- há 8 horas
Marido de Luisa Mel autorizou cirurgia na apresentadora sem ela saber.
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NotíciasTranscrição
00:00A apresentadora Luisa Mel fez um desabafo nas redes sociais sobre o relacionamento que vivia com o ex-marido, o
00:08empresário Gilberto Zaborowski.
00:12Nas redes sociais, gente, a vida de luxo da apresentadora, a gente olhava aí as fotos, parecia até perfeita, né?
00:18Olha aí, a gente olha assim, parece ter um casal bonito, mas não era não, tá?
00:22Olha, gente, a Luisa Mel chegou a pesar 47 quilos, ela viveu uma situação extrema de abuso na relação.
00:29Ela passou por uma cirurgia estética, sem o consentimento dela.
00:34Não, não, você não entendeu errado.
00:36A apresentadora teria ido a uma clínica fazer um procedimento minimamente invasivo, mas após a sedação, assim que ela acordou,
00:45ela descobriu, gente, que havia sido submetida a uma lipospiração nas axilas, sabe?
00:51Aquela gordurinha que fica aqui perto do peito, aqui nas axilas, que geralmente, de fato, nós mulheres, a gente não
00:58gosta,
00:58mas ela não queria lipar ali.
01:00Quando questionado, o médico explicou que o então marido autorizou o procedimento e que ele disse que ele se incomodava
01:10com a gordura
01:10que a apresentadora tinha debaixo do braço.
01:14Olha, isso é revoltante, né?
01:16A mulher é dona do seu corpo, é ela, é você, mulher, que deve decidir se precisa ou não passar
01:24por um procedimento estético.
01:25Qual roupa você quer usar, se quer usar maquiagem ou não, cortar cabelo ou não, pintar, enfim.
01:31Essas são decisões que cabem a você e não a uma outra pessoa.
01:36Bora bater um papo sobre isso?
01:38Se, de fato, isso já é um sinal, se você vive um relacionamento abusivo, vamos entender juntas?
01:45Aqui com a gente a psicóloga Galileia Simões.
01:48Obrigada pela sua participação.
01:50Boa tarde, tudo bem?
01:51Boa tarde, Galileia, você como mulher, ouvindo uma notícia dessa, ainda não estou nem perguntando como psicóloga, como mulher, qual
02:01o sentimento que isso te causa?
02:04Absoluta revolta.
02:07Revolta por saber que ela é mais uma, né?
02:12Porque ela foi nas redes sociais agora, né?
02:17Eu não sei quanto tempo que durou o casamento, mas imagina todo esse tempo que ela esteve com essa pessoa,
02:23sofrendo violência psicológica, né?
02:26Sem conseguir dar um grito de socorro.
02:29E como ela, temos tantas outras que também são submetidas a esses homens que se julgam no direito, né?
02:40De mandarem suas vidas, de decidir por elas.
02:44Agora, o que a gente, o que mais chama atenção é que muitas mulheres que vivem esse relacionamento, no início,
02:53elas acreditam que aquilo faz parte até de um romance, né?
02:57Ah, não, ele está com ciúmes.
02:58Ah, não, ele está cuidando de mim.
02:59Estou bonitinho esse ciúme.
03:01Por que que as mulheres, por que que a gente demora tanto assim a enxergar que isso é um relacionamento
03:07tóxico?
03:08Porque muitas vezes, Roberta, nós buscamos no outro o que nós não temos, né?
03:14Muitas vezes, nós buscamos um cuidado, um carinho que nós precisamos ter conosco, né?
03:22Eu comigo mesma.
03:24E se uma outra pessoa me oferecer esse carinho, eu aceito.
03:30Mesmo que ele venha com tapa, mesmo que ele venha com renúncias, mesmo que ele venha com uma série de
03:36coisas ruins,
03:38mas, como eu não consigo suprir essa falta, qualquer coisa que eu receba do outro é muito bem-vinda.
03:46E aí eu vejo, né?
03:49Ah, mas é tão bonitinho esse ciúme que ele tem, né?
03:52Um carinho que ele tem comigo.
03:53Porque no início é isso que a gente sente.
03:56Olha, gente, você, telespectador do Fala Espírito Santo,
03:59inclusive, quando a Galiléia já esteve aqui no Fala Espírito Santo de uma outra vez,
04:04eu contei isso e vou contar de novo.
04:07Eu já vivi um relacionamento tóxico, eu já passei por um relacionamento abusivo
04:11e no início a gente acha realmente que é a forma dele amar a gente.
04:18Mas aí com o tempo você começa, as amigas começam a perceber,
04:24começa a te contar, a falar assim, olha, você está estranha, você não é assim, ele não pode fazer assim,
04:29não permita que ele faça desse jeito com você.
04:32E muitas das vezes a gente toma raiva até da amiga que vem falar isso com a gente.
04:36Sim, claro.
04:37Porque quem está certo é aquela pessoa que supre o que você não tem, né?
04:43O seu carinho, o seu ombro que ele te dá, né?
04:47E aí quando sua amiga vem tirar de você aquilo que é tudo,
04:52eu já ouvi no consultório, por exemplo, mulheres em relações tóxicas,
04:56que quando descrevem o seu parceiro falam,
04:59mas ele é tudo para mim, doutora.
05:01Ele é tudo para mim.
05:03Então você imagina, esse homem é tudo para mim e você vem falar mal dele,
05:10a sua fala não faz sentido nenhuma, porque eu vou perder o meu tudo.
05:15E olha só, quem também participa com a gente desse bate-papo, gente, é a Mila Costa.
05:19A gente tem algo em comum, né, Mila?
05:22Ela é professora e viveu também um relacionamento abusivo,
05:25onde o parceiro queria decidir até as roupas que ela vestia.
05:30Isso mesmo, Mila?
05:31Boa tarde.
05:33Boa tarde, Roberta.
05:34Boa tarde, Galileia.
05:37Sim, Roberta.
05:38Eu queria falar um pouco da sutileza dessa violência, né?
05:42A Galileia mencionou a violência emocional, psicológica, né?
05:47Que vem muito antes da violência física, de modo geral.
05:51Então, vesti uma camiseta do Mickey, que eu amo.
05:54Tem a minha garrafinha aqui, a do Mickey, ó.
05:57E a pessoa fala assim, você não vai sair comigo com essa roupa?
05:59Aí eu falava assim, vou sim, eu já conseguia me impor em alguns pontos.
06:03Vou sim.
06:04Uma suéter de listras horizontais, que dizem que nos engordam, né?
06:09Quem engorda é a gente, né?
06:11A roupa não engorda.
06:12Então, ah, essa suéter não te favorece?
06:15Por que você vai usar ela?
06:16Por que você insiste em usar ela?
06:18Bem, porque eu gosto.
06:19Mas nas sutilezas vinham coisas do tipo,
06:22eu estava deixando meu cabelo crescer,
06:23usei meu cabelo curto durante muitos anos.
06:26E ele sabia disso.
06:27Ah, minha mãe mandou dinheiro para você cortar o cabelo.
06:30Na época, eu não estava trabalhando e dependi financeiramente dele por sete meses.
06:34Mas eu não pedi para sua mãe dinheiro para cortar o cabelo.
06:37Por que ela mandou?
06:38Ah, porque eu acho que você precisa cortar o cabelo.
06:40Falei, mas eu não acho que eu preciso cortar o cabelo.
06:42Então, aquelas coisas iam me acordando, né?
06:45Vamos jantar no restaurante tal, porque você quer comer comida tal.
06:48Ah, não vamos mais não.
06:49Tudo bem.
06:50Então, a gente começa a ser flexível, compreensiva,
06:54até que chega um momento que a gente está literalmente nas mãos deles.
06:58Eu falo deles, mas é lógico que pode ser uma mulher, trans, cis,
07:03de qualquer gênero que possa fazer ou sofrer esse tipo de abuso.
07:08O gênero e a opção sexual não importam aqui.
07:12Então, eu quero deixar esse recado para que a gente fique atento às sutilezas, né?
07:17Do relacionamento abusivo.
07:19Para que a gente não ignore o conselho de quem gosta da gente.
07:23Para que a gente não tenha vergonha, muitas vezes, da família.
07:26Eu sentia vergonha da minha família quando eu pensava em sair daquele relacionamento
07:30que, a princípio, era uma coisa linda.
07:34Então, assim, ninguém nunca morreu de vergonha, né, Roberto?
07:38Né, Galilei?
07:39Mas, de crime passional, a gente morre, as mulheres morrem todos os dias.
07:43Então, fica esse o meu recado, assim, a minha experiência em relação ao abuso emocional.
07:48Esse homem, ele acha que é dono do corpo dessa mulher, né?
07:52E o próximo passo é ele tirar a vida, porque se a vida dela pertence a ele,
07:55ele pode fazer o que ele quiser com ela.
07:57E você chegava a acreditar, de fato, você enxergava com os olhos dele a forma que ele te via?
08:05Ou você, não, se enxergava com os seus próprios olhos?
08:10Depende, dependia da situação, né?
08:12Em relação à roupa, não, na minha roupa você não vai mandar.
08:15Porque eu já era uma mulher independente antes, mas naquela época da minha vida eu estava dependente dele.
08:19Eu tinha me separado do meu casamento de 16 anos, do pai dos meus filhos,
08:24e passei logo em seguida para esse relacionamento.
08:27Então, era o meu salvador, era aquele que não ia me deixar sozinha.
08:30Depois de 16 anos com alguém, eu não sabia ficar sozinha mais.
08:34Hoje eu sei, já tem quase 3 anos que eu estou sozinha.
08:37Então, foi depois desse relacionamento.
08:40Ele interferiu na sua autoestima, Mila?
08:43Totalmente.
08:44Ele afetou a sua autoestima?
08:47Totalmente, totalmente.
08:48Para ele, como eu coloquei ele nessa posição de salvador, de quem não vai ficar sozinha,
08:54ele gostava disso, por ser narcisista também, alcoólatra.
09:00Ele também puxa nessa posição de tipo assim, ninguém vai te amar mais do que eu.
09:04Ele falou mais de 20 vezes, assim, 10 meses, entendeu?
09:09Você não vai encontrar ninguém que te ame mais do que eu, você não vai encontrar ninguém que te aceite
09:14com dois filhos, né?
09:16Então, assim, são coisas absurdas que a gente muitas vezes ouve na família, ouve na novela, ouve na internet, na
09:23sociedade,
09:24e acaba aceitando, né?
09:26E é que ninguém pode me dizer que quem tem que se assumir sou eu.
09:32Eu me assumo, eu me aceito, eu me amo.
09:35Porque se encarar, você vai ser bem-vindo.
09:39Certo.
09:40Mila, a nossa conexão agora no final ficou um pouquinho ruim,
09:45mas deu para a gente entender um pouco de tudo que você passou nesse relacionamento,
09:52Galileia, a gente vê que ele interferiu até na autoestima dela.
09:56Sim.
09:57É uma forma desses abusadores, desse perfil de homem,
10:04de tornar a mulher ainda mais refém dele, é baixar a autoestima dela?
10:10Sim, para que ela fique cada vez mais dependente dele, né?
10:14Porque se ela não está bonita, se ela não está agradável aos olhos dele,
10:18ela vai ficar com a baixa autoestima, né?
10:21É, e muitas mulheres entram em processo de depressão também, né?
10:28Nesse processo, nesse relacionamento.
10:31A fala dela é super interessante, porque ela fala, ele era o meu salvador, né?
10:37Então, essa fala aparece todos os dias no consultório, né?
10:41De mulheres que não se conhecem o suficiente, nós já falamos isso aqui, né, Roberta?
10:47De mulheres que não se conhecem, que não se compreendem,
10:50que não trabalham a sua autoestima, né?
10:54E colocam isso em uma outra pessoa, né?
10:57E esses homens, sim, o que eles querem é que essa mulher fique dentro de casa,
11:02fique presa aos seus desejos, né?
11:04É aquela mulher que quando ele chega em casa alcoolizado,
11:08ele pergunta por que a janta não está pronta ainda, né?
11:12Ou vê essa mulher no telefone.
11:15Às vezes ela acabou de pegar no telefone e ele fala,
11:17você fica no telefone o dia inteiro.
11:19Sou eu que coloco comida dentro de casa, né?
11:22Então, essa mulher, ela vai se sentindo cada dia mais inferiorizada
11:26diante desse homem, né?
11:29Então, a autoestima...
11:30E cada vez mais refém.
11:31Exatamente.
11:32E agora, olha só, nós vamos ver o depoimento de uma outra mulher
11:35que passou por um relacionamento abusivo.
11:38A Demilene, gente, sofreu muito com os abusos psicológicos no relacionamento.
11:43Vamos ver.
11:44Olá, boa tarde a todos do Fala Espírito Santo.
11:47O meu nome é Demilene.
11:48Eu sofri um relacionamento abusivo durante mais ou menos um ano
11:55e foi muito triste o final do relacionamento porque houve uma agressão grave à minha pessoa
12:02e foi difícil superar.
12:06Eu não tinha dependência financeira desse relacionamento.
12:09O que eu tinha era uma dependência emocional, uma dependência psicológica.
12:15Os abusadores, eles têm vários perfis, né?
12:18Os agressores.
12:19E um dos perfis deles é justamente aquele de colocar a mulher numa situação
12:24de que ela fique com medo de sair daquela relação.
12:29Ora, é que você está com a aparência física ruim no ponto de vista do agressor,
12:35ou você é muito gordo, ou você é muito magra, ou você fala demais, ou você é louca,
12:41ou ninguém vai te querer por causa dos seus defeitos,
12:44eu sou a única pessoa na Terra que pode te suportar, sem mim você não vai pra frente.
12:48Então, essas coisas faziam com que eu ficasse naquele relacionamento.
12:52Hoje em dia, nós temos ajuda, né?
12:54Caso de acolhimento para as mulheres que são agredidas.
12:58Mas nós ainda estamos, assim, bem distantes de ter um apoio psicológico que, de fato, funcione.
13:07Hoje em dia, eu me encontro num outro relacionamento, muito diferente do que eu estava antes.
13:13Eu quero falar pra vocês, as minhas companheiras, né?
13:18As mulheres que já sofreram esse tipo de abuso, que não desistam do amor.
13:22As pessoas não são iguais, as pessoas são diferentes.
13:26E a prova disso sou eu que estou aqui hoje pra falar com vocês,
13:29que tenho uma pessoa muito especial na minha vida,
13:32e que essa pessoa está mostrando pra mim tudo ao contrário do que o outro mostrou.
13:38Olha aí que bacana, uma virada de página, né?
13:41Que bom, gente.
13:42Eu sou entusiasta do amor, eu sempre dou mais uma chance para o amor que merece, tá bom?
13:47Então, bola pra frente, encontre outro amor.
13:50Isso é importante, né?
13:51É isso, e é possível.
13:53É possível.
13:54E você, mulher, você tem esse direito de ter esse amor, né?
14:00De ter alguém que te respeite, que te ame verdadeiramente, que te valorize.
14:05Acima de tudo, né?
14:06Nós precisamos e desejamos ser valorizadas.
14:09É importante isso.
14:10Com certeza.
14:11A gente tem aqui a participação da Denilza Falcão.
14:14Ela fala, quando a pessoa, tanto o homem como a mulher, tem apoio da família,
14:19fica mais fácil sair de um relacionamento abusivo.
14:23Então, a pessoa que está em casa agora, acompanhando o Fala Espírito Santo,
14:26e sofre esse relacionamento abusivo, calada,
14:30qual o conselho que você tem a dar pra essa pessoa?
14:33Como que ela deve começar a se libertar disso?
14:36Qual o primeiro passo, Galileia?
14:37É importante dizer que, embora a gente fale, né, de mulheres empoderadas, né?
14:44Que você precisa sair deste lugar que você está, mas isso é muito difícil, tá?
14:50Não é assim, num estalar de dedos, ah, vou contar, né?
14:54Não é.
14:55É muito difícil sair desse lugar que você se sente refém de alguém que te dá amor, né?
15:02Então, sem a família, por exemplo, sendo uma rede de apoio,
15:07diga que está ao lado dessa mulher, né?
15:10Diga que você está ali pra ela, por ela, o momento que ela precisar.
15:14Porque, às vezes, Roberta, você tem um amigo, um familiar,
15:18que você percebe que está nessa situação,
15:21mas é mais fácil pra você apontar o dedo do que estender a mão, né?
15:27Então, ela não consegue, mas estenda a mão pra ela.
15:30E diga que é possível, que existe apoio, existe ajuda especializada.
15:34E é possível, sim, eu consegui, tá bom?
15:38Hoje eu vivo um relacionamento maravilhoso com meu marido, Juliano, com minha família,
15:42e você também vai conseguir, viu, minha amiga?
15:45Você que está aí do outro lado, sofrendo, bora, levanta dessa cadeira,
15:48cadê o sorriso?
15:49Isso aí, assim que eu gosto de ver, tá bom?
15:52Galileia, obrigada.
15:53Obrigada, Roberta.
15:54Tá, obrigada pela sua participação,
15:55levando esperança aí pras nossas mulheres.
15:57Interessante.