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  • há 19 minutos
Neste episódio, entrevistamos o Psicólogo Gabriel Haddad que conversou com agente sobre a Oniomania, doença dos compradores compulsivos.

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00:10E bora sair desse perrengue porque dinheiro na mão é solução.
00:15Seja muito bem-vindo, muito bem-vinda ao perrengue que tem como objetivo tirar você do perrengue financeiro.
00:22Na verdade a gente quer que você nem entre no perrengue, não é isso Patrícia?
00:25Exatamente, hoje a gente trouxe um tema muito bacana de se falar, mas um assunto bem sério.
00:32E a gente quer falar um pouquinho sobre isso e o nome do tema é...
00:38Oniomania, é como é que é mesmo? Repete.
00:41Oniomania.
00:42Complicado esse nome, hein?
00:44Mas a gente vai fazer uma introdução aqui para você conseguir entender e começar a refletir.
00:48Daí de casa, de onde você estiver nos escutando, nos vendo.
00:52Você já comprou alguma coisa por impulso?
00:56E chegou em casa, olhou para aquilo e falou, caramba, será que precisava mesmo ter comprado isso?
01:02Já comprou, Érico, alguma coisa assim por impulso?
01:04Já comprei por impulso, inclusive ontem eu fiz uma compra por impulso, livro, né?
01:09Livro é um calcanhar de Aquiles que eu tenho e eu acabei comprando por impulso.
01:14E as pessoas usam aquelas frasezinhas, né?
01:16Eu mereço.
01:17Todo mundo é merecedor, né?
01:19Mas às vezes a gente está merecendo demais também, né?
01:21E aí você acaba repetindo esse impulso, essa forma de comprar as coisas somente por impulso.
01:27Então se você também tem esse problema, fica aqui com a gente.
01:30E aí você percebeu esse comportamento, né?
01:32Que compra uma coisa, se arrepende, que isso extrapola o seu orçamento.
01:38Além de tudo, né?
01:39Além de ter essa questão comportamental, essa questão do hábito, a questão financeira,
01:46extrapola, né?
01:47Aí a conta no final do mês acontece o quê, Érico?
01:49Não fecha.
01:50Não tem como fechar a conta.
01:52Fica no negativo.
01:53Então você vai acumulando uma série de desafios que parece que cada dia que passa vai ficando mais difícil.
01:59Porque a gente às vezes acha que finanças é só planilha.
02:03É só investimento, é só cortar despesas.
02:07E não é só isso, né?
02:09Tem uma questão emocional por trás disso.
02:11Tem uma questão de hábitos, de comportamento, né?
02:16Então assim, você está ali passeando, né?
02:18Na rua, não aguenta olhar para uma loja e ficar, meu Deus, aí eu quero, né?
02:22Três por um.
02:24Aí vem a promoção, né?
02:25Três por um.
02:26Agora final do ano acontece bastante, né?
02:30Muito, muito, muito.
02:31Promoções de Natal, de Réveillon, e aí você não consegue cumprir, sabe?
02:36Aquela promessa que todo mundo faz de final de ano e que você vai, ah, eu vou economizar.
02:42Vou fechar o ano que vem no positivo.
02:44Não, ano que vem eu não vou passar mais o PRN.
02:45Vou ter uma reserva.
02:46Não vou passar, né, Érico?
02:48Sempre acontece isso.
02:49Só que hoje nós só temos um convidado, né?
02:52Exatamente, porque às vezes o problema, o buraco é um pouco mais embaixo.
02:57Não é só uma questão de você querer mudar, de mudar o seu comportamento, né?
03:01De evitar aí as promoções, o eu mereço constantemente.
03:06Às vezes a coisa precisa ser tratada com um nível de seriedade profissional adequado
03:12para isso.
03:13E aí justamente, né, Patrícia, hoje nós trouxemos o doutor Gabriel Haddad.
03:17Haddad, falei certo?
03:18Ele vai dizer se eu falei certo.
03:19que é psicólogo, professor universitário e vai conversar com a gente sobre essa questão
03:25da oniomania, né?
03:27Essa compra compulsiva e como que ela se dá.
03:30Enfim, a gente vai te ajudar a entender melhor, até para você saber se você está nesse caminho
03:35ou não.
03:36Isso aí.
03:37Seja muito bem-vindo, doutor.
03:39Obrigado, Patrícia.
03:40Obrigado, Érico, pelo convite.
03:41Ele agradece.
03:42Vamos aproveitar e pedir para...
03:44Se apresente, por favor, diga para a gente quem é você na fila do Paulo.
03:50Bom, meu nome é Gabriel Haddad, eu sou psicólogo clínico, sou especialista em terapia comportamental
03:56e sou professor universitário da Multivix de Vila Velha.
04:00Ah, legal, bacana.
04:02Doutor, a pergunta que não quer calar, porque a gente já falou aqui o nome e deve estar
04:06todo mundo falando, gente, que troço é esse de comer?
04:09É um bicho isso?
04:11Oniomania, o que é isso, doutor?
04:13Explica para a gente.
04:14Oniomania é o nome que a gente dá para um padrão de comportamento.
04:18De pessoas que compram por impulso, compram compulsivamente, não conseguem se controlar
04:23e acabam se enrolando num monte de dívida.
04:28E se enrola mesmo, né?
04:30Porque eu e Ericko, como educador financeiro, acho que a cada dia que passa a gente observa
04:34mais isso, né?
04:35Hoje 80% da população brasileira está endividada, desses 80%, 30% estão inadimplentes, né?
04:45E boa parte, às vezes, acaba comprometendo o seu orçamento por conta dessa compulsividade, né?
04:52E aqui, doutor, a gente queria saber quais são os motivos que levam alguém a comprar, né?
04:58Dessa forma.
05:00Bom, o número de pessoas que é afetado por essa condição é muito grande.
05:05Então, existem todo tipo de perfil.
05:07Existem pessoas que saem de casa sem o plano intencional de comprar alguma coisa e acabam
05:13voltando cheio de itens que encontraram por acaso no shopping, na feira, que não estavam
05:18planejando.
05:19E outras pessoas que passam, às vezes, semanas, meses se planejando para fazer uma compra grande
05:23e gastam muito mais dinheiro do que poderiam.
05:27Então, varia muito esse perfil.
05:30Existem pessoas que compram para aliviar algum tipo de estado ansioso.
05:34Uma pessoa pode ter uma dificuldade de regulação emocional, ansiedade, raiva, e comprar
05:41é uma forma de aliviar isso temporariamente.
05:45Existem outras pessoas que gastam, além do que poderiam, para manter um certo status social,
05:50para manter uma certa imagem pública de que elas estão, às vezes, muito melhor do que
05:54na verdade estão, né?
05:56Então, os perfis variam bastante.
05:58Tá certo.
05:59E todo comprador compulsivo, ele pode ser diagnosticado com anomania?
06:04Como é que funciona?
06:06Sim.
06:06O critério vai ser sempre o quanto que aquele padrão de comportamento prejudica a vida diária
06:12da pessoa.
06:13Então, todo mundo, como vocês deram exemplo, já fez algum tipo de compra além do que poderia
06:19ou compra que realmente não precisava.
06:21Mas a gente entende que uma pessoa só vai ser rotulada dessa forma se esse padrão é recorrente,
06:28frequente, e se ele traz uma série de prejuízos de grande monto para a pessoa, prejuízos
06:33financeiros, seriam os mais óbvios, os mais imediatos, mas prejuízos sociais, prejuízos
06:38familiares, entre outros.
06:40O doutor falou dos prejuízos familiares, muitos conflitos, casais, famílias, divórcio por conta
06:51disso, aquelas compras escondidas, infidelidade financeira.
07:00Então, assim, existem muitas questões mesmo, a questão do status, de querer agradar o outro,
07:06de não saber falar não, essa dificuldade de falar não.
07:09Então, assim, a onomania, ela é uma doença?
07:13A gente poderia dizer que é um transtorno, transtorno psiquiátrico seria um termo melhor.
07:18E como que a pessoa consegue identificar, para quem está escutando a gente, assistindo,
07:23como que a pessoa, nossa, deve estar lá assim, né, eu acho que essas coisas que eles estão
07:28falando acontecem comigo, acontecem com a minha mãe, acontecem com uma tia, uma amiga, como
07:33que a pessoa consegue identificar isso?
07:36Bom, eu teria que primeiro fazer uma avaliação o mais subjetivo, o mais realista possível,
07:42de se ela se engaja com frequência nesse tipo de comportamento a ponto de perder o controle
07:47financeiro.
07:48Então, se ela recorrentemente, mês após mês, estoura o orçamento, fica no vermelho,
07:54faz dívidas, acumula cartões de crédito, então é sinal de que tem alguma coisa errada.
08:00E se ela já fez tentativas de interromper esse padrão e não conseguiu, isso aí é um indicativo
08:08de que ela pode precisar de ajuda, sim.
08:10Perfeito.
08:10Então, na verdade, o histórico conta muito na identificação do perfil de uma pessoa
08:17que tem oniomania, assim.
08:18Então, se eu quiser identificar se a pessoa está nessa situação, o histórico é algo
08:26que a gente precisa identificar.
08:28É exatamente isso, doutor?
08:29Isso.
08:30Porque se a pessoa realizou uma compra impulsiva no final de semana, isso aí não caracterizaria
08:36nenhum tipo de transtorno.
08:37Do livro, então.
08:38Esse padrão recorrente, sim.
08:40Graças a Deus, eu não me encaixo nesse perfil porque eu fiz uma compra só, eu comprei dois
08:45livros que eu não precisava, mas eu comprei porque eu adoro livro, mas eu não me encaixo
08:49no padrão.
08:50Eu não faço isso toda final de semana.
08:53E aí tem essa questão das emoções, né?
08:57Eu estou triste, aí eu compro e aí essa alegria dura um pouquinho de tempo.
09:03Assim, né?
09:03Às vezes a pessoa está saindo da loja, ela já está triste novamente, assim, porque
09:08meu Deus, o que eu fiz?
09:09Acabou a dopamina.
09:11Então, essa questão do...
09:15Às vezes tem...
09:15Eu já percebi, assim, algumas pessoas que têm dificuldade de...
09:20Por exemplo, ah, eu vi uma coisa, né?
09:22Ah, eu quero comprar um iPhone, por exemplo.
09:24A pessoa não consegue nem dormir enquanto ela não compra aquilo.
09:28Fica ansiosa, né?
09:29Ela fica ansiosa, ela tira dinheiro da onde, sabe Deus, da onde, para comprar aquilo.
09:35E aí, né?
09:36Tem uma pergunta que eu recebo bastante, acho que o Erico talvez receba também.
09:41Isso acontece mais com homens ou com mulheres ou não tem...
09:46Como é que é isso aí, assim, né?
09:47As mulheres são gastadeiras.
09:49Ó a polêmica, ó a polêmica.
09:49Vamos gerar polêmica no programa.
09:51Ah, é dois contra um aqui.
09:54Fala pra gente.
09:55Os estudos mostram que 80% são mulheres.
09:59Aí, ó.
10:00Não sei o que eu estou falando.
10:01Eu não estou...
10:02Ó, gente, fique claro, eu não estou nessa estatística.
10:06Mas 80%...
10:07Número bastante alto, né?
10:09Nossa.
10:09O que leva?
10:10Por que esse percentual tão alto para as mulheres, doutor?
10:14Existe uma explicação?
10:16O porquê disso?
10:17A gente não tem uma explicação clara ainda.
10:19Na verdade, existem poucos estudos científicos realizados sobre a onimania.
10:23É um tema que vem sendo estudado muito recentemente pela literatura.
10:29Então, a gente ainda não tem uma resposta definida para isso.
10:32Pode ser que tenha alguma coisa a ver até com o padrão de criação feminina que, historicamente,
10:39colocou as mulheres como as pessoas responsáveis por fazer as compras do lar,
10:43por pessoas que deveriam estar mais preocupadas com a vaidade, com os cuidados pessoais.
10:48Isso talvez possa ter alguma implicação nesse padrão.
10:50A própria repressão também, né?
10:52Da mulher, de não poder fazer certas coisas dentro da sociedade, talvez isso também desencadeia esse processo.
10:58Mas eu tenho uma visão também.
11:00Eu não sei, no caso do Érico, mas lá, no meu caso, como educadora financeira,
11:06aparecem muitas mulheres.
11:08A mulher, ela tem mais facilidade de pedir ajuda.
11:11Sim, sim.
11:12De falar, socorro.
11:14Não é verdade?
11:15Sim.
11:16A própria saúde, a saúde da mulher, ela tem mais preocupação do que o homem.
11:19O homem, para ir no médico, é um parto, né?
11:22A mulher não.
11:22A mulher, ela é recorrente em buscar médico.
11:24Acho que, de fato, a mulher, ela tem realmente essa preocupação.
11:27E eu acho que dentro das finanças também, né?
11:29Talvez para o homem, assim, né?
11:30Ah, assumir que eu estou endividado, que eu comprei o que não devia,
11:34que eu não estou conseguindo dar conta de arcar com as despesas da casa.
11:38Para o homem, isso gera um pouco mais de vergonha.
11:41Talvez o fato da mulher procurar mais essa ajuda,
11:44aumenta esse percentual.
11:45Não quer dizer que a gente seja compradora compulsiva.
11:48É, é uma desculpa que você está dando, né?
11:50A gente vai...
11:52A gente vai aceitar.
11:54Para não ficar muito ruim para você, Patrícia,
11:56a gente vai aceitar isso.
11:57Tá bom.
11:57Tá, pessoal?
11:58Tão legal.
11:58É isso.
12:00As mulheres são mais corajosas.
12:02Essa é a verdade.
12:03Não, ok, concordo.
12:04E 80%, né?
12:05É uma estatística.
12:06A gente vai discutir isso aqui agora.
12:08Vamos voltar.
12:10E, doutor, quais são as consequências desse comportamento?
12:13Quais são as consequências da uniomania na vida da pessoa?
12:17Bom, em primeiro lugar seria o endividamento, né?
12:21Prejuízos financeiros, que talvez seria o que chama a maior atenção,
12:24chama a atenção mais imediatamente.
12:25Mas, como a gente falou,
12:26uma pessoa que tem esse padrão de gastos
12:28acaba comprometendo o orçamento doméstico
12:30e isso vai gerar problemas familiares,
12:33vai gerar brigas com o cônjuge,
12:34vai gerar dificuldade de arcar com os compromissos que foram assumidos,
12:39às vezes com aluguel, com escola dos filhos,
12:42parcelamento de carro, entre outros.
12:44Muitas vezes, essas pessoas que compram compulsivamente,
12:47elas têm uma tendência também a acumular objetos em casa,
12:51objetos que elas, às vezes, nem acabam usando.
12:53Às vezes, esses objetos acumulados podem começar a tomar um espaço
12:56tão grande dentro de casa,
12:58a ponto de prejudicar a circulação das pessoas dentro de casa,
13:01a usabilidade de algum cômodo.
13:03Então, traz um prejuízo até para a vida familiar.
13:07Tem um programa na Discovery, eu acho,
13:10que é compulsivos o nome,
13:12acumuladores compulsivos.
13:13E aí, mostra a casa da pessoa,
13:16tem, eu vi um programa que...
13:18Consegue andar, né?
13:18Não tem como entrar na casa, né?
13:20Tem de tudo lá dentro, assim.
13:21Então, é isso aí mesmo, né?
13:23A pessoa tem que se livrar desse...
13:25Fora um sofrimento psicológico, né?
13:28Por reconhecer que está passando os limites,
13:31mas, ao mesmo tempo, não conseguir se controlar.
13:33Sentimento de vergonha, sentimento de culpa.
13:36Então, os prejuízos são amplos.
13:39Doutor, mas o senhor acha que a situação financeira da pessoa
13:42influencia nesse comportamento?
13:45Ou não tem ligação?
13:46Olha, situação financeira, ela vai sugerir padrões de gastos diferentes.
13:52Mas não significa que apenas pessoas com muito dinheiro
13:56incorrem nesse padrão.
13:57Na verdade, a maior parte das pessoas que sofrem com onio mania
14:01são pessoas que ganham abaixo da média.
14:03Olha.
14:04É a base, né?
14:05É a pirâmide ali.
14:06Pessoas que têm mais dinheiro, elas acabam adquirindo itens mais caros
14:11e acabam se endividando por conta disso.
14:13Enquanto que pessoas das classes mais baixas,
14:15elas tendem a comprar uma quantidade de itens muito maior.
14:18Itens de menor valor, só que uma quantidade muito grande,
14:21elas acabam se endividando também.
14:24É aquela piada, né?
14:26O rico, quando compra, gasta lá 300 mil, né?
14:29Não tem problema, né?
14:31O pobre vai lá, parcela em 10 vezes no cartão de crédito e fala
14:34Deus vai agir.
14:36E fica endividado e vai comprando.
14:39E nós temos a cultura do parcelamento, né?
14:42A cultura do cartão de crédito.
14:44E a pessoa vai usando, vai comprando e quando vê já foi.
14:50E doutor, a questão da compulsão, né?
14:53Como que uma pessoa desenvolve compulsão?
14:56Bom, é possível que essa pessoa tenha algum tipo de déficit no funcionamento executivo,
15:03seja o funcionamento do córtex pré-frontal,
15:05que é uma área responsável por inibir impulsos.
15:09Tem indivíduos que têm algum tipo de problema orgânico nessa região,
15:13pessoas que sofrem com TDAH, por exemplo.
15:16E é claro que todo mundo gosta de fazer uma compra,
15:19todo mundo gosta de se dar algum tipo de presente, algum tipo de mimo,
15:23mas a maioria de nós, a maior parte de nós aprendeu ao longo da vida
15:26que é preciso se controlar, que é preciso pensar no futuro,
15:30que é preciso planejar os gastos de uma forma razoável.
15:34Só que outras pessoas não tiveram esse tipo de ensinamento.
15:37Podem ter um tipo de estrutura familiar, exemplos dentro de casa,
15:42o pai, a mãe, que não tinha esse tipo de controle,
15:44então não conseguiu transmitir esse tipo de ensinamento para essas pessoas.
15:49Pessoas que têm maior dificuldade de regulação emocional,
15:52que sofrem com ansiedade, que sofrem com depressão,
15:55estão mais propensas a utilizar esse tipo de estratégia,
15:58comprar por impulso para tentar aliviar a depressão.
16:01Então são vários caminhos pelos quais as pessoas podem chegar nesse padrão.
16:05E olha que interessante, eu tenho TDAH, eu tenho isso aí.
16:10E realmente, é um gatilho para você poder usar.
16:13E a gente tem que realmente se policiar o tempo todo,
16:17porque não achem vocês que só porque a gente aqui é educador financeiro,
16:20que a gente também não está sujeito às tentações do dia a dia.
16:24Estamos.
16:25A Patrícia, 80% a mais do que eu, mas tudo bem.
16:30Psicólogos também estão sujeitos.
16:32Olha aí a psicóloga.
16:33Eu?
16:34Ufa, gente, nós estamos sozinhos, entendeu?
16:36Isso aí.
16:37Doutor, e como é que a pessoa busca o tratamento?
16:41Como é que é o tratamento disso?
16:42Existe tratamento?
16:43Claro que existe, mas como é que funciona, né?
16:46A pessoa que está lá, identificou, está gostando do programa, está aqui com a gente.
16:50Inclusive, né, eu estou aprendendo ainda a pedir os likes, né?
16:55Então, se você está no YouTube do Folha assistindo, né?
17:00Então, dá um like aí para a gente, compartilha, né?
17:04Comente.
17:04Comenta, não fica usando como indireto o programa, não, entendeu?
17:07Tipo, ah, vou mandar para aquela pessoa aqui.
17:09Não, indireta não, coisa séria.
17:12Compartilha, né, com a família, com o pessoal, para poder conhecer um pouco mais o assunto.
17:16E aí, se você está se identificando, né, está ouvindo, falando, caramba, eu estou nessa linha,
17:21todo final de semana quero estar com uma sacolinha,
17:24tem um monte de coisa no meu guarda-roupa com etiqueta que eu nem uso,
17:27sandália que está estragando, que eu não dou conta de usar, com essa entopeia.
17:31Então, assim, né, vamos entender, de fato, como é que faz para tratar isso, doutor.
17:37Ok.
17:38Bom, a gente tem várias opções.
17:39Uma primeira opção que seria muito bom seria procurar um psicólogo
17:42para iniciar um processo terapêutico,
17:44descobrir qual a razão da pessoa estar gastando além da conta, ok?
17:49Pode ser uma questão de ansiedade, de padrão familiar,
17:52ou uma busca de manter um status, ok?
17:55Então, o primeiro passo seria buscar ajuda, buscar terapia.
17:58Existem grupos de mútua ajuda de pessoas que sofrem desse mesmo problema
18:03e que se reúnem para discutir a respeito, grupos como os compradores compulsivos.
18:07Olha que legal.
18:08Infelizmente, a gente não tem um grupo presencial aqui no Espírito Santo,
18:11mas existem grupos online que se reúnem, é gratuito, ok?
18:16Existem casos mais graves, até mesmo a possibilidade de fazer uso de medicação psiquiátrica,
18:20para diminuir a ansiedade, diminuir a compulsão por compras.
18:25E, é claro, existe também a possibilidade de recorrer a um consultor financeiro,
18:29para aprender como organizar as finanças, como organizar os gastos,
18:33se planejar para fazer as compras que a pessoa realmente deseja de uma forma saudável.
18:38Ah, bacana. E aí, duas coisas, então.
18:42Talvez, unir esse tratamento, né?
18:45O educador, o consultor financeiro, junto com o psicólogo,
18:49e a pessoa que falou, poxa, que legal essa questão do grupo, né?
18:53Onde é que as pessoas encontram, doutor, esse grupo?
18:56Tipo online, né?
18:57Tipo online, é baseado no grupo do Alcoólicos Anões, dos dois espaços.
19:02Online, ela encontra o site correspondente, que ela pode acessar e faz reuniões através de videochamada.
19:08Puxa, muito legal.
19:09Legal isso aí, hein?
19:11Porque vai compartilhar, vai conhecer outras pessoas com esse mesmo desafio, com essa história.
19:15Acho que o grupo tem força, né?
19:17Acho que o grupo tem força.
19:18E falar sobre o assunto, acho que é o primeiro passo para a gente poder vencer o problema, né?
19:23E quem está assistindo a gente, que está assim, nossa, mas talvez não esteja no espectro da Uniomania em si,
19:31mas tem abusado um pouquinho das compras e já se identificou com essa nossa conversa,
19:40quais são as primeiras ações que essa pessoa precisa tomar para poder diminuir, então,
19:43essa compulsão, essa vontade de querer comprar e, às vezes, nem estar precisando daquilo?
19:49O primeiro passo seria ter coragem para encarar a realidade, de fato, fazer um levantamento das finanças
19:55para ver o quanto que elas estão comprometidas, quanto de dívida que realmente existe,
20:00colocar as coisas numa planilha, organizar os gastos, as receitas e, a partir daí,
20:09começar a tomar certas ações concretas para dificultar esse tipo de gasto impossível.
20:14Então, a pessoa que está nessa condição, muitas vezes, ela tem múltiplos cartões de crédito,
20:19cartões de loja, vai ser interessante reduzir esses vários cartões, sair de casa, às vezes, sem cartão,
20:25sair apenas com dinheiro físico, né?
20:29Que a gente vai limitar nas possibilidades da pessoa gastar.
20:34Quando for ao shopping, por exemplo, ir ao shopping acompanhado, né?
20:37Ao invés de ir sozinho...
20:38Não pode deixar sozinho, igual criança, né?
20:40É uma forma de inibir, as pessoas que têm esse tipo de padrão, elas, em geral,
20:46ficam inibidas quando estão na presença de uma pessoa que não tem esse padrão.
20:49Não pode ir em dupla, né?
20:50Os dois que têm o mesmo padrão.
20:55Então, esse tipo de levantamento precisa ser feito.
20:58Quais são os gatilhos que fazem a pessoa comprar?
21:00A gente está na época de Natal que é bastante problemático, né?
21:03As pessoas tendem a gastar mais.
21:05Muito.
21:05De qualquer forma, mesmo quem não tem um problema, né?
21:07E o número de promoções, Black Friday, tudo isso aumenta a possibilidade dos gastos.
21:13Eu vi um caso de uma pessoa que não tinha mais dinheiro, não tinha crédito para comprar
21:19e ela ligava para os parentes perguntando se eles queriam comprar alguma coisa,
21:23porque ela estava no shopping, aí ela pedia para depositar o dinheiro na conta dela
21:27que ela comprava para eles.
21:28Ou seja, ela queria comprar.
21:30Não era nem para ela, mas ela queria sentir o gostinho da compra, de entrar em uma loja
21:34e poder comprar.
21:35Que ponto que chega a pessoa, né?
21:36Sim.
21:37Complicado isso, hein?
21:38E doutor, o que tem de indicação para a gente?
21:43Livro, uma série, um filme?
21:46Conta aí para a gente.
21:47Bom, é algo que pode ajudar as pessoas que estão em dúvida se tem ou não esse padrão
21:52buscar recursos do cinema ou recursos da literatura para ver o quanto que elas se encaixam nesse perfil.
21:59A gente tem um filme famoso que é o Delírio de Consumo, de Becky Bloom.
22:04É um filme de 2009 que trata de uma moça que tinha um padrão de gastos excessivo
22:10e que acaba, por um acaso, indo trabalhar numa revista de finanças.
22:16E lá ela começa a perceber que o padrão dela está completamente descontrolado.
22:22Existem livros como Psicologia Financeira, do Morgan Housel, que é um livro que trata
22:28sobre como que as pessoas lidam com o dinheiro, como que a gente percebe o dinheiro, qual a posição
22:33do dinheiro na nossa vida psicológica.
22:35Existe uma série do GNT, chamada Compulsões, que tem vários capítulos a respeito de diferentes
22:42compulsões sobre drogas, sobre comida, sobre sexo e um capítulo sobre compras.
22:48Então, tem recursos como esses que as pessoas podem usar, às vezes até para conversar com um parente
22:54que sofre desse problema, introduzir o assunto, porque muitas vezes essas pessoas têm dificuldade
22:59de admitir que tem um problema, dificuldade de procurar ajuda.
23:02Perfeito, perfeito.
23:03Assunto muito importante.
23:05A gente agradece muito a sua participação aqui no Perrengue.
23:08no Perrengue, é um assunto realmente relevante, apesar do tema ainda ser não tão divulgado,
23:13onomania, um nome até estranho para a gente, mas é muito relevante a gente falar desse assunto.
23:18A gente agradece muito a sua participação aqui.
23:21E quem está nos ouvindo, quem está nos vendo, se interessou ou realmente deu aquele estalo,
23:28olha, eu preciso de ajuda, aonde essa pessoa te encontra, doutor?
23:32Pode me encontrar no Instagram, que é a rede social que eu mais uso, é gabriel.adad__.
23:40E lá você consegue entrar em contato diretamente comigo, tem meu celular.
23:45Eu atendo na Enseada do Suá, próximo ao Shopping Vitória.
23:48Eu atendo online também, então, qualquer lugar do Brasil, fora do Brasil, fora do planeta Terra,
23:54estamos aí disponíveis.
23:55Não tem desculpa, né?
23:56Exatamente, não tem desculpa.
23:57O doutor está igual o perrengue.
23:59Todo lugar.
23:59Não tem desculpa.
24:01Está em todo lugar.
24:02Você não precisa nem entrar numa revista de finanças para poder virar aquela chavinha.
24:10O perrengue está espalhado por tudo quanto é lugar.
24:12Fala aí para a gente, Edu.
24:13Exatamente.
24:14Você vai encontrar o perrengue no Spotify da TV Vitória,
24:17você vai encontrar o perrengue na Pan News Vitória, que é a 90.5 FM,
24:21todas as quartas-feiras, às 16h30.
24:24Você vai encontrar o perrengue no YouTube e no site do Folha Vitória.
24:28É perrengue para todo mundo, para todo lado, até fora do planeta,
24:32porque as transmissões saem da Terra também.
24:35É isso aí.
24:36Então, igual o doutor aqui, qualquer lugar que você estiver,
24:38você vai encontrar o perrengue para você sair desse perrengue financeiro
24:42e nunca mais voltar.
24:43Nunca mais voltar.
24:44É isso aí.
24:45A gente agradece.
24:46Espero que você tenha gostado.
24:48Faça bom proveito desse programa.
24:51E é isso.
24:52Até o nosso próximo encontro.
24:53Tchau.
24:54Tchau.

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