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  • há 10 minutos
Reportagem: Giovana Souza
Edição: Giovana Souza
Imagens: Giovana Souza/EM/D.A Press, TRE-MG, Arquivo EM, Arquivo pessoal/Gina Lapertosa e Fernanda Colares

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Transcrição
00:00Nessa casa que vocês estão vendo aqui, na rua Juiz de Fora, viveu a primeira eleitora do Brasil, Celina Guimarães
00:05Viana.
00:06Quando eu tava no colégio, que alguém falava, ai meu pai já fez isso, meu tio já fez isso, eu
00:10falava isso.
00:11Minha bisavó foi a primeira mulher a votar.
00:13Celina nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, mas se mudou para Mossoró para trabalhar como professora.
00:19Foi lá que em 1927 ela entrou para a história ao conseguir o registro eleitoral.
00:23Não tinha a menor ideia quem ela era, só acreditava que ela era uma vózinha igual todas as outras.
00:28Eu comecei a entender assim, vou ter que votar, vou fazer 18 anos, vou dirigir.
00:35Fui descobrindo que ela tinha sido a primeira eleitora do Brasil, eu falei, gente, mas como assim?
00:39Quando eu cheguei lá para votar, eu falei, nossa, olha que espetáculo, é o direito que eu tenho que ela
00:45conquistou, né?
00:46Naquela época, os estados brasileiros tinham autonomia para criar leis próprias.
00:50A constituição dizia que poderiam votar os eleitores maiores de 21 anos.
00:54E a ambiguidade do termo, que poderia ser lido como neutro, falando de homens e mulheres, ou apenas como masculino,
01:00criou uma oportunidade para o movimento sufragista.
01:02Mulheres de diferentes estados usaram esse argumento para tentar se alistar, mas tiveram os pedidos negados.
01:08No Rio Grande do Norte, o governador Juvenal Lamartini de Faria, que apoiava a ampliação da participação feminina na política,
01:14mudou a legislação estadual para retirar a distinção de sexo do processo de alistamento eleitoral.
01:19Um mês depois, em novembro de 1927, Selina apresentou seu pedido de alistamento.
01:25E o despacho foi assinado no dia seguinte, pelo juiz de direito Israel Ferreira Nunes.
01:29Tendo mulher e tendo restrições já por ser mulher, eu entendi que essas conquistas de todas as mulheres que vieram
01:38atrás de mim,
01:39me deram o direito de estar aqui e exercer o que eu quero.
01:42Então ter a Selina foi aquele pensamento assim, puxa vida, o que ela conquistou para mim, eu agora tenho que
01:49levar o legado.
01:51Eu tive esse momento de perceber que eu sou mulher e eu fui criada por uma mulher forte, uma mulher
01:56independente.
01:58Isso também já é extremamente revolucionário e como estar nesse ambiente me moldou para quem eu sou
02:04e para as coisas que a Selina fez, de opiniões, de ideias, de como que a gente realmente está aqui
02:11indo atrás de uma coisa que é o básico.
02:14Só que é isso, a gente vai ter que ir atrás.
02:17Se a gente não fizer isso, realmente não vai ter ninguém que faça por nós.
02:21Selina viveu em Belo Horizonte até 1972, quando morreu aos 81 anos.
02:25Sempre nessa casa.
02:27Ela mudou para cá, ela e o vovô Elisil.
02:30Depois ele faleceu e aí meus pais casaram e vieram morar aqui com ela.
02:35Aí ficaram aí até ela falecer.
02:38Quando mudou para Belo Horizonte, sempre morou aqui.

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