00:02Plástico, garrafas, alumínio, papelão. Onde a maioria vê só lixo, eles enxergam fonte de renda, sustento.
00:09Das pessoas que trabalham aqui com a senhora hoje, as pessoas vivem disso aqui só?
00:14Vivem disso aqui.
00:18Dona Natile está há quase 20 anos na função. Começou com o carrinho, andando pela rua.
00:24Ela é a catadora mais antiga dessa associação em Nova Canaã, Cariacica.
00:28Ao todo, são quatro homens e cinco mulheres aqui. Gente que vive um momento muito complicado.
00:38Márcia está aqui há seis anos, é mãe solteira, sustenta três filhos e, confessa, muitas vezes falta comida em casa.
00:46Você não dá para comer direito. Tem vezes que só tem o arroz e o feijão, tem as outras coisas.
00:55Seu Joel também tira o sustento da família dessas pilhas de lixo.
00:59Ela estava me dizendo que tem meios que dá 400 reais, 500 para cada um. Mas isso não dá para
01:04uma família viver.
01:05Não dá. Não dá. E tem meios também, a gente ia até ter menos do que ela falou.
01:12E como é que faz para sustentar a casa?
01:16É a graça de Deus, no meio de tudo, né? A graça de Deus é que também, né?
01:23Porque se for só do... daqui a gente não dá.
01:30A Flex Vida funciona assim. Todo o lixo de Cariacica é dividido entre essa e uma outra associação da cidade.
01:37A prefeitura recolhe e entrega. Esse ano já foram 101 mil toneladas.
01:43O volume é grande, né? Só que muita coisa não pode ser aproveitada.
01:47No mês de abril, por exemplo, os catadores só conseguiram vender sete toneladas.
01:52Parece muito, mas é pouco.
01:54Sobrou 200 reais para cada catador, entendeu?
01:56Sobrou 200 para cada um.
01:58Aqui nós temos que pagar água, luz, contador, aluguel, né? Tudo para nossa conta.
02:03Eles batem aqui, mas nós temos que pagar tudo para nossa conta.
02:06Entendeu? Aí sobrou 200 reais para cada um.
02:11Outra coisa importante. O material é vendido no peso.
02:14E para juntar um quilo, não é fácil, não.
02:17Fora que os valores pagos são baixos.
02:19Um quilo de vidro, 5 centavos.
02:22Um quilo de papel branco, 40 centavos.
02:25Um quilo de papelão, 1 real.
02:28Alumínio, 3 reais o quilo.
02:30E o plástico, que é o queridinho da reciclagem, sai por 3 reais o quilo.
02:35Esse material transforma em uma fonte de renda para as pessoas que catam este material.
02:42E as indústrias associadas aos sindicatos
02:48compram aproximadamente 2 mil quilos por mês de plástico.
02:55O sindicato reforça a importância desses trabalhadores.
02:58Sem eles, quem iria dar conta de tanto lixo?
03:02Onde iria parar toda essa sujeira?
03:05Se não fossem as ações dessas instituições, dos catadores,
03:10esse material, naturalmente, eles estariam sendo destinados ao meio ambiente.
03:15E vocês já conhecem o resultado.
03:18Então, eles realmente têm um papel importantíssimo
03:21dentro desse processo aí da execução da economia circular.
03:26Ei, você que está aí do outro lado da telinha,
03:30saiba que você é parte importante disso tudo aqui, ó.
03:35Você pode ajudar e muito essas pessoas,
03:37os catadores, os separadores de material reciclável.
03:42Sabe como?
03:43Na hora de ir ensacolar o seu lixo.
03:46Eles podem estar separando, eles estão separando a sacolinha, né?
03:49O papel, né? Sacolas, né?
03:53O pet, entendeu?
03:54As latinhas de ervilha, né?
03:57E estão separando e falam assim,
03:59tá aqui o material pra vocês, entendeu?
04:04No meio desse monte de material,
04:06se esconde também vidro quebrado,
04:08seringa, agulha, um perigo.
04:10Eu estrepei com agulha de injeção,
04:14furou a bota e furou meu pé.
04:15Aí eu acabei, fiquei por aquilo mesmo,
04:18mas depois acabei passando mal.
04:19Fiquei 17 dias no hospital com infecção no intestino, entendeu?
04:24Mas essa história ainda reserva outro problema.
04:27O pouco dinheiro que sobra é pra pagar o aluguel,
04:30mais de 600 reais.
04:32Tem também o contador, 300 e poucos reais.
04:35E ainda tem água, energia e outras despesas.
04:38Aí, falta grana pra melhorar a estrutura.
04:41Eles não têm um galpão.
04:42Na verdade, a proteção é essa tenda aí, ó,
04:46de lona, toda furada.
04:48Aqui a gente trabalha, você vê,
04:50onde choveu essa lona toda furada.
04:53Então, quando o sol quer,
04:55a gente trabalha no sol, é na chuva.
04:58Só queria ter um galpão direitinho pra vocês trabalharem.
05:00Isso.
05:01Música