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  • há 12 horas
Conselheiro tutelar fala sobre caso de criança encontrada sozinha.

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Transcrição
00:00Hoje nós vamos falar sobre a mãe que foi pro forró, gente, deixou uma criança de apenas 3 anos em
00:06casa sozinha.
00:07Que absurdo, né?
00:08E olha só, escuta só isso, velhice será considerada doença.
00:14É, isso tá dando uma polêmica, também vamos falar sobre esse assunto, tá?
00:17E hoje a gente tem aqui no nosso espaço gourmet um caldo de aipim com costelinha e bacon pra aquecer
00:24o nosso inverno, né, minha amiga?
00:26Então você vai preparar essa delícia junto com a gente, mais isso daqui a pouquinho, porque a gente começa o
00:31programa de hoje detalhando esse caso aí da criança de apenas 3 anos que foi encontrada sozinha em casa,
00:38enquanto a tia que deveria estar cuidando do menino, ela tava, ó, ó, no forró, gente, é, você não entendeu
00:46errado.
00:47E infelizmente o menino que estava sob os cuidados dessa tia foi deixado sozinho em casa.
00:53Esse caso aí aconteceu em Cariacica e a criança, segundo os vizinhos, estava aos prantos, ela batia com uma panela
01:01na porta pra chamar a atenção.
01:04Funcionários do condomínio onde o caso aconteceu arrombaram a porta, resgataram o menino e acionaram o conselho tutelar e também
01:14a polícia.
01:15A tia, gente, só apareceu, ó, bem mais tarde e embriagada, isso segundo os policiais.
01:23Gente, imagina então o desespero dessa criança sozinha em casa, batendo a panela na porta, pedindo por alguém, acordando de
01:31madrugada naquela cena, imagina que desespero, gente.
01:34Bora falar então sobre esse caso e também outras histórias de crianças que já foram abandonadas.
01:40Aqui no estúdio eu recebo hoje o conselheiro tutelar Marcos Paulo Fonseca, que atendeu esse caso.
01:48Obrigada pela sua presença, seja bem-vindo aqui no programa, pega o microfone pra falar com a gente.
01:52Obrigada.
01:53Primeiro de tudo, a primeira pergunta que eu me fiz é, como está a cabecinha dessa criança?
02:00Você que teve contato com ela, você que cuidou desse caso, Marcos.
02:07Nós fomos acionados pela Polícia Militar, o C.O.D.S. acionou o plantão do Conselho Tutelar.
02:12Por coincidência, eu estava de plantão junto com outro colega de trabalho.
02:17E ao chegarmos no local, tivemos a informação, tanto pela Polícia Militar e moradores lá, que essa criança estava sozinha.
02:26Vale ressaltar que essa criança tem 5 anos e não 3 anos, porque deve ter passado...
02:33Foi a apuração pela Polícia, né?
02:35Isso, aí quando nós chegamos e identificamos lá, através de documentação da criança, identificamos que essa criança tem 3 anos.
02:43Mas nada muda, né? De 3 a 5 anos.
02:44Nada muda, nada justifica.
02:46Ainda mais que é um sobrinho dessa genitora dos outros 3 que estavam lá.
02:52Há informações de moradores lá do condomínio e em torno, que as outras crianças também acontecem corriqueiramente direto esses fatos.
03:03Informar também que há uns anos atrás, essa família foi atendida, essa senhora, com esses 3 filhos.
03:10Ela já vinha sendo acompanhada, né?
03:12Pelo Conselho Tutelar.
03:13Mas só que mudou de residência, mudou de bairro.
03:17E aí, recentemente, o próprio Conselho, a própria rede de atendimento não teve acesso a essa mudança.
03:25O que acontece muito, né?
03:27E aí, identificamos lá na residência também, claramente, a negligência, maus-tratos da casa.
03:35Por sinal, tem um condomínio novo, recente entregado à comunidade e dentro estava um local depurável, sujo, não digno daquele
03:49condomínio que eles foram beneficiados ali por projetos sociais no passado.
03:54Esses foram sinais de maus-tratos que vocês identificaram nesse ambiente?
03:59Sim, encontramos uma outra criança lá, dentro da casa, com essa genitora, uma bebezinha.
04:08Por sinal, ela estava até com um pacote de salsicha na mão.
04:13E aí...
04:15Uma bebezinha de quanto?
04:16Uma bebezinha.
04:16De um ano, né?
04:18É, tem menos de dois anos.
04:19Então, assim, chamamos a atenção da mãe na hora lá, mas a denúncia que chegou foi desse sobrinho dela, de
04:28cinco anos, que estava batendo as panelas, batendo na janela lá, estava sozinho.
04:34Mas há relatos de moradores lá, quando chegamos lá, que isso acontece corriqueiramente.
04:40E aí, vale ressaltar, a gente pede à população da importância de um grande canal de denúncia que a gente
04:46tem no nosso estado, que é o 8-1.
04:49Muita gente pensa que o 8-1 é um canal só que denuncia homicídio, tráfico, assalto.
04:55Não, o 8-1 é um grande canal que nós temos no nosso estado de violência contra criança e adolescente.
05:01E funciona muito bem, como diz que sem também.
05:03Que foi o que aconteceu dessa vez, que os vizinhos que conseguiram, né, identificar essa situação estranha, que algo ali
05:11estava chamando a atenção dos vizinhos.
05:13Uma criança batendo com a panela na porta, eu fico imaginando.
05:17Eu sou mãe, eu tenho uma criança de cinco anos em casa, um bebezinho também de seis meses.
05:22Eu fico imaginando o desespero dessa criança.
05:25E hoje, agora, essa criança está exatamente aonde?
05:28Então, ela foi conduzida em fragante, delito, pela equipe da Polícia Militar, que estava presente no local.
05:39E o contato que a gente teve com familiares, através de telefone, que ela passou para nós, nós não conseguimos
05:47identificar, através desses telefones,
05:52só dava caixa postal, chamava caixa postal, nenhum parente.
05:57Ficamos até madrugada fora, duas e pouca da manhã, tentando localizar algum parente para deixar essa criança, para evitar o
06:04acolhimento.
06:05Porque o acolhimento é feito em último caso, e não é legal.
06:10Isso mexe com o psicológico da criança.
06:13Pode traumatizar?
06:14Isso. Por mais que ela esteja num local lá que ela vai ser bem tratada, com a equipe toda preparada,
06:20de cuidadores, equipe psicossocial,
06:22que o município tem, no serviço de acolhimento, e a própria equipe da Vara da Infância,
06:29não é o justo a criança ser acolhida, ainda mais por um motivo banal desse, de negligência por parte dos
06:36seus responsáveis.
06:37Então a mãe mesmo, até agora, não tem nenhum paradeiro da mãe dessa criança?
06:41Não. A mãe dessa criança, até na hora que eu vim para cá, não tem nenhuma informação.
06:48Eu já entrei em contato com o serviço de acolhimento hoje, com a coordenadora lá,
06:52ninguém me procurou, e a genitora dos outros três, ela foi presa, ela está presa,
06:57provavelmente já deve ter sido conduzida para um presídio feminino, e as crianças, elas estão acolhidas, estão bem, estão bem,
07:09e o conselho, o nosso relatório de plantão, o ofício, vai ser enviado para o Ministério Público, para a Vara
07:15da Infância,
07:16onde a equipe da juíza, com toda a sua equipe psicossocial, a equipe do município, do serviço de acolhimento,
07:23também com a sua equipe social, vai continuar as buscas ativas.
07:27E aí, a partir do momento que o Conselho Tutelar fez esse acolhimento, a responsabilidade agora é da justiça,
07:33a justiça que vai definir o futuro dessa criança.
07:36A gente vê aí um cenário que está cheio de erros, né?
07:40Já, já a gente vai falar mais sobre isso, porque a gente separou também aqui vários outros casos parecidos com
07:47esse,
07:47de crianças que foram deixadas em casa, o pai saiu, a mãe saiu, e olha só,
07:52São situações absurdas, gente.
07:56Em fevereiro do ano passado, uma menina foi deixada sozinha em casa pela mãe, no bairro Cidade da Barra, em
08:02Vila Velha.
08:03A menina tinha 10 anos e era autista.
08:06Nas imagens, é possível ver o momento do resgate.
08:09Os parentes da criança acionaram o Conselho Tutelar e fizeram a denúncia,
08:13dizendo que ela estaria chorando sem parar há quase quatro dias.
08:17Quando os conselheiros e os policiais militares chegaram, encontraram a criança abandonada.
08:22Ela estava tão fraca que não tinha forças para andar.
08:25Estava dias, sem comer e beber água.
08:28Na hora do resgate, a mãe da menina apareceu no local e foi autuada por abandono de incapaz.
08:34Em outubro de 2020, uma mulher foi presa após deixar a filha de um ano e quatro meses sozinha em
08:40casa.
08:41Vizinhos arrombaram a porta para socorrer a menina e acionaram a polícia.
08:45A cena na casa era realmente muito triste.
08:49Roupas e fraldas sujas espalhadas.
08:51Também havia pinos de cocaína e guimbas de cigarro jogados pelo chão do apartamento que fica no bairro Cocal, em
08:58Vila Velha.
08:58E no meio dessa bagunça toda, estava a criança de um ano e quatro meses.
09:03Ela tinha sido deixada sozinha pela mãe há três horas.
09:08O cenário desse caso que a gente está contando hoje foi parecido com essas imagens aí que a gente mostrou
09:14agora, Marcos Paulo?
09:16Sim.
09:18Muitas das vezes, a maioria dos casos de abandono, quando a prova polícia militar chega ao local e aciona o
09:26conselho tutelar,
09:27a gente se depara com várias situações dessas que foi mostrada aí.
09:31Isso são casos, gente, que chegam até a imprensa.
09:35Fora também aquelas situações que não chegam, que acontecem e ficam ali.
09:41Por isso que é importante o vizinho denunciar, porque você pode estar salvando uma vida.
09:46Imagina essa criança batendo a panela na porta e se nenhum vizinho ajuda.
09:51A gente sabe de casa, a nível nacional, que a criança foi procurar pela mãe, caiu pela janela, por exemplo.
09:56Pode chegar uma fatalidade, né?
09:57A gente tem aqui o caso da Nelly, a Charille, que ela fala,
10:01Roberta, eu tinha uma vizinha que saía e deixava a filha sozinha por várias vezes.
10:07Essa criança acordava à noite e me chamava,
10:11Tia Nelly, mamãe saiu e me deixou sozinha.
10:14E aí ela morria de dó.
10:16O que as pessoas podem e devem fazer, os vizinhos,
10:20denunciar sempre é a melhor saída, é a melhor solução, pensando principalmente na criança?
10:25Sim. Se está acontecendo um fragante de delito ali no local,
10:30a população pode ligar direto para o 190, sonar o CIODES,
10:34que o CIODES vai enviar uma equipe ao local,
10:37porque é um crime que está acontecendo,
10:39e crime é a polícia que faz.
10:42E aí se a população também vem identificando que possa estar acontecendo algum caso semelhante,
10:49tanto de abandono de capaz, de agressão física, de negligência, de maus tratos,
10:55ela pode denunciar no 8.1, que o próprio 8.1 encaminha essas denúncias ao Conselho Tutelar.
11:04Nós, conselheiros tutelares, principalmente da Grande Vitória,
11:07nós temos acesso ao ECOPS, que é o 8.1,
11:11onde todo conselheiro faz um treinamento na Secretaria de Segurança Pública,
11:14e onde nós entramos também dentro do sistema do ECOPS e imprimimos essas denúncias.
11:20E a população tem que contribuir bastante,
11:24porque eu sempre falo que o crime, quando ele está acontecendo,
11:29o Conselho Tutelar, tanto a polícia, tanto os órgãos de proteção,
11:33toda a rede de proteção,
11:35nós não temos a bola de cristal para saber onde está acontecendo de fato ali o fragante,
11:40ou que se possa estar acontecendo ou venha a acontecer.
11:42Então, nós precisamos dessas denúncias.
11:45Claro que, muitas vezes, o órgão, as pessoas falam,
11:48ah, o Conselho Tutelar veio aqui e tal e voltou.
11:50Mas é porque, no primeiro momento, o Conselho Tutelar também chegou lá e não foi identificado.
11:55E aí eu sempre falo que a mentira tem perna curta.
11:58Já peguei a situação da denúncia que nós pegamos no 8.1,
12:01onde se falava que tinha os genitores, eles saíam à noite
12:06para comprar drogas ilícidas e se drogarem,
12:10e um bebezinho, uma criança ficava.
12:13Então, o Conselho chegou aí de manhã à tarde,
12:16até início da noite, nunca conseguia...
12:19Encontrar a cena.
12:20Num belo dia, num final de semana,
12:24o telefone do plantão tocou,
12:26era duas e pouca da manhã,
12:28delegado da Quarta Regional de Cariacica,
12:31informando que um motoboy tinha achado um bebezinho
12:34de dois anos, colocou na garupa ainda...
12:38Meu Deus!
12:39E aí levou para o DPJ.
12:41E ao chegar no DPJ, eu conheci a criança,
12:45porque eu estava fazendo acompanhamento
12:46para tentar saber se estava acontecendo mesmo.
12:50E aí, essa criança hoje,
12:53essa família, esses genitores, eles perderam a guarda,
12:58foi destituído o poder prato da criança,
13:00foi colocada em família extensa,
13:03que essa criança hoje está com um familiar,
13:05com a guarda provisória,
13:07graças a uma denúncia que foi gerada no 8.1.
13:11Olha, e a importância...
13:12Isso é a importância do canal de denúncia do 8.1,
13:14dos conselhos tutelares...
13:14A sociedade não só deve, como pode, né?
13:17Sim.
13:18Se está acontecendo fragante nesse momento,
13:21igual aconteceu essa noite no plantão,
13:23onde a população,
13:24ela foi, acionou o CIODS,
13:27o CIODS, o próprio CIODS acionou nós,
13:30aí sim.
13:31Agora, se está a suspeita que possa estar acontecendo,
13:34aí sim, denuncie.
13:36Olha, a Rita de Cássia fala,
13:37essa senhora teria que ter sido encaminhada
13:39para um tratamento,
13:41pois é absolutamente incapaz
13:43devido à sua dependência química e álcool,
13:45que inclusive ela já tinha, né?
13:47O histórico no Conselho Tutelar,
13:49a tutela das crianças estava com a avó,
13:52não é isso?
13:53A avó que estava com os cuidados dessas crianças,
13:57dos filhos dessa mãe,
13:58não é isso?
13:59Que estava no forró?
13:59Então, o que foi chegado para a gente,
14:04o atendimento feito no Conselho,
14:06e se essas crianças estavam com a avó,
14:09foi um atendimento feito no plantão essa noite.
14:12O que será feito?
14:13Será feito um relatório,
14:14um encaminhamento ao Conselho de Origem,
14:16porque Cariacica tem quatro conselhos,
14:18e esse território de Padre Gabriel
14:20é atendido pelo Conselho de Castelo Branco.
14:22Os plantonistas,
14:23nós encaminharemos essa notícia ao Conselho,
14:27informando,
14:28e eles vão tomar todas as medidas.
14:31Em relação à participante aí do programa,
14:34que falou sobre...
14:35A Rita de Cássia.
14:36...sobre saúde,
14:38a maioria das vezes o Conselho,
14:40que está no Estatuto,
14:41encaminhamento temporário,
14:43Cariacica tem o Promad,
14:44na Unidade de Saúde de Jardim América,
14:47tem esse programa,
14:48onde o Conselho,
14:49quando identifica na família da criança,
14:51encaminha.
14:52Mas só que na hora que está atendendo um órgão,
14:55ou vara da infância,
14:56ou seja, qualquer um outro órgão,
14:58a maioria deles,
14:59desses genitores,
15:01eles se prontificam até indo,
15:03e nós encaminhamos.
15:05Aí, o aderir,
15:07muitos aderem,
15:08mas outros não.
15:11E aí, a gente tem que fazer esses encaminhamentos.
15:14Provavelmente,
15:15essa genitora que foi presa,
15:17essa mãe que foi presa,
15:18quando ela sair,
15:20porque ela vai sair.
15:21Pode acontecer de ter uma audiência de custódia,
15:24ela sair.
15:25Mas, quando tiver esse atendimento,
15:27na equipe da juíza lá,
15:30nos órgãos de proteção,
15:32ela será encaminhada.
15:33E só para encerrar,
15:34notícias do pai?
15:35Nenhuma?
15:36Nenhuma, nenhuma.
15:37Respondendo aí também a pergunta da Neuza Francisco.
15:40Ou seja,
15:41são crianças que, infelizmente,
15:44precisam,
15:45estão vulneráveis e precisam
15:47de uma supervisão,
15:49realmente de um adulto responsável.
15:51E a gente quer acompanhar esse caso de pertinho,
15:54tendo novidades.
15:56Aciona a gente,
15:57manda as informações para a gente,
15:58para a nossa produção,
15:58que a gente também quer noticiar
16:00sobre essas três crianças
16:02e também sobre esse sobrinho,
16:04que não era para ter ficado sozinha em casa
16:06e, infelizmente,
16:07aconteceu isso daí.
16:08Mas, graças a Deus,
16:09nada de mal aconteceu
16:10com esse bebezinho,
16:12com essa criança.
16:12Obrigada pela sua participação.
16:14De nada, eu agradeço.
16:15E o caso agora,
16:17ele fica em segredo de justiça,
16:18porque uma vez está acolhida,
16:20o Conselho tem 24 horas
16:21para informar a justiça.
16:23E aí, esses procedimentos
16:24são todos feitos com a justiça,
16:26junto com a equipe de acolhimento institucional.
16:28Tá certo.
16:29Mas, aquilo que a gente puder noticiar,
16:31você manda para a gente as informações.
16:32A gente vai trocando essa bola, tá bom?
16:35Obrigada pela sua presença.

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