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Espírito Santo registrou em 2020 mais de 1.700 acidentes de trabalho.

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00:00Como já contei para vocês aí no início do nosso programa, hoje é o Dia Nacional de Prevenção ao Acidente
00:07do Trabalho.
00:08Gente, aqui no Espírito Santo, os dados são preocupantes, tá?
00:13Segundo dados do ESUS, divulgados pelo governo do Estado, no ano passado, foram registrados 1.711 casos de acidentes de
00:23trabalho, 53 mortes.
00:26E esses números são de trabalhadores formais e informais.
00:31Os trabalhadores da agricultura e os pedreiros são as principais vítimas, segundo esse levantamento.
00:37Os acidentes de trabalho trazem prejuízos enormes.
00:41Já parou para pensar nisso?
00:42Prejuízos financeiros para as empresas, prejuízos econômicos, emocionais para os próprios trabalhadores e suas famílias.
00:49E o mais importante, são acidentes que poderiam ser evitados.
00:54Então, bora falar sobre isso?
00:56Aqui no estúdio, eu recebo o advogado, doutor Vinícius Diniz.
01:00Obrigada pela sua participação aqui com a gente.
01:03Uma boa tarde, doutor.
01:04Boa tarde, Roberto.
01:04Eu que agradeço mais uma vez.
01:06Vamos lá.
01:07Falando, se tratando de acidentes de trabalho, você que lida diariamente com essas questões, quais são os mais comuns, doutor?
01:17Então, Roberto, o mais comum é o acidente por queda, né?
01:20Queda em altura, esse é o mais comum, seguido de acidentes por choques contra equipamentos.
01:29E a gente também tem um que é curioso, que é o acidente de trajeto, que também é um acidente
01:34de trabalho,
01:35porque muitas das vezes os empregados usam motocicletas, bicicletas para irem ao trabalho.
01:45E aí acontece, né?
01:47Nesse trajeto.
01:48O senhor tocou num ponto muito importante.
01:49Então, a partir do momento que a pessoa sai de casa para ir trabalhar, com essa intenção, né?
01:56Com o intuito de ir para o trabalho, isso já é considerado, se acontecer um acidente, já é considerado, então,
02:01um acidente do trabalho?
02:02Isso, perfeito.
02:04O trajeto casa-trabalho e trabalho-casa é considerado, se houver um acidente, é considerado um acidente de trabalho, sim.
02:12E a empresa tem a obrigação de emitir a CATE, enfim.
02:15E quais são, qual é a importância da empresa criar um ambiente favorável para o funcionário, um ambiente seguro, de
02:24bem-estar?
02:25Porque tudo isso, como a gente já contou aqui no início da entrevista, isso reflete de diversas formas,
02:31tanto para a empresa, quanto para a família do trabalhador.
02:34Sim, a empresa, quando ela tem culpa num acidente, ela tem uma responsabilidade financeira muito grande, né?
02:40Não só a ação indenizatória que o empregado pode ajuizar, mas também uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público,
02:48uma indenização coletiva, por dano moral coletivo, além ainda de uma ação regressiva que o INSS pode ingressar,
02:56cobrando aqueles valores que o acidentado recebeu de benefício previdenciário.
03:01Então, para a empresa, é muito mais barato que ela crie esse ambiente saudável e evite, diminua seu risco de
03:10eventual acidente de trabalho.
03:12Então, a empresa, ela tem a obrigação de oferecer esse ambiente saudável.
03:18Sim, além de ser uma vantagem para a empresa, para correr menos riscos financeiros, é obrigação legal dela criar esse
03:26ambiente saudável para os empregados.
03:29Agora, também tem a outra parte, né? Do colaborador, do funcionário, ele também tem as obrigações dele, né?
03:37Também tem que cumprir com os deveres.
03:39Claro, claro. A empresa, ela tem a obrigação de criar esse ambiente, né?
03:43De estabelecer regras, regras que visem a segurança do empregado, fornecer equipamentos de segurança.
03:51E o empregado, ele deve respeitar essas regras, usar os equipamentos, participar dos treinamentos, participar de exames periódicos.
04:00Então, também tem a obrigação do empregado.
04:03Agora, a gente vê diversas empresas fazendo ações, né?
04:09Estimulando o uso correto dos equipamentos, fazendo treinamentos, como o senhor disse.
04:14A gente também vê diversos profissionais seguindo a risca, utilizando os EPIs, por exemplo, né?
04:22E por que que, ainda assim, os números que a gente trouxe para cá ainda são números que chamam a
04:27atenção?
04:28Onde, o que está faltando nessa relação?
04:31É até difícil a gente concluir, né? O que está faltando, né?
04:35Mas a gente, quando a gente olha no mercado, de modo geral, a gente vê médias e grandes empresas observando
04:44as regras.
04:45Mas o pequeno, às vezes, ele não observa, né?
04:48Às vezes, aquele pedreiro vai fazer uma obra, aquele profissional autônomo, e não cuida da sua segurança, sofre quedas.
04:58Então, não é só no ambiente de médias e grandes empresas.
05:01Esses ambientes são controlados, mas sim nas empresas pequenas, profissionais liberais, autônomos.
05:10Esses estão mais suscetíveis ao risco, né? No meu modo de ver.
05:14Inclusive, já já a gente vai citar aqui, a gente vai mostrar vários casos.
05:18Exatamente, a gente vai tirar dúvidas, né? De situações de pedreiro, né?
05:22Que são pessoas autônomas.
05:23De quem que é a responsabilidade? Você aí de casa contratou um pedreiro, está fazendo uma obra, uma pintura?
05:28Já já a gente vai tirar essa dúvida.
05:30Mas olha só, este ano, gente, infelizmente, vários acidentes de trabalho com mortes foram registrados aqui no Espírito Santo.
05:39Vamos dar uma olhada? Olha aí.
05:41No dia 30 de junho, o encarregado de 35 anos estava dentro de um container quando foi esmagado por uma
05:48das placas de granito.
05:49O corpo de bombeiros precisou ir ao local para abrir o container de forma que outras placas de granito não
05:55caíssem.
05:55Na época, a empresa disse que lamentava o acidente e que prestou todo o apoio à família do funcionário.
06:02Garantiu que estava em dia com as normas de saúde e segurança do trabalhador e as causas do acidente serão
06:08investigadas.
06:09No dia 24 de junho, um homem morreu em um acidente de trabalho no interior de um navio que estava
06:14no Porto de Vitória.
06:15A Polícia Federal atendeu a ocorrência e informou que a vítima era um funcionário do serviço de manutenção da embarcação.
06:22O homem morreu depois de cair de uma altura de 17 metros.
06:28O inquérito foi instaurado para apurar as causas e responsabilidades do acidente.
06:32Em março deste ano, o pedreiro Edinaldo de Almeida, de 36 anos, morreu ao cair do terceiro andar de um
06:39prédio em construção no bairro Alvorada, em Vila Velha.
06:42O homem despencou de uma altura de aproximadamente 15 metros de altura.
06:48Bom, a gente vê esses casos aí, realmente chama atenção, porque a gente está falando dos cuidados com a nossa
06:53própria vida, né?
06:55O que pode acontecer, infelizmente, uma fatalidade no trabalho.
06:59Mas, doutor, vamos lá, uma dúvida que muitas pessoas têm.
07:02Toda empresa, ela é responsável pela vida do funcionário?
07:08Todo acidente é de responsabilidade da empresa?
07:11Toda empresa, ela tem responsabilidade pelo seu funcionário, né?
07:15Mas nem todo acidente é de responsabilidade da empresa, porque pode acontecer que o empregado descumpra as regras, né?
07:24E se coloque naquela condição, sendo responsável o causador do próprio acidente.
07:30E aí não há responsabilidade civil que alcance a empresa nesse caso, que é um caso de culpa exclusiva da
07:38vítima, né?
07:38Que a gente trata no direito.
07:39E aí, nesse caso, a pessoa não tem direito a nenhum tipo de indenização?
07:45Isso.
07:50O benefício da Previdência Social, ele receberá, sem problema algum.
07:54Agora, indenizações, responsabilidade civil, ele não terá direito, porque ele deu causa ao acidente, né?
08:02Certo. E olha só, gente, agora nós vamos bater um papo pela internet com o senhor Osvaldino.
08:08E ele conhece bem as consequências de um acidente de trabalho.
08:11Olha o que aconteceu com o senhor Osvaldino. Ele caiu do terceiro andar de uma obra e daí pra frente
08:16foi só problema.
08:18Então, vamos conversar aqui com ele.
08:19Boa tarde, senhor Osvaldino.
08:22Oi, boa tarde.
08:23Tá te ouvindo bem? Boa tarde.
08:24Tô ouvindo.
08:25Tô ouvindo.
08:26Conta pra gente como é que foi que tudo aconteceu.
08:29O que o senhor estava fazendo? O senhor trabalha com o quê nesse dia?
08:32Como é que foi? Conta pra gente.
08:35Sim, aí a gente ia pegar uma fachada de um prédio pra ampliar, né?
08:42E aí a gente fez um pedra aqui na Andame Sacato, fora do prédio, as escoras verdes, os pregos voltaram
08:54e o Andame desabou.
08:56Aí eu desabei junto com ele e eu bati embaixo do terceiro andar e quebrei os dois calcanhais e eu
09:04fiquei enxerçado por seis meses.
09:07E aí ficou sequela, assim, na época o médio fez os procedimentos certinhos, mas só que sarou, mas hoje quando
09:14eu vou subir na escada,
09:15quando eu vou executar algum trabalho e ficar muito sempre em pé, dói.
09:19Eu não pôr de ônibus, com 20 minutos o seu calcanhais dói, deixa muito agoniado e de certa forma está
09:25atrapalhando, está tendo dificuldade dessa época pra cá.
09:31E conta pra gente em relação ao atendimento, o que que o senhor, como é que foi que o senhor
09:37se comportou,
09:38como é que a empresa também se comportou em relação ao senhor na época?
09:45O engenheiro, que era o empreiteiro do serviço, ele não estava presente, mas o dono do prédio me levou no
09:57carro dele na hora do acidente lá,
09:59me levou até a Crimes acidentado, que ainda era em Vila Rubim antes.
10:04E aí, como ele também já era um, ele já era médico também, ele pediu o médico da área e
10:10cuidou certinho, o procedimento foi correto.
10:13Mas, com o tempo, veio a sequela, porque talvez essas coisas com o tempo venham a sequela mesmo, deixa problema
10:20mesmo.
10:21O senhor ficou seis meses parado?
10:25Aí eu fiquei mais, seis meses engessado, parado fiquei, anos, até que ele mesmo, o engenheiro mesmo, que era dono
10:33do trabalho,
10:34ele veio, que eu sarei, ele veio ver como eu estava, estava bom, e me contratou de novo.
10:39Aí eu fui pra Guarapari trabalhar com ele lá, já não fui de pedreiro, mas fui de pintor.
10:44E lá, no final do serviço lá, pouco período de serviço lá, ele pegou e me deu um dinheiro lá,
10:53recompensando sempre que eu fui parado.
10:54Não que ele chegou a recompensar, mas ele fez uma parte boa, ele fez a parte dele, sim.
10:59O senhor tinha carteira assinada?
11:01Ah, não tinha, ele não assinou.
11:05Não assinou?
11:06Era pra ele assinar na época, né? Carteira dava baixa, era pra ele assinar, não assinou.
11:10Só isso.
11:13Oswaldino, eu vou tirar uma dúvida aqui com o advogado, o doutor Vinícius está aqui no estúdio com a gente,
11:19no Fala Espírito Santo,
11:20quais são os riscos que esse patrão, né, vamos dizer assim, correu diante de um acidente de trabalho
11:29que a carteira do colaborador, do funcionário, não estava assinada.
11:32Agora também vamos lembrar da função, né?
11:36O senhor Oswaldino, o trabalho era por empreitada, como que funcionou?
11:43É, era um contrato, sim, de empreitada.
11:46Era empreitada.
11:47Era um contrato de empreitada.
11:48Ele pegou a minha carteira assinada porque, devidamente o acidente que ocorreu,
11:52ele pediu a minha carteira pra assinar, pra ter entrado no INSS, pra receber benefício,
11:58mas ele não assinou, não sei qual motivo.
12:00Não sei se ele estava irregular ou não, mas não explicou, né?
12:02Ele deixou o tempo correr.
12:05E no tempo correr ele veio me ver também, veio na minha casa visitar e me encontrou bom.
12:10Já foi durante um ano já.
12:13É, dá pra ver, sim, que ele se preocupou com a sua saúde, né, mas ele correu riscos, doutor?
12:19Sim, sim, Roberta.
12:21Se o senhor Oswaldino, ele tivesse com a carteira assinada, ele talvez estaria recebendo um benefício previdenciário até hoje, né?
12:29Porque ele alega que sofre dores, que não consegue ficar em pé por mais de 20 minutos.
12:34Então, pode ser que ele tenha perdido uma capacidade, parte da sua capacidade de trabalho, né?
12:39Se ele tivesse com a carteira assinada, possivelmente ele poderia estar recebendo um benefício previdenciário.
12:46E isso aconteceu aproximadamente há 10 anos, não foi isso, senhor Oswaldino?
12:51Falei 10, é de uns 15, 20 anos pra ele.
12:5415, 20 anos.
12:55Tá, como que está a sua saúde hoje?
13:03Oswaldino, vou repetir a pergunta que a gente observou em um barulho de motocicleta.
13:07Fala pra gente, como é que está a sua saúde hoje?
13:10Isso diminuiu a sua produtividade, a sua agilidade no trabalho?
13:13O senhor que trabalha aí por empreitada, te prejudicou?
13:16Trouxe esses reflexos até hoje?
13:22Não, não trouxe, sabe, porque eu não me entrego, né?
13:26Mas tem vezes que a gente força contra a própria força da gente.
13:30Só que, assim, não, de prosperidade não caiu, não, não tem.
13:33É, toquei, eu toquei a vida pra frente, com inteligência, sabendo a diminuição.
13:40E que fui em frente, não tô mal, não.
13:43Graças a Deus, tô bem.
13:44Não posso falar que tô mal, porque não tô.
13:47Tô bem, é só mesmo esse pobreminho que dá quando o calcanhar começa a doer e tal.
13:54E hoje eu já tô com 64 anos e 75, eu já tenho meu NSS pago certinho e creio que
14:04vou me aposentar, se Deus quiser.
14:07E já tô, assim, já na...
14:09Com essas atividades que eu faço, que é pesado, que é...
14:14Tá certo, senhor Zodino, obrigada.
14:16Já tá evitando isso, já eministei uns 50%.
14:18Tá certo, a gente agradece a participação do senhor aqui no Fala Espírito Santo.
14:23Tá jóia?
14:24Que bom que o senhor hoje tá bem, tá continuando, continuou com o seu trabalho.
14:28Obrigada, viu?
14:29Doutor, a gente tem outras participações aqui com a gente também no Facebook.
14:33A gente já até tocou nesse assunto aqui sobre o percurso, mas a Sônia Diniz Santana quer saber.
14:38E acidente de percurso, como é visto pelo patrão?
14:41Ele é obrigado a pagar?
14:45Bom, é...
14:46Idenização, em regra, não.
14:48Porque não houve culpa, né?
14:50Não agiu com culpa o patrão.
14:52O acidente foi ocasionado por outros fatores, não por culpa do empregador.
14:56Então, não há idenização.
14:58Idenização por dano moral, dano material.
15:00Mas tem que emitir a CATE.
15:03Se ele ficar afastado por mais de 15 dias, vai ser encostado pelo NSS,
15:06receber um benefício previdenciário.
15:09Olha, tem mais dúvidas aqui.
15:11A Renatinha e a Alexandre, que sempre também participam com a gente aqui no programa,
15:16ela pergunta, e quando o empregado tem quase 3 anos na empresa e está em tratamento de problema na coluna
15:23e é dispensado, o que fazer?
15:26Então, antes de dispensar o empregado, o empregador tem que pedir para ele passar por um médico,
15:32o médico do trabalho, que vai atestar a capacidade laboral do empregado.
15:38Se ele estiver capacitado, ele pode ser dispensado.
15:41No caso dela, como ela alega, da pessoa alega que está com problemas de coluna,
15:48ele não poderia ter sido dispensado, porque ele foi dispensado incapacitado.
15:54Então, deveria ter mantido o contrato e encostado pelo NSS, afastado, né?
16:00Por auxílio-doença comum, provavelmente, porque não deve ter relação com o trabalho.
16:04Também tem a dúvida do Robson e Sônia.
16:07E se a pessoa tiver o MEI, microempreendedor individual, mas presta o serviço, o que acontece?
16:14Bom, o MEI, ele não é empregado.
16:17Não é.
16:18Então, afasta essa questão de relação com o empregador.
16:23O risco é dele.
16:25Bom, a gente comentou que eu ia falar de uma situação muito comum.
16:30Às vezes, a gente está reformando a nossa casa, uma pintura, estão fazendo um quartinho a mais ali no fundo,
16:36né?
16:36E aí a gente contrata o serviço de uma mão de obra, de um pedreiro, de um pintor.
16:41A partir de que momento existe algum vínculo?
16:45Eu sou o responsável por aquele profissional que está ali me prestando esse serviço.
16:51Em que momento que cria-se um vínculo?
16:54Bom, vínculo de emprego devem estar presentes os requisitos, né?
16:59Que é subordinação, pessoa física, habitualidade, enfim, os requisitos presentes ao vínculo.
17:12O que a gente sugere?
17:14Vai contratar, vai fazer uma obra?
17:16Contrata uma empresa, faz um contrato de empreitada, para que não tenha risco de gerar o vínculo empregatístico.
17:22Essa obra pode durar uma semana ou então até...
17:26Existe um limite de tempo, olha, até seis meses ou então até um ano, dá para fazer?
17:31Um contrato por prazo determinado não teria problema algum, por tempo certo de um ano, não teria problema algum e
17:39não existiria vínculo empregatístico.
17:41Certo.
17:44A Renatinho e o Alexandre estão aqui pedindo ajuda no caso deles, olha.
17:47Estão falando que os patrões deles sabiam e começou o tratamento trabalhando nessa empresa.
17:52Então, que é o caso, deixa eu voltar aqui no caso da Renatinha e o Alexandre, que são as pessoas
17:56que estão com problema na coluna.
17:58Então, quando foi contratado, sabia isso?
18:00Então, Renatinha, manda aqui para a gente mais detalhes aqui do seu caso.
18:05Sabiam?
18:05Ela relatou o problema na coluna, começou o tratamento trabalhando na empresa.
18:10E os patrões estavam cientes desse problema na coluna.
18:14É, então, pelo que ela vem falando aí, a dispensa dela foi ilegal, né?
18:21Parece que quando dá dispensa ela estava incapacitada, com problemas na coluna.
18:25Agora, começou a ter problema na empresa, não necessariamente tem relação com o trabalho,
18:33porque pode ser uma doença de cunho degenerativo, sem qualquer nexo com atividade.
18:39Mas, quando dá dispensa, o funcionário tem que estar plenamente capaz, para poder ser considerada legal a dispensa.
18:46Certo. E olha só, gente, o filho do seu Luiz sofreu um acidente de trabalho.
18:51Ele vai contar para a gente agora como tudo aconteceu. Olha aí.
18:55Meu filho foi vítima de um acidente há dois anos, dois anos e pouquinho.
19:01Assim, dia 11 de março de 2019, ele sofreu um acidente na empresa.
19:07O encarregado mandou ele empurrar uma máquina com o pé e a máquina disparou,
19:13onde levou ele a cair dentro da máquina.
19:16Ele perdeu metade do pé esquerdo, perdeu a perna direita, abaixo do joelho.
19:21Até hoje, só fica a consequência.
19:26Teve vários problemas de saúde ocasionados por causa disso.
19:31Ele não consegue se locomover direito, tem obesidade, teve muitos, muitos problemas ocasionados por causa desse acidente.
19:40A empresa não se manifesta, não tem interesse nenhum em resolver o problema, em cuidar, em arcar com a responsabilidade
19:50que lhe é devida.
19:51Nem se importa.
19:53E a nossa justiça, ela é muito morosa.
19:58E hoje em dia do acidente de trabalho, eu gostaria de fazer esse alerta, para que tome cuidado.
20:06A gente precisa trabalhar, todos nós necessitamos trabalhar.
20:09O trabalho é um dom de Deus para o ser humano, mas tem que ter cuidado.
20:15Os acidentes são graves.
20:18Assim como o filho do seu Luiz ainda aguarda ajuda, eu recebi aqui um outro caso também no Facebook, doutor,
20:24do Ederson Freitas.
20:25Ele fala que sofreu um acidente de máquina há três meses e ele recebia por quinzena.
20:30E aí o patrão pagou a metade do que recebia na quinzena durante só 45 dias.
20:36Ou seja, três pagamentos.
20:37Ele ainda faz fisioterapia há cinco dias, entrou em contato com ele e ele não me responde.
20:44Quando a empresa não se posiciona em relação ao funcionário, em relação a tudo que aconteceu,
20:50o que o funcionário deve fazer e procurar ajuda de quem?
20:53Sem dúvida, deve buscar um advogado e tentar, junto à empresa, acertar essa pendência aí.
21:01Se não tiver, não conseguir resolver isso na conversa, é buscar o judiciário mesmo, ingressar com uma ação para poder
21:11ter seus direitos.
21:13Agora, quando a gente fala de acidente no trabalho, não é só queda, não é só corte.
21:18Existem também as doenças psíquicas.
21:20Quais são as que o INSS reconhece?
21:25Isso.
21:26Equiparado a acidente de trabalho são as doenças ocupacionais.
21:30Que justamente esse problema de coluna pode ser uma doença ocupacional, a LER é uma doença ocupacional,
21:38doenças mentais são doenças, dependendo se houver nexo causal com o trabalho, são doenças ocupacionais.
21:48E se equipar a acidente de trabalho, tem os mesmos direitos.
21:52Agora, a gente está vivendo um momento muito delicado na pandemia,
21:56que o funcionário, muitas das vezes, inclusive, a gente até falou isso aqui,
22:00que um dos grandes motivos de afastamento das pessoas do trabalho
22:05provavelmente vão ser as doenças, como depressão, transtorno de ansiedade, por aí vai.
22:11A partir de que momento que isso é identificado, que isso se enquadra,
22:15se classifica como um acidente de trabalho.
22:20Isso.
22:21É difícil.
22:22É difícil porque você tem que conseguir associar aquela doença com o trabalho,
22:30que é o nexo causal, para ser um acidente de trabalho equiparado, a doença ocupacional.
22:36Caso não consiga ter o nexo, é uma doença comum e consegue o afastamento pela INSS.
22:42E esse nexo que vai ser muito subjetivo, porque muitas das vezes,
22:48muitos profissionais podem, nem eles identificam por que estão com depressão.
22:53Às vezes, está claro que a pessoa está passando por uma separação, um exemplo, em casa.
22:58Mas muitas das vezes, o profissional também não identifica.
23:01E aí?
23:02Como que leva esse assunto até a direção?
23:06É difícil.
23:07É muito subjetivo mesmo.
23:08E aí, um técnico, uma pessoa que seja técnica no assunto, um médico, um psiquiatra,
23:15ele consegue, às vezes, pegar e identificar se tem ou não nexo,
23:22se aquele problema é ocasionado em razão do trabalho.
23:26Certo.
23:27E temos mais aqui participações no Facebook.
23:29Olha, gente, está bombando.
23:30Calma aí que eu vou tentar atender aqui vocês.
23:31A Helena de Jesus quer saber.
23:34E quando há um desvio de função e aí o funcionário sofre um acidente, complica?
23:40Para a empresa, sem dúvida, né?
23:42Não está fazendo a atividade para a qual ele foi contratado.
23:46E, provavelmente, o acidente foi por culpa do empregador.
23:52E aí, nesse caso, a empresa...
23:54Responde por danos morais, danos materiais.
23:58Olha, a Tati Soares quer saber, e quando a pessoa está no período de experiência na
24:02empresa, se ela pode ser dispensada?
24:05Pois, quando descobriu uma enfermidade, a empresa me dispensou.
24:08E aí, depois, ela operou a enfermidade.
24:12O contrato de experiência é um contrato a prazo determinado, né?
24:17Não tem problema algum.
24:19Na verdade, não pode ser dispensado, se estiver incapacitado.
24:23Funciona da mesma forma que o contrato a prazo indeterminado, mesmo sendo um contrato de
24:29experiência.
24:30Se estiver incapacitado, você está doente, doente, gripado, você pode ser dispensado.
24:37Agora, você está incapacitado, você não pode ser dispensado.
24:42Tem a diferença de capacidade para o trabalho e uma doença comum que não afete sua capacidade.
24:49Você está de atestado, retornando do atestado, você pode ser dispensado.
24:52A Sônia Gomes está contando também a história dela, gente.
24:55Olha, ela fala que sofreu um acidente de percurso.
24:58Hoje, ela descobriu um seguro de vida, onde fala sobre o acidente e ela vai ficar parada
25:04por seis meses.
25:05Ela quer saber se ela tem direito a esse seguro.
25:09Ela teria que mandar mais especificações aí para a gente trabalhar aqui ao vivo.
25:13Fala para a gente que seguro é esse, ô Sônia, né?
25:17Que se a gente tiver tempo aqui, eu te ajudo, senão a gente repassa depois por telefone com
25:24o doutor.
25:25A Iara, ela fala que ela sofreu um acidente saindo da empresa e quanto tempo a empresa
25:30tem que dar estabilidade para ela?
25:32Já tem dois anos que ela está encostada.
25:36Quando ela retornar, ela tem um ano de estabilidade.
25:39Um ano.
25:39Isso.
25:39Ela não pode ser demitida.
25:41Não pode ser dispensada.
25:42Certo.
25:43Doutor, muito obrigada pela sua participação.
25:45A gente está vendo aqui que é um assunto que rende, né?
25:47Todo mundo está aí sujeito.
25:50Então, o que a gente pode fazer?
25:52A melhor forma é prevenir.
25:55Isso parte desde as empresas, seja ela pequena, média ou grande, e principalmente as atitudes
26:01também dos funcionários.
26:03Então, cada um fazendo a sua parte, seus deveres e suas obrigações, né, doutor?
26:07Perfeito, Roberto.
26:08Certo, eu agradeço mais uma vez aí a oportunidade.
26:10Tá certo, obrigada.
26:11Volte sempre, viu?
26:12Obrigado.

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