00:00Eu convido para participar com a gente aqui do Espírito Santo no ar o Valentim Moreira Brandão, que é técnico
00:04em enfermagem.
00:05Valentim, bom dia. Obrigado pela sua participação.
00:07Obrigado a vocês.
00:08Vou pegar já de bate-pronto a pergunta do Dudu que você ouviu.
00:12Como que tem sido a rotina de vocês trabalhando na linha de frente à pandemia e quais são os maiores
00:17desafios desses tempos?
00:19Bom dia, Eduardo Santos. Obrigado pela oportunidade. Bom dia, Espírito Santo.
00:23Nosso maior desafio hoje tem sido lidar com a pressão.
00:27O compadre que estava agora com o Matheus, que no início disso tudo as pessoas romantizaram muito a categoria enfermagem.
00:34E isso tem tido um reflexo muito negativo para a gente.
00:39Porque a gente é visto como um super-herói, como alguém que não pode ter medo, como alguém que tem
00:43que encarar de frente um vírus letal, invisível,
00:47que tem matado metade das pessoas de vários países.
00:51E isso tem, trago um transtorno muito grande para a gente.
00:55Por quê? Como que eu sou um super-herói, aparamentado dentro do hospital, salvando vidas,
01:02mas eu não sou um super-herói dentro da minha casa quando eu chego com a minha família, com os
01:06meus...
01:07Eu não tenho um filho, mas para quem tem filho, como que eu sou um super-herói dentro de casa,
01:11se eu não posso abraçar meu filho, se eu não posso abraçar meus pais, se eu não posso ter contato
01:15com quem eu gosto.
01:16Então, essa imagem, às vezes, que está sendo romantizada de super-herói, profissional da saúde de linha de frente,
01:21eu mesmo gosto muito de rede social, tenho compartilhado fotos, compartilhado algumas imagens de forma positiva,
01:28com a hashtag, sem recuar, não vamos parar.
01:31Mas, muitas das vezes, essa hashtag, essa fala tem vindo escondida de um medo,
01:37porque eu tenho medo de ser contaminado, eu tenho medo de contaminar minha família, contaminar os meus amigos.
01:41Então, tem sido muito difícil lidar com isso nesse dia a dia.
01:44A gente tem restringido um contato muito grande com nossos familiares,
01:47na família mesmo, mora no interior do Espírito Santo, na nova do imigrante.
01:51Então, tem sido difícil, às vezes, trabalhar sozinho, chegar em casa.
01:56Às vezes, muitos de nós não tem com quem conversar, né?
01:59Chega lá e fica numa dúvida, será que eu fui contaminado hoje, será que eu não fui?
02:03Então, existe uma pressão muito grande psicológica em torno disso tudo.
02:07Dudu, você tem mais uma pergunta para o Valentim?
02:09Pode fazer que ele está ouvindo você, ele está à disposição aqui do Espírito Santo no ar.
02:14Valentim, quais são os cuidados que vocês estão tomando dentro das unidades de saúde
02:18para evitar a contaminação?
02:24Nós, de um modo geral, temos recebido a paramentação, né?
02:30Eu gostaria de entrar aqui para mostrar para vocês, eu não consegui trazer.
02:34Viseira, óculos, máscara, luva.
02:37Nós temos tomado todas as medidas que é preconizado pelo Ministério da Saúde,
02:42pela Secretaria do Estado e do Governo, né?
02:45Que orienta sobre as recomendações.
02:48Temos recebido treinamento quanto à forma de trabalhar,
02:51atender o paciente, a paramentação, desparamentação.
02:53Então, a gente tem lidado com isso de forma muito positiva até então, né?
02:59Apesar de sofrer com a pressão psicológica,
03:04a gente tem conseguido lidar bem com isso.
03:06O Lucas Pisa, direto da redação, ele também tem uma pergunta para você.
03:10Valentim, Lucas, pode fazer que ele está te ouvindo.
03:12Bom dia, Matheus. Bom dia, Valentim.
03:15Primeiro, eu queria dizer que você faz parte de uma categoria
03:18heróica no momento que a gente está passando.
03:20Isso ninguém tem nenhuma dúvida.
03:23Mas, Valentim, o que poderia melhorar?
03:26Quais são os principais desafios para vocês no dia a dia?
03:29Em relação a EPIs, em relação a escalas de trabalho?
03:33O que poderia melhorar para a categoria nesse momento?
03:42Olha, eu estava conversando agora com o Matheus aqui
03:44e é uma verdade que o vírus apareceu sem ninguém esperar.
03:48Ninguém esperava essa pandemia nesse momento.
03:54Os hospitais atendiam com materiais comportados para o cotidiano que a gente tem agora.
04:01De repente, o vírus apareceu, houve uma sobrecarga nas compras
04:07e isso dificultou, às vezes, que os hospitais comprassem material.
04:12Mas a gente não tem sido falta ou déficit de material.
04:17Eu te falo que a nossa maior dificuldade hoje,
04:20nossos maiores inimigos hoje, tem sido a população.
04:22As pessoas que não respeitam a recomendação do governo,
04:26que é ficar em casa, distanciamento social.
04:28Então, o nosso desafio maior nem tem sido tanto lidar com falta de material,
04:32porque não está sendo isso verdade onde eu trabalho.
04:37Então, a nossa maior dificuldade mesmo é lidar com as pessoas que não têm conseguido cumprir isolamento,
04:43que estão sobrecarregando os hospitais, que estão lotando as unidades e dificultando o nosso trabalho.
04:49E assim, Valentim, no meio disso tudo, como que tem ficado o lado psicológico de você?
04:54Você citou relacionado à questão, por exemplo, de não poder chegar em casa, ter contato com as pessoas que você
05:00ama.
05:00Como que tem sido esse lado psicológico?
05:02A rotina de trabalho de vocês em relação à escala modificou?
05:06Vocês estão trabalhando com menos gente?
05:07Como que está esse contexto?
05:09Então, o psicológico realmente tem ficado abalado,
05:13porque, como eu disse, as pessoas tentam estar diante como super-herói,
05:16mas nós não somos.
05:17Somos profissionais da saúde que estão de frente, trabalhando.
05:20E, como eu disse, não tem super-herói que não pode chegar em casa
05:25e cumprimentar seu pai, sua mãe e sua família.
05:28E tem sido difícil, Matheus, muito,
05:31porque a gente tem que tomar distanciamento das pessoas que a gente gosta,
05:35de fazer o que a gente gosta.
05:37E a gente tem chugado muito gelo com todo esse problema que tem acontecido.
05:41Tá certo, Valentim. Muito obrigado pela sua participação.
05:44Parabéns pelo trabalho.
05:45Que você tenha forças aí, junto com seus colegas,
05:48para continuar trabalhando e atuando para salvar milhares de vidas como vocês têm feito.