00:00De uma educação de qualidade.
00:01A gente precisa que não nos matem.
00:03Pessoas que às vezes não têm o que comer.
00:05Uma representação maior de mulheres no poder.
00:07Não têm coragem de soltar os meus filhos.
00:10Acho que a nível nacional, o mais alarmante a gente pode olhar para o crescimento de feminicídios.
00:18Em 2026, a gente teve casos muito graves e números muito expressivos também
00:24de casos de feminicídio, de mortos muito violentos de mulheres.
00:29Aqui em Pernambuco também, inclusive, números bem significativos.
00:34Eu acho que a primeira coisa é isso.
00:36Os dados nos alarmam.
00:40E a violência contra as mulheres de forma bem explícita, inclusive nos espaços digitais, as redes sociais.
00:49Essa onda de redpill, essa onda de incels, enfim, isso vem crescendo.
00:56E também, em paralelo a isso, a necessidade da gente avançar com a pauta da descriminalização e legalização do aborto.
01:05Porque muitas vezes a gente para de falar sobre isso porque a gente está preocupada em falar que a gente
01:10precisa estar viva.
01:11A gente precisa que não nos matem.
01:13Mas a pauta da descriminalização e legalização do aborto é uma pauta que não sai da boca da gente, das
01:21feministas.
01:21É algo que a gente precisa caminhar e conversar.
01:25Mães atípicas, hoje a gente vê em grande quantidade e que precisam de ajuda, muitas das vezes, em regiões que
01:32não chegam às políticas
01:33e precisam, de fato, acontecer.
01:36Por exemplo, tem uma região aqui perto de Vitória da Conquista, que a gente tem mais ou menos umas duas
01:42mil famílias.
01:44E 40% são mães atípicas.
01:48É muito alto e não tem um suporte necessário.
01:54Então, hoje as mães atípicas precisam ter entendimento de como levar seu filho, de como cadastrar, de como fazer que
02:01aconteça.
02:02Vamos dizer, até mesmo uma terapia, que muitas das vezes não tem instrução.
02:07A gente defende muito a pauta de conhecimento, a educação.
02:14Nós precisamos de uma educação de qualidade.
02:16A Bahia, hoje, está entre os ranks que nós não temos educação de qualidade.
02:21Então, hoje eu vejo que políticas precisam chegar lá no topo, mas também lá na ponta final, para todos.
02:27O primeiro ponto é o governo entender que a máquina pública tem que ser revista,
02:33porque eu acho que é tipo queda de dominó, né?
02:38Um acontece e os outros vão vindo atrás.
02:40Então, o governo gasta muito, administra muito mal.
02:45Para conseguir manter o governo, cria políticas sociais em desacordo a um país em desenvolvimento
02:51e acaba gerando passivos sociais muito grandes.
02:56E o passivo social reflete na vida do empresário e na vida da população, através de criminalidade e tudo mais.
03:03E o segundo ponto importante é a parte de educação e segurança.
03:07Eu acho que, para o país evoluir, a gente tem que ter crianças hoje bem instruídas,
03:13com limites, com regras, entendendo que o mundo é de meritocracia, não é de assistencialismo.
03:18Mas eu acho que o próximo presidente, ele deveria garantir o básico, que é o que está na Constituição de
03:2788.
03:28Eu acho que a gente teve muitas evoluções legislativas, não só na Constituição,
03:33mas leis que vieram depois, que dão garantias para as pessoas,
03:38mas muitas delas, às vezes, essa garantia não está no dia a dia, né?
03:42E de a nossa desigualdade social e econômica.
03:46Então, se a gente conseguir garantir igualdade de gênero,
03:50que a gente sabe por dados aí da ONU que, do jeito que está, a gente levaria 120 anos,
03:55eu não sei, as outras mulheres, eu não tenho esse tempo, eu quero que isso aconteça mais rápido.
04:01Igualdade racial, eu acho que a gente tem que garantir minimamente aquilo que está na Constituição.
04:06E aí, pegando um pouco da minha preocupação, enquanto pessoa LGBT,
04:12que eu acho que o próximo presidente, seja ele quem for, ele está representando a sociedade brasileira, né?
04:17E aí ele precisa conhecer a fundo a sociedade brasileira como um todo.
04:21O que mais me preocupa é a hostilidade do território também para essas pessoas, né?
04:27Mato Grosso do Sul é um território muito hostil para ser mulher,
04:30é um dos maiores índices de feminicídio do Brasil.
04:34Então, não é um estado muito confortável.
04:37Quando se é mulher, né?
04:40Tem se criado uma cultura de muito temor e de muito medo entre as mulheres nesse estado,
04:45por conta da matança de mulheres em Mato Grosso do Sul,
04:49de mulheres sendo alvejadas dentro dos estabelecimentos que elas trabalham,
04:53que elas fundaram com o trabalho delas,
04:55mulheres sendo sequestradas por ex-companheiros e desovadas em lugares horrorosos,
05:00mulheres procurando forças de segurança pública e tendo medidas protetivas negadas
05:05por puro descaso de uma segurança pública que não liga se essa mulher vai morrer
05:13ou se ela vai amanhecer violentada ou qualquer outra coisa.
05:17A continuidade de fortalecimento das pautas minoritárias e identitárias,
05:26eu acho que elas precisam continuar recebendo incentivo governamental nessas políticas de reparação.
05:32Então, a gente precisa continuar tendo chamamentos, chamadas públicas,
05:38concursos, editais, todos voltados para a população parte das minorias,
05:44para que a gente fortaleça essas pessoas, porque não pode se falar em militância sem dignidade financeira.
05:50Essas políticas públicas, olhar as pessoas em situação de rua,
05:54olhar as questões de droga nessa situação de pessoas em situação de rua,
06:00eu acho que é muito, muito, muito preocupante, é urgente e isso caminha junto com a educação, né?
06:05Então, a gente tem que estar melhorando.
06:07O Brasília está com um índice da educação das escolas públicas muito baixo,
06:15porque não se está investindo em escolas públicas,
06:17ainda tivemos um governo que incentivou a escola militarizada.
06:23Então, isso foi proporcional.
06:28Aumentaram as escolas militarizadas, aumentou o déficit na educação pública, né?
06:33Então, ficou esse disparate muito grande,
06:36onde quem pode pagar consegue acessar,
06:38e quem não pode, continuando na mesma situação,
06:41e eu acho que tudo caminha em conjunto, né?
06:44Então, eu acho que uma preocupação muito grande é
06:46aumentar as possibilidades de educação pública
06:49e olhar para as pessoas em situação de rua com políticas públicas para isso,
06:57e eu acredito que muitas dessas propostas políticas que estão sendo feitas,
07:01saúde, educação e segurança vão estar sendo resolvidas
07:06se a gente olhar de uma forma racional para esse déficit, né?
07:09Então, hoje eu não tenho coragem de soltar os meus filhos,
07:14estudar em Belo Horizonte, por exemplo.
07:16Eu não tenho coragem, eu trouxe os meus filhos para estudarem em Goiânia
07:20por causa da segurança pública.
07:22Então, assim, é um problema sério, não é só de Minas,
07:25claro que a gente está falando que esse problema tem em vários outros estados brasileiros,
07:30mas, infelizmente, é a insegurança que eu senti em Minas.
07:34Insegurança essa que eu não sinto aqui em Goiás,
07:37porque eu tenho uma casa em Goiânia e eu tenho uma casa em Paracatu.
07:40Então, eu fico nos dois estados, né?
07:41Como eu também tenho escritório em Brasília,
07:45então eu tenho praticamente três referências de segurança pública.
07:48E eu acho que tanto Minas Gerais tem muito a aprender
07:52com o método de segurança pública de Goiás.
07:55Realmente, a gente em Goiás tem uma segurança pública excepcional,
07:59não é conversa de eleição,
08:01é realmente a gente lide isso no dia a dia.
08:04Então, eu acho que Minas precisa se espelhar
08:07na segurança pública do estado de Goiás
08:09para poder dar segurança para todo mundo
08:11e principalmente para nós, mulheres, né?
08:13Que, nesse quesito de segurança pública,
08:15somos realmente mais frágeis.
08:17Então, precisamos mais do apoio do estado na segurança pública.
08:21Se o homem precisa se preocupar também com a segurança da mulher,
08:24porque ele sabe o que pode acontecer.
08:27E um homem médio, não alecrim dourado, tá?
08:33Ele se preocupa.
08:36Se a mulher vai chegar bem,
08:37se a mulher está em segurança,
08:39ou espera a mulher entrar dentro de um prédio,
08:42espera ela entrar em casa.
08:45Ele prefere ele dirigir.
08:48Por que você acha?
08:49É gentileza isso?
08:50Não, não é gentileza.
08:51É uma preocupação por segurança.
08:53Olhe para as mulheres como você olharia
08:55para a sua mãe, para a sua irmã ou para a sua filha.
09:01Perfeito.
09:02Mas, para a sua mãe, para a sua irmã ou para a sua filha.
09:06Talvez para a sua mulher, é pedido demais.
09:08Então, assim, é muito louvado para isso para mim.
09:10A questão da menos intervenção estatal.
09:13Eu gosto dessa livre iniciativa.
09:15Eu gosto do povo, pelo povo,
09:18no sentido que eu posso criar,
09:19se o governo precisa necessariamente estar infiltrado ou inserido,
09:23ou então, controlando o que eu estou fazendo.
09:25Mas entendo que a lei, ela pede que nós tratemos
09:29igualmente os iguais e desigualmente os desiguais
09:31na exata medida da sua desigualdade.
09:33Então, eu sei que o governo precisa ter o assistencialismo
09:37para determinar as pessoas que estão em situações
09:39de vulnerabilidade,
09:41pessoas que, às vezes, não tenham o que comer,
09:43pessoas que, às vezes, não tenham o que vestir,
09:45mulheres que, às vezes, não conseguem comprar um absorvente.
09:48Porém, eu sou contra aquele governo
09:50que precisa manter as pessoas na pobreza
09:53para que eles se perpetuem no poder.
09:55Então, eu preciso de um governo que ajude o povo,
09:58o ser humano a se envolver,
10:00sem precisar chamar uma letra para essas pessoas
10:03a fim de conseguir uma relação, por exemplo.
10:05Eu acho que precisa de uma representação maior
10:08de mulheres no poder também para construir as pautas,
10:10para a somada de decisões.
10:12A ocupação de mulheres na cadeira mesmo, sabe?
10:14Para construir as pautas e ter acessibilidade maior.
10:17e não ser algo construído de fora para dentro,
10:19mas que a gente construa da base mesmo
10:21e que seja, de fato, ouvida, né?
10:23Não só estar ali por estar
10:27ou concordar com pautas que homens constroem.