00:00Vem comigo, gente, que hoje a gente vai pra nova Rosa da Penha 2, nos nossos carros novos.
00:05Michelito, o que você está fazendo aí?
00:06Menina, para, eu estou cheirando, eu adoro cheirinho de carro novo, hein, carro, Braille?
00:09Ah, pronto, agora, olha.
00:09Olha, gente, que cheirinho gostoso de carro novo.
00:12Para, garoto, os novos carros da TV Vitória.
00:15Mas o assunto não é esse, não, tá?
00:16Não, ainda bem que o carro tem farol, que o farol tá bom, porque a rola tá escura, tá?
00:19Eu te amo de trocadilho, gostei de trocadilho, verdade.
00:23Ainda bem que tem farol, minha filha, porque eu vou te falar, tá a nova Rosa da Penha.
00:26É, exatamente, o pessoal sai no escuro, o pessoal tá fazendo gambiarra pra poder enxergar um pouquinho, assim, na frente
00:32de casa.
00:32Tá amarrado, tá queimado.
00:33Vão lá comigo, Braille?
00:35Vem, vem, vem, vem, vem.
00:39Estamos em Nova Rosa da Penha 2, que fica em Cariacica.
00:44Se somarmos com Nova Rosa da Penha 1, mais de 15 mil pessoas moram aqui.
00:49E elas enfrentam vários desafios.
00:52Aqui, entre as ruas 126 e 128, é só anoitecer que o povo passa perrengue.
01:00É que a rua, gente, vira uma escuridão danada.
01:04Só próximo tem um, dois, mais três portos sem iluminação.
01:09Ou seja, o morador tem que sofrer pra conseguir chegar ou sair de casa.
01:17A rua aqui é um breu escuro.
01:19Aí, você imagina bem, pra gente, que é homem, já é um pouco arriscado sair de madrugada no escuro.
01:24E, principalmente, pras mulheres, que aqui tem muitas mulheres trabalhadoras, que essa faixa aqui tem bastante mesmo.
01:29Então, isso pra gente é constrangedor.
01:30Aqui já tem mais de três meses que nós estamos nessa situação.
01:38Quem sai de casa cedinho pra trabalhar, enfrenta o breu.
01:43Olha que situação!
01:45Aqui é outro porte, aqui em frente de casa.
01:50Sem, sem lâmpada.
01:52Aí, a gente tem que colocar a lâmpada pra poder clarear a rua, pra não ficar tão escuro.
01:58Tem um ano já que a gente tá vivendo desse jeito.
02:03Eu saio pra trabalhar umas quatro, dez pras cinco, tá tudo escuro e, nossa, tá tenso, tá?
02:08E como é que faz? Sai com a lâmpada?
02:11Com a lanterna?
02:13Do celular, pra poder, principalmente quando tá chovendo.
02:16É muito difícil.
02:21Tô aqui conversando com a Elana, ela falou que o marido dela é vigilante.
02:24Quer dizer, trabalha dia sim, já não tem dia que tá cansada, quer dormir, mas não pode dormir, sabe o
02:28quê?
02:28Tem que acordar cedo pra levar ela pro ponto de ônibus. É isso, amiga?
02:32Sim.
02:33Como é que é?
02:34Aí ele tem que acordar e me levar lá no ponto.
02:36Que horas mesmo?
02:37Quatro e trinta e cinco da manhã, todos os dias.
02:39Mesmo cansada ele vai?
02:41Sim.
02:41Se ele falar, vai sozinho?
02:43É, eu faço ele levantar pra me levar.
02:49E olha que coisa, a rua, gente, até tem postes de energia.
02:53Poucos, mas tem.
02:55Só que eles não servem pra nada.
02:57As lâmpadas não acendem.
02:59Aqui, ó, esse poste aqui sem energia, da minha rua 126.
03:04Olha que escuridão.
03:08Aí aqui tem a casa do vizinho, que coloca a luz.
03:12Pra poder não ficar tão escuro.
03:15Aqui o poste, ó, sem energia, sem luz.
03:21E mesmo assim, a cobrança de iluminação pública continua chegando.
03:28Pague iluminação pública, como eu te mostrei aqui.
03:31E não temos iluminação pública, tá?
03:33Isso já vai pra quase um ano já.
03:35Porque antes ficava piscando.
03:38Acendia e piscava.
03:39Agora, depois que fizeram aquela trenca, mexeram aquele poste ali, aí, ó, é zero.
03:45A rua é de 128 aqui, corta, corta de 126.
03:48Pra cá e pra lá.
03:50Geral.
03:51Tem um bar ali em cima, um bar do Dudu.
03:53Do bar do Dudu pra baixo não tem energia elétrica.
03:58Ô, gente, o Macarrão mora aqui no bairro, tem quase 40 anos.
04:01Ele me disse que aproximadamente seis meses, esse transformador aqui estourou.
04:06E aí veio uma equipe fazer os reparos.
04:09Só que, pelo visto, a emenda saiu pior do que o soneto, como dizem por aí, né?
04:13Fizeram o reparo e o negócio piorou?
04:15Piorou 100%.
04:16Pelo menos tinha energia.
04:17Mas agora não tem nada.
04:18As ruas tudo escuras.
04:19Escuridão, breu.
04:20Mas escura mesmo.
04:21Nós estávamos até os tempos antigos, quando o bairro começou.
04:23Quando não tinha energia, só nas casas não tinha energia.
04:25E agora, do mesmo jeito, só tem energia nas casas.
04:27Na rua não tem energia.
04:31E quando a gente vai andando pelo bairro, percebe que tem lâmpadas do lado de fora, de muitas casas.
04:38Foram os moradores que começaram a fazer isso.
04:41Como já é de costume, quando o poder público não age, o morador tenta agir pra dar um jeito.
04:46A gambiarra aqui, olha, os moradores fizeram o seguinte.
04:49Essa é a casa do Isaac.
04:51E aí ele colocou, tá vendo ali, um pequeno refletor, que é pra tentar ajudar a iluminar.
04:56Ele ilumina aqui na frente, ó, da casa dele, um pedacinho só.
04:59Mas pelo menos é o que ajuda quando ele chega do serviço, que já é de madrugada.
05:03Eu tive que colocar o refletor ali, porque eu chego de madrugada do serviço e não consigo enxergar nada aqui,
05:10se eu não tivesse colocado o refletor.
05:12Aí foi a única solução que eu tive.
05:13Vocês tiveram que ter essa ideia?
05:15Eu tive essa ideia, gastei dinheiro no meu bolso, porque está queimada a luz do porte.
05:22E sem enxergar direito, além do problema da insegurança, vem também o risco de acidentes.
05:30Eu trabalho, eu chego do serviço à noite, tem que deixar cair ali na esquina duas vezes, já cair ali
05:36duas vezes.
05:37E tem um motoqueiro que veio fazer uma entrega, ele derrapou ali no escuro, caiu também com a moto e
05:44tudo.
05:44Nossa.
05:46Olha, é triste isso aqui, é muito lindo.
05:48Olha, olha, olha, olha.