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  • há 21 minutos
Uma profissão que era a salvação de muitos, virou o pesadelo de quase todos. Muitas pessoas se tornaram motoristas de aplicativos ao ficarem desempregadas e hoje, sofrem com a insegurança. Se não todos, quase todos os dias o jornalismo da TV Vitória registra histórias dessas vítimas da bandidagem.

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Transcrição
00:00Pancada, ameaças, motoristas e motoboys que atendem por aplicativos estão sujeitos a tudo isso e mais um pouco.
00:08Os casos de violência são diários, revoltante. Veja, balança.
00:13O perigo está por todo canto. A violência atinge do entregador de delivery ao motorista de transporte de passageiros.
00:24Para você que acompanha o nosso trabalho jornalístico diariamente, já parou para perceber que não tem um dia sequer que
00:34a gente entre na sua casa pela televisão sem trazer uma notícia, infelizmente, envolvendo um motorista de aplicativo que se
00:42tornou vítima de bandidos.
00:44Pois é, a profissão que para muitas pessoas foi a salvação no momento do desemprego, se tornou agora a profissão
00:54perigo.
00:56Esse motorista foi vítima. Trabalhava no final de semana, quando pá, perdeu.
01:02Ele colocou a faca no meu pescoço, pediu que eu parasse imediatamente.
01:06Foi só a conta de eu pisar no freio mesmo e descer do carro.
01:13Aí ele me dando pressa, vamos, vamos, vamos, vamos, vamos, vou te matar, enfiar a faca no seu pescoço.
01:16Falei, não, calma aí, calma aí, soltei e foi morto.
01:18O profissional ficou abandonado na rua.
01:22Costou para ele conseguir a ajuda de alguém que passava pelo local.
01:26Até passou um de moto, um cara, parece que até reparou, depois passou outro rapaz de motorista de aplicativo também,
01:32outro carro de aplicativo.
01:33Eu fiz sinal, né, para ele, foi que eu tinha se topado, o cara só balançou a cabeça assim, fez
01:38com ombro assim, com ombro assim, fazer o quê?
01:40Foi embora. Se de repente um tivesse parado, dava tempo de, pelo menos, seguir o carro, né?
01:46Porque estava de faca, não estava de arma de fogo, mas aí fiquei desesperado.
01:53Depois de passar o susto, a ficha cair, o sentimento de quem é vítima.
02:00É revoltante, você tem uma coisa, o cara do nada, chega e te toma como se fosse dele, não, ele
02:04dá que é meu, entendeu?
02:06Então é revoltante, muito revoltante mesmo.
02:08Em Coqueral de Itaparica, Vila Velha, essa semana, outro motorista de aplicativo teve o carro roubado enquanto aguardava um chamado.
02:17Dois homens armados a pé, mandaram ele sair e fugiram com o carro.
02:23Por sorte, o veículo da vítima foi recuperado na região de Terra Vermelha.
02:29Só que esse outro profissional não teve a mesma sorte.
02:33Dois meses após o ocorrido, o carro dele, esse daí da foto, não foi recuperado.
02:55A esposa do motorista está revoltada com a perda do carro, até porque o veículo era que estava segurando as
03:04contas da família.
03:05Eu fiquei sem ação na hora, porque era a única renda que a gente não estava tendo, né?
03:11Só ele estava trabalhando no momento e eu estou desempregada.
03:16Aí eu fiquei, eu falei assim, meu Deus, e agora?
03:19O negócio é que a história envolvendo este homem não é a única e nem será a última.
03:27Pelo contrário, aqui no jornalismo da TV Vitória, já mostramos inúmeros casos de profissionais da categoria sofrendo e muito nas
03:37mãos dos criminosos.
03:39Um deles foi nesta avenida do bairro Cidade Continental, na Serra.
03:43O motorista de aplicativo de 22 anos parou o carro para fazer o desembarque de três homens que haviam pedido
03:51uma corrida.
03:52De acordo com a polícia, os solicitantes do serviço, na verdade, eram criminosos, que no final da viagem anunciaram o
04:01roubo.
04:02A fuga não durou muito tempo.
04:04O veículo roubado tinha rastreador.
04:07O serviço foi acionado pelo dono do automóvel.
04:10Essa jovem grávida de seis meses é esposa de um motorista de aplicativo.
04:17O rapaz tem 22 anos.
04:18Ele foi baleado por bandidos.
04:22Emocionada, ela conta o que sentiu quando soube do que havia acontecido com o companheiro.
04:27Eu quase partei e pensei em perder meu marido.
04:31Porque minha filha nasceu e nem conheceu o pai dela.
04:34O rapaz estava trabalhando quando foi rendido.
04:37O fato ocorreu na zona rural da serra, um local conhecido como Putiri.
04:43A esposa do motorista contou que ele reagiu porque pensou que fosse morrer.
04:48No meio do caminho, os assaltantes pediram o celular, pediram para ele retirar a senha do celular dele.
04:55E mandaram ele deitar no chão.
04:58Aí ele viu a bota do pessoal se aproximando, o sapato deles, e sentiu que eles iriam atirar nele.
05:04Então ele saiu correndo.
05:06Nisso, eles atiraram nas costas dele.
05:08Outra vítima foi rendida nesta rua do bairro Aribiri, em Vila Velha.
05:13O alvo foi este motorista de aplicativo de 61 anos.
05:18O cara me pressionou o pescoço com uma gravata e o revólver na cabeça.
05:23E, enquanto isso, o outro passageiro catou tudo.
05:27Celular, carregador, pediu dinheiro.
05:31E ela, não fala nada, não fala nada.
05:33Aí eu falei, não, está tranquilo, pode levar o que você quiser e tal.
05:36Estou sossegado.
05:38O seu José está há dois anos neste trabalho.
05:41Evita trabalhar até muito tarde e fica esperto quando é acionado em pontos que sabe que são perigosos.
05:49Aqui em Vila Velha, a gente não tem identificação do bairro.
05:53É uns lugares que, às vezes, à noite não dá para você ir.
05:56De volta à história desse motorista, que perdeu o carro e continua sem ele.
06:01Sem o veículo, está sem trabalho.
06:04Sem o trabalho, falta dinheiro para as contas e ter o básico em casa.
06:10Com a ajuda da família, a gente vai mantendo, né?
06:12A família, um amigo próximo, que sabe, conhece a gente, sabe que a gente não é de ficar...
06:18Não faz corpo mole, não é de ficar parado.
06:20Então ajuda, conhece a gente, ajuda.
06:22A família ajuda.
06:24A minha família ajuda, a família da esposa ajuda, assim, de um jeito ou de outro.
06:27A gente vai levando.
06:28A esperança do casal é que o veículo seja encontrado.
06:32Dei uma pequena entrada, que eu tinha um carro mais velho, não dava para trabalhar com transporte, né?
06:37Devido ao ano.
06:39Aí dei a entrada e financei a parte maior, né? Bem maior.
06:45E continuo pagando.
06:46Quando eles me assaltaram, eu já tinha pagado a terceira prestação.
06:50Aí agora já paguei mais duas, né? Sem condições de pagar.
06:53Eu falei com ele, graças a Deus você está vivo, porque muitos não voltam para casa.
06:58Eles fazem muita maldade, né?
07:00E muitos não têm a oportunidade de voltar para as suas famílias, né?
07:08A gente vive, né, numa dificuldade tão grande, né?
07:12Tantas pessoas perdendo emprego, tanta gente sem oportunidade, né?
07:17Eu vejo aqui mesmo, no centro de Vitória, onde fica a nossa emissora, tantas pessoas passando lá, né?
07:24Passando aqui na rua com o currículo na mão, entrando nas lojas.
07:28E não é pouca gente, não.
07:30São muitas pessoas.
07:32São muitas pessoas.
07:33E aí, de repente, você vai lá, compra um carrinho melhor, não consegue emprego.
07:37Ah, vou rodar com aplicativo, né?
07:40Para transportar a turma.
07:42E aí, vai lá, investe num carrinho.
07:44E está tudo MEC, tudo legal, tudo indo assim, de vento em polpa, cara.
07:49Você trabalhando, rodando, das sete às dez da noite, vai virando.
07:56E, graças a Deus, o dinheiro entrando.
07:58E aí, com esse dinheirinho, você paga a prestação do carro, consegue pagar suas contas de casa, né?
08:05Se Deus quiser, ainda sobra para aquele guaraná do final de semana, né?
08:09Com a carninha a mais lá, para poder saborear com a família.
08:12E, de repente, você não tem mais nada.
08:15Não tem mais nada, porque um vagabundo simplesmente acionou você pelo aplicativo, né?
08:22E levou o seu ganha-pão, que é o carro.
08:25Minha gente, uh!

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