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  • há 2 dias
Funcionárias de uma creche foram demitidas por assustar crianças.

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Transcrição
00:00Agora a gente vai falar de um caso que aconteceu nos Estados Unidos, mas serve de alerta para todo mundo.
00:07Olha só, são imagens chocantes.
00:09Funcionárias de uma creche no Mississipi, nos Estados Unidos, foram demitidas depois que vazaram vídeos na internet.
00:16Esses vídeos aparecem elas assustando os alunos com máscaras do filme Pânico, apontando ali, ó, quem não se comportou.
00:24Olha a reação dessas crianças, gente. As crianças ficam apavoradas e gritam muito, choram desesperadas.
00:30Em depoimento, a dona da creche disse que não sabia desse absurdo e que ficou tão chocada quanto os pais
00:38quando viu as cenas.
00:39Então a gente vai parar para refletir sobre essas imagens.
00:43Imagine só o desespero que passou na cabecinha dessas crianças.
00:47Educar com medo não é educar.
00:50A gente está falando de coisas muito mais simples.
00:53Quantos pais e mães já não disseram assim, né?
00:56Ó, vou te entregar para o homem do saco e o homem do saco vai passar, vai te pegar, hein?
01:00Ou então até mesmo falar do jacaré, que o jacaré vai te pegar.
01:04É, criam monstros, não é verdade?
01:06E isso pode trazer consequências para o emocional dessas crianças.
01:10Vamos falar sobre isso?
01:12Tiara Faeta aqui, olha, estava com saudade.
01:15Tiara está aqui no nosso estúdio.
01:16Também a Cátia Valesca, tiara é psicóloga infantil, né?
01:21Consegui uma brecha na sua agenda, porque a agenda dela é disputada, viu?
01:24É, bastante.
01:26Bastante, beijos a Deus, amiga.
01:27E também a Cátia.
01:29A Cátia vai contar para a gente como que ela foi criada e como que ela cria a filha de
01:3512 anos.
01:36Boa tarde, seja bem-vinda, viu?
01:38Boa tarde, Roberta.
01:39Conta para a gente.
01:41Então, antigamente, minha mãe tinha mania de falar assim, ó, vai escovar os dentes.
01:45Se não for escovar os dentes, vai dar barata.
01:47Vai passar bicho.
01:49Colocava um pânicozinho, né?
01:51Com certeza, entendeu?
01:52À noite, assim, ó, antes de ir para o banheiro, acende a luz, hein?
01:56Porque senão tem o bicho do algodão, esses negócios assim.
01:59Então, quer dizer o quê?
02:00Isso foi alimentando um certo medo, né?
02:03De andar pela casa com a luz apagada.
02:05Entendeu?
02:06E aí, com a sua filha, você acabou replicando esses ensinamentos que antigamente era normal, né?
02:14Digamos assim, era comum.
02:15Não vamos dizer normal, era comum.
02:17Ai, Tiara já olhando para mim aqui me corrigindo.
02:19Era comum.
02:20Você acabou replicando isso na educação da sua filha?
02:24Algumas coisas sim, entendeu, Roberta?
02:26Como esse negócio de escovar os dentes, que eu falei assim, ó, tem que escovar, porque senão vai dar bichinho.
02:32Entendeu?
02:33Sobre lavar as mãos antes do almoço, essas coisas.
02:36Você tem que lavar.
02:37Você está entendendo tudo?
02:38E isso eu falo com ela até hoje, com os 12 anos, mas falo ainda, entendeu?
02:43Tiara, até que ponto, né?
02:45A gente trabalhar o medo, porque de fato o medo, ele é um sentimento que existe.
02:50Mas até que ponto trabalhar isso pode ser positivo ou então se tornar negativo na educação dos nossos filhos?
02:57Boa tarde.
02:57Boa tarde.
02:58Roberta, primeiro, a gente precisa entender que o medo, ele é uma emoção básica.
03:04E muitos seres humanos pensam que são algo, uma criação muito além.
03:12Nós precisamos lembrar que nós somos animais.
03:15Então, o nosso corpo, a nossa fisiologia, ela responde de acordo com os estímulos que vêm de fora.
03:24E o medo, assim como alegria, raiva, tristeza, nojo, é uma emoção básica de todos os seres vivos, inclusive dos
03:34seres humanos.
03:35E ela vai proteger a gente, ela vai impedir que a gente coloque a nossa vida em risco, acionando lá
03:43no cérebro uma coisa que fala assim, ou você corre ou você luta.
03:48E aí, quando a gente vê vídeos dessa proporção, que eu até me manifestei na minha rede social,
03:56essas crianças devem ter um ano e meio, dois anos, para onde que elas vão fugir?
04:02Sem o pai, sem a mãe ali ainda.
04:03Para um adulto de referência, de segurança.
04:06E aí, quando eu estou criança, um ano e meio, dois, cinco, numa situação em que esses adultos de segurança
04:14que eram para estar me assegurando,
04:17assegurando a minha existência, são eles que provocam.
04:21Então, veja só, hoje nós estamos aí com 30 e poucos, 40 anos, e acontece alguma coisa que deixa a
04:28gente com medo.
04:29Nós vamos fazer o quê?
04:31Buscar alguém.
04:32O marido, a mãe, o irmão, um padre, um padre.
04:37Alguém para a gente dividir isso.
04:39E nós já somos adultas, maduras, né?
04:43Imagina uma criança.
04:45Então, lá na época dos nossos avós, até pais, nós não tínhamos acesso ao material, ao conhecimento que nós temos
04:56hoje, de uma forma tão facilitada.
04:59Então, o que é uma cárie hoje, como você falou, escovar os dentes, a barata, a formiga, vai te morder
05:06de noite, né?
05:07Enfim, hoje, nós temos materiais disponíveis para ensinar o que é uma cárie.
05:13E nós vamos ensinar o correto.
05:16Então, se o menino não foi lá lavar a mão para almoçar, e é uma regra, é uma higiene básica,
05:22então ele vai ficar sem almoçar.
05:24Existem consequências lógicas para aquilo que não foi feito, ou seja, para aquele comportamento que nós adultos precisamos ensinar, né?
05:33Para as nossas crianças, e eles precisam aprender de alguma forma.
05:37Eu não preciso punir, eu não preciso colocar medo em cima disso.
05:41Eu posso utilizar os recursos que nós temos de conhecimento hoje e a lógica.
05:47Meu filho, então, se você não quiser lavar as mãos, você não vai almoçar.
05:52Se você não almoçar dentro desse horário que nós temos, você vai para a escola sem almoçar.
05:57E aí, chegando na escola, provavelmente você vai ficar com fome.
06:01Não precisa criar esses monstrinhos que acabam, né, assustando mais do que educando as crianças.
06:09Exatamente. E aí, o que acontece? Quando a gente ensina, né, como nesse vídeo, como o Homem do Saco, a
06:16Mulher de Algodão...
06:16Ih, ouviu muito o Homem do Saco, hein? Ouviu muito o Homem do Saco.
06:20Eu falo que a minha avó adorava um moço que tinha, né, no nosso bairro, e era rápido, ela tinha
06:28a resposta dos netos assim, ó, rapidinho, todo mundo se comportava bem.
06:32Mas eu, pequenininha, eu era a menor de todas, eu tinha um medo dele.
06:37E ele adorava criança, ele tinha transtornos e tudo mais, né?
06:42Ele adorava criança, então o que ele via quando via criança?
06:45Fazia quando via criança?
06:46Ia até as crianças para falar...
06:47Aí, isso estava mais ainda, né?
06:49Aí, pronto.
06:49Aí, criava o pânico entre as crianças, porque os adultos contavam isso.
06:53Os pesadelos, o xixi na cama, né?
06:56O medo de ir no banheiro, é de ir do lado, meu filho.
06:59Ai, não acredito que pra que tanto medo assim?
07:02Não é assim que acontece?
07:02É desse jeito, Tiara.
07:04Pra que isso?
07:05E olha só, essa história, gente, do homem do saco é tão séria que nós fizemos uma
07:09pesquisa rápida na internet e encontramos um vídeo pavoroso.
07:14Olha só, várias crianças são colocadas em uma sala.
07:17Um homem entra com o saco e começa a distribuir biscoitos.
07:21Aí, ele pega uma criança e sai correndo.
07:23A reação é imediata.
07:25Quando ele volta, as crianças começam a chorar, não querem mais aceitar o biscoito.
07:30Elas ficam apavoradas e são crianças que não aparentam ter mais do que três anos.
07:36Na internet, a gente também encontrou vídeos de muitas mães fazendo uma brincadeira absurda com os filhos.
07:45Essa brincadeira acabou até viralizando.
07:48E você só vai acreditar porque a gente vai mostrar aqui essas imagens.
07:52Olha aí, as crianças são levadas pra dentro de um quarto e aí o adulto resolve apagar a luz.
07:57Aí aparece uma imagem de um fantasma, que na verdade, gente, é um filtro de um aplicativo de celular.
08:03As crianças ficam desesperadas, gente.
08:05Elas choram, batem na porta, imploram pra sair.
08:09Olha só que cena triste.
08:11Aí eu disse assim, né, a gente chamou isso de brincadeira, mas isso na verdade não tem nada, nada, nada
08:15de divertido, nada de engraçado.
08:17Muito pelo contrário.
08:18É revoltante e é revoltante até pensar que muitas pessoas, muitas pessoas que fizeram esse vídeo são os pais, querendo
08:27ver a reação dos filhos.
08:28O que isso pode trazer pra criança, Tiara?
08:31É absurdo, né?
08:32É uma maldade muito grande.
08:35Chega a ser perverso isso.
08:37Porque essa criança, ela não vai, ela vai correr pra aqueles que estão fazendo essa violência com ela.
08:43Mas é tão absurdo, é tão covarde que os pais até fecham as portas.
08:47Fecham a porta, apagam a luz.
08:49E vocês percebam no vídeo que era um momento prazeroso.
08:54Era um momento que uma estava ali no banheiro com a filha e tudo.
08:58E de repente acontece isso.
09:01Então o que essa cabecinha dessa criança está prendendo?
09:04Cadê minha segurança?
09:05Eu não posso, eu não me sinto segura.
09:07Como assim que eu vou confiar?
09:10Mas ela é obrigada a confiar porque é esse adulto de referência que ela tem na vida.
09:15Acontece que a gente não tem condições de prever a amplitude que isso tem na vida da criança.
09:25Do comportamento dela em sala de aula, do comportamento dela com os irmãos,
09:31do comportamento dela com as dificuldades que ela vai encontrar ao longo da vida.
09:40Então é uma criança que pode vir a se embotar, que a gente fala.
09:47Então, eu tenho medo, pavoroso, mas eu não posso falar porque o medo não tem nada a ver.
09:53Aí de repente eu sou colocada numa situação dessa, onde eu corro e não acho a segurança que eu preciso.
10:00alguém para falar assim, olha, está tudo bem, você está vivo, você está aqui mesmo,
10:06eu estou aqui para te abraçar, para dizer que eu estou com você.
10:10Então vejam só a confusão mental que essas crianças são colocadas.
10:15E aí esses vídeos, né, é uma proporção muito grande.
10:19É uma coisa que eu realmente não tenho nem palavras para descrever isso.
10:25E como esses vídeos, acredito que passaram do limite, a gente não está nem falando desse tipo de medo,
10:30do que os pais acabam criando, esses bons tênis.
10:33Ali foi além.
10:34E aí a gente vê que são instituições de educação, né?
10:39É algo assim que torna isso ainda mais pavoroso e criminoso até.
10:45Agora, o que a gente precisa falar aqui, né, diminuindo um pouco essa proporção,
10:49é realmente isso que a gente faz em casa.
10:52Porque aí você vai levar essa sua criança para a escola e ela não quer ir.
10:55Aí você fala, ah, meu Deus, mas eu até ontem ia bem para a escola e agora não vai mais.
10:59O que é que está acontecendo?
11:00E aí pode ser sim, esses escapes, né, essas respostas a um medo aparente.
11:09Porque quando, só para finalizar, quando a gente tem essas situações, o nosso cérebro, o cérebro da criança,
11:15não consegue dissociar, não consegue entender o que é um medo real e um medo dessa proporção aí imaginário.
11:26Ontem a mãe teve me perguntar, mãe, e o homem do saco?
11:30Falei, nossa, a gente vai até falar sobre isso amanhã.
11:32Falei, minha filha, ele não existe.
11:33Ah, porque a tia fulana falou que existe.
11:35Falei, não existe.
11:36O homem do saco foi inventado pelos adultos para assustar as crianças.
11:39Falei, não cai nessa.
11:40Ainda contei a verdade para a mãe ter, viu?
11:43Muito bem, Tati.
11:45Parabéns, mãe.
11:45Estou fazendo o dever de casa.
11:46Muito bem.
11:47Vou conversar agora aqui com a Sheila.
11:49Ela vai participar desse nosso bate-papo.
11:50Ela vai contar como é que é na casa dela, como que ela faz com a educação dos filhos
11:54e também como que era no tempo dela, né, Sheila?
11:57Boa tarde.
11:59E aí, boa tarde, Roberta.
12:01Tudo bem?
12:02Melhor agora.
12:03Conta para a gente.
12:05Então, né, na minha infância, ela foi assim, eu não tive muito essa questão desses
12:10sustos, assim, meio, essas fantasias, não.
12:15E eu, aqui em casa, sou muito, sou aquela mãe bem prática, né?
12:19Colocando aí o mesmo que a outra colega colocou, a questão de escovar os dentes, principalmente
12:23quando eles comem doce à noite.
12:27Escova os dentes, a barata vai roer sua boca.
12:29Isso aí é que é padrão, né?
12:32Acho que é padrão na maioria das casas.
12:34E o banho, vai tomar banho, o urubu vai baixar aqui.
12:38Mas, no mais, é porque eles entram naquela fase porquinhos, né?
12:43E a gente tem que ir com uma forma de pressionar.
12:47Vai tomar banho.
12:47Aqui os mais velhos, ó, vai tomar banho.
12:49Como é que você vai chegar na escola?
12:50Como é que vai abraçar as amigas?
12:52Sim, se você quiser tomar banho, mim, vai tomar banho.
12:55Então, a gente, aqui eu sou bem prática, né?
12:58Costuma, assim, o medo, o medo do escuro.
13:02Não, você não precisa ter medo.
13:04No escuro não tem nada, o escuro é só o escuro.
13:06Você vai deitar, você vai orar e vai dormir, tá tudo bem.
13:09Deixa a luz da casa sempre acesa e vida que segue.
13:14Tá assistindo alguma coisa que tá dando medo, ó, isso aí é mentira, isso é filme,
13:18isso é de mentirinha, isso não existe.
13:21Irmãos mais velhos têm muita mania de fazer medo dos mais novos.
13:25Não sei porquê disso.
13:27Sofri também, sofri, sofri.
13:31Eles entraram numa fase aqui, numa tal da loura do banheiro que eu já cortei.
13:36Falei, não tem loura, não tem morena, não tem ninguém no banheiro.
13:39Então, assim, é...
13:41Então, mas na casa, como tem casa que é muita criança,
13:44então, assim, a gente tem que ir botando esses pontinhos aí,
13:48porque senão fica difícil.
13:49E você já percebeu, Sheila, se algum deles já até passou do limite
13:53em relação a esse sentimento do medo, ter expressado um medo exagerado?
13:57Por exemplo, eu percebo na Maitê, a minha filha de 7 anos,
14:00que ela tem medo de ir do banheiro até a área de serviço,
14:05colocar a roupa dela suja depois do banho,
14:07por conta da...
14:08Não, mãe, tô sozinha, tá escuro, vamos comigo.
14:11Falei, minha filha, quem botou esse medo em você?
14:13Algum dos seus filhos expressam esse medo?
14:16A minha mais nova, ela sim, porque na verdade foi a que acabou por ser a sua, né?
14:23A mais ser exposta a telas, eu percebo que, um exemplo, eles têm hora, né?
14:28Mas aquele dia que extrapola um pouquinho, principalmente o dia que o pai tá em casa,
14:32que já libera mais, ela tem mais reação, ela dorme, o sono dela é super agitado,
14:39porque esses aplicativos de vídeo, a gente não usa mais, né?
14:44O famoso Tok Tok lá, a gente não usa mais.
14:48Mas agora eu tenho o YouTube e tenho o Shots.
14:50Então, acaba que naqueles próprios vídeos que vão passando ali rápido,
14:54tem muitos vídeos desses vídeos de assustar.
14:57Então, eu já vou cortando.
15:00Porque quando ela tá mais exposta a telas, ela fica mais...
15:04Quanto mais exposta ela fica, com mais medo ela tem.
15:06Ela, aqui também, a casa é grande, então ela não vem da cozinha pro meu quarto sozinho.
15:11É um corredor comprido, ela não vem.
15:13Tem que vir alguém com ela.
15:15Ela, o sono fica agitado, ela tem pesadelo.
15:18Então, assim, ela já tem mais gatilhos do que os outros.
15:22Deixa eu continuar aqui.
15:24Continua com a gente e daqui a pouco eu volto a falar com você.
15:27Kátia, a sua filha também teve a fase, teve algum sentimento de medo,
15:31de alguma forma que ela expressou, que acabou indo além por conta de efeitos dessas brincadeiras também,
15:37que não são brincadeiras.
15:39Hoje, por exemplo, né, Roberta, eu trabalho com o Antônio, né, cabeleleiro, lá na escola, né,
15:46e ela tem medo de ficar sozinha, você tá entendendo, em casa.
15:50Ela já tem 12 anos, mas ela tem aquele medo.
15:53Mãe, eu tenho que ir com você, porque eu vou ficar sozinha em casa.
15:57Vai que aparece alguém, vai que, entendeu, a falta de luz.
16:01Então, tudo criou aquele pânico nela, você tá entendendo?
16:05Devido eu ser aquela mãe muito protetora também, você tá entendendo?
16:10Aí, quer dizer, ela fica com medo de tudo.
16:11Ela só se sente segura quando tá perto de mim ou do meu esposo.
16:16Aí, depois, quando vai trabalhar a fase da autoconfiança,
16:18que você precisa começar a dar autonomia ao filho, não consegue, né?
16:23Não consegue, exatamente.
16:25A gente fala, né, a adolescência, ela vai apresentar pra gente o que foi construído na infância.
16:32Então, se eu construir segurança, se eu construir autoestima,
16:36se eu construir uma criança capaz de falar sobre si, se colocar,
16:42eu vou ter, provavelmente, um adolescente que continue nesse caminho.
16:48Agora, se eu tive uma criança que foi reprimida,
16:51que não foi saciada nas necessidades dela, principalmente emocionais,
16:56de condução, de esclarecimentos,
16:59eu tendo a ter adolescentes mais inseguros.
17:03Isso não quer dizer que a sua filha foi criada dessa forma como eu acabei de dizer, tá?
17:10Pode ser, sim, algo dela realmente pode ser uma insegurança.
17:14Ela pode ouvir muitos noticiários de violência, de crimes,
17:18e realmente ter insegurança de ficar em casa sozinha.
17:22E aí, também, esse instinto de preservação fica mais latente nela, tá?
17:28Porque o adolescente, ele já consegue prever, ele já consegue ir além.
17:32Então, ó, se faltar luz, se der um incêndio, o que eu vou fazer?
17:36Minha mãe não tá aqui, e aí?
17:37Então, aí é momento de continuar orientando.
17:39Agora, a gente vai ver o vídeo da Elis Tavares.
17:42Ela conta que não eram os pais que colocavam esses monstrinhos.
17:46E sim, a irmã mais velha. Roda aí.
17:50Enquanto eu era criança, os meus pais não contavam histórias assim,
17:54assombradas de bicho-papão e tudo mais pra mim.
17:56Contudo, eu tenho uma irmã, a Michelle, que a nossa diferença é de 5 anos de idade.
18:00E ela sempre contava, ah, o gogó vai vir te pegar, Elis, o gogó vai vir te pegar.
18:06E eu com muito medo.
18:08Resultado disso é que eu não durmo de luz apagada praticamente até hoje.
18:11Eu sou obrigada, né?
18:12Porque depois que a gente casa, aí a gente tem que entrar num comum acordo.
18:15Também não replico de maneira alguma isso para os meus filhos.
18:20Esse tipo de historinha do bicho-papão, nada disso acontece aqui dentro de casa.
18:26Apenas mensagens de esperança, historinhas bondosas e tudo mais.
18:31Porque chega de trauma, né?
18:33Não dá mais.
18:35Chega de trauma, também concordo.
18:37Elis, um beijo pra você.
18:38Eu vou ler aqui o comentário, vou resumir o comentário do Evandro Guimarães.
18:42Ele falou que esse vídeo do homem do saco, gente, aconteceu na China.
18:45E segundo as informações, isso é uma forma de ensinar as crianças a não aceitarem nada de pessoas estranhas.
18:51Mesmo que tenha sido uma ideia, digamos assim, para ensinar as crianças, será que a gente também não estaria confundindo
19:00o imaginário dessas crianças a mente, né?
19:02De misturar o real com o fantasioso?
19:07Até mesmo porque essa figura que eles colocaram não é exatamente o homem do saco que nós temos.
19:14Vocês veem que já é uma aparência que as crianças têm medo.
19:18Geralmente o homem do saco, ele não é, ele é um imaginário de cada um.
19:23Então, eu, Tiara, que passei por essa fase do homem do saco, que a minha avó vivia falando do homem
19:28do saco,
19:29eu tenho um imaginário na minha cabeça.
19:31A Roberta vai ter um outro, você vai ter um outro imaginário.
19:35E quando a gente traz algo tão concreto para crianças que ainda não têm condições de transformar esse concreto no
19:45imaginário, né?
19:47Ela não consegue fazer essa transposição, você gera o medo, você não gera a aprendizagem.
19:52A aprendizagem, ela não acontece através do medo.
19:56Agora, o medo é um sentimento natural.
19:59E o medo é uma emoção básica, por isso que muitas vezes a gente não controla.
20:04Diante de um medo, a gente pode urinar sem controle, a gente pode chorar sem controle, né?
20:12Agora, você falou da sua filha.
20:14Eu tenho o Bernardo, de 8 anos, então eles estão numa idade bem próxima.
20:19O Bernardo, aí estão dando, mesmo sendo filho de psicóloga, acontece isso, ele é uma criança como qualquer outra.
20:25Ele, até pouco tempo, tinha medos de ir em algum lugar que vai se distanciar das pessoas, os adultos de
20:34referência dele.
20:36Então, como que isso foi tratado, foi conduzido?
20:39Meu filho, você precisa que eu vá até com você?
20:41Até lá, eu posso ir até metade do caminho?
20:44Você vai me ver, mas eu não vou até lá com você mais.
20:47Porque aqui é seguro, aqui é a sua casa, aqui é a casa da vovó, aqui, enfim, aqui é um
20:53espaço seguro.
20:54Então, a gente precisa entender o medo dessa nossa criança e ir trabalhando para diminuir esse medo de forma respeitosa,
21:06de forma acolhedora, mas também de incentivar que ele vá, que ela vá.
21:10Gostei dessa técnica, hein? Vai, mas vou até metade do caminho, estou olhando para você, pode ir.
21:15Você está ouvindo a minha voz?
21:16Ó, você está ouvindo a minha voz.
21:18Eu vou conversar com você até você ir e voltar, vamos lá.
21:21Vamos conversar sobre o quê?
21:23E vai falando, e vai falando.
21:25E aí, ai, cheguei, mãe.
21:27Aquele sorriso lindo, assim.
21:29Encorajado, né?
21:30Nossa, uma vitória.
21:32Gostei da dica, obrigada pela sua participação aqui com a gente, Tiara, valeu super a pena.
21:36Obrigada a você.
21:37Você abriu uma brecha na sua agenda para estar aqui com a gente hoje à tarde.
21:40Um beijo.
21:41Kátia, obrigada também pela sua participação.
21:43Um beijo na filha de 12 anos.
21:45Encoraja bastante ela, viu?

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