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  • há 2 dias
Um jovem foi morto por causa de uma briga de bar

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Transcrição
00:00Agora a gente segue o programa com outro assunto, a morte de um caminhoneiro nesse feriado.
00:04Gente, isso deixou os capixabas assustados com a violência desse crime.
00:09O suspeito de cometer o crime é um agente socioeducativo que está preso.
00:15O Josivan, olha ele aí na foto, ele tinha acabado de completar 35 anos
00:20e participava de uma confraternização em uma pracinha do bairro.
00:24E aí ele foi ao banheiro.
00:25Nesse momento que ele foi ao banheiro, o que aconteceu?
00:29Ele foi trancado por um homem que também estava no local, o agente chamado Tiago Muniz de Souza, de 28
00:37anos.
00:39Uma brincadeira, que isso não é brincadeira, que Josivan não gostou.
00:43E claro, não gostei, uai, estou aqui preso no banheiro.
00:45Quando ele conseguiu sair, ele reclamou.
00:49Tiago teria se irritado com a reclamação e feito o quê, minha gente?
00:52Atirado no caminhoneiro que morreu ali mesmo na hora.
00:56Um cunhado de Josivan, que estava com ele, foi ferido, tá?
01:00E aí a gente vai ver que tem um vídeo que foi feito também por testemunhas,
01:05que mostra Josivan no chão.
01:07E o suspeito ainda com a arma na mão, que ele foi contido pela própria esposa.
01:12Quem estava no local ainda disse mais.
01:15Disse que ele apresentava sinais de embriaguez.
01:18A nossa equipe conversou, gente, com o pai de Josivan.
01:22Ele disse que o filho de Josivan, uma criancinha, presenciou tudo isso.
01:27Vamos ver.
01:28Ele viu tudo e caiu por cima do meu filho.
01:31A moça do Marzinho foi que pegou meu neto, que estava de esperança em saber por quê,
01:40e ele dando tiro para tudo quanto é lado.
01:42Que agradeço a Deus por ter não ter acertado meu neto.
01:46Quem vai me sustentar?
01:48Quem vai sustentar a minha família?
01:52Quem vai cuidar do meu neto?
01:54Quem?
01:55Como que eu vou pagar minhas contas?
01:58Por favor, está difícil.
02:01É muito triste, né?
02:03A gente dá para sentir a tristeza nessa fala do pai.
02:06E quantos casos, assim, a gente tem noticiado, né?
02:08Casos que poderiam ser resolvidos ali no diálogo, na conversa.
02:13Mas as pessoas estão intolerantes demais, impacientes demais, e ainda com uma arma na mão,
02:18acabam com a vida, a vida de um pai e de uma família inteira.
02:22Esse vai ser o nosso assunto de agora.
02:24Aqui no nosso estúdio, participa com a gente.
02:26Eu recebo o advogado criminalista, o doutor Rivelina Amaral.
02:28Muito obrigada pela sua participação.
02:31Letícia Santana, que é psicóloga.
02:33A gente também agradece a sua presença.
02:35E hoje a gente também recebe aqui, gente, o Silmar Gomes, que ele é primo do Ronaldo,
02:40que estava ali junto com o Josevan no momento em que tudo aconteceu.
02:45Não é isso?
02:46Isso mesmo.
02:47Obrigada pela sua presença.
02:48Primeiramente, os nossos sentimentos.
02:50Eu queria que você contasse como que, primeiro de tudo, está o clima da família, dos amigos,
02:57depois desse caso que deixou todo mundo assustado.
03:00Olha, é uma tristeza total, né, cara?
03:01Porque o Josevan é um rapaz muito querido, particularmente para mim, então, é um sem igual.
03:08Além do mais, meu primo também, né, que é uma parceria ali surreal entre eu e ele, entendeu?
03:15E o clima na família é de muita tristeza, né?
03:17E a gente espera que isso não fique impune, né, que o Tiago aí seja tratado da maneira que ele
03:23merece aí.
03:24Você, inclusive, momentos antes da gente iniciar aqui o estúdio,
03:29você até falou que o Ronaldo acabou de ter alta na UTI.
03:32Exatamente.
03:33O filho dele me ligou dizendo que ele estava já no quarto, tinha acabado de sair para a UTI.
03:39Então, a família do Ronaldo consegue ter um pouco mais de alívio nesse momento, né?
03:44O alívio em si vai ser só quando ele estiver alta, bem, não estiver realmente fora de perigo, né?
03:48Enquanto estiver lá dentro, o perigo, creio eu, que sempre vai existir, né?
03:52Então, é muito complicado esse momento para a gente aí.
03:56Letícia, o que que explica, né?
03:58A gente tem visto cada atitude do ser humano, um com o outro na hora de lidar,
04:03que a gente fala assim, gente, não poderia ser resolvido ali com uma conversa simplesmente,
04:07olha, não gostei da brincadeira.
04:09E aí está tudo bem, não gostei, desculpa.
04:11Mas não é isso que a gente está vendo no dia a dia.
04:13Sim, é boa tarde a todos.
04:15E pelo que a gente observa, né?
04:17Não é só uma pessoa, é toda a rede, é a família toda que vive, né, também essa tristeza.
04:22Muitos fatores, né, Roberta, nesse exemplo especificamente, tem o uso, né, a presença aí do álcool,
04:29talvez até um histórico de violência, não sei, né, dessa pessoa, o acesso a armas e tantos outros fatores.
04:36Mas é importante a gente pensar sempre, assim, que esse caminho do diálogo tem sido um caminho cada vez mais
04:42difícil,
04:43socialmente falando.
04:44E aí agora a gente tem esse exemplo, né, muito talvez impulsionado pelo uso do álcool,
04:49mas que também a gente observa que em outros contextos, a intolerância, a dificuldade de chegar a um acordo
04:57tem sido algo cada vez mais recorrente nos nossos relacionamentos, né?
05:01Você disse aí da associação do uso do álcool, mas existe também um comportamento já agressivo, marcante?
05:09Não estou falando especificamente desse caso, mas, assim, de muitos outros que a gente vem mostrando aqui no nosso jornalismo,
05:15porque é uma associação que a gente pode ver que tem se tornado perigosa.
05:20Sim, é claro que, né, sem entrar no juízo de valor, porque a gente não sabe, né, exatamente de quem
05:25a gente está falando,
05:26mas o álcool, ele tem essa potência, né?
05:28Ele age ali no sistema nervoso central e interferindo nessa desinibição, nessa impulsividade.
05:34Então, se a pessoa já carrega um histórico de violência e ela tem acesso à arma de fogo,
05:40que também é um fator que potencializa, inevitavelmente uma tragédia pode vir, se ir a acontecer,
05:46se estiverem esses dois elementos associados, né, Roberta?
05:49Doutor Rivelino, o que dá direito a uma pessoa de falar, de agir e consumar atos violentos com outra pessoa,
05:59que a gente vê que isso tem acontecido frequentemente?
06:02Ah, senhor, em primeiro lugar, arma não combina com bebida, né?
06:06E nós estabelecemos que a polícia, as polícias iriam garantir a nossa segurança.
06:11Então, nós permitimos que as polícias usem arma.
06:14Então, a gente pode usar arma, a polícia militar, o policial civil, enfim.
06:19Mas não para ir para bar beber.
06:22Bar não é lugar de arma na cintura, né?
06:25Não combina.
06:26Da mesma forma que não combina direção com bebida alcoólica, arma muito menos,
06:30porque você pode tirar a vida das pessoas, como é esse caso.
06:34Quer dizer, a intolerância está aí, as pessoas estão reagindo, reagindo muito mal.
06:39E também é bom que se diga que a embriaguez não retira a responsabilidade de ninguém.
06:46Ah, eu atirei ou eu bati, eu empurrei, eu xinguei porque eu tinha bebido.
06:53Não retira a responsabilidade de ninguém, certo?
06:57Então, em primeiro lugar, uso da arma.
06:59A arma não combina com local de diversão.
07:03Ah, que eu sou policial e eu posso entrar na boate.
07:05Se você é policial e quer entrar na boate, você vai entrar com uma missão de policial,
07:10e não para se divertir.
07:12Se você vai se divertir numa boate, num bar, não é para você levar a sua arma, né?
07:16Nós vivemos um momento no nosso país, a meu sentir, muito triste,
07:21de alargamento da possibilidade das pessoas adquirirem arma
07:26sobre o argumento de que isso traria proteção para as pessoas.
07:30Mas arma na rua traz isso que a gente está vendo, traz morte.
07:35Porque ninguém se defende com uma arma na cabeceira da cama.
07:38O que traz defesa para as pessoas é uma polícia bem preparada.
07:43Uma polícia com equipamento, com inteligência, traz segurança para as pessoas.
07:48Então, nós tivemos um alargamento, uma possibilidade das pessoas adquirirem armas,
07:52as pessoas adquiriram, hoje mudou essa legislação para restringir um pouco mais,
07:58mas esse é um caso clássico do que a arma pode trazer.
08:04A arma tira a vida das pessoas.
08:06E se você está num bar, não é para estar armado.
08:09Bar não é lugar de arma.
08:10Arma é para polícia.
08:13Arma é para defender as pessoas, não para ir para bar, não para ir para boate.
08:18Porque, às vezes, a gente se depara com alguns casos assim.
08:21Ah, o policial entrou na boate, atirou, matou.
08:25Sim, não é um lugar para entrar com arma.
08:27Ah, mas eu sou policial, eu posso entrar.
08:29Sim, o policial, ele é policial a todo momento, ok?
08:32Ele está preparado para nos proteger.
08:34Mas não dentro de uma boate.
08:36Especial e notadamente bebendo.
08:38Se você bebeu, você deixou de ser policial.
08:42Você perdeu a sua patente naquele momento, né?
08:44Então, não combina.
08:45Não é para ir para bar, não é para ir para boate, não é para ir para nenhum lugar público
08:50de diversão com arma junto com bebida.
08:53Porque vai tirar a vida das pessoas.
08:56Muito bem dito, muito bem pontuado.
08:58Até porque, já que o senhor tocou nesse ponto, impossível falar sobre esses casos aí da falta de diálogo,
09:04em que a gente tem noticiado, essa falta em que, infelizmente, terminaram em crimes graves.
09:11E a gente lembra imediatamente de quem?
09:13Do músico Guilherme Rocha, que ele foi assassinado em abril desse ano.
09:18Segundo informações da Polícia Militar, Lucas estaria bebendo com os amigos na entrada principal do prédio.
09:24E aí, Guilherme foi reclamado, som alto.
09:27E logo em seguida, foi atingido por um disparo de arma de fogo.
09:32Lucas Torezani se encontra afastado de todas as funções na corporação e segue preso no presídio militar.
09:40E, Letícia, a gente percebe como que isso causa uma revolta na sociedade em geral,
09:47porque poderia ser qualquer um de nós reclamando, pedindo o quê?
09:52A paz naquele exato momento.
09:54Assim como o amigo de infância do Silmar, que está aqui com a gente,
09:59que ele não gostou da brincadeira que fizeram com ele.
10:03Trancaram ele no banheiro, não gostei do que fizeram comigo.
10:06E isso causa uma revolta na sociedade, porque a gente se coloca no lugar e fala assim,
10:10gente, poderia ter sido comigo.
10:11Sim, e assim, e a gente não está falando, Roberta, de um não gostar,
10:16ou a gente não está falando de um reivindicar algo que eu entendo que seja meu direito.
10:21Mas a gente está falando exatamente dessa combinação, como o doutor Bem colocou,
10:26do álcool juntamente com a arma de fogo,
10:29que mune uma pessoa que não tem a condição naquele momento de estar ali armado
10:35e lidar com aquele episódio de intolerância e insatisfação.
10:39Então, em nenhum momento a gente está falando aqui de não se posicionar
10:43ou não colocar o que você está sentindo, ou enfim.
10:46Mas a gente está falando exatamente de um componente dentro de uma relação
10:50que não possibilita nenhum tipo de acordo.
10:54Então, uma pessoa está com uma arma, uma pessoa está sob efeito de álcool,
10:57ela está sendo ali contestada em algo que ela não está gostando muito,
11:02e ela vai reagir da forma que ela entende que deve.
11:06O que, naturalmente, aumenta a nossa insegurança, aumenta o nosso medo,
11:11aumenta a nossa ansiedade e aumenta o adoecimento social.
11:15Então, aqui a gente tem um exemplo de um elemento da família
11:18que está aqui numa situação de sofrimento, não só ele, como toda a família.
11:22E, com certeza, quem está nos assistindo também fica bastante inquieto,
11:26isso traz um mal-estar social.
11:28Então, isso não é uma questão individual, mas é uma questão coletiva, né?
11:33A gente está vivendo esse contexto hoje.
11:35Se você me permitir, Roberto, muito rapidamente,
11:37a gente também não pode generalizar.
11:40Há um agente sócio-educativo.
11:41Em primeiro lugar, essa pessoa não estava no exercício da função dela, né?
11:46A polícia militar, há, a polícia militar mata as pessoas.
11:49Existe mal profissional na medicina, no direito, na odontologia, em tudo.
11:55A polícia é a que traz segurança para a gente.
11:58Quando a gente tem problema, a primeira coisa que a gente faz é chamar a polícia.
12:02Então, existem inúmeros excelentes policiais.
12:05Então, a gente não pode generalizar.
12:06Nem, tampouco, atribuir esse fato a um agente sócio-educativo,
12:13porque ele não estava na função de agente sócio-educativo, né?
12:16Então, quer dizer, une mais ainda a informação.
12:19Quer dizer, se estava num bar bebendo, ele não tem que estar com arma.
12:23A arma é para ele usar lá no exercício da função dele.
12:27Ah, mas eu preciso de arma também para me defender quando eu estiver indo para a minha casa?
12:31Sim, claro, tem que ter.
12:33O policial militar também.
12:34Quando ele sai do batalhão dele, ele corre risco.
12:37Quando ele vai para o bairro dele, às vezes, ele não pode sequer se identificar como policial.
12:41Aí sim, ele precisa estar armado para ele se proteger.
12:43Claro, a gente quer que ele nos proteja, mas que ele também fique protegido.
12:47Mas não fazer uso de bebida alcoólica, não ir para a bar.
12:50Ali não é um agente sócio-educativo, ali é uma pessoa com uma arma, né?
12:55Que perdeu, inclusive, a patente naquele momento.
12:58Ele não é agente sócio-educativo, né?
13:00A gente precisa deixar isso muito bem claro.
13:03E, Silmar, a respeito da postura do José Vão, você como amigo dele de infância,
13:09como que ele era, né?
13:10Para a gente pensar assim, num momento em que ele foi surpreendido,
13:14estava ali trancado no banheiro.
13:16Como que ele era a respeito desse momento de socialização?
13:19Fala com a gente no microfone.
13:21Ele, um rapaz tranquilo, né?
13:23É parceiro, amigo mesmo, super pai, super filho, amigo.
13:28E num momento ali, onde eu fiquei sabendo, não teve nenhuma discussão,
13:32não teve nenhuma agressão, simplesmente esse ato aí do cara trancar ele no banheiro,
13:38do rapaz trancar ele no banheiro, ele não gostar da situação,
13:40e ficar por isso mesmo.
13:42E depois disso não rolou mais nada.
13:44E nesse meio tempo, estava tendo um festival de pipa, lá onde eu fiquei sabendo, no bairro.
13:49E a latinha do filho dele caiu, ele saiu para pegar, o José Vão saiu para pegar.
13:52Foi nesse meio tempo que ele viu a oportunidade de estar definindo os tiros no José Vão,
13:58onde veio o álbito no local ali.
13:59E nessa história toda, ainda tem um detalhe que, certamente, essa criança vai carregar isso para a vida inteira.
14:06Ela presenciou a morte do pai.
14:10Ali era uma relação próxima de pai e filho mesmo?
14:14É muito, muito próxima.
14:16Ele levava ele praticamente todos os dias na escola, quando ele trabalhava na escala da noite,
14:20todo dia levava na escola, buscava, estava sempre junto.
14:23Era todo momento junto.
14:24E ele tinha o hábito de levar ele toda tarde nessa pracinha.
14:28Toda tarde ele levava o menino lá.
14:30E a gente sentiu na fala do pai do José Vão, o tamanho da tristeza,
14:35que quando isso acontece, destrói uma família inteira, né?
14:39Ele era também o provedor da família?
14:42Sim, sim.
14:43O seu Lucas, o José Vão, né?
14:45O filho do seu Lucas e o José Vão.
14:47E como ele falou no vídeo dele aí, como é que ele vai agora se estabilizar para poder dar um
14:53apoio ao neto,
14:54à nora, à mãe, à esposa, né?
14:57Irmãos.
14:58Ele era um dos provedores, né?
14:59Um dos pilares da casa ali.
15:01Então, se um pilar cair, já viu como é que fica, né?
15:04Então, a casa, ela tende a dar uma balançada para um lado.
15:07E o que a gente busca mesmo é justiça nesse momento aí.
15:11Letícia, certamente, traumas essa criança vai carregar para a vida, né?
15:15Sim, porque se imagina essa cena, né, Roberta?
15:18Imagina que forte foi essa cena e quão esperado.
15:22Você está ali num contexto de uma festividade, você está se divertindo,
15:26você não está nem num lugar que você acha que está correndo risco
15:29para estar vigilante em relação a esse risco.
15:32Então, você está totalmente desprovido, você está feliz,
15:34você está ali curtindo um ambiente e, de repente, uma fatalidade dessa.
15:38Então, é um trauma bastante profundo e muito triste para toda a família.
15:42Atrás de cada indivíduo, a gente sabe que sempre tem uma história, né?
15:46Por isso que quando a gente fala assim, ah, trânsito,
15:49opa, eu não conheço outro motorista que está ali do outro lado,
15:52mas eu não sei qual é a história, então eu vou ficar quieta na minha.
15:56Deixa passar, né?
15:57A gente tenta agir dessa forma.
15:59Agora, se tratando de um ambiente onde, geralmente,
16:01as pessoas vão para esparecer, para um momento de lazer,
16:05como que a gente espera que o outro vá oferecer um risco para a gente, né?
16:10Ninguém espera por isso, né, Letícia?
16:12Você não espera.
16:13Por isso que a nossa sociedade, ela está adoecida,
16:15por isso que a gente tem visto tantos casos de ansiedade, de depressão,
16:19porque você não espera.
16:20Você está num lugar onde você entende que você está ali se divertindo,
16:25você está relaxado e, de repente, acontece uma coisa dessa.
16:28E quem está nos assistindo também acaba sendo contaminado por essa insegurança.
16:32Então, não nos cabe, enquanto indivíduos, também nos cercearmos 100%
16:37de qualquer possibilidade de violência, porque a gente não tem controle sobre isso.
16:41Então, o que a gente precisa mesmo é pedir que o Estado se posicione
16:45e que nos ofereça um ambiente de segurança, porque é para isso que o Estado serve.
16:50Mas, fora isso, só nos cabe, minimamente, tentar nos proteger
16:55e buscar relacionamentos e contextos que a gente entende que a gente está seguro, né?
16:59Olha, em outubro, gente, do ano passado, o cinegrafista Leonardo Vieira,
17:03de 34 anos, ele foi morto dentro de uma distribuidora de bebida.
17:08As investigações mostraram que Leonardo havia discutido, dias antes,
17:13com o Alisson do Santos Veríssimo, por causa de quê?
17:16Por causa de política, minha gente.
17:18No dia do crime, os dois se encontraram e, quando Leonardo saía do banheiro
17:23da distribuidora de bebidas em Novo Horizonte, na Serra,
17:26foi atingido por um tiro a queima-roupas na nuca.
17:30O Alisson fugiu e, logo em seguida, só foi preso, fugiu logo em seguida
17:36e depois só foi preso, 10 meses depois do que aconteceu, isso na Bahia.
17:42E aí, doutor Rivelino, a gente sabe que, às vezes, no momento ali,
17:46um cidadão que, aparentemente, parecia ser um cidadão de bem,
17:50mas não, no momento de impulsividade, em alguns casos associado ou não
17:56ao consumo de álcool, outros casos ao consumo de drogas,
18:01ele pode acabar se tornando ali um assassino.
18:04Então, e o Estado, ele não é onipresente.
18:07Ele não consegue estar em todos os lugares.
18:09A polícia não consegue estar vigiando tudo a todo tempo.
18:12E, infelizmente, essas fatalidades acontecem.
18:14E, ao contrário do que as pessoas pensam também, assim,
18:18a lei do Brasil, as penas são altas.
18:21A pena de homicídio é de 30 anos.
18:23A gente tem, aqui no Espírito Santo, 37 presídios superlotados.
18:30O Brasil é o terceiro país no mundo em população carcerária.
18:34Então, a lei existe, a lei pune, a lei prende,
18:38mas o Estado não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
18:41Então, infelizmente, essas fatalidades acontecem.
18:44Ah, mas às vezes fulano matou e no outro dia foi solto.
18:48Aí, cada caso é um caso.
18:50Mas a gente, tanto é que nós somos o terceiro país no mundo em população carcerária.
18:54O Espírito Santo tem capacidade para 13 mil presos,
18:57tem 23 mil pessoas presas no Estado do Espírito Santo.
19:01Uma cela que cabe quatro, tem 12, 16 pessoas presas.
19:05A gente não sabe mais o que fazer, sabe, Roberto?
19:08A gente está prendendo cada vez mais e essas pessoas, inclusive, estão saindo pioradas do presídio.
19:14Porque o objetivo de prender as pessoas são três.
19:17Punir, prevenir e ressocializar.
19:19Quer dizer, punir aquela pessoa que cometeu um crime,
19:21mas fazer ele reaprender a viver em sociedade.
19:24E a gente não está conseguindo.
19:26Então, a gente está prendendo cada vez mais.
19:28Os crimes continuam acontecendo.
19:30O índice de criminalidade é altíssimo.
19:33E a gente não sabe.
19:34Não sabe como lidar.
19:36A gente não sabe.
19:37Eu não sei te dar uma resposta.
19:39Como que a gente resolve?
19:40Não sei.
19:41Talvez, aplicação de política pública.
19:44Gerando dignidade, renda, emprego,
19:48para as pessoas, para evitar que elas entrem no mundo do crime.
19:52Mas existem crimes que não têm ligação nenhuma.
19:54Por exemplo, o tráfico de drogas.
19:56Esse que a gente está falando hoje.
19:57O que você acabou de falar aí, né?
19:59Quer dizer, é uma discussão política.
20:02E que culpa que o Estado tem nenhuma?
20:05Ele não consegue, né?
20:06Perfeito, doutor Evelino.
20:07Obrigada pela participação de todos vocês.
20:09E como o Sumar disse, agora é focar na recuperação do Ronaldo
20:13e também no filhinho do José Van,
20:16que são pessoas que vão precisar de muita ajuda.
20:18Obrigada, viu, pela participação de vocês.
20:20E aí
20:20E aí

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