00:00A gente está aqui na Secretaria Estadual de Segurança Pública, onde os órgãos de segurança aqui do Estado estão dando
00:06uma coletiva para poder falar sobre esse caso aí de Vila Rubim.
00:09E a sua pergunta eu já faço direto para o Secretário Estadual de Segurança Pública, Roberto Sá.
00:14Roberto, obrigado pela participação aqui no Espírito Santo Noir.
00:16Já dá para identificar alguns dos suspeitos, o que a SESP já tem de informações em relação a esse atentado
00:23contra moradores em situação de rua em Vila Rubim. Bom dia.
00:25Bom dia a todos. Ontem nós tivemos esse ataque covarde e imediatamente as polícias civil e militar foram para o
00:33local e iniciaram as diligências.
00:35Conseguimos ontem mesmo levantar as duas motocicletas utilizadas por esse ataque covarde, assim como o itinerário.
00:42Nos reunimos e passamos a tarde e a noite verificando aqui mais informações, estabelecendo estratégias.
00:47E as diligências da polícia civil permitiram que a polícia militar, através da SEMESP, apreendesse uma das motocicletas utilizadas lá
00:56em Cariacica.
00:57Então agora, a Departamento de Homicídios continua na investigação, solicitamos o apoio da população através do Disque de Denúncia para
01:05auxiliar essas diligências.
01:07A polícia militar, a partir de então, nós semana passada assinamos um contrato importante de guincho para facilitar e aumentar
01:16as operações de repressão,
01:19a utilização de veículos automotores, principalmente em situação irregular.
01:23A polícia militar está intensificando essa operação.
01:26A gente tem visto muitas motocicletas sendo utilizadas em cometimento de crimes e a partir de então nós vamos intensificar
01:32essas ações.
01:33E em relação aos feridos, mantém o número que foi passado ontem, 10 pessoas feridas, uma delas acabou não resistindo
01:40e morreu no local?
01:41Exatamente. São 10 pessoas em situação de rua, alguns viciados em drogas, e que estavam ali e foram covardemente atacados,
01:50sendo que uma dessas 10 evoluiu para óbito, lamentavelmente.
01:53Todas já estão identificadas, lamentavelmente vivem nessa situação de hipossuficiência, morando ali na rua,
02:01mas o ataque foi um ataque muito covarde e não vai ficar impune.
02:06Secretário, o senhor fala da questão do ataque covarde, né?
02:09Mas no ano passado, em 2019, nós tivemos muitos casos de moradores de rua que foram assassinados só por serem
02:15moradores de rua.
02:16Em 2020, a gente continua vendo isso acontecer.
02:18A gente percebe que os próprios órgãos de segurança pública acabam colocando na conta dos moradores de rua
02:24arrombamentos, situações de crime, como assaltos, furtos, ou seja, constrói-se na memória coletiva um ódio contra o morador de
02:31rua.
02:32Por outro lado, não é só um problema de segurança pública, mas também um problema social.
02:37E o que o governo pode fazer para não só conter a questão da polícia, mas também um apoio?
02:41Porque ali tem subgrupos, ali tem dependentes químicos, tem alcoólatras, a gente tem pessoas que foram afetadas pela crise.
02:49Não dá para colocar todo mundo no mesmo saco, né, secretário?
02:52A sua colocação é perfeita.
02:54No conceito mais moderno de estratégia de segurança pública, a gente chama de segurança cidadã,
03:00em que todas as prevenções primárias, secundárias, terciárias, situacionais e sociais,
03:05devem ser abordadas pelo poder público, presidente público, federal, estadual e municipal.
03:11E atua-se nas causas.
03:13Há uma mandela de causas que, não tratadas, acabam colocando as pessoas em situação de risco.
03:19Aí ocorre a violência.
03:20Eu já dizia no Rio de Janeiro que a polícia é a última barreira para a barbárie.
03:24Então, bem colocada a sua afirmação, há uma série de barreiras tratando as causas
03:30que, se efetivamente abordadas adequadamente, elas acabam impedindo situações que colocam pessoas em situação de risco.
03:38Então, assim, cracolândias, pessoas em situação de rua, num primeiro momento, é um aspecto social.
03:45Mais do que de polícia.
03:46A polícia chega lá e recolher, as pessoas não ficam presas.
03:48Porque, em tese, enquanto estão morando na rua, não estão cometendo crime.
03:52Elas estão desassistidas.
03:53Então, é um problema mais um, grave, em que a nossa sociedade precisa se debruçar
03:59para que todos nós trabalhemos e tentemos dar mais dignidade possível para todas as pessoas e por suficientes.
04:06E a polícia acaba fazendo a prevenção de diversos crimes contra a vida, contra o patrimônio
04:11e, infelizmente, acaba se deparando com uma situação como essa.
04:15Mas as polícias militais, civil, agiram muito rápido.
04:19O fato se deu entre 12h55 e 12h58 e 13h, já tinham guarnição da polícia militar.
04:26A DH foi para o local, ouviu as pessoas que estavam em condições de serem ouvidas
04:31e já nos sinalizou para diligências que a polícia militar acabou efetuando ao longo do dia
04:36e acabou localizando a motocicleta, que é para a investigação.
04:40Essa prevenção é muito importante.
04:41Secretário, a gente teve vários outros casos de crimes no final de semana também.
04:45Um morto em Barra Mares, carro incendiado, três mortos em Cariacica também
04:50e outras situações de crime no fim de semana.
04:52Eu queria que o senhor comentasse esse final de semana,
04:53tanto violento aqui no Espírito Santo, além desse caso da Vila Rubim.
04:56É verdade. A gente tem percebido, e não é de agora,
04:59que no final de semana sempre há uma elevação desses crimes contra a vida.
05:04Todos os nossos esforços são canalizados para isso.
05:07E esse final de semana, exemplo do outro, a gente acabou verificando
05:11que nessas disputas por tráfico de drogas acabaram acontecendo mais homicídios.
05:17Eu preciso ressaltar e afirmar aqui para a população que essa mesma polícia,
05:21que esse final de semana se debruçou sobre diligências para evitar e para encontrar os autores desses crimes,
05:29entregou no passado uma redução de crimes a maior nos últimos 27 anos.
05:33Então é um trabalho intenso, de outurno, de prevenção e identificação de autores de crimes de homicídio.
05:43Para vocês terem uma ideia, aprendem-se, nós aprendemos aqui no Estado,
05:48cinco homicídios por dia.
05:49Então foram mais de 1.800 pessoas que cometeram crime de homicídio no ano passado que foram presas.
05:55Ou seja, foram presas no ano passado mais de 1.800 pessoas que haviam cometido crime nos outros anos.
06:00E não para de acontecer.
06:02Esse ano a gente mantém a mesma média de prisão de 5 homicídios e apreensão de 9 armas de fogo.
06:08Então a polícia tem feito realmente um trabalho elogiável, memorável, mas temos uma sociedade violenta.
06:15Infelizmente, nós temos que admitir que temos uma sociedade violenta.
06:18Acesso fácil a arma de fogo e munição e as pessoas acabam banalizando a violência
06:24e atentando contra a vida de inocentes com essa forma bárbara.
06:27Mas nós não vamos deixar isso impune.
06:30É importante que a sociedade saiba também e nos ajude através do Disque Denúncia.
06:34Que independente de cor, classe social, time, religião, as investigações desses crimes bárbaros
06:43serão levadas a efeito para a gente chegar nos autores e entregar a justiça.
06:47Mesmo as vítimas sendo moradores de rua.
06:48Isso para a gente não importa.
06:51O crime foi cometido.
06:53O autor desse crime, ele vai pagar a justiça.
06:55E o índice de resolutividade no Espírito Santo é muito elevado.
07:00Há uma troca permanente de informações entre as polícias.
07:03E a gente tem, assim como nos latrocínios que aconteceram, imediatamente foram presos.
07:08Os dois brasileiros de Cariacica que cometeram um crime contra a brasileira nos Estados Unidos foram presos aqui.
07:13E nós temos três presos já que participaram da lamentável morte da pequena Alice.
07:20Então o tempo passa, mas as investigações continuam e nós vamos chegar nesses autores.
07:25Tá certo, então secretário. Muito obrigado.
07:27Dudu, volto aí com você.
07:29Essa foi a fala do secretário estadual de Segurança Pública
07:31sobre o caso de Vila Rubim, dos moradores em situação de rua que foram baleados.
07:36E também sobre os outros crimes do final de semana que nós já mostramos aqui no ES no ar.