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Exclusivo: esposa fala sobre morte de Lázaro
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NotíciasTranscrição
00:00Estou arrasada, acho que não precisava desse desfecho.
00:06Desde o início, eu tenho me disponibilizado para ir na mata.
00:11E eu tenho certeza que se eu tivesse ido com ele cercado, ele ia se entregar.
00:17Os policiais do Goiás sempre quiseram ele para matar, não para prender.
00:22E disse, eu tenho certeza.
00:24Eu e a tia dele temos certeza.
00:27Porque se eles quisessem ele vivo, eles iam ter ele vivo.
00:32Porque eu e a tia se disponibilizamos para ir na mata.
00:35E se nós tivéssemos ido, nós tínhamos convencido ele.
00:40A gente tinha convencido, não precisava disso tudo.
00:44Amélia, a senhora concorda com isso? A senhora como tia do Lázaro?
00:48Concordo sim, Cabrini. Concordo plenamente.
00:51Eu acho que atiraram nele demais, não precisava tudo aquilo, gente.
00:56Por que não dê um tiro em dois nas pernas para que ele se entregasse, se recuperasse,
01:00para depois ele explicar o que ele fez ou deixou de fazer.
01:05Mas foi muito cruel, foi muito cruel o que fizeram com ele.
01:08Eu só me sinto na obrigação de informar, o próprio secretário viu essa informação agora,
01:13que as forças policiais, o próprio secretário de segurança, informa que houve resistência,
01:18que ele disparou tiros e que não houve alternativa.
01:21Esta é a posição da força-tarefa que há 20 dias está trabalhando no sentido de capturar
01:28ou de ter esse desfecho que nós assistimos hoje aqui.
01:31Tudo bem, Cabrini, eu concordo que ele estava mesmo disposto a não se entregar,
01:39se fosse possível trocar tiros, sim, eu concordo com isso.
01:42Mas o que eu não concordo, Cabrini, foi tantos tiros, Cabrini, tantos, para que metralhar daquele jeito?
01:49Porque ele estava talvez resistindo, né?
01:52A senhora está revoltada com isso, né?
01:53É, não precisava tudo, eu não vi ele depois de tudo isso, mas eu vi nas fotos, no celular do
01:59rapaz,
02:00ele não tem canto no corpo dele para não ter um tiro, Cabrini.
02:04Não precisava tudo isso, metralhar dessa forma, gente.
02:08Ellen, você reconheceu o corpo, né?
02:10Você esteve no hospital de Águas Lindas e você reconheceu o corpo?
02:15Sim, reconheci.
02:18O que você observou?
02:20É, a cabeça dele estava muito inchada, muito, muito, muito inchada.
02:27E eles conseguiam o que queriam, né? Matar ele.
02:31Você sempre teve esperança de que ele se entregasse e que a vida dele fosse poupada.
02:37Nesses últimos dias eu cheguei até a acompanhar tentativas de mensagens,
02:42não se sabe totalmente se era ele ou não, mas houve tentativas talvez de comunicação
02:47e mensagens da própria filha foram enviadas e vocês sempre tiveram muita esperança
02:53de que ele se entregasse, mas isso não foi possível.
02:57Isso, e eu mandei uma pergunta-chave para essa pessoa, para saber se realmente era ele
03:05e essa pessoa não respondeu.
03:07Então a gente acha que se tratou de uma brincadeira de mau gosto.
03:11A senhora concorda com isso?
03:13Concordo sim, plenamente.
03:15E isso nada mais nada menos que a própria polícia.
03:18Não acredito.
03:20Como é que vocês veem a vida de vocês nesse momento?
03:24Ellen, como é que você imagina você a mãe da filhinha do Lázaro, que tem apenas dois anos de idade?
03:29Você tem a responsabilidade agora, como mãe, né?
03:33De educar essa criança, enfim, de tocar a sua vida.
03:38É, agora é seguir em frente, né?
03:43Criar minha filha e passar a imagem do pai dela que ela sempre teve.
03:48Amoroso, cuidadoso e um ótimo pai.
03:51E aí, para as pessoas que diziam que eu tinha medo de falar a verdade,
03:58pois está aí a verdade, o Lázaro está morto, mas ele nunca me bateu,
04:01nunca foi agressivo comigo nem com a filha.
04:04Ele era um amor de pessoa com a gente, ele era um bom marido e um bom pai.
04:09Para nós foi exatamente um momento muito desafiador.
04:12Nós tivemos a oportunidade de noticiar em primeira mão a morte do Lázaro,
04:16através de uma comunicação policial por volta das nove horas,
04:19de que o alvo tinha sido abatido.
04:22Nós tínhamos conhecimento dessa operação.
04:24Também recebemos a imagem e a divulgamos pelos nossos meios de comunicação,
04:31a imagem de quando ele se aproxima, de quando ele está nas imediações da casa da ex-sogra dele
04:39e também onde estava a Luana, que é a ex-mulher dele.
04:42Como é que você recebeu, Ellen, essa informação, o fato de ele ter procurado justamente a ex-mulher
04:49e ter falado com a ex-sogra e justamente a imagem dele ter sido captada.
04:55Nós divulgamos essa imagem, dá para se perceber, era madrugada ainda e a imagem dele é captada.
05:00E aí soubemos que o Lázaro sentiu a presença de cães farejadores e ele decidiu fugir.
05:05Mas no momento em que ele foge pelas informações que eu disponho,
05:08ele já tinha decidido resistir e trocar tiros com os policiais pelas informações que eu tive.
05:14Mas como é que você recebeu esse fato de ter procurado justamente esse refúgio?
05:20Eu acho que era a única opção que ele teve, foi procurá-lo.
05:26Por quê?
05:28Porque eu não sei se ele chegou a ir lá em casa, não sei.
05:33Eu acho que a única opção que ele viu, de alguma coisa, de pelo menos aparecer para dizer que estava
05:40bem,
05:40foi ter ido lá.
05:45Eu acho, Cabrini, que ele foi lá porque talvez os telefones que se diziam dele não estavam funcionando,
05:53nem nada, emprestou, não sei.
05:55Ele achou algum jeito de ir lá para informar, né?
06:01Dar uma notícia que passou por ali, alguma coisa assim, né?
06:05O que a gente nota acompanhando tudo isso é que a mente do Lázaro mudava de um momento para outro.
06:10Em um determinado momento ele manifestava uma intenção de se entregar,
06:14em outros momentos ele manifestava que não iria se entregar.
06:18E ele passava essas informações, as mais diversas formas, eu não vou divulgar,
06:22tive conhecimento de algumas coisas, mas eu não vou divulgar aqui.
06:25O que você atribui a essa decisão final dele de resistir à polícia?
06:34Eu não sei, Cabrini, se ele tinha projétil de arma de fogo.
06:43Munição.
06:43Munição.
06:44É suficiente para trocar tiro com eles, não.
06:48Eu acho que se eles quisessem realmente prender o Lázaro,
06:52eles tinham dado um jeito de dar um tiro na mão onde estava a arma,
06:58dar um tiro nas pernas para não correr, entendeu?
07:05Mas aconteceu o que aconteceu e agora é seguir em frente, né?
07:10Eu sempre acompanhei que você queria que tudo isso terminasse.
07:13Não é o desfecho que você imaginava, mas é uma maneira de você poder agora continuar a sua vida.
07:20Como é que você vê a sua vida daqui para frente e que tipo de informação você deseja que a
07:26população saiba nesse momento,
07:28quando após 20 dias de um trabalho intenso das forças policiais, ele acaba morrendo.
07:33O que você gostaria que as pessoas soubessem?
07:36Não, acho que essas pessoas nem me importam muito não, porque elas julgam muito, entendeu?
07:43Então agora eu peço a Deus que nos dê força, que vamos precisar, desde o início dessas tragédias, né?
07:50Dele com as vítimas.
07:54Então, a gente só temos que pedir a Deus força pelo nosso menino ter partido da pior forma, né?
08:07E é isso, cabrinho.
08:09Já que eles têm a explicação para o Lázaro, eu queria que eles também explicassem a público por que o
08:18covarde do policial bateu no meu rosto, entendeu?
08:21Fala para ele, queria que ele dissesse qual foi a justificativa, entendeu?
08:27Já que eles têm a justificativa por que matou o Lázaro, por que ele reagiu.
08:31E eu, naquele momento que estava sendo oprimida, por mais de 10 policiais e tinha uma saudada mulher e um
08:39policial homem que bateu no meu rosto.
08:41Eu quero, eu quero essa resposta.
08:44Você deseja respostas.
08:45Inclusive, isso apareceu na primeira entrevista.
08:48Depois dessa primeira entrevista, a situação até melhorou para você, não melhorou?
08:52É normal que os policiais tentassem saber o paradigma do Lázaro pelos parentes.
08:57Você entende isso, entende?
08:58Isso, entendo.
08:59É um trabalho normal das forças policiais.
09:01Sim, é um trabalho normal, mas não é um trabalho normal eles me agredirem.
09:06Quer dizer que a Maria da Penha não funciona para a sua policiais?
09:09Já que eles se dizem seus heróis, nos bate em mulher, não bate em homem que bate em mulher, então
09:16por que me bateram?
09:17A gente só precisa tomar cuidado para não generalizar, né?
09:20É, não, não todos...
09:21A ação de determinados agentes, o próprio secretário de segurança disse que isso vai ser devidamente investigado pela corrigidoria.
09:29Agora, algo que eu gostaria de te perguntar, e que é muito importante, é o seguinte, né?
09:34A partir do momento em que o Lázaro morre, começa uma outra etapa, uma outra investigação.
09:39Porque existem evidências, existem sinais, indícios de que o Lázaro recebia ajuda de outras pessoas.
09:46Você vê, você evidentemente ficou sabendo da prisão de um fazendeiro, o seu amigo Caetano, da prisão do caseiro, o
09:53Alain, e essas pessoas são acusadas de terem colaborado.
09:57E a polícia também tem informações de que ele recebia outras formas de ajuda.
10:03E a sinalização existe, é no sentido até de que ele não estava dormindo na mata, de que ele dormia
10:09em casas, às vezes ele invadia, mas às vezes ele recebia também ajuda.
10:13Ou seja, nesse momento vai começar uma grande investigação para se saber qual é exatamente essa rede de apoio que
10:20o Lázaro teria.
10:21O que você poderia falar sobre isso, a sua tia também?
10:25Primeiramente, eu vou voltar atrás aqui, que não são todos os policiais também, né?
10:29Teve os da polícia civil, me trataram muito bem.
10:32E sobre essas informações do Lázaro ter tido ajuda, nós não tínhamos conhecimento algum.
10:40Nós não acreditávamos que ele estaria na chácara de alguém, dormindo em algum lugar.
10:45Nós não acreditávamos que tinha gente ajudando ele, até porque ele não tinha amizade do nosso conhecimento.
10:51O que você só quer falar sobre isso, Amélia?
10:53Eu também não acredito que essas coisas que estão dizendo, que ele fazia esse terror nas fazendas,
11:01para que as pessoas saíssem para vender as terras mais baratas, eu não acredito nisso.
11:09É uma informação que segura.
11:10Por que ele iria procurar justamente hoje, iria se arriscar a ir numa cidade, numa zona urbana, da casa da
11:18ex-sogra,
11:20onde ele poderia se encontrar com a Luana, que é a ex-mulha dele.
11:24Por que ele iria se arriscar com a interpretação de vocês?
11:27Eu só acho, Cabrini, que ele foi em busca de alguma ajuda, talvez, não sei,
11:33ou querer passar alguma informação para a família.
11:39Só acho isso.
11:40E além?
11:41Também acho.
11:44Vocês pretendem colaborar com a polícia, se vocês forem requisitadas,
11:48no sentido da polícia tentar apurar essa possível rede de apoio que ele teria?
11:54Qual vai ser a postura de vocês a partir desse instante?
11:56Eu não estou mais à disposição da polícia.
12:00Não quero.
12:01Já falei que não tenho conhecimento algum de amigo dele.
12:04Então, já que mataram o Lázaro, acabou, eu quero que me deixem em paz.
12:09Não tenho nada a ver mais com nada.
12:12Ellen, você é mãe de uma criança maravilhosa, que eu tive a oportunidade de conhecer.
12:18É uma criança realmente muito especial, né?
12:20Tem cheio de vida, muito esperta.
12:23Como é que um dia você pretende contar para ela tudo o que está acontecendo aqui nesse momento
12:29sobre esses 20 dias de terror, de expectativa, de ansiedade,
12:33esse desfecho de morte por parte do pai dela?
12:37Esse vai ser um momento que você vai ter que pensar muito, né?
12:40Você já consegue refletir um pouco sobre isso?
12:43Não, não.
12:46Eu deixo para prolongar esse pensamento, porque eu não sei nem como é que eu vou falar para ela, né?
12:54Essas coisas.
12:55Mas, como eu falei, eu vou tentar passar para ela sempre a lembrança do que o pai dela foi para
13:01ela.
13:02Qual é a situação de vocês, isso aí?
13:04Porque a gente percebe aqui, Gotino, amigos de todo o Brasil,
13:07você vê as condições em que elas estão conversando comigo aqui, né?
13:10Elas estão de costa, é um casaco, protegeram, ou seja, elas têm muito receio de serem identificadas.
13:17É importante explicar para as pessoas por que tamanho receio assim.
13:24Porque tem muita gente que não entende que o errado foi o Lázaro, né?
13:30Então, tem muita gente que pensa em matar a gente, fala até, expressa o ódio que tem da gente, entendeu?
13:39Sendo que não temos culpa nenhuma, então a gente prefere se reservar.
13:45Dora Amélia?
13:46Porque, Cabrinha, é muita revolta.
13:48A revolta é muito grande.
13:50Para você ter uma ideia, enquanto eu choro, a Ellen chora, muitos batem palmas, muitos soltam foguetes,
13:57muitos estão comemorando a morte dele, né?
13:59É justo que a morte do Lázaro seja comemorada?
14:03Não, não, não, não.
14:04Porque essas pessoas que estão comemorando, soltando foguetes, talvez não têm filhos, não têm parentes.
14:11Mas talvez elas estejam pensando nas vítimas do Lázaro, né?
14:14Talvez não, com certeza.
14:16Não sei o que passa na cabeça deles, né?
14:19Para nós é muito triste ver a pessoa comemorar a morte de outro com foguetes, né?
14:23Sei que ele tocou o terror, sim, mas também não precisa disso tudo, não, gente.
14:29Acabou, acabou.
14:31Não existe mais Lázaro.
14:33Não existe mais.
14:34Acabou a história.
14:36E a gente...
14:36Mataram ele, não deixou ele se explicar o que aconteceu, o que ele fez, né?
14:41Nós sabemos que ele estava especialmente revoltado, numa mensagem que foi enviada, não vou dizer como,
14:46mas uma mensagem que ele enviou, ele disse que estava, assim, muito revoltado,
14:50porque não era só ele o responsável pelas mortes.
14:55O que ele dizia?
14:56Estão sendo atribuídos crimes a mim que não foram cometidos por mim.
15:01E isso ele fazia com que ele ficasse muito revoltado e que ele decidisse, inclusive, resistir, né?
15:07Como é que vocês veem isso?
15:09Sim, eu vejo isso, sim, que ele estava com muito medo, porque era muita coisa em cima dele,
15:15coisas que talvez ele não fez, né?
15:18E agora, aproveitando, Cabrinho, depois que ele está morto, não sei se tem como,
15:22essas pessoas que foram vítimas, que se dizem ser estropadas por ele,
15:26aproveita e faça um exame e mostra pra gente.
15:29Será que tem como?
15:32A gente sempre tem que respeitar muito a dor das vítimas, né?
15:35Tem a dor de vocês.
15:36Eu vejo aqui o doutor Wesley Lacerda, vou ouvir rapidamente o doutor Wesley.
15:40O doutor Wesley tem atuado, nesse momento, aqui em Goiás, como um representante da Ellen,
15:46um representante legal.
15:48O senhor pode se aproximar aqui, é televisão ao vivo, é assim mesmo.
15:52O doutor Wesley Lacerda, eu vou até ficar de pé, pra poder ouvir o senhor melhor,
15:55em condições melhores.
15:56Doutor Wesley, o que o senhor pretende fazer, juridicamente, como representante legal da Ellen,
16:02nesse momento?
16:03Bem, Cabrini, nesse momento, eu estou aqui principalmente pra dar um suporte pra dona Ellen,
16:10pra dona Amélia.
16:12É um momento muito difícil pra elas.
16:15Então, nesse primeiro momento, vai ser as questões do traslado do corpo e cuidar do sepultamento.
16:24E, posteriormente, a gente avalia o que vai ser necessário, enfim, as outras providências
16:33que serão necessárias pro caso.
16:36Hoje o senhor chegou, inclusive, a se colocar à disposição, no momento em que não havia
16:39sido anunciada a morte dele, que havia uma esperança de que pudesse haver uma negociação,
16:43de que talvez a presença da Ellen pudesse ajudar nesse sentido, né?
16:47Como é que o senhor, o que o senhor pode contar em relação a tudo isso que o senhor assistiu,
16:51tudo que o senhor testemunhou?
16:52Foi exatamente, foi exatamente, exatamente isso.
16:56Eu vim pra cá nessa tentativa de fazer essa intermediação e tentar que fosse um desfecho
17:03e um desfecho que não esse, né?
17:06A gente realmente queria que ele fosse entregue à justiça com vida e...
17:11Talvez a presença da Ellen pudesse melhorar.
17:14Era uma tentativa apenas, né?
17:15Era uma tentativa, mas em momento nenhum nós tivemos contato com ele.
17:20Então, era uma tentativa de vir pro local e tentar estabelecer algum contato com ele
17:26e tentar um desfecho diferente desse que aconteceu.
17:29Ellen, o que você gostaria de dizer?
17:31Você tava comentando algo com a sua tia nesse momento?
17:35O que você tava falando com a sua tia, isso?
17:38Não é ela que tava falando.
17:40É muito difícil, Cabrinha.
17:42Não é ela que tava falando com a sua tia, isso é uma tentativa de vir pro local e a
17:43sua tia, isso é uma tentativa de vir pro local e a sua tia.
17:46E aí