00:06É muito importante falar sobre o Sapê do Norte e sobre a luta quilombola.
00:14Os quilombos é uma experiência real do povo negro de enfrentamento à desumanização
00:23e à desapropriação mesmo das condições de vida do povo negro.
00:31Ao longo de todo o território brasileiro, da América também, a gente tem esse espaço de resistência.
00:39Aqui no Espírito Santo, em especial na região do Sapê do Norte, nós temos várias comunidades quilombolas
00:47que no sentido histórico representam essa resistência, representam um campesinato negro.
00:56Quando a gente fala de quilombola, a gente está falando de famílias que têm a posse da terra de forma
01:04coletiva,
01:06de várias gerações que sobrevivem dos recursos da natureza, seja do extrativismo, da agricultura,
01:14da produção da mandioca, do beiju e que historicamente vêm tendo seus direitos negados.
01:24O maior desafio das comunidades tradicionais quilombolas é justamente enfrentar o racismo institucional.
01:33É o mesmo racismo que lá, no pós-abolição, aliás, que anterior ao pós-abolição instituiu a lei de terras
01:44que negou o direito à terra à população negra.
01:47É esse mesmo racismo que não considera o povo negro como produtor de vida, produção econômica,
01:58que nega esse território à população preta.
02:02E aqui na região do Sapê do Norte, a gente observa uma ocupação bem antiga desse território
02:11e também a ação do Estado, junto com o poder econômico, no sentido de expropriar, de roubar, de se apossar
02:23desse território.
02:24A gente destaca, na década de 60, com o apoio do Estado, o emprego da ditadura militar, da monocultura,
02:35do chamado de progresso econômico, que para o povo quilombola resultou numa violência enorme,
02:44na expulsão de territórios, na monocultura.