanha, ele vai à forma só de esposo,
05:22de marido. Não vai trabalhando. O sponsor é só para aquela que vai trabalhar. Ela pode
05:28ter o direito de levar a família. Dificilmente os dois são expatriados.
05:32E você que ficou esse tempo todo, né, em Dubai, ali no Oriente Médio, como é que é
05:39viver nesses lugares? É completamente diferente daqui, né?
05:43Muito. Muito, Isa. A diferença é muito grande, maior do que a gente possa imaginar.
05:49Porque, inclusive, dentro do Oriente Médio mesmo, em países coladinhos, vamos pegar o
05:53exemplo entre os três ali próximos colados, né? Que dá para você ir de carro. Às vezes,
05:58uma diferença de 150 quilômetros, você está de um país para o outro, que seria o caso
06:02dos Emirados para a Oman. Um é um sultanato, outro é um Emirado. Do lado está a Arábia
06:08Saudita. Mesmo eles sendo países ligados numa própria gestão única de segurança e tudo,
06:14eles têm legislação muito diferente. Então, você hoje vive como expatriado, numa certa
06:19liberdade maior dentro dos Emirados. E dentro dos próprios Emirados, que são sete cidades,
06:25tem diferença de Abu Dhabi para Dubai, né? Então, a diferença é gritante. Se você não
06:31conhece a cultura, se você realmente não teve uma preparação multicultural, dificilmente
06:35você profissionalmente pode ficar bem num país desse ou numa cidade dessa como Dubai.
06:40E em termos de ser livre, de liberdade, a gente dá de mil a zero, né?
06:44Nossa, com certeza. Mas a liberdade deles é diferente um pouco da nossa no aspecto...
06:50O conceito.
06:51De conceito. Principalmente porque passa, né, tange a questão da religiosidade deles, né?
06:58O islã é para eles o limiar de tudo, né? Até da própria liberdade.
07:03Entendi. Tânia, agora, você tem uma característica que eu acho muito interessante, que é treinadora
07:12de treinadores, né? Ou seja, quando você vê um líder, a gente pensa assim, nossa, o
07:18cara é um líder, né? Ele sabe tudo, ele domina aquele assunto, ele... Mas, na verdade,
07:25ele tem alguém por trás, que no caso é você. Como que é essa função?
07:31Na verdade, o treinador de treinador, eu treino mentores para serem mentores. Isso tanto no
07:36ambiente corporativo ou não. Se vocês quiserem ser... Você quiser ser mentora, você vai...
07:41Eu vou receber uma formação para atuar como mentor, né? Por exemplo, eu tive uma mentorada
07:47que foi acompanhando um expatriado para a Oman. Era uma líder. O que eu fiz? Primeiro, eu
07:52fiz o trabalho, que é outra cultura, é outra realidade. Então, ela saiu do mundo executivo,
07:57foi reaprender a ser dona de casa, para depois estudar. A gente traçou a carreira dela para
08:04que ela atuasse também, se integrou num grupo de mulheres internacionais. Então, é toda
08:10uma trilha, um caminho. E isso é um processo, é um método que é aplicado para ajudar.
08:14Então, hoje ela está sendo preparada para atuar como mentora. Então, eu treino pessoas
08:19para treinar, para executar essa ação, né? Tanto no aspecto da liderança, quanto no
08:25aspecto de ser uma mentora, um mentor global, enfim. E esse é um desafio. Porque, Isa, todo
08:33profissional, ao liderar alguém, ele tem que estar preparado para dar um feedback, dar
08:40um treinamento, para desenvolver pessoas. Hoje mesmo, estava fazendo uma mentoria
08:46em company e são o primeiro nível de liderança, preparando essas pessoas que saíram de um
08:51cargo operacional para ocupar um novo cargo. Então, isso requer novas competências, né?
08:57E a mulher também, porque ela se cobra muito. O desafio da mulher nesse ambiente corporativo
09:04é muito grande. Mas o conhecimento é um diferencial. É seu. Ninguém pega.
09:08Eu trabalhei num órgão público, né? E tinham apenas três mulheres. Duas advogadas, eu, que
09:18era jornalista, e todo o resto, homem. E embaixo, trabalhava a secretária, né? Então,
09:26eram quatro mulheres com quase, sei lá, vinte homens. E as nossas, as nossas ações, elas
09:36eram fundamentais. Mas, assim, o que me levou a sair foi justamente o fato de que era como
09:45se nós não tivéssemos voz. Entendeu? Eram muitos homens. É. E quando eles precisavam de
09:55algum auxílio dentro dessas áreas que eu citei, as palavras-chave eram da advogada ou eram
10:02a minha, como jornalista, né? Como assessora de imprensa. Mas, ao mesmo tempo, era só, somente
10:10naquele momento. Para ideias ou para outras coisas, era apenas entre eles. Então, eu sentia,
10:16assim, um machismo muito grande. Isso me incomodava bastante. E eu não me senti capaz de romper
10:23aquele ciclo, entendeu? É como se, assim, por mais que eu fizesse, eu não conseguia caminhar
10:32porque eles não tinham essa mudança. Então, eu penso que, talvez, se tivesse tido um... uma
10:39palestra, um estudo aprofundado sobre a importância de cada um na sua área, né?
10:45Com certeza. E, inclusive, pelo fato das mulheres, porque o que a gente sentia, nós, mulheres,
10:51ali, era um problema com relação ao sexo feminino. Entendeu? Não com relação à capacidade.
10:58A capacidade profissional. É, a capacidade profissional, eles reconheciam, tanto é que eles
11:02vinham até nós. Mas, na hora de tomar ações, as ações eram tomadas entre eles e a gente
11:08era, ó, comunica o que vai acontecer, isso, isso e isso. Então, eu penso também que isso deve
11:14acontecer em outros órgãos, né? Em outros, em outras empresas.
11:18Eu vou completar um pouquinho a sua fala e com o que ela disse sobre essa mentoria de
11:23uma pessoa que foi para a UMAN. É muito comum, Isa, por exemplo, na minha, né, na minha área
11:28de treinamentos com expatriados, a empresa, ela se preocupa com o executivo que ela está
11:33mandando para fora. Mas, ela, hora nenhuma, ela se preocupa com a família que está indo
11:39junto. E, muitas vezes, são mulheres que tinham uma... Não estão preparadas.
11:43Sabe, uma mulher que é médica ou dentista, ou mesmo uma profissional, qualquer outra
11:47profissão. Ela tem que largar tudo, ela vai mudar para uma outra cultura, aonde o marido
11:52volta para o trabalho e ela volta a ser dona de casa. E, muitas vezes, ela não está preparada
11:56para esta função. Porque, no país dela, ela tinha uma total, né, autonomia.
12:01A gente é que faz tudo, né? Exatamente. Então, o que que acontece? Eu vi muitos casos,
12:06mas muitos mesmo, de mulheres terem depressão ou desistirem de estar acompanhando os maridos
12:12como expatriados porque não foram preparadas. Não tiveram essa sorte que teve, essa que foi
12:17para a UMAN, de ser preparada, de ser mentorada para estar lá e se adaptando. A minha experiência
12:23pessoal foi exatamente assim. Eu, quando mudei, sabe, eu mudei para um país, uma monarquia
12:30pequenininha, menor do que Vitória, 100% muçulmana, aonde? A religião. É o Islã, a legislação
12:38está no Alcorão e tudo mais. Então, eu caí de paraquedas numa monarquia, o qual eu só
12:43sabia lidar de monarquia, aquilo que eu tinha estudado em história, lá na escola. O que que
12:48era ser muçulmano? Tinha escutado, sei lá. É o que a gente ouve falar, mas diferente
12:53da realidade, né? O que que é o Alcorão? Opa, eu sabia que era uma Bíblia e tal, mas
12:57é o Alcorão e tal. Então, eu caio de paraquedas numa situação dessa, era uma profissional,
13:02tinha meu trabalho, estava no auge da carreira e larguei tudo para acompanhar a família.
13:06Não fui preparada para ser expatriada, ninguém nem lembrou que existia uma família por trás
13:11daquele executivo. Você foi com seus filhos? Eu fui com o filho, o marido, ele foi ser presidente
13:15de uma empresa e a empresa nem lembrou que ele tinha família. Meu primeiro choque maior
13:21foi logo que eu cheguei, eu tinha que ter a identidade local, ele era o expatriado, então
13:26a família, né? Aí fui tirar a identidade árabe e tal, aquela coisa toda. O cara pega
13:32um carimbo, assim, sabe? Aqueles caras bem tradicionais, bate um carimbo vermelho em cima
13:36da minha identidade. Bem grande que diz, sabe? Do lar. Bem grande, lógico, escrito em árabe,
13:43né? Mas o vermelho era mais gritante que esse, que doeu no meu coração na hora.
13:47Uma facada, né? Uma facada, entendeu? E dali eu vi que eu estava, sabe, tinha caído
13:53de paraquedas. Foi onde aquele choque, outros maiores depois, né, também, que me fizeram
13:59entender que por trás do executivo tinha que ter toda uma preparação. E eu falei, nenhum
14:04outro daqui para frente vai acontecer, desde que eu saiba, né? E fui realmente me profissionalizar
14:10para levar essa cultura para outros expatriados.
14:13Eu entendo que, assim, a preparação é tudo, sabe? Primeiro, a mulher, as minhas mentoradas,
14:19né, mulheres, a maior dificuldade era se colocar no papel de mulher. Eu não sou 100%, eu sou,
14:25no caso da mãe, eu sou mãe, eu não consigo nunca ser o pai. Então, só isso já faz uma
14:31diferença muito grande. E outra coisa, a gente não é capaz de fazer tudo. Então, às vezes,
14:38descentralizar, criar essa rede de apoio é muito diferente. Eu estive agora lá em
14:43Natal dando uma palestra para 1.200 mulheres. Eles fizeram uma pesquisa recente, a Fê Comércio,
14:48onde 38% das mulheres tinham dificuldade em equilibrar família e trabalho. Então, com
14:55isso, muitas vezes, ela não consegue focar na carreira e nem descentraliza para outras
14:59pessoas algumas atividades que ela pode dividir. E quando essa mulher ainda tem um parceiro
15:05e tem filho, ela pede favor. Ao contrário, seu pai é também... é pai, então ele é
15:11responsável. Ela não está fazendo favor. A maior dificuldade que eu vejo é esse
15:16posicionamento. Eu sou mãe, sou casada, 29 anos, né, também. Tenho filhos, quatro
15:22filhos, trigêmeos de 15 anos e um de 19 anos. Mas a minha carreira, eu sei mais ou menos o
15:28que
15:28que eu posso fazer e com quem que eu posso contar. E essa rede de apoio, em sua grande
15:34maioria, não vem pronta. A gente precisa desenvolver. Pode ser um vizinho, um amigo, pode
15:40ser um pai, uma mãe, uma sogra, um sogro, enfim. As pessoas com quem você pode contar.
15:45E isso é um desafio. Ter uma carreira é uma escolha de vida. Então, quando você ocupa um
15:51cargo de liderança, vem junto com o pacote o cuidar de pessoas, de estrutura, de processo,
15:57tecnologia e informação. Então, se a gente não se organiza, não desenvolve as
16:02habilidades, às vezes a gente não dá conta. Eu mesma, teve um momento que eu quase não
16:05dei conta. Quatro filhos. Não é fácil, né, Rita? Às vezes a gente...
16:09Gêmeos. Não, não é fácil. E você imagina, então, Isa, você dá conta de filho, de casa, de
16:15marido, de tudo mais, num país onde você não fala a língua deles, tá?
16:20Sim, é desafiador. É desafiador. Onde a cultura é outra, totalmente diferente, em que
16:25você é mal... E como que você só falou a questão de falar a língua? Você não
16:29falava? Não, árabe. Aprendeu? Aprendeu alguma coisa.
16:34Mas com o inglês você consegue se comunicar. Sim. Mas no primeiro momento que você chega,
16:41Oisa, parece que o inglês até apaga, porque o teu susto é tão grande, entendeu? E você
16:47vai passando situações e que você parece que vai chegando um momento que você está
16:51quase que vedada, porque é complicado. O primeiro momento, se você não for preparada,
16:57se você não tiver uma mentoria para ser expatriada ou esposa de expatriado, não tem
17:01um profissional que consegue transitar bem, não. No mundo árabe e no mundo asiático,
17:07ou melhor, na Ásia, no todo, não dá. Você vai para a Europa ou você vai para os Estados
17:12Unidos. É diferente. É ocidental. Você acaba se adaptando com uma facilidade ou com outra.
17:17energia, mas não caia de paraquedas para pensar em ser profissional, naquilo que diz respeito
17:22ao Oriente ou à Ásia no todo, porque é muito diferente. Eles têm outra religiosidade,
17:29eles têm princípios diferentes, eles têm legislação diferente e coisas que, às vezes,
17:33a gente não dá importância e que, para eles, é muito importante. Ou aquilo que eles não
17:37dão a menor importância e que, para a gente, é muito importante. Então, o choque é muito
17:41grande. Eu realmente não fui preparada. Tive que aprender tudo na dor. Não foi no amor,
17:46mas valeu a pena. É, eu acho que toda, toda dificuldade que a gente passa na vida é
17:52um aprendizado, né? Com certeza. Nossa, eu sou grata. Eu conheci a Tânia, foi o ano passado,
17:57né, Tânia? Foi, foi o ano passado. Foi em outubro do ano passado, num evento que ela
18:01estava fazendo, que era da Global Iuma, né? Ela, ela...
18:06Da Integral 1. Da Integral, perdão. Da Integral do dia do câncer de mama.
18:13Foi. É, foi em outubro, exatamente. E aí, eu apareci por lá e fiquei tão encantada com
18:19aquelas mulheres lá participando, cada uma. Eu falei, gente, que negócio diferente, que
18:24coisa interessante. Eu penso que, assim, esse tipo de reunião, e a gente estava conversando
18:30agora mais cedo sobre isso, esse tipo de reunião onde você coloca mulheres de todos os tipos,
18:36né? Seja preta, branca, japonesa, com experiências diferentes, com formação diferente, isso faz
18:46com que a gente cresça, porque você ouve as outras histórias, né? E, às vezes, uma
18:51coisa que parece tão óbvia, que a gente até conversou com você semana passada, quando
18:56a Tânia, numa das, das, das nossas aulas, eu chamo aula porque é uma aula.
19:03É rico, né? De conteúdo. É rico, exatamente. Ela falou assim pra mim, mas, Isabel, você
19:07tá agindo assim, você tá... Como que você tá agindo assim? Você tá feliz? Você
19:11tá satisfeita? Eu falei, não, eu não tô satisfeita de agir assim, eu não gostaria
19:16de agir assim, assim, não está legal pra mim, mas eu não sei nem como falar, porque eu
19:19não quero magoar a outra pessoa, né? E aí, você, o que ela falou foi muito óbvio,
19:26que eu já sabia, mas precisava de alguém que me dissesse isso, porque foi só, ela
19:32me disse assim, mas olha só, a partir do momento que você não põe limites, então
19:39você tá cedendo tudo. E aí, quando você cede tudo, você cede até a sua própria vida,
19:44o seu tempo, o seu espaço, e até que ponto isso vai ser positivo pra você? Aí eu fiquei
19:50com aquilo na cabeça, pensando, pensando, eu falei, gente, mas é verdade. Então, assim,
19:55eu acho que esse autoconhecimento, que a gente não aprende na escola, infelizmente,
20:00né? A gente precisa de procurar essa ajuda mesmo de vocês, que são especialistas,
20:10nesse assunto de nos ajudar a abrir um pouco mais a mente pra outras coisas que a gente não
20:17consegue enxergar.
20:17É bacana você trazer, é bacana você trazer isso, Isabel, porque quando a gente fala de
20:26uma relação, a gente tá falando de uma relação ganha-ganha. E às vezes, o que que eu me deparo
20:32com profissionais? Que já sabe, que faz pro outro, mas ou é um auto-sabotage, ou é
20:39alguma questão que impede que faça pra ele, ou pra ela. Então, eu me deparo, teve alguns
20:44cases que eu falei assim, quando é que você vai se contratar pra fazer esse serviço
20:49pra sua empresa? E eles colocaram mesmo, se contrataram pra colocar aquele serviço pra
20:55ele, como se fosse, assim, o outro. Olha como que é interessante isso. E às vezes a gente
21:01não se posiciona, né? No último evento, sobre o comunicador, ele é comunicador, ele pode
21:06ser uma pessoa que vai conduzir um evento, ele vai conduzir um jornal, vai fazer uma matéria,
21:10e às vezes ele não acredita nele mesmo, no potencial ao realizar aquela ação.
21:16Então, o processo de mentoria, a gente é mentora e compartilha as experiências que
21:21nós vivemos. É isso? Com certeza. Então, isso faz uma diferença. Não é uma assessoria,
21:27não é uma consultoria. O mentor, ele compartilha aquilo que ele já fez, ele alcançou o resultado
21:33ou deu errado também. É, deu errado. É, a gente compartilha coisas que nós fizemos que
21:38deu certo e coisas que deu errado, para acelerar o processo do outro. E o líder, ele que, quando
21:45ele senta na cadeira, ele tem que desenvolver outros líderes. Então, ele acaba também tendo
21:50a escolha de ser o mentor. E quando ele faz isso, ele vai lembrar do primeiro dia, né?
21:56Da primeira experiência e vai compartilhar essa experiência.
21:59O que você disse foi porque você estava aberta a ser mentorada. E o que ela disse aqui
22:05sobre sabotagem, eu quero colocar um exemplo claro. Porque você aberta a receber a mentoria,
22:11tudo muda na tua vida. Entra, flui, você realmente tem um processo de mudança e de movimento.
22:18O que acontece muitas vezes com um mentorado, aquele que está indo ser expatriado e vai ser
22:24diretor de uma grande empresa ou está convidado para ir trabalhar na Arábia Saudita como médico
22:30que vai operar as princesas. Ele acha que aquela mentoria sobre a cultura, aquilo não tem a menor
22:36importância, porque ele é um cara muito competente, ele já é renomado.
22:39E eu tenho um exemplo muito clássico que aconteceu comigo.
22:44Eu fui contratada para fazer uma mentoria para um médico muito famoso, brasileiro,
22:48no auge da carreira dele. Ele foi contratado para operar as princesas na Arábia Saudita.
22:54Nossa! O que ele ia fazer de trabalho ali, ele podia aposentar na carreira se ele quisesse.
23:00Tá bom. Foi feita a mentoria durante dois dias. Tenho certeza que ele não prestou atenção
23:05nem 5%, porque logo que ele sentou comigo para conversar, ele me falou, olha, isso que você
23:10vai falar aí para mim não tem a menor importância, porque eu sou fulano e isso, eu sou aquilo,
23:13eu sou renomado, eu saio nas revistas todas, você me viu, eu estou na última cara.
23:17Falei, não vi, porque eu não recebo caras. Não, eu não recebo, eu moro aqui já 20 anos
23:22fora, não tá. E a conversa foi fluindo, fluindo e eu disse algumas coisas para ele que eram
23:28bem pontuais da cultura. Dentro da Arábia Saudita, a cultura é assim, assim. Mais do que isso,
23:35do que o Islã, do que o Corão, você tem que fazer isso e isso como o profissional liberal
23:39que vai atender. No segundo dia que ele estava atendendo, saiu duas pessoas da sala e entraram
23:46os mutawas. Mutawas é a polícia religiosa que ainda tem na Arábia Saudita do Corão.
23:51Convidaram ele a sair direto para o aeroporto, não podia passar nem no hotel para pegar as
23:55coisas dele. A embaixada teve que intervir, o embaixador brasileiro, aquela coisa toda só
24:00para buscar as coisas. O que ele tinha feito?
24:02Foi retirado uma pessoa de um voo da KLM para colocar ele dentro, que o voo estava lotado,
24:07porque aí ele foi até Amsterdã, de Amsterdã para vir embora para o Brasil. Ele simplesmente,
24:11durante aquela consulta, primeiro, mesmo ele sendo médico, os médicos lá não têm
24:18toda a intimidade, que às vezes nós temos um cirurgião plástico no Brasil, dá dois
24:21beijinhos na gente, cumprimenta, é normal, né? Lá, isso é impossível, isso é assédio
24:27mesmo. Mas o segundo que, se a mulher é muito nova e você não prestou atenção se ela é
24:33a segunda esposa, porque lá o casamento, né, os quatro casamentos é permitido pelo
24:39corão. Nem sempre é a melhor não, viu? Olha, conheço situações e que a quarta
24:44é a melhor de todas. Então, o que que acontece? Ele, ela estava com a sogra e diz, é muito
24:51claro, quando ela é muito nova e seu marido já é bem mais velho e a mulher vai com a
24:55sogra, ele não pode se dirigir à mulher, ele tem que se dirigir olhando para a sogra o
25:00tempo todo da consulta e ele, lógico, que esqueceu e tal e a mulher, a senhora, né, que
25:06era a sogra dela, se sentiu ofendida, muito tradicional, dentro da cultura, dentro do
25:10islã, saiu dali e denunciou na mesma hora que a Nora foi assediada e ele saiu de lá.
25:15É muito, muito, muito enriquecedor isso que você falou e, assim, faz a gente, é, faz a
25:21sabotagem dele por se achar um profissional. Por se achar o tal, né? O tal, não precisa
25:26ouvir isso, isso é desnecessário, eu sou já famoso, eu já sou, né?
25:31Meninas, olha, eu queria ficar aqui conversando com vocês a tarde inteira, porque realmente,
25:37assim, é uma aula, tá? Muito legal, muito bacana, mas o nosso tempo é muito rapidinho e
25:43já acabou, olha só.
25:45Que pena, porque é tão prazeroso.
25:47Eu queria saber até, gente, porque a Rita é a mãe da Miss Brasil, a única capixaba
25:52que foi eleita Miss Brasil, pois é, eu queria até falar um pouquinho sobre isso, mas a gente
25:57vai ter outra oportunidade.
25:58Com certeza, com prazer, e a Mia vai estar aí em agosto, eu tenho certeza que ela vai
26:01ter muito prazer em estar aqui com vocês.
26:03Se Deus quiser.
26:04Tânia, ó, muito obrigada pelo carinho, por você ter vindo, sabe, Rita?
26:08Muito feliz mesmo pela participação de vocês aqui no Se Liga Mulher.
26:13E semana que vem eu tô de volta com mais assunto, com mais novidade, com mais mulher incrível
26:19e interessante pra você, viu?
26:21Um beijo.
26:22Obrigada, outro beijo.
26:27Obrigada, outro beijo.