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  • há 19 minutos
Mulher é indenizada por ex-marido por conta de trabalhos domésticos

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Transcrição
00:00Gente, já pensou se isso vira moda? Já pensou se essa moda pega, gente?
00:05Muito marido ia ter que mexer no bolso.
00:08Agora, uma coisa é verdade, seria merecido, né?
00:11Porque quem trabalha em casa sabe o quanto essa rotina é puxada, pesada,
00:15porque não acaba nunca, né?
00:16O trabalho, quando você tá fora de casa, uma hora deu o seu tempo ali, ó,
00:21você pega suas coisas e vai embora.
00:22E o trabalho de casa, que nunca acaba.
00:25Então, vamos bater um papo sobre esse assunto? Vem cá.
00:27Porque aqui a gente recebe o psicólogo Juliano Coimbra.
00:30Tô sabendo que você também cuida da sua casa, né, Juliano?
00:33Verdade, verdade.
00:33Sabe também como é que é essa realidade.
00:35O advogado Alexandre Fontona, obrigada pela sua participação.
00:38Prazer, Roberta.
00:39E a gente também recebe aqui, ó, a Luene Silverol, é isso?
00:43Isso.
00:44Dona de casa.
00:44Dona de casa.
00:45Fala com a gente no microfone.
00:47É, Roberta, a nós, mulheres de casa, tinha que receber, certo? Sem dúvida.
00:51O que você achou dessa reportagem, hein, Si?
00:54É complicado, viu? Porque, exatamente, a gente deixa de trabalhar fora, pra gente tomar conta de casa.
01:00E a gente, muitas vezes, a gente recebe nada. A gente fica dependendo do marido, né, pra tudo.
01:04Principalmente quando a gente tem filhos. Quando a gente tem filhos, é mais complicado ainda.
01:08O que que você faz? O que que você realiza de tarefas no dia a dia, na sua rotina em
01:12casa?
01:12Roberto, se eu começar pelo meu dia a dia, é complicado. Levanto 5 e meia da manhã todo dia.
01:19E faz o que?
01:20Pra começar, café pro esposo. Levar pro serviço. Depois tem que acordar o filho, dar café, dar banho, levar pra
01:27escola, voltar, fazer café pra tomar.
01:30Tem que limpar a casa, passa o dia lavando roupa. Então, dentro de casa, a mulher nunca para.
01:36Nunca para. Porque aí você para e pensa. Comida você tem que fazer, é filho, tem que buscar, tomar conta.
01:43Aí você tem que terminar de limpar a casa, aí tem que lavar a roupa, é banheiro, é varanda.
01:49E quando vai ver, o dia tá passando. Aí dá a noite, você já tem muita coisa pra fazer ainda.
01:53Aqui tem a janta, é filho, tem que botar pra dormir. Você tem que estar ali com ele pra botar
01:58pra fazer dever.
01:59Então, quando você pensa que não, você é dona de casa e tá ali o dia inteiro tarefada.
02:05Agora, isso foi um combinado entre você e o seu marido? Como é que fluiu?
02:10Combinado não foi. Porque eu comecei desde nova, eu tinha minha loja e tudo mais, aí veio o filho.
02:16Mas quando você casa, é uma responsabilidade que você pega.
02:20Mesmo você trabalhando fora, você tem que fazer as coisas dentro de casa.
02:23Mas quando você se trabalha fora, você ainda tem o marido que te ajuda a fazer as coisas em casa.
02:28Agora, quando você não trabalha fora, você tem que fazer sozinha, não tem jeito.
02:32Não tem, né?
02:32Não, não tem.
02:34Doutor, e se essa moda pega, hein? Acho que os tribunais iam estar ainda mais abarrotados, né?
02:39Não, os tribunais já estão abarrotados demais, não precisa pegar nenhuma moda, não.
02:44Mas, Roberto, isso é mais, não é uma questão tanto do judiciário, é uma questão da construção da lei,
02:49de como é que a lei brasileira pensou a sociedade brasileira, entendeu?
02:54E a gente tem um problema com a lei.
02:56A sociedade vai na frente, a lei vai a reboque, ela vai atrás.
03:00Então, até que as inovações da sociedade se transformem em lei, vai um tempinho, entendeu?
03:06Mas, assim, isso já foi pensado, essa forma de remunerar a mulher pelo trabalho dela,
03:14essa ideia da construção da sociedade conjugal, isso já foi pensado, entendeu?
03:19Já existe uma forma.
03:20E essa forma é a escolha que eles têm que fazer antes de se casarem, de como é que vai
03:27ficar o bem dessa sociedade.
03:30É, tem casais até que fazem um contrato, tem casais hoje em dia fazendo contrato,
03:35que o marido tem que ajudar a mulher a lavar a louça.
03:37A gente pensa assim, ah, não é possível, mas tem casos assim mesmo.
03:40Tem, tem casos assim, e esse plano societatis, como a gente chama no direito, ele já existe,
03:46as pessoas aplicam, eu já fiz alguns, entendeu?
03:50Incluir o que, por exemplo?
03:51Ah, incluir, por exemplo, quem é que cuida do cachorro, quem é que leva para passear, né?
03:56Quais dias da semana eu levo o cachorro para passear, quais dias da semana você leva para passear.
04:00E chega a esse ponto de ter que colocar em contrato?
04:03Então, isso chega, mas eu vou ser bem sincero com você, a gente faz uma divisão muito clara de quem
04:08é que faz essas coisas.
04:10São aqueles que têm muito dinheiro.
04:12Quem tem muito dinheiro faz essas coisas.
04:14Quem tem pouco dinheiro não se preocupa tanto com isso, entendeu?
04:19É como ela disse, a coisa flui, ela vai fluindo, vai fluindo, vai fluindo, vai fluindo.
04:24E aí, às vezes, vai virando também um atrito dentro de casa, né, Juliano?
04:28Porque vai fluindo, ninguém combinou nada.
04:30Ah, mas você sempre fez e você nunca reclamou.
04:32O que está muito atrelado à questão dos jogos de interesses, né?
04:36Geralmente, as pessoas menos afortunadas, elas não estão preocupadas tanto porque elas não têm muito o que dividir posterior.
04:44As pessoas que têm uma condição financeira muito maior, elas estão preocupadas porque a sociedade está passando por um processo
04:49de transformação
04:50onde que nada segura ninguém.
04:52Antigamente, as convenções sociais, as construções familiares, elas passavam por algumas alterações,
04:58propriamente dito, de que nós casamos para ficar até o final da vida.
05:02Hoje, nós sabemos que nada nos segura, filho nos segura mais, né?
05:06Nada mais é segurar.
05:07Então, a gente já tem que pensar essa relação.
05:09Quando o conflito se estabelece, como que nós vamos fazer?
05:12Então, as pessoas com a condição financeira, elas têm um pouco mais de instrução também
05:16e elas acabam pensando esses fatores.
05:18Todavia, quando você traz essa questão de fato de que você não foi preparada, não teve essa comunicação,
05:27isso mostra realmente uma sociedade que ela está condicionada, essa figura feminina, a ter que cuidar desses afazeres da casa.
05:34Como o Alexandre coloca aqui, essa sociedade, mas essa sociedade, ela por vezes, ela não está arranjada de uma maneira
05:42de uma comunicação verbal.
05:44Ela está implícita porque a sociedade constituiu a mulher como a dona de casa, a mulher como a do lar.
05:51Mas, todavia, isso no passo de uma construção de uma sociedade, uma construção social que precisa ser repensada,
05:57porque esse não é lugar da mulher.
05:59Se nós estamos em uma sociedade, a sociedade é nossa.
06:02Então, nós temos a obrigação de cuidar dessa casa, porque se eu moro sozinho, o meu caso, eu não tenho
06:07que cuidar dessa casa,
06:09estabeleço quando eu coloco uma parceria, essa parceria, ela ocupa esse lugar?
06:13Não, a gente precisa começar a repensar na divisão de fazeres, porque todo mundo utiliza disso.
06:18Quando a gente sabe que tem muitos casos que o marido proíbe a mulher de trabalhar.
06:24E aí, ela não consegue fazer um pé de meia, não consegue garantir o INSS dela.
06:30E aí, a gente precisa, nesses casos, doutor, qual que seria a resposta?
06:35Antes, só vou convidar aqui pro nosso bate-papo.
06:38Já vou deixar essa pergunta no ar, que tem muitos casos que o marido obriga a mulher a não trabalhar.
06:42Não, você vai ficar em casa, vai cuidar das crianças, da casa, da comida.
06:46E aí, como é que fica?
06:47Só que eu vou convidar agora pela internet a Thais Lani, Thais Lani Santos.
06:51Tudo bem, Thais?
06:52Obrigada pela sua participação.
06:53Você cuida da casa, cuida dos filhos, enquanto o marido trabalha, né?
06:57A gente sabe o quanto essa rotina é puxada.
07:00Conta pra gente, como é que foi esse acordo entre vocês?
07:04Ei, Roberta, boa tarde.
07:07Então, na realidade, não foi nem acordo.
07:09Eu trabalhava, né?
07:11Mas aí veio o nosso primeiro filho, que hoje tem quatro anos, né?
07:15Eu tive que me afastar do meu emprego.
07:18Depois veio o segundo filho.
07:19Então, eu tenho um de quatro anos e um de dois anos.
07:23Então, assim, não tem como eu trabalhar no momento.
07:26Às vezes, eu até penso em trabalhar.
07:28Mas você também acaba não achando ninguém pra tomar conta das crianças.
07:32Você não pode sair deixando com qualquer pessoa.
07:36E, tipo assim, é uma rotina cansativa?
07:38É, porque eu acordo seis horas da manhã e eu tenho que acordar os de dois anos também,
07:42porque eu não tenho quem deixar.
07:44Então, eu levo o mais velho pra creche, volto, faço os afazeres da casa,
07:48faço o almoço, onze horas, sem que pegar na creche.
07:51Então, isso é todo dia.
07:53A gente acaba criando uma rotina todo dia, a mesma coisa sempre.
07:57Agora, você acharia justo, assim como a gente mostrou nessa reportagem,
08:02mulheres que se dedicam às tarefas domésticas também ter um salário?
08:10Roberta, eu acredito que sim.
08:12Porque se você for olhar por um lado, a gente tá trabalhando em casa também.
08:17Não deixa de ser um trabalho, não deixa de ser um serviço,
08:21porque a gente cuida da casa, a gente cuida dos filhos, tem que cuidar do esposo também.
08:27Então, faz parte de... tem uma base.
08:29Então, assim, eu acredito que sim, seria justo sim.
08:33E aí, eu também quero saber aqui, ó, com a Luene que tá aqui participando com a gente,
08:38você também acharia justa essa cobrança?
08:40Com certeza.
08:42Você, inclusive, tem um combinado, mais ou menos, em relação a isso com o seu marido?
08:47Até que a gente tem.
08:48Dá o dia de folga dele, quem lava, limpa as coisas, lava a roupa, faz almoço,
08:52leva a filha na escola, é tudo ele.
08:54Aí, eu já fico mais tranquila, já tiro o dia pra mim, assisto um filme, boto uma série,
08:59aí eu marco um cabelo, sempre faço alguma coisinha.
09:01Quer dizer, você tem seu dia de folga, né?
09:03Tem o meu dia.
09:03Já que o trabalho não para, né?
09:04É.
09:05Nada mais justo.
09:06Agora, sobre aquele caso, os casos específicos, doutor Alexandre,
09:10de homens que obrigam a mulher a ficar em casa e proíbem essa mulher de ingressar no mercado de trabalho.
09:16Vamos dividir esse problema em dois.
09:18Vamos.
09:18Porque o ideal é que o casal gerisse o dinheiro junto.
09:22Se você tá gerindo o dinheiro junto, todo mundo, nós dois decidimos como usamos o dinheiro e tal,
09:27então, a coisa vai bem.
09:29Ninguém vai reclamar das tarefas, todo mundo vai estar ocupado,
09:32um numa atividade, outro no outro, e todos estão usufruindo do mesmo dinheiro.
09:36Mas não é isso que acontece.
09:38Então, a gente tem que dividir em dois, por quê?
09:40Porque você tem uma situação em que as pessoas estão casadas,
09:43o marido proíbe a mulher de trabalhar fora, mas também não ajuda.
09:47Não paga o cabelo, não paga a unha, não compra uma roupinha nova,
09:52não dá um dinheirinho pra gastar com os seus alfinetes, como a gente diz, né?
09:56Então, assim, esse caso, dificilmente a justiça vai garantir alguma coisa pra ela,
10:03porque o casamento está constituído ainda.
10:06O que a justiça faz é, quando existe o divórcio entre o casal,
10:11então, esse marido que proibiu que ela trabalhasse, etc e tal,
10:15vai obrigar esse marido a pagar uma pensão pra ela.
10:18Entendeu?
10:18Porque ele causou aquela circunstância de não permitir que ela tivesse os seus próprios meios de sustento.
10:26Então, agora ele vai ter que sustentá-la, porque ele criou essa circunstância.
10:31Eu conheço vários casos, assim, da mulher optar em...
10:36Foi um comum acordo em não ingressar no mercado de trabalho e cuidar da casa.
10:41E se depois da separação, ela se sentir prejudicada?
10:47Poxa, eu fiquei fora do mercado de trabalho, não fiquei atualizada,
10:51como é que eu vou fazer pra ingressar?
10:52E quando eu recomeço, começo com um salário baixo,
10:56porque a falta de experiência, a ausência no mercado de trabalho, provoca tudo isso.
11:01Então, eles fazem uma transição.
11:02Olha, o marido vai ser obrigado a pagar a pensão por um certo período,
11:06pra ela se recolocar no mercado de trabalho.
11:08Isso vai depender da idade deles também, né?
11:11Qual a idade dela?
11:13Ela consegue, não consegue?
11:14Qual o grau de instrução?
11:16Então, tudo isso vai ser analisado, mas se faz um plano de transição.
11:19Aí, eu tô me perguntando se quando é o contrário, se tá valendo também, doutor.
11:23É a pergunta do Cielo.
11:25Cielo, que é o arrimo.
11:27Ele que era o cuidador da casa, né?
11:30Ele que cuidava dos filhos, das crianças e tal.
11:33Ele, pelo princípio da isonomia, ele tem o mesmo direito que ela.
11:37Ele vai poder pleitear a pensão do mesmo jeito.
11:39Agora, Juliano, teve um comentário aqui, na verdade, já até subiu, porque eu vou
11:43perdendo, tá, gente?
11:44Os comentários, eles vão ficando ocultos, chega o momento.
11:47Por isso que eu não tô sabendo quem foi que mandou pra gente.
11:49Falou assim, daqui a pouco vão estar cobrando pra fazer amor também.
11:53A gente sabe que talvez...
11:54Nós comentamos isso.
11:55Acabamos de falar sobre isso agora.
11:57Os novos modelos também vão causando conflitos nas relações, né?
12:02É, acabamos de falar justamente sobre isso agora, né?
12:05Na realidade, já existe, né, já questões no judiciário que já repensam também isso.
12:11Só que as relações sexuais, elas, de fato, elas são dúbias, né?
12:16Eu, nós pensamos uma ideia de que a mulher tem que dar prazer para o homem, né?
12:21Geralmente, né?
12:22Uma construção social.
12:24Só que ninguém tem que dar prazer pra ninguém.
12:26Na realidade, é uma troca de prazeres nesse processo.
12:28E se é uma troca, aí sim, o entendimento vai mudar a partir daí, porque já tá havendo uma troca,
12:34né?
12:34Mas isso é tudo uma construção social.
12:36Como o Alexandre bem colocou, as leis, elas vêm, de acordo com a evolução dessa sociedade, nós começamos a pensar
12:42leis, né?
12:43Não tem como pensar leis pra uma sociedade estar paralisada.
12:46A gente pensa leis pra posteriori isso.
12:48Assim, também, é as questões de comportamento.
12:50Eu falo que as questões familiares, elas, 99,9% delas, são resolvidas por meio da comunicação.
12:57O grandioso problema é que as pessoas casam por conta do amor, por conta das paixões, por conta das projeções.
13:03Mas chega um momento que a gente para de comunicar, né?
13:07Eu, em terapia de casal, eu sempre crio com os meus pacientes o dia de comunicação.
13:12Existe um dia específico que nós tratamos, nós acordamos, que é um dia onde nós temos que tirar
13:16pra gente comunicar sobre o balanço dessa relação semanal.
13:19Gostei da dica.
13:21E isso é importante, porque aí a gente, não vamos esperar ter um conflito, né?
13:25Pra gente poder falar sobre a situação, ou não é no meio do conflito que nós vamos conversar
13:29sobre o que nos machucou de fato, porque senão nós vamos estabelecer um conflito muito maior.
13:34Então, chegou nesse dia, amor, ó, isso não tá legal, isso não tá legal e precisamos resolver.
13:38Tá certo, gente. Obrigada pela participação de vocês.
13:40Tem uma frase que diz que o combinado não sai caro, não é verdade?
13:45Obrigada, viu, gente? Uma boa tarde.
13:46Beijo, Thais Laine. Obrigada também pela sua participação.

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