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  • há 2 dias
No caso dos idosos, uma pesquisa mostra que 47% das pessoas com mais de 65 anos enfrentam a solidão.

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00:00Vamos falar de solidão. Ninguém gosta de ficar sozinho, né, gente?
00:04Pois é, uma pesquisa, uma nova pesquisa da Associação Americana do Coração faz um alerta.
00:09A solidão faz tão mal para a saúde que aumenta em até 30% o risco de ataque cardíaco e
00:17AVC.
00:17E com a idade, a solidão fica mais evidente.
00:21Vamos parar para pensar nos nossos idosos, por exemplo?
00:24Eles ficam viúvos, se aposentam, aí param de ter contato com os colegas, com a família.
00:30Segundo a pesquisa, 47% das pessoas com mais de 65 anos enfrentam a solidão.
00:39Bora bater um papo sobre isso e aprender a enfrentar esse sentimento, afastar a tristeza e também, como a gente
00:46viu aí, os riscos para a saúde.
00:49Aqui no estúdio, eu recebo a psicóloga especialista em idosos, terceira idade, a Roberta Cagliari.
00:56Obrigada, doutora Roberta.
00:57E também recebo a dona Alverinda.
01:01Que amor de pessoa, que sorriso gostoso que a senhora tem.
01:06A solidão aí passa longe?
01:08Passa longe.
01:09Bem longe.
01:10Bem longe.
01:11Eles não me deixam ficar no cantinho sozinha, não.
01:13Fala mais pertinho do microfone.
01:15Eu gosto de ficar sozinha, mas eles não me deixam.
01:17Você até gosta.
01:18Gosto.
01:19O que a senhora gosta de fazer assim, sozinha?
01:22Dormir.
01:25Só que aí quem não deixa?
01:27Os netos, eu tenho muito bisneto também.
01:29Eles não deixam não.
01:31Tem uma de 15 anos que toda hora está dentro de casa, quando ela não está estudando.
01:36E tem um bisneto de 4 também.
01:38A senhora é viúva?
01:40Sou 11 anos.
01:4111 anos viúva.
01:4211.
01:43Nessa fase, em algum momento, a senhora se sentiu sozinha?
01:48Não.
01:49Não se sentiu?
01:50Não, não sinto.
01:51Não sei, não sinto sozinha.
01:55Conseguiu ressignificar a sua vida e levar a alegria adiante?
01:59Adiante.
02:00Ficar sozinha é bom.
02:02Eu gosto de ficar sozinha.
02:03Mas isso não me deixa não, né?
02:06Roberta, fala pra gente qual é o limite, né?
02:09Entre o prazer de ficar sozinha, que às vezes isso a gente também gosta.
02:13É, eu gosto.
02:13Mas também é preciso prestar atenção pra que isso não se torne numa solidão.
02:19Que a família da dona Alverinda não deixa isso acontecer.
02:22Não, não deixa.
02:23E nem eu também.
02:24Nem ela, tá vendo?
02:25Mas importante.
02:26Eu não me deixo ficar triste.
02:28Eu posso talvez chorar, tá chorando.
02:31Você chega na minha porta, me chama, eu saio sorrindo pra fora.
02:36Ai, que dona Alverinda, linda.
02:38Dá sua mão aqui, sua maravilhosa.
02:40Passar energia positiva.
02:41Conta pra gente, Roberta, esse ponto de equilíbrio.
02:44Boa tarde.
02:44Boa tarde.
02:46É importante olhar pra que equilíbrio é isso, né?
02:49Acho que antes disso, talvez seja bacana a gente pensar o que é solidão.
02:53Me parece que a gente tá falando sobre um aspecto, mas nós podemos entender sobre dois
02:57vieses.
02:58O sentimento de isolamento, como se tivesse ausência de pessoas, um déficit social.
03:06E a outra questão também é da sensação de angústia.
03:10Então, muitas vezes acontece pras pessoas idosas esse lugar em que há perdas, tantas perdas,
03:17né?
03:17Perda de cônjuge, de familiares, de amigos, em que a pessoa vai se sentindo isolada.
03:24E aí, muitas vezes, também a família tende a ficar tentando tampar todo e qualquer buraco
03:30possível pra essa pessoa não ficar sozinha.
03:34A gente pode ir além disso, então.
03:36A sensação de angústia, o que é isso?
03:39Todos nós vivenciamos a sensação de angústia, porque isso é inerente ao ser humano.
03:44Nós nascemos e morreremos sozinho.
03:48É uma questão dura, é uma questão dura, mas ela não precisa ser triste.
03:53Então, quando a gente pensa na questão de sensação de angústia, a angústia, ela
03:58nos leva pra alguns lugares.
04:00E nós, adulto, criança, idoso, né?
04:04Qualquer pessoa tendemos, nessa sociedade, a tentar escapar dessa sensação.
04:11Quem é que não, por vezes, se vê lá pensando algumas coisas ou sentindo algumas coisas e
04:17tentando escapar disso?
04:19Como se a gente não pudesse sentir tristeza, sentir angústia, não houvesse espaço pra
04:25isso, porque nós entendemos que isso é algo negativo.
04:29Mas não necessariamente sentir angústia é negativo.
04:33E aí, dado os dados que você trouxe, né, Beto?
04:35Eu acho que é legal a gente pensar.
04:37Bem, talvez estejamos pensando sobre estar isolado.
04:42Não ter contexto, não ter pessoas, né?
04:45Mas não necessariamente é ruim, então, essa solidão de se sentir só.
04:50Porque é só sozinho que nós conseguimos ser criativos, né?
04:55Tem um ditado aí que nós estamos acostumados, que é cabeça vazia, oficina do diabo.
05:02Ah, escuto muito isso.
05:03Como se a gente não pudesse esvaziar, esvaziar mesmo, pra entender o que a gente tá sentindo.
05:11Mas é só quando a gente esvazia e começa a entrar em contato com os nossos sentimentos,
05:16é que a gente, então, consegue entender.
05:19Se nós estamos conseguindo encontrar potência pra ser criativos, ou se nós estamos encontrando
05:25algum vazio.
05:26E o vazio assusta, né?
05:28Quem é que quer ir pra um labirinto escuro sem saber onde é a saída?
05:33Quem é que quer?
05:33Então, normalmente, a gente faz o quê?
05:35Tenta sair desse ponto de vazio pra não perder sentido.
05:40E aí, a questão é, se a pessoa tá sozinha, né?
05:43E ela está bem e ela quer ficar sozinha, por que não pode ficar sozinha, né?
05:48Se ela dá conta de estar ali, talvez seja o ponto dela criativo de fazer alguma coisa.
05:53E, às vezes, forçar pode ser ainda pior, assim, já que no entendimento da família, né?
06:01Às vezes, o forçar, não, vamos tirar a dona Avenida de casa, vamos fazer isso, vamos fazer aquilo.
06:06Isso pode estar até prejudicando.
06:08E aí, eu acho que é bacana a gente também pensar em cada caso, né?
06:11Cada caso.
06:12Pra algumas pessoas, isso vai ser prejudicial.
06:15Quando é que forçar alguma coisa é positivo?
06:19Né?
06:19Quando é?
06:20Forçar alguma coisa é positivo.
06:22Então, será que não é importante pra aquela pessoa ter o espaço dela?
06:26Quem não gosta de ter o espaço?
06:27Será que a gente gosta de estar o tempo todo com tanta gente, com tanto barulho, com um monte de
06:31coisa acontecendo?
06:32Será que não é importante?
06:33Quem é que não vai lá pro seu chuveiro, pro seu travesseiro, que é a hora que, muitas vezes, encontra
06:37um ponto de relaxamento, né?
06:39Olha só, vou convidar aqui pra nossa conversa a dona Dilza.
06:43Ela viveu momentos difíceis de solidão.
06:46E ela que vai contar pra gente o que ela fez pra superar essa fase.
06:49Boa tarde, dona Dilza.
06:50Obrigada pela sua participação aqui no Fale Espírito Santo, viu?
06:55Boa tarde.
06:56Tudo bem, Roberta?
06:57Tudo joia.
06:58Qual que era o sentimento, né?
07:00Essa solidão, tomava conta do seu sentimento.
07:04O que que você...
07:06Como que isso se traduzia na sua vida?
07:09É, o que que aconteceu?
07:11Na época da pandemia, eu tive muita solidão, porque a gente ficou recluso, né?
07:17A gente não podia sair de casa, não podia ter contato com as pessoas, nem com os familiares, né?
07:22Então, eu tinha acabado de me separar e eu tava praticamente só, né?
07:29Porque o meu filho veio morar comigo depois, né?
07:32Então, eu fiquei muito tempo, eu fiquei um ano e seis meses praticamente sozinha, só vendo os meus filhos, vindo
07:39na casa deles de vez em quando.
07:40Mas, assim, a maioria do tempo eu passava só e isso aí me deixou muito triste, entendeu?
07:47E eu entrei, assim, numa situação que eu tava entrando de depressão, que eu chorava muito, né?
07:54Porque a pandemia, ela trouxe muita tristeza também, né?
07:58Então, assim, a gente via os amigos, né?
08:02Notícias de amigos que tinham...
08:04Tavam morrendo por conta do vírus, né?
08:07E aquilo ali acarretou sérios problemas.
08:09Então, eu consegui sair dessa situação depois que eu me dei conta que eu tinha que mudar a minha vida,
08:18né?
08:19Aí, eu resolvi sair, conhecer pessoas diferentes, né?
08:23Me relacionar com pessoas diferentes, fazer novos amigos.
08:27E eu consegui driblar, né?
08:30A solidão, mas foi um ano e seis meses de muita solidão mesmo, né?
08:35Eu nem na igreja ia.
08:37Aí você colocou um ponto importante.
08:38Que eu quero até trazer agora pra Roberta, que é o seguinte.
08:42A partir do momento que é solidão e a partir de que momento isso pode acabar se tornando uma depressão.
08:49Que aí acende um alerta diferente, né, Roberta?
08:53A questão, no caso da dona Dilza, é a questão da separação.
08:58Ela foi forçada a ficar sozinha.
09:02Como a gente falava sobre força, né?
09:04Ela foi forçada a alguma coisa que ela não queria.
09:06Naquele momento, com pandemia, né?
09:09A pessoa fica ali diante de uma perda, de um rompimento, de alguma coisa que já está muito doloroso.
09:16E aí ter que ficar só, como ela disse, né?
09:19Levou ela pra um outro ponto, que foi o ponto de chegar a uma depressão.
09:24E aí, quando vem o limite entre...
09:26A sensação de angústia vai aparecer pra todo mundo.
09:30Quando ela começa a entrar numa perda de sentido, uma tristeza profunda, e começam a aparecer outros sinais e sintomas,
09:38aí ela vai pra uma depressão.
09:39O alerta tá aí.
09:40Então, é a hora que precisa, de fato, ter um cuidado, ter uma consideração pra se fazer alguma coisa.
09:47Quando a pessoa está angustiada, mas é na hora que ela começa a rever algumas coisas,
09:53que é o momento que eu digo, que é aquele momento de prestação de contas consigo, né?
09:58Deixa eu ver se meus valores, se minha vida, se era o que eu queria mesmo, se não é.
10:03Esse momento é o momento que é da nossa condição de ser humano.
10:06Então, não tem... não é necessário medicar, não é necessário correr atrás de alguma coisa.
10:13É necessário perceber o fluxo disso.
10:16O que que tá acontecendo com esse movimento?
10:18Vai me levar pra um campo de tristeza absurda, como a dona Dilsa disse, né?
10:21E aí, não conseguir dar conta? Então, vamos fazer alguma coisa com isso.
10:25E eu já vi várias reportagens, né?
10:27Pessoas que conseguiram viver muito bem com a solidão.
10:32Pessoas sozinhas.
10:34A senhora se imagina sozinha, dona Alverinda?
10:38Sim.
10:39Sim? De boa?
10:40De boa.
10:42Não tem nada que me faz eu perder.
10:45Como é que a gente fala? O sentido, assim?
10:47Não.
10:48De jeito nenhum.
10:49Eu não sei, olha, na pandemia.
10:51Ela falou da pandemia.
10:53Como é que foi pra senhora?
10:54Foi de boa.
10:57Sentia saudade?
10:58Não.
10:58Das pessoas, das famílias, da família?
11:01Não, porque eu ia na casa deles.
11:02Você ia?
11:02Ia.
11:04Dava um jeitinho pra ir, com todo cuidado?
11:05Nossa, eu fiquei sozinha.
11:07Eu tenho parente que mora perto da minha casa.
11:09Se eles veem que eu tô sozinha lá em casa, eles vão lá na porta e chamam.
11:14Pra ver como é que eu tô.
11:15Se eu demoro de manhã a levantar um pouquinho, mas pode ter certeza que tem gente batendo.
11:20Eu fico sozinha à noite.
11:21E a senhora gosta desse carinho que você recebe?
11:24Com eles, demais.
11:25O carinho toda da família, da vizinhança?
11:28Não, todo mundo.
11:29Na rua, eu passo na rua, todo mundo mexe.
11:32Todo mundo tem muito carinho, muito carinho, muita gente.
11:35Olha só, a gente vai ver agora a história da dona Carmelita.
11:38Ela ficou viúva, os filhos foram embora de casa, né?
11:42Cresceram, foram.
11:43E aí, como será que ela lida com o fato de estar sozinha hoje em casa?
11:47Olha só.
11:48Eu realmente, eu não me sinto solitária, porque a minha companhia me basta, né?
11:59Sou feliz, me amo, a gente tem que se amar primeiro, né?
12:02Pra não sentir solidão.
12:04E eu me amo muito.
12:06Quem sabe depois eu posso pensar em algo mais.
12:10Ô, dona Carmelita, um beijo estalado, gostoso no seu coração.
12:16Então, e quem faz muita companhia pra dona Carmelita é essa samambaia dela.
12:20Adora cuidar das plantas.
12:23Toda vez ela mostra pra gente as plantas da casa dela.
12:26Dá aí uma dica também, pra às vezes a pessoa tá sozinha, gosta daquele momento sozinho,
12:31mas criar, pensar em novidades, cuidar de plantas, de animais, isso ajuda, Roberta?
12:38É, encontrar o seu sentido, né?
12:40O que que dá sentido pra cada uma?
12:41Me parece que pra ela, né?
12:42Como você disse aí, acho que a planta, né?
12:46A senhora também gosta?
12:47Ah, mas eu não tenho jeito de plantar, não.
12:49Não tem não, né?
12:49Não, não.
12:50A senhora das vinhas.
12:53Entendi.
12:53Me parece que cada um tem um sentido, né?
12:55E essa busca de sentido, então, é que motiva, né?
12:58Então, o se sentir angustiada com esse ponto de solidão pode levar pra esse ponto de criatividade,
13:07de transformação, né?
13:09De o que que eu quero fazer agora?
13:11Agora, como o caso dela, né?
13:13Ela ficou viúva, então, significa que não podemos estar sozinhas, não podemos em nenhum
13:19momento ficar ali, só a gente.
13:24Podemos, podemos ficar ali.
13:25A gente começa a ressignificar, como você trouxe também.
13:28Não significa que a troca, o compartilhamento não seja interessante, né?
13:34Somos seres também pras relações.
13:36O que eu aponto aqui é a questão do, se a gente não fica em nenhum momento com a gente,
13:43a gente não consegue se rever.
13:45E aí, eu mergulho na vida do outro, eu me dou, e eu vivo a vida do outro, eu perco
13:50a
13:50minha identidade, e eu não sei mais quem eu sou.
13:52Mas se eu consigo rever as minhas questões, estar comigo, eu consigo me identificar, e aí
13:58vou perder pessoas, vou ficar triste, vou ficar angustiada, né?
14:03Vou ter medos, vou sentir saudade, tudo que é da nossa condição.
14:06Mas eu sei quem eu sou, eu mergulho em mim de novo, e eu encontro sentido e continuo ficando
14:12bem.
14:12Tá certo.
14:13Obrigada pela participação de vocês aqui no programa.
14:16Um beijo também pra dona Dilza, que participou online.
14:19Tudo de bom.
14:20Que bom que você conseguiu encontrar um novo caminho pra driblar a solidão, viu?
14:25Um beijo na família, Dilza.
14:26Tá bom, obrigada pra vocês também, tá?
14:29Obrigada.
14:30E obrigada, dona Alperinda, pela sua alegria, tá bom?
14:33Obrigada.
14:33Tá certo.
14:34Tchau, Rô.
14:34Obrigada.
14:35Obrigada.

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