- há 6 dias
Artistas e jornalistas falam sobre a importância da cantora para a cena artística e cultural do país.
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NotíciasTranscrição
00:00A gente já começa o programa falando sobre a triste despedida de Gal Costa.
00:05A música popular brasileira está de luto, gente.
00:08Maria das Graças Costa, Pena Burgos, a Gal Costa, morreu hoje, aos 77 anos,
00:15deixando um imenso vazio no coração de todo mundo.
00:19Gal estava afastada dos palcos depois de passar por uma cirurgia, né,
00:24durante... ela precisava retirar um nódulo no nariz.
00:27Mas só que a causa da morte, segundo a assessoria, foi um infarto.
00:31A carreira de Gal Costa começou nos anos 60, ao lado de nomes como Caetano Veloso,
00:38Gilberto Gil, Maria Bethany, Tom Zé, e transformou, gente, o cenário da música brasileira com o tropicalismo.
00:46Ao longo da sua carreira, Gal Costa lançou mais de 30 discos.
00:50Gal Costa deixa o filho Gabriel Costa, Pena Burgos, de 17 anos.
00:55E a carreira de Gal, né, o sucesso que ela alcançou, o exemplo de mulher forte, guerreira.
01:02É sobre isso que a gente vai falar agora, porque a morte de Gal Costa, infelizmente, né,
01:08deixou todo mundo, pegou todo mundo de surpresa na manhã desta quarta-feira.
01:12E aqui no nosso estúdio a gente vai repercutir esse assunto.
01:15Eu recebo aqui Michel Bermudes, que é fãsão dela.
01:19Pedro Permui, né, nosso querido colunista do Folha Vitória.
01:23E também recebo a professora de canto, né, especialista nessa área maravilhosa, Elane Rovena.
01:29Obrigada pela sua participação aqui com a gente, Elane.
01:32Eu que agradeço.
01:33Uma pena que é para falar de uma despedida, né, assim, que a gente, o Brasil, acaba ficando
01:41em luto.
01:42O mundo, né, Michel, como você bem disse.
01:44Explica para a gente, Elane, a importância, toda a representatividade da Gal Costa para
01:50nós brasileiros, não só na música, mas na arte em geral, né?
01:54Sim, foi como nós estávamos conversando.
01:56Em primeiro lugar, boa tarde a todos.
01:57Boa tarde a vocês que estão nos assistindo e obrigado pelo convite.
02:03Gal Costa foi representativa para várias gerações.
02:07O mais importante é, com certeza, o legado que ela deixou.
02:12E como eu coloquei a você e falava, Michel, nós não estamos acostumados com a finitude.
02:18O ser humano, a única certeza que ele tem é essa partida, mas ele não é preparado para
02:24essa finitude.
02:25Agora, o que fica sempre é o legado desse ser humano.
02:29E no caso de Gal Costa, é um legado enorme, é um legado inenarrável.
02:35Nós poderíamos ficar aqui dias falando sobre isso e sobre a importância dessa mulher, que
02:40certamente, se tivesse começado o trabalho dela há 20 anos, né, de 20 anos para cá,
02:48ela teria uma projeção absurda.
02:50Agora, vocês imaginam alguém que nos anos 70, 80, 90 conseguiu conquistar o mundo, conseguiu
02:57fazer trabalhos em vários países sem esse apoio, sem essa ferramenta da internet.
03:03E uma voz raríssima, como eu falei a você, Rô, uma extensão incrível.
03:08Nós poderíamos considerar Gal Costa um soprano com uma extensão absurda, com uma musicalidade
03:18impressionante, uma pessoa que, com certeza, cantava como se tivesse feito anos de técnica
03:27e que chegou até onde chegou com uma voz maravilhosa.
03:30E essa técnica, na verdade, foi bem autodidata, né, Michel?
03:35A gente estava conversando nos bastidores.
03:36Michel me trouxe uma curiosidade interessante.
03:39É apaixonante essa história.
03:40Essa história, Roberta, eu estava te contando na redação para ela, Pedro, e olha que coisa
03:46louca.
03:46Eu vi uma entrevista dela no Jô Soares.
03:47Acho que você viu essa entrevista também, amiga.
03:49E ela já contou, inclusive, em outro, né?
03:51A biografia dela tem também.
03:52Ela, quando criança, ela pegava uma panela e ela ficava ouvindo no rádio as grandes cantoras
03:57da época, Ângela Maria, Estrela Dalva, e ela botava a cabeça dentro da panela para
04:04reverberar o som e ela entender a voz dela, para ela ter consciência da voz.
04:09Ela usava a panela.
04:10É claro que a Elayne sabe muito bem disso, uma professora que formou grandes cantoras
04:14capixabas.
04:15Então, ela usava a panela para conseguir entender que voz melhorar o timbre e ali ela
04:20foi desenvolvendo.
04:21Sem aula, sem professora, não é isso, Elayne?
04:24Que maravilha, né?
04:25Exatamente.
04:26E eu tive o grande prazer de conhecer, cantar e trabalhar quase dois anos com o Vitor
04:33Biglione, que é justamente o guitarrista argentino, detentor de dois Grammys, que fez o arranjo
04:41de Meu Nome é Gal.
04:42Meu Nome é Gal!
04:43Gal!
04:44Isso é icônico, né?
04:45Gal, Gal, Gal, Gal!
04:46Lá em cima, né?
04:46Vai você, vai você, para eu não pagar muito.
04:48Vai você, Elayne.
04:49Vai um pouquinho, ó.
04:50Meu Nome é Gal, Gal, Gal, Gal, Gal, Gal, Gal, Gal, Gal, Gal, Gal, Gal, Gal, Gal, Gal,
04:54É lá em cima, né?
04:55É um negócio fenomenal.
04:56É uma coisa fenomenal.
04:57Meu Deus!
04:58E uma coisa intuitiva e trabalhada impressionantemente dentro de técnicas que hoje tem o nome de
05:06Belzin e outras tantas.
05:08Então, Gal era um fenômeno, é um fenômeno.
05:11Porque, na verdade, parte esse corpo físico, mas fica um legado impressionante, Michel.
05:18É a obra, né?
05:19É a obra, né?
05:21E eu vou continuar usando o termo que eu usei, inenarrável.
05:26É uma coisa impressionante.
05:27Hoje eu fiquei revendo algumas coisas e, assim, coincidentemente, eu tenho estudado algumas
05:32coisas para Gal, para um novo espetáculo meu do começo do ano.
05:36Então, nós estávamos fazendo um arranjo eletrônico para uma música que ninguém canta
05:41como ela, que é o...
05:43Meu bem, meu bem, você tem que acreditar em mim.
05:49Isso é belíssimo, né?
05:51Sua estupidez do Roberto Carlos.
05:52Sua estupidez do Roberto Carlos.
05:53Não, ninguém canta como ela, né?
05:56Aquele primeiro arranjo lá de trás, dos anos 70, é isso.
06:00E, Pedro, a gente percebe toda essa movimentação no mundo das celebridades, né?
06:04Está todo mundo se manifestando hoje nas redes sociais.
06:07Esse é o assunto, né?
06:08Porque foi uma artista que se manteve por muito tempo nessa condição de ser referência.
06:13E ela, apesar de ter tido esse conhecimento que ela mesma criou, ela foi se especializando
06:19e foi dando continuidade a esse estudo.
06:21Tanto que, na idade dela, aos 77, já não é mais tão comum você ter cantoras atingindo
06:27timbres e atingindo notas que ela continuava atingindo e parecia que, cada vez mais, com
06:32mais idade, melhor ficava.
06:34E aí, você tem um trabalho dela muito importante, recente, com o cantor Silva, que é um pedacinho
06:39do Espírito Santo, que fica guardado com ela.
06:42Ele já se manifestou nas redes sociais falando que nunca vai se esquecer de tudo o que fez
06:46com ela, de todos os ensinamentos que ela passou, de como foi o bastidor com o Gal Costa.
06:52A gente tentou contato com ele, mas ele está num voo, acabou não conseguindo entrar aqui
06:56com a gente, mas vai ter oportunidade de falar para poder detalhar um pouco mais.
07:00Tem toda a questão com o Roberto.
07:02Tem o Roberto Menescal, que muita gente não sabe que é de Vitória, mas é de Vitória.
07:07E foi um dos maiores nomes da Bossa Nova.
07:09E como a gente estava falando no balanço, Gal marcou essa primeira geração da música
07:13brasileira no mundo de quando o mundo conheceu a Bossa Nova.
07:17E aí, Tom Jobim virou inglês, Tom Jobim virou francês, a garota de Ipanema dominou
07:21o mundo e Gal Costa estava nessa leva da primeira safra de brasileiros que fez fama do Brasil
07:27no mundo todo.
07:28Agora, Michel, você que gosta sempre de trazer até mesmo aqui para a TV, para a nossa redação,
07:33vários LPs.
07:34Tem uma capa da Gal que é icônica, né?
07:37É o índia que você gosta?
07:39É aquela que ela escancara o peito mesmo, que ela coloca de fora, sabe?
07:43E aí, é interessante isso, que mostra que ela era um símbolo também para a época,
07:49não só para a música, mas ela marcou mesmo, ela foi uma representatividade enquanto mulher
07:57quebrando tabus, paradigmas, né?
08:00Sim, e é muito importante você falar isso, porque hoje a gente percebe que as cantoras
08:06elas já têm mais essa noção da importância também política e social delas.
08:10A Gal não era só uma cantora, não era só uma intérprete.
08:13A Gal esteve presente nos principais movimentos políticos e sociais do Brasil.
08:18Desde lá, nós estamos falando da década de 60, na época da ditadura militar, foi uma
08:22voz muito importante.
08:24Participou do tropicalismo, que foi um movimento importantíssimo no nosso Brasil, que na verdade
08:29remexeu ali na cultura.
08:31A Gal, a gente falou da Bossa Nova, foi uma das principais vozes da Bossa Nova.
08:35E o legal dela, e que eu acho interessantíssimo, Elaine, é que a Gal não tinha pudor.
08:40Ela cantou romântico, ela cantou música brega, ela cantou forró, ela cantou axé, ela
08:45cantou de tudo.
08:46A Gal era uma cantora e cantava de tudo.
08:48Essa característica da mistura de ritmos, isso era marcante nela, né, Elaine?
08:52Sim, e uma coisa incrível que você estava colocando em relação a essa postura progressista
08:59de Gal, que nos anos 80 colocou os peitos, os seios pra fora, cantando Vaca Profana e
09:05sendo dirigida por Gerard Thomas, que é um grande diretor.
09:10Como que era esse show, o sorriso da gata Alice, né?
09:12Esse show era lindo, que ela botava o peito pra fora, né?
09:15É, do Vaca Profana e foi super polêmico, né, na época.
09:18Foi mesmo.
09:19Cantora nenhuma fazia isso.
09:21E ela sempre foi muito progressista.
09:25E você me perguntou, perdão, em relação a...
09:28Essa questão mesmo, né, das músicas, né?
09:31Isso, a mistura de ritmos, né?
09:33Que o Michel trouxe essa informação, aquela mistura o rock, o axé.
09:36A mistura de ritmos, eu falava, inclusive, pra ele, da questão também progressista com
09:40os figurinos, né, que muitas coisas ela idealizava, ela tirava do próprio acervo, essa pitada
09:47tropicalista sempre, né?
09:48Essa mistura, essa fission, e depois de toda uma explosão tropicalista, de toda uma questão
09:55colorida, ela, em 94, entra com o Tom Jobim de Smoking, num piano de cauda, e cantando
10:03só Bossa Nova, em inglês, em português e jazz.
10:07Um show icônico que eles rodaram.
10:09Então, assim, fantástico.
10:10Michel, ela num pino, toda, sim, com vestido preto, chiquésimo, um cabelo preso e arrasando.
10:18Tá arrasando.
10:20Olha só, você tocou no assunto aí do piano de cauda, daqui a pouquinho eu quero falar,
10:23inclusive, com o Pedro Permui, que eu sei que ele toca maravilhosamente em canta.
10:28Daqui a pouquinho você vai falar pra gente, Pedro, dessa influência que ela também teve
10:30nessa sua veia artística, tá?
10:33Mas antes, eu vou conversar agora aqui pela internet com uma cantora capixaba, a Valesca
10:37Santos, que vai falar pra gente sobre o legado que Gal Costa nos deixa.
10:42Tudo bem, Valesca?
10:43Boa tarde, obrigada pela sua participação.
10:45Seja bem-vinda, viu?
10:46Conta pra gente, né?
10:48Eu que agradeço.
10:49Sobretudo a influência.
10:51Boa tarde a todos.
10:53Boa tarde a todos.
10:54Um beijo pra Ilane Rovena, querida amiga que tá aí com vocês.
10:58Olha, eu me lembro muito de Gal, participando do programa do Flávio Cavalcante, nos anos
11:0760, que chamava-se O Instante Maestro.
11:12Ela chegou simplesinha, mas já vestida assim, meio que tropical e caliente, né?
11:18E ela cantou e o Flávio era muito, muito rígido.
11:24Ele deu nota 10 pra ela.
11:26E todo o jurado deles, eu fiquei impressionada com aquela mulher, né?
11:31E aí, eu já tocava violão, já cantava as coisinhas lá de criança e tal, né?
11:36E aí, eu falei, gente, eu quero cantar como essa moça aí.
11:41E por acaso, a minha voz, ela tinha um timbre, agora não tanto, mas ela tinha um timbre
11:46parecido com o da Gal.
11:48E depois, juntei com o violão, que ela tocava violão também, muito bem.
11:53E é bom lembrar também que a Gal fez papel importante na Tropicália, né?
12:02Juntamente com o Caetano, com o Gil e com a Betânia, eles formaram os Dolce Bárbaros,
12:07que na verdade, começou com eles, mas depoiszinho o pessoal, os novos baianos e todo o pessoal
12:14da Tropicália.
12:15Mas foi ela, junto com esses três, que deu início a toda a Tropicália, que até hoje
12:21existe no Brasil, esse movimento Tropicália, tanto na forma de vestir, quanto no estilo
12:27de música, no estilo de pensar, né?
12:30Então, ela, assim, pra mim, que toca o violão também, nunca vou ser uma cantora como ela,
12:37confesso.
12:38Ela é muito, muito afinada.
12:40E eu, de vez em quando, dou uma escorregada.
12:42Mas o violão dela era aquela coisa simples, mas muito certeira.
12:48Um violãozinho, assim, muito honesto.
12:51E, enfim, é uma perda pra música brasileira, de um modo geral, porque ela atravessa várias
12:58gerações.
12:59Ela vem desde a geração dos anos 60, atravessando todas essas décadas, sem cair do galho, né?
13:07Porque já fez várias participações com cantores e compositores novos.
13:13E que mais você admirava na Gal, Valesca?
13:17Olha, o que mais admirava na Gal, primeiro, ela era uma pessoa, assim, tranquila, não falava
13:24alto.
13:25E ela era muito certeira, não falava demais.
13:29Ela chegava, você perguntava alguma coisa, ela era muito concisa nas palavras dela.
13:35Mas, acima de tudo, como música, eu admirava a voz dela, que tento até hoje me espelhar nela,
13:45e tentar fazer aqueles cimbres tão maravilhosos.
13:50E, enfim, é uma pessoa, assim, que é, assim, dentre tantas outras cantoras maravilhosas que
13:57já partiram, mas ela fez uma história muito longa, né?
14:04Apesar de ter morrido com 77 anos, que eu acho jovem, é uma perda muito, muito pesada
14:12pra música brasileira.
14:14Eu tô um pouco emocionada, assim, porque ela é muito minha referência, desde criança,
14:20assim, que eu acompanho o trabalho dela e nunca deixei de acompanhar, sabe?
14:26É isso.
14:27Que bacana, Valesca.
14:28Obrigada aí pelo seu depoimento.
14:30Continua com a gente, daqui a pouco nós voltamos a falar com você.
14:33E a Gal Costa, gente, ela era conhecida...
14:35Obrigada.
14:36Nada, daqui a pouquinho a gente volta, viu?
14:38Continua aí.
14:39A Gal, gente, era conhecida por ser muito carinhosa com os fãs recentemente.
14:44Um vídeo dela até viralizou nas redes sociais.
14:47A Gal aparece autografando todos os discos do Ezequiel Bezerra, um super fã da cantora.
14:53Ele é lá de Recife.
14:54Foi durante um festival de inverno de Guaranhuns, em Pernambuco.
14:58Aí, nas imagens, Ezequiel também aparece dando um beijo na cantora.
15:02Ele contou que Gal foi super gentil e que ela ainda fez uma dedicatória no disco que ele
15:08mais gosta, que é o Profanas.
15:10Nas redes sociais, como a gente já adiantou aqui, vários famosos lamentaram a morte de Gal Costa.
15:17Gilberto Gil, um grande parceiro de Gal, disse que está muito triste, impactado com a morte da irmã.
15:24O cantor Lulo Santos postou uma foto no palco com a Gal e escreveu
15:29Sua voz, nossa vida.
15:31Rita Lee postou uma foto antiga junto com Gal e disse
15:35O nome dela é Gal, a garota da voz de veludo.
15:39Também teve um depoimento de Djavan, que fez questão de fazer uma homenagem, escreveu
15:44Inacreditável pensar na vida sem Gal.
15:48Enfim, a gente vê que vários famosos estão se manifestando na internet.
15:53O Pedro, inclusive, acho que acabou de receber uma outra aqui.
15:56Acabou de chegar o vídeo do Silva.
15:59E o que que ele...
16:00Você conseguiu ouvir algum trechinho?
16:02É...
16:02A gente está até tentando baixar, a Adriana falou.
16:04É um grande privilégio de Gal, de trabalhar com ela, de cantar.
16:08Já, já a gente vai colocar no ar.
16:09Então, já, já a gente coloca no ar.
16:11Mas os artistas estão a todo momento se manifestando nas redes sociais, né, Pedro?
16:16É porque eu acho que, e a gente até já falou sobre isso, Michel, às vezes as pessoas
16:19da atual geração e da nova geração veem a Nita, e sem querer desmerecer, mas como
16:24uma precursora da música brasileira fora do país e como alguém que levou a cultura
16:28brasileira para fora, e não é bem assim.
16:30Porque apaga toda uma história de uma geração que veio muito antes.
16:34Todo mundo tem seu reconhecimento, mas quem levou a música para o Brasil, do Brasil para
16:39o mundo, foi esse movimento da Bossa Nova, que foi muito forte.
16:42E eu acho que para todo mundo que tem um contato com a música, estando aqui no Brasil,
16:47acaba tendo contato com a Bossa Nova e não tem como não ter contato com Gal Costa nesse
16:51meio tempo.
16:52E eu acho que toca todo mundo que tem alguma habilidade ou algum instrumento, ou está
16:59desenvolvendo, ou está estudando nessa época, como é o caso de Elaine, que está sempre
17:03desenvolvendo muito projeto no Espírito Santo, chega nesse ponto que toca a Gal.
17:07E é uma artista, uma atriz é ótima.
17:11Era uma atriz também, porque era uma artista completa, mas que vai ficar marcada para sempre,
17:16para todas as gerações, desde a dela até as atuais, porque vai ser sempre uma referência.
17:21Agora, a gente estava falando aqui, Elaine até citou, né, dessa apresentação que ela
17:25teve no piano, que ela estava impecável.
17:27Você toca piano, de que forma que a Gal influenciou?
17:32Também te influencia durante aqueles momentos que você está ali, concentrado?
17:39Diretamente na Bossa Nova, porque é um dos ritmos que eu mais gosto, é um ritmo que
17:43eu toco muito, toco desde os cinco anos só.
17:45Cinco anos!
17:45Comecei com cinco.
17:48E toda vez que você vai buscar uma interpretação de uma música que é muito conhecida na Bossa
17:53Nova, ou que tem uma participação muito grande ali naquele momento, tem uma versão
17:58de Gal Costa.
17:59E é muito, a gente que toca e que a gente que é solista, se coloca nesse papel de solista,
18:03que é quando é um instrumento só, e eu sou só o piano, a gente usa muito desses arranjos
18:07para pegar referência, para se inspirar, para tentar reproduzir uma coisa parecida.
18:11E a orquestra de Gal era um espetáculo desde a primeira até a última, porque a gente
18:17tem aí, por exemplo, essa cena já é de shows, já são de shows mais novos, mais recentes.
18:22Mas os arranjos eram magníficos, cada vez melhores, e ela sempre foi uma referência
18:28para a Bossa Nova, para isso.
18:30Eu sempre peguei muitos arranjos dela para tentar fazer igual, porque a gente tenta, né?
18:34Agora, Michel, a Valesca, que está participando com a gente por ligação de vídeo, falou
18:38muito da importância da Gal nesse movimento, né?
18:42Na Tropicália e tal.
18:43Fala para a gente também da importância dessa ruptura, do que tudo isso significou
18:47nessa mudança cultural.
18:49Então, a Tropicália, a Valesca falou muito bem da importância de Gal, junto com Betânia,
18:55Gil e Caetano.
18:56A Tropicália, ela veio para misturar tudo, né?
18:58A Tropicália veio para dizer o seguinte, ó, vamos trazer os ritmos brasileiros, vamos
19:02misturar tudo nesse caldeirão e trazer para o povo brasileiro uma música que mostre
19:07também as nossas raízes.
19:08Então, eles mergulharam muito no Nordeste brasileiro, trouxeram as características do
19:13Nordeste para o palco, a coisa da juventude, da inquietude.
19:18Então, assim, a Tropicália, ela veio, o Brasil vinha.
19:20É claro, gente, voltando a falar, cada um na sua época, no seu estilo, a gente vinha
19:24de uma época de cantoras de rádio, fantásticas, não é isso?
19:27Ângela Maria, Dalva de Oliveira.
19:29E, de repente, o tropicalismo chega bagunçando tudo.
19:32Com a galera toda colorida, com o cabelo black power, cantando e falando o seguinte,
19:39ó, é isso aí, o jovem tá aqui, é proibido proibir.
19:42E a Gal foi importantíssima nisso tudo.
19:45Quebrou com essa história de que cantora tinha que cantar no banquinho, no violão,
19:49com vozinha.
19:50A Gal cantava para o mundo.
19:53Eu tô aqui, eu sou Gal Costa.
19:55Olha, de arrepiar, gente.
19:57Inclusive, tendo como ídolo João Gilberto.
20:00E, assim, em cima do que o Michel tá colocando, eu queria trazer pra vocês algo que eu acho
20:05muito importante.
20:08Porque é importante, é fundamental o estudo.
20:13Ele acabou de dar uma aula aqui, na verdade, de música popular, e é isso aí.
20:17E é importante colocar que hoje nós temos faculdades de canto popular, de música popular,
20:23como aqui na FAMIS, nós temos cursos de bacharelado, de licenciatura de música popular,
20:30de canto popular, que é a minha cadeira.
20:32Eu sou cantora lírica, mas a minha cadeira de efetiva é o canto popular.
20:36Então, vou até te chamar...
20:38Opa!
20:40...pra falar lá pros alunos, porque é muito importante, dentro do curso,
20:44nós pontuarmos toda essa história.
20:46Então, lógico, a gente sabe que a gente tem as pessoas que são super intuitivas,
20:51mas é muito importante o estudo efetivo, isso aqui que você falou, é uma aula,
20:57pras pessoas saberem exatamente como foi esse movimento.
21:01E é importante dizer que aqueles super jovens, né?
21:04Ela começou com 16, 17 anos, já era musa ali dos amigos, exatamente como o Baby Consuelo,
21:10maravilhosa também, que tá aqui ainda com a gente.
21:13Mas é super importante saber que essas pessoas foram absolutamente progressistas,
21:19foi o que o Michel falou muito bem.
21:21Não existia nada igual a isso.
21:25Houve toda uma ruptura, como a entrada da guitarra, como uma série de coisas...
21:29E isso repercutiu internacionalmente?
21:31Internacionalmente, porque, veja bem, existe um divisor de águas,
21:35não só na música popular brasileira, mas na música internacional, que é a bossa nova.
21:41As pessoas, às vezes, não sabem, mas João Gilberto, ele era um cantor lírico,
21:45ele começou a carreira dele, ele botava um banquinho numa praça e cantava sem microfonar,
21:50porque tinha uma voz impressionante.
21:53E aí ele resolveu fazer um trabalho diminuendo, quer dizer, uma coisa menor,
21:58onde voz e violão estivessem equiparados.
22:01Ninguém tinha pensado nisso, né, Michel?
22:03Então, quando ele veio, maravilhoso, ele foi ícone de toda uma geração
22:08e influenciou esses baianos que falaram, a gente quer fazer isso aqui.
22:12Ou a gente quer cantar berrando do jeito que a gente quer,
22:15ou a gente quer cantar com uma voz mínima, a gente quer ser a gente.
22:19Então, isso mudou tudo, e Gal entrou,
22:22desde cantando pequenininho, com uma voz pequena,
22:24que ela faz isso maravilhosamente bem,
22:27como com voz rasquenha, gritando, escabelada,
22:32fazendo tudo o que todo mundo queria, né?
22:34E ela falou várias vezes que o maior ídolo dela era João Gilberto, tá?
22:39Sim.
22:39João Gilberto e Gal, a carreira deles, ó, tá entrelaçada.
22:42Ah, então Veloso também, né?
22:43Também.
22:43Gilberto Gil também.
22:45Então, assim, e é importante saber que quando essa mulher...
22:48Tom Zé também junto nesse movimento todo, né?
22:50Quando ela entrava com o cabelo black,
22:53só o movimento negro do gueto dos Estados Unidos fazia isso.
22:57Ela dizia, não vou alisar meu cabelo.
22:59Então, ela entrava, as pessoas chegavam a dizer, na época,
23:02que ali o cabelo com piolho, umas coisas absurdas.
23:05Piolenta, ela sofreu muito preconceito.
23:07Chamavam, era bullying, chamavam piolenta e tudo,
23:09e ela com roupas sensualíssimas e, enfim,
23:13essa mulher, não vou falar foi, não, é um ícone.
23:16E a Elayne fez uma observação muito interessante,
23:18você tem muito mais propriedade para falar do que eu,
23:20mas na Bossa Nova existe essa ideia de que a voz tem que ser sempre morna,
23:25que nunca é uma voz que vai muito além ou que vai muito abaixo.
23:27É sempre linear e é sempre aquela voz tranquila, serena,
23:31que ela chamava atenção por uma ruptura com isso também, né?
23:35É, porque, na verdade, a Bossa Nova, a concepção estilística da Bossa,
23:39ela traz a voz falada, né?
23:42É uma coisa...
23:44A Bossa, ela nos dá a impressão de que você está,
23:47eu sempre coloco isso para os meus alunos,
23:49num dia de verão, no final de uma tarde de verão,
23:53a Bossa, ela tem estilo contemplativo.
23:55Você está vendo tudo passando lá,
23:57você está aqui olhando e cantando,
23:59vou te contar,
24:00os olhos já não podem ver,
24:03você não precisa de muita voz.
24:04É aquela coisinha de ouvido.
24:06Isso foi uma ruptura.
24:08As pessoas que só escutam a Bossa dizem,
24:10gente, mas o que tem isso aqui?
24:13Coisa morna.
24:14Não, mas não existia isso.
24:16Se você não cantasse...
24:20Com aquela voz de ser esteiro,
24:22desculpa, gente, só para mostrar mesmo, né?
24:25Aquela voz enorme.
24:26Se você não tivesse uma voz enorme,
24:29você não chegava a lugar nenhum.
24:29A gente falou de Down, a Ângela,
24:31a Ângela Maria Down, que cantavam lá em cima, né?
24:33Não, e com voz lírica, né?
24:36Porque essas pessoas, elas trabalhavam
24:41num intermétrio, né?
24:42Entre a voz lírica e uma voz popular de ser esta.
24:46Então, se você não tivesse aquela voz, né?
24:48Você não se enquadrava, né?
24:49Não, você podia esquecer da sua carreira.
24:52E só uma última curiosidade aqui para vocês três,
24:55por que as pessoas no começo, né?
24:57Porque a primeira gravação fonográfica
24:59foi em 1902.
25:01E por que as pessoas gritavam tanto?
25:03Você sabe, Michel?
25:04Você sabe, Pedrinho?
25:06Diga.
25:06Você sabe, Rô?
25:07Então, eu vou explicar para vocês.
25:09Os discos eram muito pesados, feitos de cera.
25:12E a agulha da época, ela só registrava a sua voz
25:15na gravação se você falasse muito alto
25:18e você gritasse.
25:20Então, todo mundo gritava.
25:22Entendeu?
25:23Acabou até mesmo depois criando um padrão em cima disso?
25:26Sim, padronizou profundamente.
25:29E isso começou a ser rompido.
25:31Aliás, foi bruscamente rompido na pré-Bossa Nova,
25:35que a gente chama de música de fossa.
25:37Mas as pessoas ainda tinham aquela voz intermediária,
25:40meio...
25:41Não sei o que lá, tipo o Dalva.
25:43Mas foste tu mesmo culpado.
25:48Aquela coisa que sobe, né?
25:52É uma coisa meio lírica, não é isso?
25:55Mas aí a Bossa Nova trouxe essa ruptura.
25:57Aí você canta.
25:59Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça.
26:02E está tudo bem, está tudo lindo.
26:05E a aula que a gente está tendo aqui.
26:06E aquela coisa no ouvido gostosa.
26:09Então, deixa eu só trazer para vocês o que significa gal
26:12para um aluno de um curso de bacharelado,
26:15um aluno que faz faculdade de canto
26:17ou um técnico de canto,
26:19porque a gente já tem isso aqui no Espírito Santo.
26:21A nossa FAMIS, deixa eu falar,
26:23que é considerada a segunda no Brasil
26:25em referência de professores,
26:28que são doutores e pós-doutores,
26:29e de todo esse embasamento teórico-prático necessário
26:32para essas pessoas.
26:34E é gratuito, né, gente?
26:35Estou fazendo propaganda porque eu sou entusiasmada.
26:37Que bacana, né?
26:38Esse incentivo à cultura para que a gente continue, né?
26:43Trazendo o nosso passado para o presente e para o futuro também.
26:46Porque perpetua, né?
26:47A partir do momento que as pessoas sabem o que ele contou.
26:51Essa trajetória, o que o Pedro pontuou.
26:54Essa trajetória, porque senão se perde, né?
26:57As pessoas não vão saber a trajetória dessa grande cantora,
27:01dessa grande mulher, né, Michel?
27:03Por isso que a gente está aqui falando sobre Gal Costa.
27:07E olha só, gente, o cantor capixaba agora, Pedro.
27:09Ele também lamentou a morte de Gal Costa.
27:12Conseguimos, então, o vídeo dele.
27:14A gente vai rodar para vocês.
27:16Hoje é um dia muito triste.
27:19Eu tive a sorte enorme, o grande privilégio de conhecer Gal,
27:23de trabalhar com ela, de cantar com ela, de gravar com Gal.
27:28E Gal sempre foi muito carinhosa comigo,
27:31com todo mundo que eu via que era da música que estava junto dela.
27:35Ela era muito generosa mesmo, muito...
27:39Me tratava como um menino.
27:41Lembro da última vez que nós cantamos juntos em Salvador, na Concha Acústica.
27:45Ela me chamou no final do show e disse que eu estava muito feliz,
27:48que ter cantado com ela ali fez lembrá-la de quando ela era mais nova
27:54e cantando ali na Concha Acústica.
27:59E Gal, para mim, é o jeito de cantar mais bonito que tem.
28:03E a gente vai sentir muito falta dela.
28:07Essa perda é muito difícil.
28:11Mas que bom que a gente tem as músicas dela para ouvir para sempre.
28:16Gal, Eterna.
28:18E aí, o vídeo do cantor Silva, o cantor Capixaba,
28:22que também vem se destacando muito nacionalmente.
28:26E ele fez uma apresentação com ela, né?
28:28Como é que foi, Pedro?
28:29Ele já fez, eu estou até pegando aqui para pegar a data exata.
28:33E existe até um registro na Sala São Paulo,
28:36que para quem não sabe, é uma sala, do ponto de vista cultural,
28:39muito importante para o Brasil,
28:41de dezembro de 2000 e algum ano, que eu vou encontrar,
28:46de que eles fizeram uma apresentação juntos
28:48e fizeram algumas outras apresentações juntos ao longo da carreira.
28:54Eu sei que ele foi convidado para um show dela em Salvador,
28:56até porque Salvador é um polo que ele vai muito e que ele atua muito,
29:00porque o estilo de música dele também dialoga bastante com a cultura baiana.
29:04E eles já tiveram contato em outras oportunidades,
29:07quando ela fez o show aqui, quando ela fez fora do Espírito Santo também, lógico.
29:10A Ana está falando que o show foi em 2000.
29:12Em 2000?
29:13A senhora chefe acabou de falar aqui.
29:14Tudo isso?
29:14Foi, ela falou, falou aqui para a gente.
29:18Gal e Silva, e Silva cantam em 2000, isso mesmo.
29:22Em 2000?
29:22É.
29:23Volta do lupicínio, né?
29:25Linda na voz dos dois também.
29:27Em 2020, 2020, ela está aqui corrigindo.
29:31Porque Silva tem mais velho do que eu, mas é muito mais velho,
29:34também não ia ter como cantar criança com ela.
29:36Mas 2020, então, faz sentido.
29:37Que aí foi quando estava tendo aquele retorno das atividades culturais,
29:42depois do início da pandemia.
29:44Enfim, mas a gente vê nele a importância que ela teve,
29:47ele até se emociona no vídeo, que é exclusivo para o Fala do Espírito Santo,
29:50para a TV Vitória, e fala do quanto que é representativo esse legado que ela deixa agora, né?
29:56Michel, você como fã, as principais músicas que te marcaram, né?
30:02Que acaba que a gente sempre elege artistas para fazer a trilha sonora da nossa vida, né?
30:07A Gal foi isso para você?
30:08Foi.
30:09A trilha sonora da sua vida em muitos momentos?
30:11Em muitos momentos, assim, a minha avó, a minha avó Lizete, é apaixonada pela Gal,
30:16então eu cresci ouvindo muito Gal, e tem uma coisa que me marcou muito,
30:20eu sou apaixonado pelo Cazuza, estudo a obra do Cazuza,
30:23e a Gal, ela regravou Brasil, inclusive foi a abertura de uma novela chamada Vale Tudo,
30:28num momento muito importante para o nosso país,
30:30que a gente ia ter a primeira eleição direta no Brasil,
30:32que a gente pôde escolher um presidente, e a Gal gravou Brasil do Cazuza.
30:36E no show que ela fez, ela mostrou o seio direito.
30:39E muita gente na época interpretou isso,
30:41ah, mas é uma loucura da Gal.
30:43Não, na verdade ela estava dizendo isso, Brasil, mostra a sua cara.
30:47Quando ela vai num palco, ela grita e ela abriu a blusa,
30:51mostrou o seio no momento em que o Brasil estava ansiando para votar mesmo,
30:56olha, eu quero votar, eu quero escolher meu presidente.
30:58Então esse momento me marcou muito.
31:00Um outro momento da Gal que me marcou, Elane vai lembrar,
31:02a Gal teve aqui no Teatro Carlos Gomes, em 2005 mais ou menos,
31:06um show lindo e ela, Roberta, ela sozinha e mais um músico no violão.
31:13E eu fiquei impressionado, falei, como que uma cantora consegue segurar um show de duas horas?
31:18Eu fui até com a Jade Naduque, que é uma jornalista, já, um beijo para você.
31:22E a gente assistiu esse show maravilhoso, você conhece a Jade também, né?
31:25E a gente assistiu esse show lindo, lindo, lindo, só ela e um músico.
31:29Ela segurando uma banda inteira.
31:31E eu queria aproveitar, pedir licença e perguntar o seguinte, Elane, voz envelhece?
31:36Envelhece.
31:37É, e por que a Dagao não envelheceu?
31:39Ela trocou alguns tons para ela cantar, por exemplo, depois dos 70 anos.
31:44Mas fez isso de uma maneira imperceptível, não foram muitos tons, mas ela abaixou alguns tons.
31:51Isso é sabedoria, porque, na verdade, existe um envelhecimento.
31:57Se você tiver um processo técnico, esse envelhecimento é um pouquinho mais devagar.
32:02E as vozes que são extremas, mais para o agudo, por exemplo, são vozes bem mais delicadas.
32:11E o processo de envelhecimento é mais gritante.
32:14Agora, o que ocorreu com a Gal?
32:17Exatamente o que você falou.
32:18Ela falava baixinho, ela era um doce, ela não gritava.
32:24Enfim, isso foi fundamental para que a voz dela colocasse o pé no acelerador.
32:30Entendeu?
32:30Muito interessante.
32:31Olha só, a gente estava vendo aí imagens da apresentação dela com o Silva agora, ó.
32:35Essa é de 2020, eu fiz um levantamento aqui.
32:38Ela esteve aqui no Espírito Santo em 2015 para uma outra apresentação no Teatro Glória.
32:44E eles gravaram uma música junto, Só Louco, no início do ano passado, que foi lançada no início do ano
32:49passado.
32:50Foi o último trabalho dos dois juntos.
32:52Mas já depois de várias participações de um de outro no show, de um de outro e vice-versa.
32:57A gente vai ver agora...
32:58Acho que na voz dela, né?
32:59Só Louco.
33:00A gente vai ver agora...
33:02Canta aí, Michel, vai!
33:03Só Louco, louco, meu amigo!
33:07A gente vai ver agora o depoimento da Jéssica.
33:09Ela é cantora e compositora e se inspira nas músicas da Gal Costa.
33:13E vai contar para a gente agora o seu sentimento dessa triste notícia.
33:17Uma grande referência para mim.
33:20Amo as músicas Baby, Vapor Barato, Vaca Profana.
33:25E ela também como uma pessoa, uma artista versátil, passeava por vários segmentos.
33:31Então isso também é uma grande inspiração para mim, enquanto artista.
33:36Ela gravou Cazuza, cantou músicas de Roberto, não ficava só ali no tropicalismo.
33:41Então, Gal foi incrível.
33:43Gal foi imensa, foi gigantesca.
33:46É muito maior do que qualquer palavra.
33:49Do que qualquer expressão que a gente possa usar para defini-la.
33:54Obrigada, Jéssica, pela sua participação também.
33:5520 aninhos, tá?
33:56Uma nova geração.
33:57Tá vendo, né?
33:58Acompanhando, olha aí.
34:00Obrigada também à Valesca que participou com a gente.
34:03Infelizmente o nosso tempo acabou.
34:04Pedro, daqui a pouco você está de volta, tá bom?
34:06Continue com a gente aqui no nosso estúdio.
34:08Michel, um beijo.
34:09Eu que agradeço a oportunidade de falar dessa maravilhosa.
34:12É isso aí.
34:13O lado da Elânima.
34:14É, Elânima, grande professora.
34:15Já foi a professora também, viu?
34:18Obrigada, professora, por ter vindo aqui.
34:20Muito obrigada a você, Roberta.
34:21Com um pouquinho, muitas curiosidades sobre Gal, sobre a nossa música.
34:26Obrigada, viu?
34:27Eu que agradeço.