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  • há 2 dias
Sentimento de solidão tem aumentando após a pandemia

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Transcrição
00:00A gente vai falar de um sentimento muito comum entre as mulheres casadas ou que vivem relacionamentos sérios.
00:09Presta atenção, minha amiga, a gente tá falando da solidão.
00:13Quem não tem aquela amiga que quando começou a namorar ou se casou, acabou se afastando da turma pra viver
00:19esse relacionamento.
00:21E aí, a gente se envolve nas tarefas de casa, com os filhos e quando acordamos, só temos essa realidade.
00:29Qual é? Marido e filho.
00:32É, assim também se resume a sua vida.
00:35Uma pesquisa da Universidade de Oxford descobriu que pessoas comprometidas têm menos amigos do que as solteiras.
00:42Só que pra mulher, a situação, minha gente, é mais complicada.
00:47Esse estudo afirma que, culturalmente, os homens são mais estimulados a ser sociáveis, mesmo depois do casamento.
00:55E mantém as relações de amizade mais próximas.
00:59E essa solidão, esse afastamento dos amigos, isso faz mal pra todo mundo.
01:06Vamos bater um papo sobre esse assunto?
01:08Agora sim, pode abrir imagem, meu diretor.
01:11Desculpa, viu, chefe?
01:12Aqui no nosso estúdio, a gente recebe a psicóloga Luana Maróquio.
01:18Também recebemos aqui a Cleni e a Rose, que vão contar pra gente como que elas passaram, né?
01:25Se esse momento ainda existe na vida de vocês e como é que foi, como é que está sendo.
01:31Vou começar com você, Cleni.
01:32Vou começar na ordem.
01:34Já teve esse sentimento também da solidão no relacionamento?
01:37Sim, sim, porque é o seguinte, quando você está casado ou está namorando, a tendência
01:44da mulher não é se isolar dos amigos, é sim respeitar a pessoa que está com ela.
01:50Então, quando ela está solteira, se ela sai com amigos, casado, ela não vai fazer isso.
01:57Infelizmente, em muitos relacionamentos, esse parceiro não é tão parceiro quanto deveria ser.
02:03Então, é uma solidão que se passa a dois.
02:07E aí, você deixava de ir no compromisso com as amigas?
02:09Deixou de fazer o quê, Cleni, quando você teve um relacionamento sério?
02:13Quando eu era casada, eu deixei de viver a minha vida.
02:17Por inteiro, assim, é?
02:19Por inteiro.
02:20Tipo o quê?
02:21Ah, vou na padaria com a amiga, sentar, tomar um café, bater um papo.
02:24Nem isso?
02:25Não.
02:26Sua vida se resumia a quê?
02:29Casa, filho, igreja, só.
02:32E marido.
02:34E você, Rose?
02:36E aí, gente?
02:37Boa tarde.
02:38Boa tarde.
02:39Por muito tempo, eu me senti muito sozinha.
02:43Eu mesma me isolei muito, me afastei dos meus amigos, pelo que você falou aqui, que é muito
02:48verdadeiro.
02:49A gente se envolve na nossa rotina de trabalho, casa, é muita responsabilidade.
02:54E com aquilo ali, você vai se envolvendo e quando você percebe, você procura um amigo
02:57na sua agenda, você esquece, você não tem, você procura uma pessoa assim e você não
03:02lembra.
03:02E às vezes também as suas amigas também estão vivendo a mesma fase que você também,
03:06estão naquela correria da rotina e acaba se afastando.
03:09Mas eu cheguei a um período da minha vida em que eu quis começar a resgatar isso em
03:14mim, né?
03:15Voltar, ligar pras pessoas.
03:17Só que eu sempre fui muito...
03:20Gosto de ficar assim.
03:22Com o tempo eu descobri que eu também...
03:24É bem caseira.
03:25Gosto de ficar na minha, né?
03:28E eu descobri que eu não era solidão, que aquilo ali que eu vivia era uma escolha que
03:33eu fazia, só que eu não imaginava, assim.
03:34Eu fui me conhecendo aos poucos, que eu gostava daquilo.
03:38Mas você não gostava nem de estar com as amigas, vamos por um bate-papo na rua e
03:43nem elas na sua casa também, você era bem reservada.
03:46É, na realidade, antes de eu casar, eu tinha alguns amigos.
03:50Nunca fui de ter muitos amigos, né?
03:52Eram poucos.
03:53Depois que eu casei, praticamente zerei.
03:56Aí eu passei a ter mais amizade com as esposas dos nossos amigos, né?
04:00A gente foi tendo amizade.
04:01E ainda tenho ainda, né?
04:03Na realidade, a gente se encontra, a gente bate papo, às vezes a gente marca pra tomar
04:07um café.
04:08Mas antes eu não conseguia fazer isso, eu não conseguia fazer.
04:12Demorou muito pra eu perceber assim, epa, para, ó, tem uma coisa errada.
04:16A vida não é só trabalhar, só cuidar de marido, só cuidar de filho, não.
04:19Eu tenho que ter meu tempo.
04:21Inclusive, o meu próprio esposo, ele ficava assim,
04:22você não tem nenhuma amiga, não, que você vai, sai, que você pode ligar, conversar,
04:27sair.
04:28Você precisa disso.
04:29E é importantíssimo você falar disso.
04:32Olha, chama o marido aí, chama o companheiro pra frente da televisão.
04:34Pra ouvir isso.
04:35Porque a gente vai falar de que forma que ele pode e deve ajudar nesse processo.
04:39Mas antes, Luana Marocco, a gente te ama.
04:42Conta pra gente a importância de mantermos essas amizades e ter esses momentos só nossos
04:49também.
04:49Boa tarde, Roberta.
04:51Obrigada.
04:51Boa tarde pra você aí de casa.
04:53A importância é se manter conectado com seus próprios valores, né?
04:57Quando a gente sabe quem somos nós, do que a gente gosta, do que é inegociável pra gente,
05:04a gente se mantém conectado à nossa própria essência.
05:06Afinal de contas, quando você conhece o seu parceiro, quando você conhece a sua parceira,
05:10você gostou dela porque ela era daquele modelo.
05:13E daí, quando ela se isola dela mesma, se desconecta dela mesma, ela acaba perdendo aquela
05:18essência, né?
05:20Então, baixa a autoestima, a pessoa não sabe mais do que gosta.
05:25Legal você falar disso porque é importante a gente pensar nas consequências que isso
05:29pode trazer pra essa mulher, pra autoestima dessa mulher.
05:33Exatamente.
05:34E é natural que isso aconteça, assim, porque, infelizmente, o social, a cultura que a gente
05:39vive ainda influencia muito a busca da felicidade em relacionamentos.
05:45Quando, na verdade, a felicidade está em nós mesmos, né?
05:48Em quem somos, o que construímos, o que a gente quer pro futuro.
05:52E quando você tem isso bem resolvido em você, você não se desvirtua dos seus valores,
05:57daquilo que você gosta.
05:58É claro que tudo é negociável, né, gente?
06:00A Rose, por exemplo, tem um marido que apoia.
06:03Muitas não têm, né?
06:04E aí vem a maternidade, né?
06:06Até os três anos, mesmo que o parceiro consiga contribuir com essa questão dos cuidados
06:11com o filho, a criança, até os três anos, ela é muito dependente do materno, né?
06:15Do mamá e tudo mais, que vem junto com a maternidade.
06:19Então, é muito comum as mulheres acharem que tem que viver pra família, né?
06:24Ela mesma se afasta.
06:25Às vezes, não é nem o marido que não incentiva.
06:28As mulheres mesmo acham que é assim que tem que ser.
06:31E, às vezes, isso prejudica até mesmo o casal, não só a mulher?
06:35Exatamente.
06:36Prejudica muito.
06:36O nascimento de um filho faz acontecer, inclusive, muitos divórcios, né?
06:42Porque mexe muito hormonalmente com a mulher, né?
06:45Faz ela se afastar dessas questões.
06:47Agora, quem sou eu?
06:48Eu sou a sua mãe.
06:49E a gente vai se descobrindo, se redescobrindo.
06:52Porque é assim com todo mundo.
06:53Você casando ou não, você vai passar por várias fases, né?
06:56E a gente estando em contato com as nossas questões, fica mais fácil você identificar.
07:02A Rose mesmo falou uma coisa legal.
07:03Eu já percebi que eu já não gostava mesmo.
07:05Então, se isso tá bem resolvido pra você, tá tudo bem.
07:08Agora, tem gente que não, que é super...
07:09Eu, por exemplo, sou super expansiva.
07:11Se eu acabar com os meus amigos, acaba com o casamento.
07:15Tá vendo?
07:15A gente precisa se conhecer, ver o que realmente te agrada.
07:19Se tá fazendo falta mesmo sair com as amigas.
07:22E aí, você também tem que ter um acordo aí, né?
07:25Desde que isso não prejudique o seu relacionamento.
07:27O que é esse conceito do sair?
07:29Aí, a gente vai pra uma outra página, né?
07:31Vamos voltar aqui agora.
07:33Cleninha, em que momento que você se deu conta que você tava vivendo muito reclusa?
07:39Tava nessa solidão?
07:42Então, muita gente cai a ficha e tal e separa.
07:47Não, a minha ficha só caiu depois que eu separei.
07:50E hoje, né, depois de um tempo de divórcio, eu tenho sim dificuldade em me relacionar novamente.
07:57Porque eu penso o seguinte, eu solteira, um amigo chama pra fazer uma trilha, poxa, vambora e tal.
08:04Eu com alguém, eu vou ter essa companhia pra sair?
08:07Ou eu vou ter que ficar dentro de casa porque eu preciso respeitar quem tá comigo?
08:11É uma guerra, um conflito nisso aí, porque há pior solidão aquela que passa junto com alguém.
08:20Então, quando eu entro num relacionamento, às vezes eu tô conhecendo ainda, doutora, a pessoa e já começa a ver
08:27que a minha vida vai ser aquilo ali.
08:29Eu não vou ter companhia e ainda vou ter que largar os meus amigos, aí eu fico solteira.
08:35Olha só, a gente tá recebendo aqui vários comentários no nosso Facebook.
08:39Amei o comentário da Maricilda Borges.
08:42Ela falou, quando eu me sinto sozinha e o marido e a filha estão trabalhando, eu vou pra rua bater
08:47perna sozinha porque amo fazer isso.
08:50Minha mãe também é assim, Maricilda.
08:52Átila Vieira fala, boa tarde.
08:54Boa tarde, Átila.
08:55A gente ama a participação masculina.
08:57Ele diz que tem crises de pânico.
08:59Ele evita sair de casa.
09:01Mas ele sempre faz questão que a esposa dele faça amizades.
09:04Eu sou comerciante e criei a cesta das meninas, que sempre é servido um jantar no meu comércio e é
09:12voltado especialmente pra mulheres casadas.
09:14É bem legal.
09:15Que bacana, né?
09:17Esse estilo.
09:17Passa o endereço.
09:18Passa aqui no Facebook, então, Átila.
09:21Passa.
09:21Tá vendo?
09:21E de que forma, Lu, que os maridos podem incentivar?
09:25Porque, às vezes, eles também estão acomodados de que, ah, tá tudo bem, né?
09:30Ela não quer fazer nada.
09:31Ela não sinalizou que ela quer dar uma voltinha com as amigas, que ela quer...
09:35Até mesmo, às vezes, nem na rua não, tá, gente?
09:37Pode ser na nossa própria casa.
09:39Receber amiga em casa também.
09:41Sim, sim.
09:41Verdade.
09:42Bom, primeiro, eu não posso deixar de reforçar esse comportamento maravilhoso do Átila, né?
09:46Que existam muito mais homens iguais a você, como você, que você influencia aí, né?
09:51Pra gente.
09:53A outra questão, você falou uma coisa muito legal.
09:55Algumas mulheres, ou muitas delas, não sinalizam, Roberta.
09:58E o diálogo, ele tem que haver na relação.
10:01Muito desse afastamento acontece entre os casais porque eles não dialogam, perdem a graça.
10:07E aí você não conhece seu parceiro, né?
10:09A sua parceira não conhece, enfim.
10:11O modo que o marido pode ajudar é incentivando, é tendo os momentos deles, né?
10:15Aquele famoso Vale Night, que ficou na moda um tempo atrás.
10:18Ah, hoje eu vou sair com uns caras, você sai com as suas amigas.
10:21Ou recebe aqui em casa.
10:23Isso depende muito do casal.
10:24Tem gente que não gosta de receber ninguém em casa, tem gente que não tem privacidade pra isso.
10:28Mas tudo é negociável, né?
10:29Com o combinado não sai caro.
10:31Mas às vezes também mudar assim da noite pro dia, eu falo, eita, tá querendo o quê?
10:36Que história é essa?
10:37Ah, Rose concordou.
10:38Se mudar da noite, vai, amor, assistir a Roberta lá no Fala Espírito Santo.
10:41A partir de hoje eu quero sentar na padaria com minhas amigas, ou então eu quero ir pro
10:45barzinho.
10:46Que história é essa?
10:47É assim, Rose?
10:48A estranha, né?
10:49A Fala Espírito, o que você tá perguntando?
10:50Alguns vão achar estranho, né?
10:52É?
10:52Mas às vezes a mulher tem essa vontade já e às vezes ela fica assim, ela não...
10:55Nem ela mesma sabe, né?
10:57Quando ela, tipo, vê uma reportagem ou escuta alguma amiga comentar assim, aí ela, poxa
11:03vida, eu não vivo isso.
11:04Aí você vê, às vezes, no Instagram, que hoje em dia você vê no Instagram todo mundo
11:07curtindo, né?
11:08Aproveitando e você não...
11:09Pensa que você não curte e não aproveita.
11:11Você tem que se conhecer bem e saber o que te faz feliz e tá tranquila com isso,
11:15entendeu?
11:16Eu, pelo menos, penso assim, eu não faço...
11:18Não faz falta pra mim, mas pra muita gente faz.
11:22Mas quando eu quero fazer, eu faço, né?
11:24O que você passou a fazer depois que você teve essa consciência, por exemplo, que você
11:28não fazia?
11:29Passei a tomar café, eu gosto de tomar café, caputino, passei assim.
11:34Às vezes, quando eu tenho alguma amiga minha, eu falo assim, vamos tomar um café?
11:37De vez em quando, não é sempre, porque eu trabalho muito também, né?
11:40Eu não tenho muito tempo pra isso.
11:41Tá vendo?
11:42E uma coisa...
11:43Ó, às vezes a gente pensa assim, que é só o fato, ah, de tantos anos de relacionamento
11:48que foi, né?
11:48Ficando ali encaixadinha e tal, mas é multitarefa, a gente não tem tempo, fica cansada.
11:53O trabalho é um casamento, né?
11:55Dependendo de como a gente leva ele.
11:57E eu faço parte de um grupo de terapeutas capilares, né?
12:01Então, esse encontro mensal, nossa, elas se tornaram assim, minhas amigas, né?
12:05Que bacana!
12:05Então, eu amo estar perto delas, na companhia delas, assim, pra gente, assim, é um dia todo
12:10de encontro.
12:10A gente almoça junto, a gente conta as coisas...
12:12Além do que a gente fala sobre a terapia capilar, a gente também conversa sobre coisas
12:17assim, troca ideias e elas se tornaram minhas amigas.
12:20E eu acho muito legal esses encontros e as minhas clientes também se tornam minhas
12:25amigas, né?
12:26Isso é muito bom, né?
12:27A gente faz um café da tarde ou faz alguma coisa pra elas, acaba a gente tendo aquela
12:33intimidade com elas se tornando amiga delas também.
12:35É, no trabalho a gente vai criando amizades, né, Adriana Marques?
12:38Beijo, minha chefe, né, Vitória?
12:40Aí, isso.
12:41Kleine, hoje, se você entrasse num relacionamento, o que que você tem consciência de que você
12:46não abriria mão pra você não se sentir sozinha, não ter essa solidão?
12:50Boa pergunta.
12:52Eu entrei nu, já saí.
12:53Ninguém nem ficou sabendo.
12:55É o seguinte, eu sou muito transparente, entendeu?
12:58Então, se não está me fazendo bem no início, daqui um, dois anos, muito menos.
13:04Entende?
13:05Então, hoje, eu não abro mão da minha vida social, até porque a minha vida social não
13:10é balada.
13:12A minha vida social é o quê?
13:13É igreja, é uma trilha, é uma ilha, tudo muito família, né?
13:19Então, não seria difícil pra eu viver um relacionamento com a vida social que eu tenho.
13:25Mas também, se for pra entrar na minha vida e eu ter uma solidão a dois, deixa sozinha
13:32que tá topo.
13:33É verdade.
13:33Ela falou, a terapia, eu falo isso muito pro pessoal lá da minha igreja, minha igreja
13:39é uma igreja que tem muitos cursos.
13:41Então, esses dias eu tava no pátio conversando o seguinte, quando você entra num curso, é
13:47socialização pra quem não pode sair de casa.
13:50Você tá ali, você tá socializando, você tá conversando.
13:53É criar, transformar esses momentos, né?

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