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  • há 2 dias
Morte de jovens em Cariacica assusta comunidade

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Transcrição
00:00E agora a gente volta a repercutir o assunto mais comentado do dia, o caso dos dois jovens
00:06que foram assassinados dentro de duas ambulâncias do SAMU, um caso assustador.
00:12E a gente vai ao vivo agora com a Suelen Araújo, ela vai trazer mais informações desse caso pra gente,
00:18né Suelen?
00:19Boa tarde.
00:22Boa tarde pra você, Roberta. Boa tarde pro pessoal de casa.
00:26A polícia falou um pouco sobre essa brutalidade, né?
00:31Esses dois jovens de 20 anos que foram assassinados dentro de ambulâncias do SAMU a caminho do socorro.
00:38Isso porque o Cauã e o Caio, eles sofreram um acidente de moto.
00:43A polícia não revelou muito bem sobre essa situação, mas há uma possibilidade dos dois terem sofrido ali uma perseguição
00:50de criminosos.
00:51Quem pilotava a moto perdeu o controle da direção, bateu em um bloco de concreto e aí os moradores da
00:57região chamaram o SAMU
00:59pra prestar ali o socorro a esses dois jovens.
01:02Só que no meio do caminho, Roberta, as ambulâncias que estavam passando pela região de Porto de Santana, perto de
01:09uma pracinha,
01:10elas foram interceptadas por criminosos.
01:12Os profissionais do SAMU desceram, então esses suspeitos atiraram contra a vida de Cauã e também de Caio.
01:21Testemunhas contaram que a mãe de uma das vítimas, ela estava na ambulância, no banco da frente,
01:26acompanhava esse deslocamento até um hospital de Vitória.
01:30Ela teria visto ali os suspeitos e implorado pra que o filho não fosse executado,
01:35mas eles não ouviram ali esse pedido da mãe e os dois acabaram morrendo antes mesmo da chegada no hospital.
01:43A polícia está investigando essa situação, ainda não se sabe exatamente qual foi a motivação desse crime,
01:49mas há uma linha de investigação que, por enquanto, a polícia trata como a mais forte.
01:54É que minutos antes de serem assassinados, o Cauã e o amigo Caio postaram um vídeo nas redes sociais.
02:01Nas imagens, essas imagens repercutiram muito nas redes sociais, na internet, depois do crime.
02:08O vídeo mostra ali o Cauã, o Caio e um outro rapaz andando de moto por uma região ali mesmo
02:14de Cariacica,
02:15que seria o bairro Flechaum.
02:17Em determinado momento, uma das vítimas acaba exibindo uma arma,
02:22também mostra ali um copo com bebida alcoólica, eles estão sem capacetes.
02:26A polícia disse que tudo indica que esse vídeo que foi postado pelas vítimas antes do acidente,
02:33antes da execução, ele tenha irritado criminosos que atuam no tráfico de drogas ali de Cariacica.
02:40Eles se sentiram ofendidos, se sentiram ali humilhados com esse vídeo e acabaram cometendo o crime.
02:46A polícia está investigando toda a situação, os familiares de Cauã e de Caio tiveram um DML,
02:51não quiseram falar sobre o crime.
02:53O que se sabe até agora é que esses dois jovens, eles trabalhavam de carteira assinada
02:59e, segundo a polícia, eles não tinham passagens pela justiça,
03:03mas a polícia civil também disse que existe a possibilidade dos dois terem envolvimento
03:08com o tráfico de drogas do município de Cariacica.
03:11O secretário de Segurança Pública do Estado do Espírito Santo falou sobre essa situação,
03:16sobre os crimes, essa ocorrência, e mais uma vez confirmou
03:19que os dois jovens assassinados não tinham passagens pela justiça e a gente vai conferir agora
03:25essa entrevista.
03:27É uma ousadia realmente da criminalidade, é uma fragilidade do tecido social,
03:34quando a gente percebe essas ações em indivíduos com pouca idade,
03:38que estão tocando terror na comunidade.
03:40E agora é importante a gente discutir também essa questão sobre o viés dos direitos humanos,
03:46impediram ali o socorro do Estado a esses dois indivíduos,
03:50como você muito bem falou, independente do que eles fizeram anteriormente,
03:54independente da questão da criminalidade,
03:57são seres humanos, deveriam ter sido socorridos e são interceptados,
04:01porque nós sabemos que esses dois jovens não tinham passagens pela polícia,
04:05mas informações, inclusive indícios que denúncia, apontavam indícios deles
04:10com ligação com o tráfico de entorpecentes.
04:13Não é à toa que fazem aquele vídeo na motocicleta,
04:16com uma arma na mão, com um copo na outra,
04:18aquele vídeo eles não estão fazendo para a mãe deles, para o pai deles,
04:22eles estão fazendo efetivamente para se rivalizar.
04:24É o que eles fazem o tempo todo desafiando outras organizações criminosas.
04:32Roberta, a polícia disse que nenhum suspeito foi preso,
04:36mas a gente não sabe se alguém já foi identificado.
04:39Os velórios e sepultamentos aí de Caio e de Cauã já aconteceram,
04:44mas os familiares preferiram não divulgar a localização.
04:49Obrigada pelas suas informações, viu?
04:51Uma boa tarde para você.
04:52E a gente reforça, então, 20 anos era a idade de cada um desses meninos,
04:58de um futuro todo aí pela frente.
05:00Vamos bater um papo sobre esse assunto?
05:02Vem cá, aqui no nosso estúdio eu recebo a Aline Hessel, que é psicóloga.
05:05Obrigada pela sua participação, Aline.
05:08Rusley Medeiros, que é professora e especialista em segurança pública,
05:12muito obrigada também pela sua presença.
05:14E a Verônica, que já já vai contar a história dela para a gente,
05:17que também já perdeu um filho envolvido com o mundo da criminalidade.
05:23Mas antes, Rusley, a gente vê ali uma crueldade que nem no momento de socorro
05:31o mundo do crime pega leve.
05:35Não tem isso, não rola isso.
05:37Não, jamais.
05:37Boa tarde, Roberta.
05:38Boa tarde a todos que nos acompanham aqui no Fala Espírito Santo.
05:41É isso mesmo, Roberta.
05:42E a gente tem percebido também esse avanço da criminalidade,
05:46porque existia meio que um limite.
05:48Não vamos atacar a polícia, não vamos atacar os agentes de saúde,
05:53não vamos atacar em algumas áreas.
05:55E agora a gente percebe esse aumento e esse enfrentamento do próprio criminoso
06:01diante do Estado.
06:03Então, estão atacando viaturas policiais, estão atacando ambulâncias.
06:08A gente, graças a Deus, nenhum ali, membro do sistema de saúde foi atacado,
06:13mas é muito importante a gente destacar isso,
06:16de que a criminalidade tem encontrado respaldo, Roberta.
06:21Quando a gente tem aquele vídeo deles na moto,
06:24no meio de um bairro, andando, ostentando arma,
06:27os três sem capacete, três em uma motocicleta,
06:31isso demonstra uma fragilidade do próprio Estado,
06:34isso demonstra uma fragilidade social,
06:36isso demonstra também a vontade deles de mostrar que eles têm poder,
06:41e que são eles que mandam, são eles que decidem,
06:44e eles que vão fazer o que querem.
06:45Mas, como você bem disse, Roberta, o crime não compensa,
06:49e também não dá trégua.
06:50Então, não é porque ele ali foi atingido,
06:53ali foi um acidente, estava sendo socorrido,
06:56e há esse indício de que eles estariam sendo perseguidos por grupos rivais.
07:01Então, toda essa ideia demonstra que o crime está cada vez mais organizado,
07:08está cada vez mais forte,
07:10e não está se preocupando muito com aqueles limites que existiam aí,
07:15com a polícia e com os próprios agentes de saúde e de segurança, de modo geral.
07:19E o Estado precisa dar uma resposta à altura, né?
07:22Porque a gente vê que eles estão ali,
07:25numa via movimentada de um bairro, né?
07:28ali em Flechal, e eles não têm preocupação nenhuma.
07:31Nenhuma, nenhuma.
07:32A gente tem que, assim...
07:34Amedrontando quem tiver por perto.
07:36Pois é, não é aqui culpa dos policiais, não.
07:39Pelo contrário, né?
07:40A polícia tem feito muito com pouco, né?
07:42Seja a polícia militar, seja a guarda.
07:45A gente precisa reforçar a presença do Estado.
07:49Por que que eles estão...
07:50Eles conseguem minimamente conceber a ideia de subir numa moto em três, sem capacete,
07:57ou seja, qualquer um ali conseguiria visualizar essa situação,
08:00e armados e filmando e com bebida.
08:03Uma irregularidade explícita, né?
08:05Não, é.
08:06E uma afronta, né?
08:08Então, eles montam em cima dessa motocicleta, sabendo que nada vai acontecer com eles,
08:13de que ali não serão interceptados, seja pelas forças de segurança,
08:18seja aí por eventuais outros grupos criminosos.
08:22Então, isso tem demonstrado, Roberta, a necessidade do Estado intervir.
08:25É claro que não é só intervir com polícia,
08:27é com políticas públicas, com políticas assistenciais,
08:30mas com presença efetiva.
08:32Não adianta a gente continuar assistindo.
08:35A polícia entra e a polícia sai.
08:37A polícia entra e a polícia sai.
08:40A polícia precisa ficar.
08:42O Estado precisa dar instrumentos capazes para que os policiais permaneçam,
08:47se sintam incentivados,
08:48e a nossa legislação também precisa ser atualizada
08:51para que nós possamos, de algum modo,
08:54porque a gente está vivendo num momento atual de crise,
08:57nós precisamos, de algum modo, estancar esse aumento de violência
09:00que tem amedrontado as famílias,
09:02que não saem mais de casa com medo de serem assaltadas,
09:06e de serem vítimas de bala perdida,
09:08como a gente tem assistido no Espírito Santo.
09:10E eles não fazem questão nenhuma de esconder isso,
09:12muito pelo contrário.
09:13Até pegam o celular, se não bastasse o medo
09:15de quem está passando ali na rua,
09:17a população que sabe de tudo o que acontece no bairro,
09:19ainda pegam o celular,
09:21registram tudo como se fossem mesmo ali os donos da rua.
09:24É, e com o rosto ou estampa,
09:26nas próprias contas das redes sociais,
09:29demonstrando, olha, eu estou aqui,
09:31e não estou nem aí para quem está assistindo,
09:33porque é eu que decido o que eu faço da minha vida,
09:35é eu, pelo menos de forma ilusória, né?
09:38É eu que controlo aqui tudo.
09:40Eu que mando.
09:41Eu que mando, e não estou preocupado com nada, né?
09:43Então, assim, isso é um problema grave que a gente tem visto,
09:47e que tem aumentado,
09:48e que a gente precisa dar resposta de forma efetiva,
09:51para garantir que pessoas de bem,
09:53que a família consiga ser protegida,
09:56e que possa sair,
09:58porque não adianta nada a gente ter praça,
10:00a gente ter parque,
10:00a gente ter aí meios culturais,
10:03como a gente tem visto realmente um aumento aí dessas ofertas,
10:06mas se eu não tenho segurança para ir,
10:08porque eu tenho medo de ir à rua,
10:09porque se eu for à rua,
10:10eu vou me deparar com situações como essa.
10:13Agora, um vídeo como esse,
10:14qual que é o objetivo deles?
10:15É chegar a quem esse vídeo?
10:16É chegar aonde?
10:17Ou é simplesmente viralizar nas redes sociais?
10:19Mas existe um objetivo já quando eles pegam para filmar?
10:22É, geralmente sim, Roberto.
10:24O que a gente tem percebido é
10:25de que esses criminosos,
10:27eles gravam fazendo uma ideia de revanche com grupos rivais.
10:33Então, eles se ostentam,
10:34ostentam as suas armas,
10:36ostentam o seu poder,
10:37para confrontar outros grupos rivais.
10:40Não necessariamente ao Estado.
10:42Claro que isso, de modo colateral,
10:43acaba atingindo o Estado e a população, de um modo geral.
10:46Mas o objetivo central, geralmente, de vídeos assim,
10:49como a gente tem visto em diversos casos,
10:51que inclusive foram noticiados aqui no Fala Espírito Santo,
10:54é de que esses indivíduos, eles filmam para,
10:56primeiro, mostrar o seu poder,
10:58e para atacar grupos rivais,
11:01mostrando, olha,
11:01a gente tem mais poder e mais força que vocês,
11:04a gente vai atacar vocês,
11:06a gente tem um poderio bélico, inclusive,
11:08de armas muito melhor do que vocês,
11:10a gente não tem medo de vocês, não.
11:12Pode vir que a gente vai atacar.
11:13Essa é a ideia central de quando se faz um vídeo.
11:16Porque, como disse o secretário,
11:18esses vídeos, eles não são feitos para os familiares.
11:20São feitos para demonstrar, realmente, o poder
11:23e de que, então, nem aí,
11:24nem para o Estado e nem para os grupos rivais, eventualmente.
11:27Só para deixar claro, mais uma vez,
11:29a gente frisa que esses jovens não tinham passagem...
11:32Nenhum, nenhum.
11:33...na justiça.
11:34Porém, a polícia não descarta a possibilidade
11:37deles terem envolvimento com o mundo do crime.
11:39Tu está sendo investigado, né?
11:40Agora, Aline, qual é o impacto dessas imagens,
11:44dessa ostentação de armas ali,
11:48três numa moto e, ao mesmo tempo,
11:51a gente sabe que é uma sequência de erros ali
11:54quando um jovem da comunidade assiste.
11:57Fala assim, olha, viralizou, olha o que está acontecendo.
11:59Como que a sociedade absorve esse tipo de conteúdo?
12:02Olha, Roberta, acho que cada um pode olhar aquilo
12:05e tirar uma lição, digamos assim, né?
12:08Mas a gente pode pontuar que, no mínimo, duas
12:10que, com certeza, são prejudiciais para a nossa sociedade.
12:13Uma é a naturalização disso
12:15e o medo que isso passa para as famílias
12:17e aí os inocentes tendo que ficar em casa
12:19por medo de encontrar e se deparar com esse tipo de realidade.
12:22E o outro é a banalização do uso de armas,
12:26do contra-lei,
12:27do fazer coisas que não vão ter prejuízos sociais,
12:30não vão ser presos, não vão ser pegos,
12:32e valorizando coisas que não são tão positivas.
12:34Então, as crianças que, muitas vezes, procuram seus ídolos,
12:38procuram pessoas para se espelharem,
12:39procuram pessoas com quem elas admiram e se espelham
12:43nesse desejo do poder,
12:44que é um desejo que, muitas vezes, as pessoas têm,
12:47principalmente crianças,
12:48elas vão atrás desses heróis
12:50e que, muitas vezes, são esses jovens,
12:53assassinos, traficantes, criminosos,
12:55que estão na frente deles.
12:56Ainda mais hoje em dia, com essa era da internet,
12:59dos influenciadores digitais,
13:00é aí que eles se aproveitam ainda mais, né?
13:03Para propagar esse mal, essa violência também nesses meios, né?
13:08E a gente sabe que tem um alcance, sim.
13:10Exatamente.
13:11É uma comunidade que, muitas vezes,
13:13as pessoas já são desvalorizadas,
13:14já são diminuídas,
13:16já se vêem sem direitos,
13:17sem uma série de ajudas que poderiam ter ali.
13:21Então, a criança vê ali, o jovem vê ali um poder,
13:24porque atrai dinheiro,
13:26atrai uma valorização da comunidade
13:28pelo lado ruim, óbvio,
13:30com um exemplo ruim, claro,
13:32mas que traz esse sentimento mínimo de
13:34eu posso, eu consigo ter,
13:37eu posso ser alguém na vida.
13:39E essas vias, muitas vezes,
13:41nessas comunidades,
13:41acabam sendo mais fáceis,
13:44justamente pela ausência do Estado,
13:45com educação,
13:47com oportunidade para esses jovens,
13:49de alguma outra forma,
13:50ter esse poder,
13:51mas não pela criminalidade.
13:53E, Verônica, você que também já perdeu
13:55um filho para o mundo do crime,
13:57está vendo aí a notícia de mais jovens
14:00que tiveram a vida interrompida.
14:03Qual é o sentimento que isso te traz como mãe?
14:06Ah, é muito triste.
14:07Boa tarde, Roberta.
14:07Boa tarde.
14:08É muito triste, porque o crime é isso aí,
14:11ou é a morte ou é a cadeia, né?
14:12Não tem jeito.
14:13Mas eles veem muito isso aí,
14:15o poder,
14:16eles querem crescer no crime,
14:18eles, assim,
14:19acabou o respeito hoje em dia
14:21por um cidadão de bem.
14:23Às vezes, nós, como mãe,
14:24igual o caso da mãe,
14:25implorou para o filho não morrer,
14:27a gente não tem mais respeito como mãe.
14:29A gente não pode mais buscar justiça
14:31pela morte de um filho,
14:33implorar por um filho não morrer,
14:34porque a gente vira alvo.
14:37Você entendeu?
14:38No meu caso mesmo,
14:39a gente, às vezes,
14:41não pode ir em certo lugar,
14:42porque tem medo
14:43do que vai acontecer.
14:46Você entendeu?
14:47Então, jovens, hoje em dia,
14:48eles estão obcecados
14:49pelo poder,
14:51pelo dinheiro,
14:52pelo tráfico.
14:53E é muito triste, né?
14:54Porque a juventude, assim,
14:56sem futuro,
14:57que amanhã ou depois,
14:58só vive passando nas telas da televisão,
15:01ah, morreu igual o meu.
15:02Eu não esperava nunca,
15:04o meu morreu com 18 anos.
15:05Quer dizer,
15:06tinha uma vida inteira pela frente.
15:07Quanto que eu avisei ele,
15:09Andrei,
15:09pelo amor de Deus,
15:10toma cuidado.
15:11Um dia antes da morte dele,
15:13não sei se vocês acreditam
15:14em negócio de revelação,
15:15igreja,
15:16a minha filha foi na igreja
15:17e ele foi revelado
15:18que amigos mataria ele.
15:20Eu passei a revelação para ele
15:21dentro de casa.
15:22Falei, Andrei,
15:23Deus manda te falar
15:24para você tomar cuidado
15:25que amigos vão te matar.
15:27Ele virou para mim e falou
15:28que ele sempre me chamou de coroa, né?
15:29É triste, coroa.
15:31Se for de ser, vai ser.
15:32O que é que eu posso fazer?
15:34Quer dizer,
15:34eles já sabem que ali
15:36eles vão morrer
15:37e quem sofre é nós.
15:38É nós que está aqui,
15:40é nós que vivem passando vergonha,
15:42vivem sendo humilhados,
15:43porque é muito triste
15:44você saber que o seu filho
15:45morreu pelo tráfico.
15:47Entendeu?
15:47Você tem que ouvir gracinha
15:48de outras mães
15:49que é envolvida,
15:50que os filhos são envolvidos
15:52te mandando mensagem,
15:53te falando gracinha,
15:54te afrontando,
15:55sendo que o seu direito
15:56somente é querer justiça
15:58pelo seu filho,
15:59porque independente
16:00do que ele era,
16:01ele era o meu filho.
16:02Você entendeu?
16:03Como essa mãe,
16:04meu Deus,
16:04o desespero dessa mãe,
16:06eu me ponho no lugar dela,
16:07meu pai,
16:08você pedir para o seu filho
16:09não morrer,
16:10você ver o seu filho morrer.
16:12Infelizmente,
16:12o tribunal do tráfico,
16:13ele não tem dó.
16:15Quando ele sentencia,
16:16ele fala,
16:16é hoje,
16:17vai morrer,
16:18ele faz de tudo e mata.
16:19E o respeito acabou.
16:20Respeito pelo morador,
16:22respeito pela mãe,
16:23respeito pela família,
16:24acabou.
16:25O poder que eles acham,
16:27entre aspas,
16:28que eles têm,
16:29só diminui a gente,
16:30que a gente quer dizer,
16:31a gente não tem poder nenhum,
16:32a gente não quer guerra,
16:33a gente não quer briga,
16:34a gente simplesmente
16:34quer se defender.
16:36A gente quer viver em paz,
16:38ter uma vida em paz.
16:39E assim,
16:40é muito triste,
16:41nem a segurança hoje mais,
16:42a polícia consegue defender.
16:44Não consegue,
16:45porque eles estão mais armados
16:46do que as próprias polícias.
16:48Para te falar,
16:48eu vejo vídeos,
16:49porque hoje em dia é comum
16:50o jovem fazer vídeo
16:52afrontando o outro,
16:53eu vejo vários.
16:54Ah,
16:54vem aqui que eu estou aqui,
16:56vem cá,
16:56e quer dizer,
16:57e eles vão...
16:57Chega até você esses vídeos.
16:58Chega até mim,
16:59e esses vídeos,
17:01os outros vão,
17:02e ali pode estar no meio da rua,
17:05passando a criança para ir para a escola,
17:06passando o morador,
17:07que eles não estão nem aí,
17:08eles metem bala mesmo.
17:10E se pegam a bala perdida
17:11numa criança?
17:12Quer dizer,
17:13não é a mãe deles,
17:14não é o filho deles que estão ali,
17:15então eles não estão nem aí.
17:17É o cidadão de bem
17:18que não tem nada a ver
17:19com esse fogo cruzado.
17:20Isso,
17:21não tem nada a ver,
17:21a gente não tem nada a ver
17:22com a guerra deles,
17:24com o tráfico deles,
17:25igual o pessoal do SAMU
17:26estava trabalhando,
17:28fazendo o trabalho deles.
17:30Aí eles têm que sair,
17:31parar de fazer o trabalho,
17:32porque os bandidos
17:34querem cumprir,
17:35com o que eles acham certo,
17:37o que o tribunal ali decidiu.
17:38Então,
17:39na minha opinião,
17:40acho que a justiça tem que estar mais
17:42focada nesses bairros
17:44que estão em conflito com o tráfico,
17:46porque a gente está sofrendo.
17:48A gente está sofrendo.
17:49Eu mesmo sofro,
17:50porque eu fico dentro de casa,
17:52porque eu tenho medo,
17:53de amanhã ou depois,
17:54ser eu uma pessoa morta,
17:56porque eu quero justiça para o meu filho.
17:58E é assim,
17:58a justiça trabalha.
18:00Eu agradeço muito o delegado,
18:02está trabalhando super no caso do meu filho.
18:04Só que demora,
18:05o inquérito não fecha nunca.
18:07Um está preso,
18:08mas não foi preso pela morte do meu filho,
18:10foi preso pelo tráfico.
18:11Entendeu?
18:12Mas e os demais?
18:14Enquanto isso,
18:14o sofrimento da mãe não acaba.
18:16Não,
18:16o meu sofrimento não acaba,
18:17porque o meu ir e vir acabou.
18:20Um, entre aspas,
18:21a gente não pode citar nomes,
18:22fez um vídeo referente a mim.
18:24Enquanto você está aí presa,
18:26eu estou aqui ostentando,
18:28olha isso aqui,
18:29olha isso aqui.
18:29Gente, isso é um deboche para uma mãe.
18:31Eu não criei guerra com ninguém.
18:34Você entendeu?
18:35Eles acabaram com a minha vida,
18:37acabaram com a vida do meu filho,
18:39acabaram com a nossa vida.
18:40Eu tenho dois meninos pequenos
18:42que querem crescer.
18:43Como que eu mando meu menino para a escola?
18:44Tem seis meses que meu menino
18:45não vai para a escola de cinco anos.
18:47Imagina o desesperador.
18:48É desesperador.
18:50E assim,
18:51é desesperador tanto físico e psicológico,
18:54porque eles querem colocar a gente como mãe,
18:56como culpada,
18:57pelo que aconteceu com o filho.
18:59Eu não tenho culpa
19:00que o meu filho escolheu isso
19:01para a vida dele.
19:02O que eu pude fazer por ele,
19:03eu fiz.
19:04Eu briguei,
19:05eu bati,
19:06eu corri atrás.
19:08Até ouvir gracinha
19:10de que eu gostava do meu filho no tráfico,
19:12eu tive que ouvir.
19:13Ver se isso pode acontecer.
19:15Quem me conhece
19:16sabe a pessoa que eu sou.
19:17Eu sempre criei ele ali,
19:18na rédea.
19:19Só que chega uma hora
19:20que você não tem mais pulso.
19:22Você não consegue mais controlar o seu filho.
19:24Você entendeu?
19:25Você chega uma hora
19:25que você olha para ele e fala,
19:27chega,
19:27você quer isso?
19:28É isso que você quer?
19:29Foi o que eu falei com ele.
19:30É isso que você quer?
19:31Então, você vai seguir em frente.
19:32Eu não vou te abandonar.
19:34Você tem comida,
19:34você tem moradia,
19:35você tem tudo.
19:36Eu nunca precisei dele,
19:38de 10 centavos,
19:39desse dinheiro sujo dele.
19:40Era o contrário.
19:41Era ele que precisava de nós.
19:43Porque era comida,
19:43era bebida,
19:44era roupa,
19:45era nós que dava,
19:46a família dele.
19:47Quando ele perdia as drogas,
19:48que ele tem que pagar,
19:50independente,
19:51tem que pagar.
19:51Era nós que ia lá,
19:53arrumava dinheiro prestado,
19:54pagava a dívida dele.
19:55Por quê?
19:56Porque a gente amava ele.
19:57Ele é meu filho.
19:58E, querendo ou não,
19:59eu achava que ele ia ter um conserto.
20:02Ah, um dia o Andrei vai melhorar.
20:04Mas o que acontece?
20:05Ele cresceu tanto nesse mundo de ilusão
20:07que ele criou rivais.
20:09E esses rivais,
20:10que se diziam amigo dele,
20:12armou e matou ele.
20:14E tudo o que eu falei,
20:15hoje se concretizou.
20:16lá onde a gente morava,
20:18que o bairro está aí.
20:20A poder do tráfico,
20:21o tráfico tomou a região toda,
20:23os mesmos que mataram ele
20:24foi o que tomou tudo.
20:26Então, o delegado está aí
20:27para ver o que eu falei
20:28desde o começo.
20:29Mataram ele
20:30porque queriam tomar o tráfico.
20:32E ele não aceitava,
20:34porque ele era de um lado
20:35e as pessoas eram do outro.
20:36Ele não aceitava.
20:38Então, eu quero justiça
20:39pelo meu filho.
20:40E em nome de Jesus vai ter.
20:42Obrigada, Verônica.
20:43A gente agradece imensamente
20:44porque um depoimento
20:45como o dessa mãe,
20:46faz com que outras mães,
20:48outros pais,
20:49faz com que muitas famílias
20:51parem para prestar atenção
20:53no que está acontecendo
20:54dentro de casa.
20:55Ver o que ainda é possível
20:56ser feito
20:57pelo seu filho,
20:59pelo seu neto,
21:00que às vezes está envolvido
21:01nessa vida
21:01e às vezes você nem sabe.
21:03Agora, Lin,
21:04mesmo diante
21:05da mãe falando,
21:07do vizinho falando,
21:09da avó aconselhando,
21:10mesmo diante
21:11dos amigos morrendo,
21:13por que é tão difícil
21:17alertar,
21:18colocar isso na cabeça
21:18desses jovens
21:19de que essa vida
21:20no crime não compensa?
21:22Olha, Roberta,
21:23é uma situação
21:23extremamente complexa
21:25que a gente
21:25tentar achar
21:26uma causa
21:27é muito pouco.
21:28Mas,
21:29a gente pode ver
21:30que é uma geração
21:31que, independente
21:32da classe social,
21:32ela é muito
21:33imediatista, né?
21:34É uma geração
21:35que já cresceu
21:36com celulares,
21:37com internet,
21:38com coisa muito rápido.
21:39então muitas vezes
21:40esses jovens
21:41não têm ainda
21:43um desenvolvimento
21:44emocional
21:45para lidar
21:45com certas coisas,
21:46não é querendo
21:47justificar não,
21:48tá?
21:48Mas é para entender
21:49esse imediatismo
21:50que muitas vezes
21:51esses jovens têm,
21:52eu tenho que resolver
21:53agora,
21:54eu tenho que ter
21:55o poder agora,
21:56eu tenho que ter
21:56o dinheiro agora.
21:57Se a gente pensar
21:58dentro das nossas
21:59oportunidades,
21:59a gente sabe que
22:00a gente tem que estudar,
22:01trabalhar,
22:02até de fato
22:02a gente construir
22:03alguma coisa.
22:04Enquanto que muitas vezes
22:05nessa área do tráfico,
22:06esses prazeres imediatos,
22:09eles realmente
22:09são rápidos,
22:10mas as custas,
22:11claro,
22:12de uma série
22:13de consequências
22:14péssimas,
22:15tanto para esse jovem
22:16que acaba morrendo cedo
22:17e não tendo a oportunidade
22:18de dar continuidade
22:19à vida,
22:19a sua própria família
22:20que sofre com tudo isso
22:22e a comunidade
22:23como um todo
22:23que sofre com essa violência
22:25sem fim.
22:26Olha só,
22:26a Tânia Nunes
22:27fala com a gente
22:28aqui no Facebook,
22:29meu Deus,
22:29passou um filme aqui,
22:30ou seja,
22:31ela já deve ter vivido
22:32uma história
22:32muito parecida,
22:34Madel Machado
22:35também fala
22:36que depoimento
22:36triste dessa mãe,
22:37infelizmente,
22:38esses delinquentes
22:39acabam com toda a família.
22:41A Márcia Salles Bezerra
22:43também diz,
22:43é nessa hora
22:44que a gente vê
22:44quando precisamos,
22:45não temos ajuda
22:46de ninguém,
22:47só Deus.
22:48Seis meses,
22:49ela está se referindo
22:50ao comentário
22:50aqui da Verônica,
22:51seis meses da criança
22:52sem ir à escola,
22:54cadê, por exemplo,
22:54aí o Conselho Tutelar
22:56para ajudar,
22:56dar respaldo
22:57para essas crianças
22:58e por aí vai, né?
23:00Cláudia também diz,
23:01filhos criados,
23:02trabalho dobrado,
23:03enfim.
23:04A Verônica falou aqui
23:05do desespero
23:06que deve ser,
23:07por exemplo,
23:07para os profissionais
23:08da saúde, né?
23:09Um médico do SAMU,
23:10que por segurança
23:11não quis se identificar,
23:12mandou um áudio
23:13para a gente
23:14falando como que é
23:15a realidade
23:15desses profissionais
23:16que precisam entrar
23:18em áreas dominadas
23:19pelo tráfico
23:20para salvar vidas.
23:21Vamos ver.
23:23Toda ocorrência
23:25de agressão
23:26gera ansiedade
23:27para os socorristas, né?
23:30Você imagina
23:31que você vai atender
23:32uma pessoa
23:33que foi agredida,
23:33então você tem
23:34aquele receio
23:35do agressor
23:36ainda estar ali,
23:37né?
23:37Por perto,
23:38da cena
23:39ser hostil,
23:40mas esses atendimentos
23:42são garantidos
23:43à segurança
23:44pelas forças policiais.
23:46O SAMU
23:47só vai atender
23:48essa vítima
23:48de agressão
23:49depois que a força policial
23:51chegar no local
23:52e garantir
23:53a segurança da cena.
23:54Agora,
23:55imagina um atendimento
23:56que aconteceu recentemente
23:57em que o SAMU
23:58é acionado
23:58por um acidente
23:59de moto
24:00com duas vítimas graves.
24:02Teoricamente,
24:03não precisava
24:04de apoio
24:04das forças policiais.
24:06Aí,
24:07a equipe
24:08que fez esse atendimento
24:09com certeza
24:10é uma equipe
24:12que teve
24:12uma carga emocional
24:14muito grande,
24:15um medo
24:16muito grande,
24:17né?
24:18Medo,
24:18com certeza,
24:19medo de morrer
24:20ou de receber
24:21uma bala
24:22daquela perdida.
24:24Aí,
24:24você está ali
24:25para tentar salvar
24:26uma vida,
24:27você está ali
24:28fazendo o seu trabalho
24:29e,
24:30de repente,
24:31você é surpreendido
24:33por bandidos
24:34e presencia
24:37um assassinato,
24:38o que vai,
24:40com certeza,
24:41trazer uma carga
24:42de insegurança,
24:43de medo
24:44muito grande.
24:47salvar vidas,
24:48hein?
24:48É assim mesmo
24:49que funciona,
24:50Rosley?
24:50Quando o SAMU,
24:52ele é acionado
24:53por uma região
24:54que,
24:54geralmente,
24:55está em conflito,
24:56vive em conflito,
24:57ele só consegue
24:58entrar ali
24:58com o auxílio
24:59da polícia?
25:00É,
25:00Roberta,
25:01isso é um problema,
25:02né?
25:02Porque você acaba
25:03dificultando o atendimento
25:04de pessoas que estão
25:05precisando de um atendimento
25:06médico de urgência,
25:08né?
25:08Porque esse é o objetivo
25:08do SAMU.
25:09E aí,
25:10você tem que fazer
25:10a ambulância do SAMU
25:11esperar,
25:12às vezes,
25:12a chegada
25:13de uma equipe
25:13da polícia
25:14ou da guarda civil,
25:16né?
25:16Para que realize
25:17o atendimento.
25:17Então,
25:18o protocolo
25:19tem sido esse,
25:21né?
25:21Então,
25:21o SAMU,
25:22ele só vai atender
25:23as situações,
25:24né?
25:25Envolvendo aí
25:25conflitos,
25:27né?
25:27Seja ele por disparos
25:28de arma de fogo
25:29ou seja outros
25:30conflitos em áreas
25:31que a gente chama
25:32de áreas mais perigosas,
25:34né?
25:34A partir do acionamento
25:36de uma força de segurança,
25:37seja a guarda civil,
25:39seja a polícia militar.
25:40Então,
25:40isso representa também
25:41uma fragilidade.
25:43Olha como é que a violência,
25:44Roberta,
25:45acaba atingindo
25:46completamente pessoas
25:47que não têm nada a ver.
25:48Então,
25:49aquela pessoa que precisa
25:49de um atendimento médico,
25:51serviço básico,
25:52garantido na Constituição,
25:54garantido em protocolos
25:55internacionais,
25:56só vão acontecer
25:58mediante a presença
25:59de uma força policial,
26:01né?
26:01Então,
26:01a gente precisa repensar,
26:03Roberta,
26:03de forma urgente.
26:05Então,
26:05imagina aquela situação,
26:06né?
26:06O médico colocou muito bem isso.
26:08Ali,
26:09eles estavam em risco,
26:10porque se aqueles criminosos
26:12que foram fazer ali
26:13o assassinato
26:14quisessem,
26:15de algum modo,
26:16encobrir as suas identidades,
26:17teriam matado também,
26:19né?
26:19Os técnicos,
26:20os enfermeiros,
26:21o médico que ali estavam.
26:22Então,
26:23você coloca em risco
26:24todo o sistema social
26:25a partir de uma criminalidade
26:28que tenta dominar
26:29e que tenta criar forças
26:31numa área,
26:32num território.
26:33Então,
26:33isso acaba atingindo
26:34todo mundo.
26:35Então,
26:35não adianta a gente achar
26:36que porque a gente está,
26:37né?
26:37Nos prédios,
26:38cercados ali,
26:39de que isso vai ser,
26:41de algum modo,
26:42mitigado,
26:42porque não vai.
26:44Diferentemente da saúde,
26:45que às vezes você tem um plano de saúde,
26:46você consegue estar atendido
26:47num hospital particular,
26:48os atendimentos na rua
26:50e a segurança pública
26:51atingem ricos,
26:53pobres,
26:53homens,
26:54mulheres,
26:55crianças,
26:55idosos,
26:56adultos,
26:56e a gente precisa repensar
26:58urgentemente
26:59o nosso sistema
27:00de segurança pública,
27:01dar mais garantia
27:02aos policiais,
27:03dar maior estrutura,
27:04e ter políticas públicas
27:06que, de fato,
27:07consigam fazer com que a população,
27:09de que esses jovens,
27:10principalmente,
27:11porque é a nossa maior
27:12população carcerária,
27:13são os jovens,
27:14de que eles não entrem
27:15no mundo do crime.
27:16Agora,
27:17por isso também é um papel
27:18muito importante da sociedade
27:19em denunciar,
27:20porque a polícia pede,
27:22a polícia fala,
27:24denuncie,
27:24porque quem vive ali
27:25na região,
27:26sabe,
27:27tem mais informações,
27:29sabe quem é que faz
27:30o Levitraz,
27:31sabe quem é que age,
27:32então,
27:32o papel da população,
27:34o papel da vizinhança
27:35é denunciar
27:36para que esses serviços básicos
27:38consigam chegar,
27:39por exemplo,
27:40num momento como esse.
27:42E sempre,
27:43as pessoas às vezes
27:44têm medo,
27:44Roberta,
27:44de fazer a denúncia,
27:45mas o 181,
27:46ele é completamente anônimo,
27:49não existe
27:50nenhuma identificação,
27:52e essa identificação,
27:53por mínima que seja,
27:55quando for repassada
27:56as forças policiais,
27:57não terão nenhum tipo
27:59de identidade
28:00de quem deu a informação.
28:01Então,
28:02se você tem informação
28:03sobre o crime organizado,
28:05sobre situações
28:06que estão ocorrendo
28:07no seu bairro,
28:08na sua rua,
28:09na sua cidade,
28:10pode-se utilizar
28:11dos meios
28:12de denúncia anônima,
28:13principalmente o 181,
28:14porque a sua identidade
28:16vai ser preservada,
28:17você não precisa passar
28:18nenhum tipo de identidade,
28:20e isso vai subsidiar
28:21a atuação
28:22das guardas civis,
28:24dos seus setores
28:25de inteligência,
28:25da polícia militar,
28:27da polícia civil,
28:28e das demais agências
28:29de segurança pública.
28:31Porque se a população
28:32não entender
28:33que é preciso
28:34que nós sejamos juntos
28:35no combate à criminalidade,
28:37que nós devemos juntos
28:39buscar a segurança pública,
28:41isso está lá
28:41na Constituição, Roberta.
28:43O artigo 144
28:43é claro,
28:44é dever do país,
28:47do Estado,
28:47do município,
28:48garantir a segurança pública,
28:51mas é responsabilidade
28:52de todos,
28:53isso está previsto
28:54na nossa Constituição.
28:55Então,
28:56a gente precisa assumir
28:57também esse compromisso,
28:58claro,
28:59sabendo das nossas limitações,
29:00e o Estado
29:01também precisa assumir
29:03cada vez mais,
29:04o Estado aqui,
29:04eu me refiro à União,
29:06os Estados e os municípios
29:07assumirem um compromisso
29:09de garantir a segurança
29:10da sua população,
29:12porque isso tem matado
29:13pessoas inocentes,
29:14e tem trazido
29:15cada vez mais
29:16um aprisionamento
29:17da população de bem,
29:19e a liberação
29:20dos criminosos
29:21e da população
29:22que quer o mal
29:23dos outros,
29:24do outro grupo,
29:25que é o grupo
29:26em que nós estamos inseridos.
29:27A gente tem aqui
29:28mais algum comentário,
29:29os Bete,
29:29Renato Marques,
29:30diz,
29:30já passei por isso,
29:31eu tenho um filho
29:32também que foi morto
29:33por conta das drogas,
29:35Mari Vasconcelos diz,
29:36que tristeza
29:37para essa mãe
29:37ver seu filho
29:38sendo morto
29:39e não poder
29:39fazer nada.
29:41Tem outro comentário
29:42também de uma pessoa
29:42que pediu para não ser
29:43identificada,
29:44mas ela diz que
29:44oito pessoas da família,
29:46oito pessoas estão
29:47envolvidas,
29:48envolvidas nas drogas,
29:49e que inclusive
29:50o avô
29:51está muito triste
29:53com tudo isso.
29:53Só para a gente finalizar,
29:54o nosso tempo está acabando,
29:56o Verônica,
29:56eu queria que você,
29:57desculpa até perguntar isso,
29:58mas a gente
30:00se pergunta,
30:01como é que fica
30:02o coração de uma mãe
30:03depois de tudo isso?
30:04Como é que você faz
30:05para cada dia
30:07reencontrar
30:07suas forças
30:08para viver
30:08e ter que criar
30:09os seus outros filhos também?
30:11É difícil,
30:12tá?
30:13Eu estou tentando
30:13até hoje assimilar
30:14o luto,
30:16assimilar a tristeza,
30:17desculpa,
30:19não aceito,
30:19vai fazer seis meses
30:20que eu perdi ele,
30:22é difícil demais
30:23para mim,
30:24eu choro todos os dias,
30:27mas aí eu,
30:27igual a minha filha fala,
30:29mãe,
30:29pelo amor de Deus,
30:30a senhora tem que criar
30:31o restante,
30:32tem que criar.
30:34Antes,
30:34eu só focava
30:35em vingança e justiça,
30:36vingança e justiça,
30:37eu não tirava da cabeça,
30:39agora eu consegui
30:40sossegar,
30:41assim,
30:41lá em casa
30:41a gente é muito festeiro,
30:43a gente quer
30:43fazer um almoço,
30:44sempre foi assim,
30:45a vida toda.
30:46Hoje em dia,
30:47eu nem sei como
30:47eu vou fazer
30:48a ceia de Natal,
30:50estou pedindo a Deus
30:50força,
30:51porque se eu fazer
30:52um almoço,
30:54eu choro,
30:54porque o que ele mais
30:55gostava era comer,
30:57ele sempre,
30:57nossa,
30:58é coroa,
30:58você caprichou,
30:59hoje,
31:01assim,
31:02é sem palavras,
31:03você entendeu?
31:04Eu tenho que buscar
31:05força para continuar
31:06e pedir a Deus
31:07para confortar
31:07o meu coração,
31:08porque a tristeza
31:09é muito grande,
31:10eu nunca pensei
31:11em sofrer
31:12tanto assim,
31:13é difícil demais,
31:14porque independente
31:16de tudo,
31:16ele era o meu filho,
31:18você entendeu?
31:19Para mim,
31:19ele não tinha defeitos,
31:20eu tentava encobrir
31:22os defeitos dele,
31:23entendeu?
31:24Então,
31:25graças a Deus
31:26que eu tenho
31:26os pequenos,
31:27porque eu acho que
31:27se eu não tivesse
31:28os pequenininhos,
31:29não sei o que eu já
31:30teria feito
31:31até comigo mesmo,
31:32sabe?
31:32Porque tem hora
31:33que bate
31:34uma depressão
31:35tão profunda,
31:36uma tristeza
31:36tão grande,
31:37que a gente
31:37não quer levantar
31:38da cama,
31:39a gente não quer
31:40comer,
31:40não quer beber,
31:41a gente não quer
31:42nada,
31:43é só Deus
31:43e as minhas filhas,
31:44né?
31:44Que eu tenho filhas
31:45também adultos,
31:46meu neto,
31:47é eles que cada dia
31:48vai fazendo,
31:48e as minhas amigas
31:49também mandam mensagem
31:50todo dia,
31:51amigos,
31:52e a gente tem
31:53que continuar,
31:54mas é mais...
31:54É assim, né, Lini?
31:55Destrói a família
31:56inteira, né?
31:57Porque é uma história
31:58que a gente conta,
31:59mas que essa mãe
32:00todo dia revive
32:02essa dor, né?
32:03Sim,
32:04é um luto
32:05que não imagino,
32:06é um sofrimento
32:07realmente inimaginável,
32:08ainda mais de uma forma
32:09tão bruta,
32:10e que as consequências,
32:12a tristeza,
32:13isso acaba envolvendo
32:14a todos.
32:15Perfeito,
32:15obrigada, gente,
32:16pela participação
32:17de todos vocês.
32:17Verônica,
32:18a gente agradece
32:19sempre a sua participação,
32:21tá?
32:21Sinta-se abraçada
32:22por toda a equipe
32:23do Fale Espírito Santo
32:24toda vez,
32:25tá bom?
32:25Obrigada, Lini,
32:27obrigada, Rusley Medeiros
32:28também pela sua participação.

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