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  • há 3 semanas
Menino baleado na perna enquanto jogava futebol, em Itararé, Vitória, volta a jogar futebol um ano após o crime. O sonho dele é ser jogador profissional.

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Transcrição
00:00Lá vem ele de mãos dadas com a mãe pelas ruas de Itararé.
00:05Ele tem nome de anjo e força de guerreiro.
00:09Miguel Bento, de 9 anos, foi baleado na perna,
00:13enquanto jogava futebol durante um tiroteio que aconteceu no bairro.
00:17Eu consegui levantar sozinho, meus outros amigos já estavam lá embaixo.
00:22Aí eu fiquei sozinho, aí depois eu consegui levantar e correr.
00:26É a primeira vez que Miguel grava entrevista, porque ele fala que é tímido.
00:31Ele consegue se lembrar de detalhes do socorro.
00:34Estava na metade do caminho, eu comecei a ficar desmaiando.
00:38Aí meu irmão falou, não Miguel, não desmaia, você vai morrer.
00:41Aí eu falei, tá bom, eu vou tentar.
00:45Aí eu falei, quero água, quero água.
00:47Ele falou, não pode beber água agora.
00:49Aí quando eu cheguei no médico, eu consegui me acordar.
00:51As cicatrizes não deixam o garoto esquecer o que viveu.
00:56A bala atravessou a perna, porém não atingiu o osso, o que tornou a recuperação mais tranquila.
01:03Eu fiquei com a perna enfaixada, acho que foi 25 dias, eu acho.
01:07Aí minha perna estava enfaixada e eu não podia andar.
01:11Eu tinha que pedir meus pais para me pegar no colo e colocar em uma posição.
01:15A Rose estava em casa, ouviu os tiros,
01:18mas soube só algum tempo depois que o filho tinha sido vítima de bala perdida.
01:23Me emociona até hoje, porque eu pensei que meu filho tinha morrido.
01:29Quando eu fiquei sabendo, quem me ligou foi o meu cunhado, meu genro, que me ligou.
01:34Falando que o Matheus falou que estava com ele no hospital, que tinha ouvido.
01:38Nisso eu tinha ouvido o tiro aqui embaixo.
01:41Só que, né, eu fiquei coisa.
01:43Aí quando ele me falou que tinha levado ele para o hospital, nossa, eu fiquei doida.
01:46Mesmo sendo parte da estatística de inocentes atingidos pela violência do tráfico de drogas,
01:53ela vê a história do filho com outros olhos.
01:56Poderia ser em outro lugar o tiro, né?
01:58Como foi eu, assim, que aconteceu com meu filho, poderia ser sido outro tamanho também, entendeu?
02:04Na época em que o crime aconteceu, os moradores de Itararé viviam o ápice da guerra entre traficantes de drogas
02:13de bairros vizinhos e rivais.
02:16Agora, um ano depois, a mãe do Miguel disse para a gente que a situação está um pouco melhor no
02:23bairro,
02:24eles se sentem um pouco mais seguros.
02:26Mas ainda assim, fica o trauma e o medo de deixar o filho sair de casa.
02:32Já passou, mas assim, ainda quando ele vai, ainda abaixa aquela coisa.
02:36Mas graças a Deus é que melhorou muito no bairro, entendeu?
02:38Nem mesmo a imaturidade do menino, ainda tão novinho, é empecilho para ele entender que é um vitorioso.
02:46Deu uma vida normal, graças a Deus, Deus me deu uma vitória muito grande.
02:50Para marcar um ano do crime, Miguel volta nesta quarta a jogar futebol.
02:56Afinal de contas, o que Miguel é e sabe ser, é criança.
03:00Mas ele sabe muito bem aonde quer chegar.
03:04Eu vou jogar e vou acreditar no meu sonho que eu consigo ser um menino jogador de futebol.

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