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  • há 1 semana
O desmoronamento trouxe risco aos moradores da região.

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Transcrição
00:02Barulho, muito grande, como se estivesse descendo tudo, um avalanche de casa, terra, era assim que a gente tinha, a
00:08visão da cabeça da gente era essa.
00:13Como a Vera poderia esquecer a noite do dia 9 de junho desse ano?
00:18A família estava em casa, no bairro Ilha da Conceição, em Vila Velha, quando aconteceu o que, infelizmente, os moradores
00:26já imaginavam que poderia acontecer.
00:28Eu tive que sair daqui, interditaram minha casa, eu perdi minha casa, perdi meus aluguel e estou morando de aluguel
00:36em outro lugar.
00:38E eu quero saber como é que você está fazendo, porque você está recebendo aluguel social?
00:42Não, não estou recebendo aluguel social, eu mesmo estou pagando.
00:48Pessoal, esse cenário que a gente está agora, parece até que aconteceu um terremoto, né, de tanto destroço, entulho, destruição.
00:56Mas isso aqui era a área de serviço da casa que a Márcia morava com a família.
01:02No dia 9 de junho desse ano, o barranco cedeu e, desde então, a Márcia não dorme mais em casa,
01:10né, Márcia?
01:10Não, desde 9 de junho eu não durmo mais nessa casa, só entrei aqui mesmo, só para tirar meus móveis,
01:14o que restou, né?
01:19Rever a casa nesse estado, relembrar o que aconteceu, dá até um aperto no peito.
01:26O coração chega a acelerar, com medo de tudo cair de novo, eu vejo tudo acontecendo.
01:31O trauma, eu vendo meu filho, que poderia estar soterrado hoje aqui, né, se tivesse acontecido, se tivesse chovendo, seria
01:36uma coisa pior.
01:40Aonde que estava o bercinho dele?
01:41O berço dele ficava aqui nesse canto, a minha cama de casal do lado e a cama dali.
01:47Aí o que aconteceu? Quando começou a cair tudo, eu só vim aqui, peguei pelo pé e saí correndo com
01:52ele.
01:55O trailer da cidade esteve aqui em maio desse ano e registrou o que seria o anúncio de uma tragédia.
02:02Naquele dia, já tinha rachadura para todo lado no barranco, todos já sabiam que algo grave poderia acontecer.
02:11A angústia estava no rosto de todos os moradores das casas ameaçadas pelo barranco.
02:18A tristeza de não ver a solução estava nas lágrimas da dona Vera.
02:22A gente não sabe se amanhã a gente vai estar viva, se vai, a gente vai estar soterrado.
02:26E a gente é pobre, se a gente tivesse dinheiro, a gente pegava, se reunia e fazia isso aí.
02:32Mas a gente não tem condições, eu ganho salário mínimo.
02:39E olha só, estamos falando de um sofrimento de anos.
02:43Inclusive, nós estivemos no local várias vezes.
02:46A gente pede ajuda, a gente pede socorro e ninguém vem olhar por nós.
02:53Por parte da prefeitura, promessas.
02:57Aliás, a administração assumiu estar ciente do problema desde 2019,
03:02quando em nota, eles informaram ao treino da cidade
03:05que a situação do barranco estava na planilha de um plano de redução de áreas de risco do executivo.
03:12No nosso último ao vivo, a secretária de obras, Menara Cavalcante, falou desse plano.
03:17Vamos contratar a empresa para fazer esse projeto e em breve a gente espera estar com o projeto pronto para
03:24a contenção dessa encosta.
03:25Aí não! Aí não, amiguinho!
03:36Pois bem, minha gente, de lá para cá, nada foi feito.
03:40Nada, nada, nada.
03:41Simplesmente eles deram uma maquiada, né?
03:44A gente veio e encontrou ele para fazer a cobrança,
03:46porque no mesmo dia que caiu, foi um dia que não tinha chuva, não tinha nada, né?
03:50Fizemos a cobrança, né?
03:51As casas foram interditadas, como você viu.
03:55E veio a representante da prefeitura, falou que ia mandar uma empresa aqui para poder olhar isso tudo.
04:03A empresa veio, fez o estudo do solo, né?
04:07Fez o estudo do solo, porém, simplesmente sumiram.
04:14E enquanto ninguém faz nada, os moradores seguem com medo, preocupados, desesperados,
04:21porque sabem que algo pior ainda pode acontecer.
04:28Pessoal, esse lugar que a gente está agora é a garagem da casa da Dona Penha.
04:33Aqui atrás está o barranco.
04:35Ó, imagina bem, se a gente fica aqui alguns minutos e já sente uma certa agonia,
04:41você imagina quem mora aqui há mais de 20 anos, que é o caso da Dona Maria da Penha,
04:47e há mais de 20 anos que a senhora convive com esse medo, né?
04:51Continuei dentro de casa, porque eu não tinha para onde ir.
04:53Não tinha para onde ir.
04:54E hoje a senhora tem?
04:55Hoje eu não tenho para onde ir.
04:57Não tenho.
04:58Eu ganho um salário mínimo.
05:00Começou a dar umas nuvens escuras, ou começou a chover, que seja, a gente já fica no desespero.
05:10Aí a gente fica dopado de remédio, e é desse jeito.
05:16Os moradores do bairro, que pagam os impostos direitinho e comprem com todas essas obrigações,
05:22só queriam se sentir protegidos, só queriam poder dormir em paz.
05:27O carnê chega, inclusive, ele vence no dia 20 do sete, mas assim que eu recebo, a primeira coisa que
05:33eu faço é pagar.
05:35E o retorno vocês têm?
05:36Não.
05:38Eu acho, assim, que é uma falta de respeito para conosco, porque são muitas vidas, né?

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