- há 26 minutos
Psicóloga fala do vício em games
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00:00Convida a Letícia Maméria, ela é psiquiatra e vai participar com a gente pela internet.
00:04Doutora, boa tarde, obrigada pela sua participação.
00:07Vamos lá, e como que é feito esse diagnóstico do vício em games?
00:12Boa tarde.
00:13Boa tarde, quero agradecer mais uma vez estar com vocês.
00:17Então, o diagnóstico de vício, ele tem que preencher os critérios como qualquer outro
00:25de vício em games, como qualquer outro diagnóstico de vícios, né?
00:29Então, assim, você precisa de uma dose cada vez maior, você não consegue ficar sem,
00:36você começa a ter um estreitamento de repertório, né?
00:40Que a gente fala, que na verdade, assim, a pessoa só quer fazer aquilo.
00:44Então, ela já acorda querendo jogar, o tempo todo ela pensa nisso,
00:50então ela acaba deixando de fazer outras atividades para se dedicar àquilo.
00:57E esse momento é um momento preocupante, é quando as pessoas se dão conta
01:01que um viciado em jogos, ele não necessariamente é aquele adolescente,
01:07é aquele garoto que ficava dentro do quarto o tempo inteiro.
01:11Pode ser você que tem aquele joguinho famoso do celular e consegue parar de pensar naquilo
01:19e que quer o tempo inteiro um pretexto para jogar.
01:23Então, a gente perde um pouco daquele estigma que a gente tem na mente,
01:29do que seria também um viciado em jogos.
01:33E você passa a ter os jogos muito dentro da rotina das pessoas.
01:38Então, ao mesmo tempo, torna um pouco mais difícil a gente identificar
01:43quem que estaria já com o quadro de dependência
01:47ou aquele que seria o jogador eventual, né?
01:51Agora, é importante a gente falar com todo mundo que está acompanhando o Fala Espírito Santo,
01:55pelo amor de Deus, que a gente não está aqui para generalizar,
01:58até porque a gente sabe que muitas pessoas, como é o caso do Joe,
02:03conseguem transformar esse lazer, esse hobby, numa profissão,
02:07que você acabou se identificando com essa área e hoje você ganha dinheiro com isso.
02:12É o seu negócio, né, Joe?
02:14O que você faz para explicar para o pessoal de casa?
02:16Porque, às vezes, a gente também identifica o talento no nosso filho,
02:19opa, ele pode estar indo para uma área rentável?
02:23Extremamente rentável, né?
02:25Hoje, a gente já tem o mercado de games entrando como um dos mercados mais avançados do mundo.
02:31A gente tem o crescimento do mercado de games em 2021,
02:35extrapolando o crescimento da economia mundial em alguns pontos.
02:39Então, é um mercado que vem em ascensão
02:42e a gente tem que ter esse nível de atenção, sim.
02:45Exatamente por isso, acredito que tenha sido incluído o gaming disorder dentro do CID, né?
02:53Esse problema com o vício em jogos dentro do CID.
02:57Vale a pena chamar a atenção para esses critérios que foram conversados,
03:01onde existe um prejuízo de função, né?
03:03Hoje, a gente trabalha, por exemplo, com jogadores profissionais
03:08que treinam seis a oito horas por dia, tem carteira assinada e recebem para isso.
03:13Mas eles jogam dentro de uma rotina que é controlada por um treinador,
03:18que é administrada de forma que eles mantenham as atividades da vida deles,
03:22porque, exatamente, a gente começa a identificar o distúrbio no momento em que jogar
03:27toma o lugar de outras partes da sua vida, como a parte social,
03:32a parte familiar, a parte ocupacional ou educacional, né?
03:36E também, nesse novo critério de diagnóstico, a gente tem a questão do tempo.
03:40Você tem que ter 12 meses de prejuízo dessas funções
03:44para você adequar essa pessoa a esse critério diagnóstico de vício em games.
03:49Então, existe todo um contexto em volta que nós, como treinadores, a gente vê,
03:56às vezes a gente vê jogadores.
03:57Vocês identificam como treinador, você como treinador profissional,
04:00você identifica e tem um diálogo com a família ou com a pessoa?
04:05É necessário, é necessário.
04:06A gente não chegou ainda a trabalhar com esse tipo de gente,
04:10porque eles são filtrados, geralmente, nas entrevistas.
04:13Você vê quem que realmente está indo para um ramo de profissionalização
04:17e quem realmente vai para um ramo mais patológico, vamos dizer assim.
04:22É possível identificar isso porque é uma atitude até meio compulsiva, né?
04:28Ele realmente substitui atos como dormir, comer,
04:33coisas extremamente normais da fisiologia humana,
04:36onde ele substitui isso por jogar um efeito de recompensa
04:40que é criado no cérebro dele e vai gerar uma satisfação,
04:44mas que não vai atender as necessidades fisiológicas desse ser, né?
04:48Qual foi o tempo máximo que você já passou jogando, Joe?
04:51Ah, vou chutar aqui 12, 14 horas em campanha, assim.
04:59Acho que é até interessante porque eu estava discutindo isso lá em casa
05:04antes de vir para cá, que é uma situação onde,
05:07às vezes, existem lançamentos no mercado e aí esse lançamento chama a atenção do jovem
05:12e o jovem vai dedicar um tempo a mais ali assim que começar esse lançamento.
05:16Mas, geralmente, é um pico que vai decaindo.
05:18O interesse dele vai decair em cima do produto que acabou de ser lançado.
05:23Esse tipo de problema, de vício, ele realmente supera esse nível de...
05:30Por exemplo, você não está explorando, gastando horas explorando um lançamento.
05:34Você está realmente alimentando uma compulsão de jogar sem parar.
05:38E isso, acredito que isso não produz em área nenhuma da sua vida.
05:42Alexandre, para o nosso organismo, esse excesso de jogo,
05:45dessa quantidade de horas, igual ele relatou aqui, 12 horas, por exemplo, né?
05:49O que isso pode causar no nosso organismo?
05:52Esse consumo de jogo faz com que você comece a ter como uma alimentação.
05:58Começa a se tornar algo tóxico para o seu organismo.
06:01Começa a fazer mal para as suas funções.
06:04Às vezes, tem jogadores que estão em transtorno, em vício,
06:08que não comem, não se alimentam, não param nem para ir no banheiro,
06:12não fazem nem laço social com o olhar, não olham nem para o outro.
06:16Começa a ter prejuízos em várias áreas da própria saúde.
06:20Não se cuida, às vezes deixa de estudar, enfim.
06:24Então, isso vai fazendo mal para o organismo.
06:27Pode ter vários sinais e sintomas, como enxaqueca,
06:31você pode ter problemas até de prisão de ventre,
06:33você pode começar a sentir dores, não só dores da posição de estar jogando,
06:38mas dores mesmo porque você não respira bem.
06:41Dores porque você não está vivendo bem.
06:44Dores porque você não está ali curtindo a vida, senão absorvido pelo jogo.
06:48É que nem o cigarro, você consome ele, mas ele também te consome.
06:52Essa é a grande questão de um vício em jogo.
06:55Então, o seu corpo, ele também é consumido ali.
06:58Deixa eu voltar a falar com a doutora Letícia Mamere,
07:01que ela é psiquiatra e participa com a gente pela internet.
07:04Doutora, a pessoa pode vir a ter até mesmo uma crise de abstinência, então?
07:09Pode, pode ter crise de abstinência, ela pode ter sobrecarga das funções visuais dela.
07:17Então, a gente sabe o quanto que isso pode acarretar, que é exatamente o que o Joe falou.
07:24O jogador profissional, ele passa por um treinamento para isso.
07:28Eu acho que agora, talvez, o momento que as pessoas em casa devem estar se perguntando mais,
07:33é como que eu consigo ver essa diferença, a questão da dependência para a questão do jogador profissional.
07:41Até porque o dependente químico, assim como o dependente de jogos,
07:47eles tendem a minimizar o vício.
07:49Então, muito provavelmente, vai ser falado dentro de casa que aquilo ali não é o vício,
07:56que a pessoa está usando aquilo ali para outras coisas.
07:59Mas ela não reconhece a dependência dela naquilo, né?
08:03Então, a grande diferença é que o jogo, quando ele é um esporte,
08:09ele tem todas as questões de treinamento como os esportes têm.
08:13Então, não é simplesmente a pessoa falar que está fazendo aquilo como esporte.
08:20Ela tem equipes, ela tem regras para treinar, para aguentar esse período, né?
08:27Ele ficou 12 horas aí jogando, mas ele tem uma preparação física para isso.
08:33É igual, por exemplo, com o cirurgião, que às vezes fica 12 horas operando um cliente.
08:37Ele não vai fazer isso todo dia e ele está preparado para aquilo, né?
08:41Aí, nesses casos, todo o organismo dele está sendo monitorado para que ele não tenha lesão e danos.
08:49É diferente, gente, do caso de uma pessoa com a dependência em jogos, tá?
08:55Ela não vai ficar 12 horas jogando sem ter nenhuma repercussão, como um jogador profissional pode vir a ter.
09:02E eu acho que é importante a gente frisar que a gente tem um projeto de lei 190-2021,
09:09aqui do Espírito Santo, né?
09:11Que regulamenta os esportes eletrônicos, que são conhecidos como e-esportes.
09:16Então, são duas coisas, gente, muito diferentes.
09:19Aqui, a gente está falando do perigo da dependência em jogos.
09:26Se você gosta de jogar e você acha que você pode vir a ser um esportista disso,
09:34você precisa procurar os canais adequados.
09:37Agora, se você joga e não tem nenhuma disciplina em relação a isso,
09:45não tem nenhum trabalho envolvido nisso e está tendo prejuízo na sua vida,
09:51prejuízo das suas funções vitais, né?
09:54Do sono, alimentação, relacionamento com as outras pessoas,
09:59a pessoa muitas vezes perde o seu trabalho formal porque deixa de trabalhar para jogar,
10:04aí a gente tem um quadro de doença.
10:07Exatamente, nós não podemos generalizar, né?
10:10É importante identificar que muitas das vezes a pessoa tem dentro de casa um talento naquilo,
10:15como o Joe, que pode fazer daquilo a carreira, né?
10:18O grande negócio da vida dela.
10:20E olha só, a gente vai ver agora o relato muito forte da Simone.
10:25Ela tem um filho adolescente que passava horas jogando, né?
10:29Era um jogo ali virtual e tal, só que até que um dia, em determinado momento,
10:34ele passou por um grande susto.
10:36Olha só.
10:37E com 10 anos ele foi diagnosticado com epilepsia de ausência de memória.
10:44Às vezes ele não lembrava de onde que ele estava, ele perdia a memória em alguns momentos.
10:49E agora, recentemente, depois de 4 anos, fiz o tratamento com o neuro e tudo.
10:54Agora, recentemente, ele ficou muito tempo jogando um jogo de tiro, jogo de tiro.
11:01Esses jogos aí no celular, isso precarregou demais o cérebro dele.
11:06A adrenalina subiu demais, a ansiedade aflorou demais.
11:10E eu escutei um barulho aqui no quarto.
11:12Quando eu cheguei aqui, o meu filho estava caído no chão, babado, vomitado, desmaiado.
11:16Ele não lembra de nada, deu um galo enorme na cabeça, machucou o joelho dele,
11:21que até hoje ele sente dor.
11:23Isso foi em dezembro.
11:25E ele me confessou, depois que eu pesquisei com ele, de tudo,
11:30que ele estava jogando um joguinho e ele não lembra mais de nada.
11:34Então, eu levei no médico, o médico falou que já é segundo relatos de mães
11:39que chegam no pronto-socorro, no consultório, com essa queixa
11:43do filho perder a memória, desmaiar, devido aos jogos de tiro em celular.
11:50E ele já tinha passado do horário de desligar e eu não percebi
11:54e acabou que aconteceu isso tudo.
11:56E fico um alerta para as mães que deixam o filho jogando muito tempo
12:02para isso não acontecer mais, porque eu passei o maior susto e até ele também.
12:09Imagina o desespero dessa mãe.
12:11Simone, um beijo no seu coração, obrigada por você ter participado,
12:15contando um pouquinho da sua vida aqui para os nossos telespectadores
12:18no Fala Espírito Santo e fazendo esse alerta, né?
12:20Deixa eu voltar a falar então com a doutora Letícia Mamere,
12:23porque nesse caso do filho da Simone, ela contou, ela relatou logo no início,
12:29doutora Letícia, que ele tem epilepsia de memória, né?
12:32Dá uns apagões.
12:33Nesse caso, ou então até mesmo algumas outras doenças que a pessoa já tenha pré-existente,
12:40abre ainda mais um sinal de alerta?
12:44É, no caso, não foi o jogo que causou a epilepsia, tá, gente?
12:51O que pode acontecer é que o fato dele ficar muito tempo ali jogando,
12:57ou seja, não interagindo com uma pessoa, né?
13:00Ele tá interagindo com a máquina, talvez os sinais que ele tivesse com algum problema
13:06tardaram um pouco a chamar atenção, a aparecer.
13:10Talvez se ele ficasse mais tempo interagindo com pessoas,
13:14isso já teria sido pontuado, tá?
13:17Mas com certeza, quando a criança, né, o adolescente, o adulto, ele fica muito tempo na tela,
13:25ele vai ter algumas questões de conexão cerebral que podem ter alguma variação,
13:32alguma alteração, porque ele precisa ficar com uma atenção muito focada,
13:37muitas vezes ele fica exaurido, exausto, porque é muita energia direcionada para aquilo, né?
13:44E são jogos que a gente sabe que envolvem muita adrenalina.
13:48Ontem, por exemplo, eu tava conversando com alguns jovens que jogam,
13:52e eles falaram, Roberta, é uma adrenalina extrema, assim,
13:55tanto é que alguns jogos, me corrigi até se eu estiver errada,
13:58que eu pesquisei um pouco sobre esse assunto,
14:00vem até uma notificação logo no início, né, que tem uma carga de adrenalina,
14:05se a pessoa tiver, por exemplo, nesse caso, né,
14:09que a pessoa, o filho da Simone tem epilepsia de memória.
14:14Nesse caso, pessoas com epilepsia devem até mesmo evitar,
14:17tem alguns recados, assim, no início de alguns jogos, Joe?
14:20Sim, todo jogo que contém uma quantidade de efeitos gráficos que supera certo limiar,
14:27muita explosão, muita luz, muita coisa colorida na tela,
14:30ele costuma trazer, por pedido das empresas mesmo,
14:35um aviso informando sobre a possibilidade disso despertar casos de epilepsia,
14:41episódios epiléticos em jovens que já tenham essa pré-disponibilidade, vamos dizer assim.
14:49Agora, diferente do meu tempo, quando eu jogava videogame, o meu irmão também,
14:53quero aproveitar e mandar um beijo pro meu irmão,
14:55quando eu falo videogame, já lembro logo do meu maninho.
14:58Hoje em dia, não tem a história do pause, né?
15:00Quando você para o jogo, você tá deixando o seu time desfalcado, é mais ou menos isso?
15:04É, no ambiente de jogos online, principalmente jogos competitivos em equipe,
15:09o pause não é uma ferramenta mais.
15:11Não tem o game over, tipo assim, ah, passou de fase, acabou, morreu, morreu, não tem isso?
15:15Não, nesse ambiente de esporte eletrônico, não,
15:18porque seria como você pausar uma partida de futebol no meio, não faz sentido.
15:22Então, lembrando que isso é muito diferente do que...
15:27Isso é um ambiente profissional, onde a gente tem regras, rotina, tudo pré-determinado.
15:32A maioria das pessoas que jogam e vivem desses distúrbios, experimentam disso,
15:38elas jogam jogos que geralmente têm pausa.
15:40Uma ou outra pessoa realmente opta por jogos que não têm pausa.
15:44Isso não é uma realidade tão constante assim.
15:47Certo, mas se tratando então de um jogo que tem todo esse envolvimento diferente,
15:52vamos falar assim do nosso tempo, né, Alexandre?
15:54O que que isso também, esse excesso dessa carga de adrenalina,
15:58o que que isso pode fazer com aquela pessoa que fisicamente ela tá ali sentada?
16:02Ela não tá caindo, né, voando, sei lá o que que é que faz no jogo.
16:06Mas ela, o que que isso pode causar na pessoa?
16:09Era exatamente isso que eu tava pensando enquanto a gente tava conversando sobre essa questão do jogo
16:12e ser um ambiente virtual.
16:14Mas veja bem, o ambiente é virtual, mas a sensação é real.
16:18O ambiente é virtual, mas a sensação é real.
16:21O que o corpo sente diante do jogo é real.
16:24As células, a circulação, os olhos, etc, etc, o funcionamento do nosso cérebro, tudo é real.
16:33A gente tem aquela experiência, você vê com asas voando, seja como for,
16:37mas a sensação, ela não é falsa.
16:39Ela é tão real quanto você imagina, que é um jogo também de imaginação,
16:43que você tá com no ambiente virtual.
16:46Então, isso pode causar estresse, pode causar fadiga,
16:49e efeitos dessa fadiga também, pode levar o quê?
16:51O corpo em exaustão.
16:53Então, mesmo com o corpo em exaustão, porque a sensação é real,
16:57às vezes você continua jogando naquele ambiente virtual,
16:59mas com essa experiência real,
17:01quem é que vai pagar a conta?
17:03O corpo, as suas relações sociais, enfim, o seu sono, o comprometimento no trabalho, nos estudos.
17:10Então, tudo isso pode causar danos no corpo, sim.
17:14E a gente tem que estar atento a isso, para que o jogo seja o quê?
17:17Algo que traga ali mais descontração e uma superação do que um adoecimento, né?
17:23Olha só, tem uma pergunta aqui no nosso Facebook, do Zé Elias, ele fala,
17:27eu durmo assistindo filmes e passo a fazer parte do filme sonho,
17:32ou seja, o filme vai para o sonho dele.
17:34Ele quer saber se isso é normal, Alexandre.
17:36É a mesma relação, parecida com o que a gente tá falando aqui do vice videogame?
17:40Quando a gente sonha, a gente sempre usa fragmentos do dia anterior para construir o sonho.
17:45Freud chama de resto diurno,
17:46Então, você usa algo para continuar aquilo que você estava vivendo,
17:50para que você realize algo a partir do sono, por meio do sonho,
17:55protegendo que você continue dormindo,
17:57mesmo que você tenha assistido um filme há pouco tempo.
17:59Então, se você não acorda, o filme não te tira o sono.
18:02Mas aí já seria um outro mecanismo, não necessariamente tem a ver com os jogos.
18:07A única semelhança, talvez, é que o sonho também é virtual, com sensação real.
18:12Verdade.
18:12Deixa eu voltar a falar com a doutora Letícia Maméria,
18:14e ela participa aqui com a gente pela internet.
18:16Tem uma dúvida.
18:18A Mônica Rocha Neves, ela quer saber o seguinte, doutora,
18:21quem tem autismo leve, TDAH, prejudica?
18:26Sim, o autismo e TDAH são duas coisas diferentes, né?
18:32O TDAH prejudica muito,
18:35porque você já tem uma pessoa, normalmente vamos falar aqui de criança, né?
18:41Você já tem uma criança que já tem um temperamento, algumas vezes, um pouco mais hostil,
18:47um pouco mais difícil,
18:49e aí você ainda deixa essa criança ficar isolada,
18:53porque ela só vai se relacionar com virtual,
18:57com menos relacionamento presencial,
19:00jogos, muitas vezes, violentos.
19:03E aquilo que você estava falando, né?
19:06A questão da sobrecarga do estresse devido aos jogos, né?
19:15Toda vez que você tem uma sobrecarga de adrenalina,
19:18uma sobrecarga de estresse,
19:20você vai ter uma liberação excessiva de cortisol.
19:23E a gente sabe que o cortisol, ele pode ter repercussões várias no nosso corpo.
19:32Inclusive, baixando a imunidade.
19:35Pode piorar a agressividade, piorar o estresse, piorar a memória,
19:39piorar o foco, ele foca no jogo, mas ele não consegue focar direito na escola.
19:44Então, sim, pode prejudicar essas crianças.
19:47Tá certo, doutora.
19:48Muito obrigada pela sua participação.
19:50É um assunto muito importante para os pais que estão agora acompanhando aqui
19:54o Fala Espírito Santo.
19:55Afinal de contas, a gente vive numa geração, né?
19:58Que tudo é um mundo virtual, não é verdade, gente?
20:01Tudo que a gente faz hoje é no celular.
20:04Não dá para a gente demonizar tantas redes sociais, os jogos.
20:09A gente tem que saber utilizar na dose certa.
20:13Tudo é equilíbrio.
20:14Obrigada pela participação de vocês também, viu?
20:17Alexandre, Joe.
20:18Então, que a gente tenha levado uma mensagem positiva para o pessoal de casa.
20:21Até aqui, um exemplo, né?
20:22De equilíbrio.
20:22Obrigada.
20:22Obrigada.
20:22Obrigada.
20:23Obrigada.
20:23Obrigada.