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Durante o final de semana, me menos de seis horas, três jovens foram assassinados na Grande Vitória. Saiba o que as cidades estão fazendo para diminuir essa realidade
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00:00Estou recebendo aqui no estúdio a secretária de assistência social de Vila Velha, Ana Cláudia Simões,
00:05o secretário adjunto da assistência social da Serra, Jouber Janturno Filho,
00:09e também a integrante do projeto Raízes, a Mariana Cristina Ramos.
00:14Muito bem-vindos ao Fala Espírito Santo.
00:17Uma situação muito triste da gente ver aí.
00:20Em menos de seis horas, três jovens assassinados, inclusive dois deles, no município da Serra.
00:27Está aí um grande problema de Serra, né?
00:29É. Eu acho que esse é o maior desafio hoje, não só da Serra, como em toda cidade brasileira,
00:36sobretudo cidade de grande porte.
00:39A gente tem a dificuldade da exclusão social.
00:43É uma realidade que o Brasil passa, mas isso não nos tira a responsabilidade de fazer os nossos investimentos.
00:50E a Prefeitura da Serra, ela realiza investimentos significativos, né?
00:55Nesse último ano, provisionado por esse ano, nós temos 23 milhões, provisionado em termos de colaboração com as entidades que
01:06prestam o serviço,
01:07esse serviço do nosso município.
01:08Nós atendemos diariamente mais de 5 mil pessoas em todos os nossos serviços, contando crianças, jovens, adolescentes e adultos.
01:18Mas é uma questão que está colocada, está posta.
01:22O que nos desafia muito mais no período onde nós temos o agravamento da exclusão,
01:29temos o agravamento por conta do desemprego.
01:32Então, essa pauta está colocada.
01:36E é importante a gente deixar claro que, apesar de todos os nossos esforços,
01:42enquanto município, nós precisamos construir uma política que seja encadeada,
01:47do nível federal até o nível municipal, para que a gente possa vencer.
01:51É fato que a violência, né, gente, a gente não pode ignorar.
01:54É uma questão social, porque se a pessoa tem uma casa boa para morar, tem uma vida digna,
02:01tem um trabalho, vive numa comunidade também, com estrutura, né, porque assim, é rua descalçada.
02:07O Arlinson até comentou ali, você não tem dignidade nenhuma, porque não tem saúde adequada,
02:11não tem uma rua, é esgoto passando na porta de casa.
02:15Tudo isso acaba influenciando.
02:17E se a pessoa não tem uma realidade triste como essa, se vive num local bacana,
02:22se tem dinheiro ali para pagar, comprar comida no fim do mês,
02:26a probabilidade dela se envolver no mundo do crime, claro que ela é muito menor, né.
02:30Agora, é preciso de ações, tanto do poder público, quanto de toda a sociedade.
02:35É um trabalho em conjunto, né.
02:37Bem, é muito importante esse debate.
02:40Eu queria agradecer a oportunidade, porque me entristece muito
02:44quando as famílias e a sociedade em geral ligam a assistência apenas à questão de cadastro único,
02:52bolsa família, né, cesta básica.
02:56E a gente tem um serviço de prevenção muito forte dentro dos CRAS.
03:00Só que assim, é muito triste que a família procure,
03:03quando o jovem já faleceu, ela vai procurar na assistência um auxílio funeral.
03:08Quando o jovem já se envolveu com drogas e está na rua, vai procurar o centro pop.
03:13Quando já está adolescente apanhando do namorado, vai procurar o Cranvive.
03:18Então, tem que procurar os CRAS.
03:19A família tem que ser atendido aos CRAS.
03:22Agora, eu já vi por várias vezes pessoas,
03:24claro que tem gente que não tem nem acesso, não tem nem noção do que fazer,
03:27aonde buscar ajuda.
03:28Mas eu já vi várias pessoas dizerem, não só em Vila Velha, como na Serra,
03:32em outras cidades aqui do Espírito Santo,
03:34dizerem que buscam ajuda, buscam o poder público e não tem essa resposta.
03:37Não consegue auxílio.
03:39E aí, muitas acabam buscando até projetos sociais,
03:41porque a sociedade civil se organiza e atua, né?
03:45Para fazer a diferença, a gente está até com um exemplo aqui.
03:47Vamos falar um pouquinho do projeto?
03:49Sim.
03:50No Instituto Raízes, a gente atua em duas partes,
03:54que é a parte social-cultural.
03:56Nós atuamos no Morro da Piedade Fonte Grande,
03:59que é considerado o berço do samba, capixaba.
04:02Ali que surgiu a cultura do samba no Espírito Santo
04:05e foi fundada a primeira escola de samba, que é o Unidos da Piedade.
04:10E ali a gente faz um trabalho com as crianças, jovens, adolescentes.
04:15E como é que chegam essas crianças, esses jovens lá?
04:18Quem são eles?
04:19Então, muitos são moradores ali da comunidade,
04:24que têm interesse em fazer oficinas de percussão,
04:29para entrar na escola de samba.
04:30Então, muitas dessas crianças, às vezes, estão lá brincando no caminho e tal,
04:35e a gente consegue trazer para a nossa sede,
04:38que fica lá no alto do morro, para fazer esses projetos.
04:41Ou seja, ao invés de se envolver, talvez, no mundo do crime,
04:44que é o que está na porta de casa, né?
04:46Essas crianças, esses adolescentes, são levados para um trabalho,
04:49para projetos, para tirar esse foco, né?
04:52Também para tirar esse foco.
04:53Além de trabalhar na comunidade, a gente também trabalha em escola,
04:59nas escolas do entorno e no CEMEI do entorno ali.
05:03Eu queria aproveitar a oportunidade, então, de divulgar o trabalho,
05:07porque eu acredito que exista uma necessidade de melhoria, talvez, da divulgação.
05:12E esse trabalho de vocês é muito importante, parabéns.
05:14Porque, por exemplo, em Vila Velha, nós temos seis CRAS.
05:17Todos os CRAS atendem, em média, 20 bairros,
05:20inclusive com possibilidade de oferecer o Vale Social
05:23para a pessoa se deslocar, se ela não tiver condição financeira de pagar um ônibus.
05:28Temos oficinas de flauta, capoeira, dança, música, informática, arte, inglês.
05:35Tudo gratuito para jovens e adolescentes.
05:38No caso dos adolescentes, já em fase de pré-início no mercado de trabalho,
05:43nós temos as oficinas de geração de trabalho e renda.
05:46Ensina a se comportar numa entrevista, fazer um currículo.
05:49Ensina a empreender.
05:51Temos o PAIF, que é um programa muito importante, que envolve toda a família.
05:55Fala sobre prevenção da gravidez na adolescência.
05:59Fala sobre prevenção contra o mundo das drogas.
06:03Fala também sobre violência doméstica.
06:05Então, a família precisa conhecer, levar o jovem, participar.
06:10Foi exatamente o que eu citei aqui.
06:11Porque tem muitas pessoas que vivem na ignorância, mas não é ignorância, de não saber mesmo,
06:18de desconhecimento do que existe de serviço.
06:21Isso é uma realidade pela falta de informação.
06:24Informação que não chega em comunidades carentes, comunidades muito pobres.
06:28A pessoa está ali vivendo naquela dificuldade e desconhece o que ela pode fazer, onde ela pode buscar ajuda.
06:34Já já eu quero saber o que tem na Serra também.
06:36Bem, falamos aqui, gente, de duas mortes, né, que aconteceram no município de Serra.
06:41E agora eu vou mostrar um outro caso.
06:42Um jovem de 22 anos que foi assassinado a tiros, depois de uma festa também na Serra.
06:48Esse crime aconteceu na madrugada, bem pertinho da Delegacia de Homicídios.
06:52Luiz Fernando de Souza Silva tinha 22 anos.
06:56Familiares do rapaz estiveram no departamento de homicídios e proteção à pessoa em Vitória na manhã deste sábado.
07:02Uma parente do jovem, que pediu para não mostrar o rosto, conta que ficou sabendo do crime ainda durante a
07:08madrugada.
07:08Meu tio chegou do trabalho, foi dormir, quatro horas da manhã chegou um rapaz na porta dele, informando ele que
07:16o filho dele havia falecido, nas redondezas mesmo do bairro dele.
07:22O pai está muito abalado e preferiu não gravar entrevista.
07:25O único filho foi morto com vários tiros na cabeça e no pescoço, nessa rua, no bairro Rosário de Fátima,
07:32na Serra.
07:32Era por volta de uma hora da madrugada.
07:35De acordo com testemunhas, Luiz Fernando estava em uma festa e teria comprado a briga de um amigo, que se
07:40envolveu em uma confusão por conta de mulher.
07:42O jovem estava próximo a este bar, quando foi assassinado.
07:46O local já estava fechado na hora do crime.
07:48O que também chama atenção nessa história é que o atirador não se importou em estar a poucos metros de
07:53distância da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa da Serra.
07:57A família tenta entender o motivo para os disparos, já que Luiz Fernando era um jovem tranquilo.
08:03Era uma pessoa muito boa, muito boa mesmo.
08:07A minha última recordação dele foi no dia das mães, ele fazendo uma oração maravilhosa para a gente.
08:14Só que assim, ele era adolescente.
08:17Algumas pessoas falavam que ele tinha amigos que não eram muito certos, né?
08:27E também pode ter um dos motivos, né?
08:30O rapaz trabalhava em uma concessionária, ajudando a vender e lavar carros.
08:35Estava vivendo com o pai na Grande Vitória há apenas três meses.
08:40Ele morava em Afonso Cláudio e tinha cerca de uns três meses que ele tinha ido morar com o pai
08:45dele.
08:45E lá em Afonso Cláudio ele estava na igreja, ele estava pregando.
08:49Eu falo de coração, é até uma mensagem que eu deixo para todo mundo, assim, conversa bastante com seus filhos.
09:00Depois que está no caixão, não tem mais nada a ser feito.
09:05Triste demais a gente ver um depoimento, assim, né?
09:07De uma mãe, uma pessoa que está aí perdendo um ente, uma pessoa tão querida, tão importante para a família.
09:14Está aí, olha, subsecretário.
09:15A gente tem três casos da Serra, falamos.
09:18Esse agora que a gente mostrou uma morte, uma outra morte.
09:20O Arnison acompanhou também uma tentativa, né?
09:22Porque um jovem também, cerca de 17 anos, baleado pela manhã.
09:27Ou seja, uma violência muito grande.
09:29O que tem de atendimento para os moradores do município?
09:32Então, o município da Serra, ele tem nove CRAS.
09:37Esses CRAS são a nossa porta de entrada.
09:40Eu acho que é importante frisar isso aqui.
09:42As famílias devem buscar o atendimento no CRAS,
09:45para todo o acompanhamento socioassistencial.
09:50A gente precisa deixar isso bem claro e reafirmar isso,
09:56porque existe uma rede de acompanhamento, uma rede que se preocupa em minorar
10:01e, inclusive, impedir que esse jovem chegue a uma situação extrema de violência.
10:07Nós temos projetos sociais em todos os bairros mais vulneráveis do município da Serra,
10:13que ofertam musicalização, ofertam artesanato, ofertam oficinas para gerar trabalho, emprego, renda, enfim.
10:24Uma gama de possibilidades, principalmente no contraturno, para que esse jovem, ele não se envolva.
10:32Eu acho que a gente precisa fazer uma conta que não é a conta inversa, né?
10:37É quantas pessoas a gente protege.
10:41E o grande trabalho da assistência social é a prevenção, é a proteção, é impedir que jovens cheguem neste momento.
10:48Exatamente. O ideal é atender a todos, né?
10:51Exatamente.
10:52E a gente busca isso.
10:53Porque um, dois que fica de fora vai fazer toda a diferença na vida da família, como a gente acabou
10:57de ver agora, né?
10:59A gente está com participações aqui na transmissão ao vivo e aí a Agatha Rosa está falando,
11:03infelizmente, isso não é só uma realidade de quem mora em comunidades mais carentes, não.
11:09Já vi gente rica, muito rica, com maconha em casa, ou seja, é uma realidade de todos.
11:14O Rogério Gomes está falando assim, que também não concorda, que isso é somente uma questão social,
11:19mas de índole também, do jovem.
11:22E ele fala, e quando a família é bem estruturada e tem jovens cometendo crimes absurdos?
11:26Então, eu penso que não é somente uma questão social ou do local onde vive a índole conta muito.
11:32Com certeza, não é um problema só de comunidades mais carentes, mas quando a gente olha os dados,
11:37e eu vou até passar um agora, fica mais compreensível para a gente entender.
11:42Homem, jovem, negro, com ensino fundamental, incompleto e solteiro.
11:47É esse o perfil básico dos assassinatos no Brasil na última década, segundo o Atlas da Violência,
11:53que foi divulgado em 2019.
11:55Esse estudo mostra que as mortes são principalmente por armas de fogo,
11:59geralmente acontecem aos sábados, entre seis da tarde e duas da madrugada.
12:03Os dados foram compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública,
12:07em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
12:10O perfil traçado no documento leva em consideração 618 mil homicídios ocorridos aqui no Brasil entre 2007 e 2017.
12:19Esses são os últimos números mesmo divulgados.
12:22E olha, em mais de 90% dos assassinatos cometidos no país, a vítima era um homem,
12:27e na maioria dos casos, jovens entre 15 e 29 anos.
12:32Os negros são os mais assassinados no Brasil.
12:35Segundo o Atlas da Violência, nos últimos 10 anos, do total de mortes, 73% eram homens negros e pobres.
12:43Está aí porque no começo eu falei aqui de uma grande questão social,
12:47porque a gente olha no número geral, são os negros, são pessoas de comunidades mais carentes,
12:54que acabam sendo as principais vítimas.
12:56Os números estão aí comprovando isso, mas é claro que a violência está em todos os lugares.
13:02A gente está com participações aqui, até falando também, principalmente, da atuação do poder público.
13:07A Keila, Bárbara, diz o seguinte,
13:09pouco se escuta as comunidades periféricas na construção de políticas públicas.
13:14É sempre feito para eles e não com eles.
13:18E olha, a Mariana até balançou.
13:19Então, vamos falar você, enquanto integrante também de uma ação,
13:23existe isso, as prefeituras, no caso,
13:25tomam as medidas, mas não escutam a população, as necessidades da população.
13:31É esse o sentimento?
13:32Esse é o sentimento que existe entre as comunidades, sim.
13:36Mas a gente, como representação,
13:41tenta dialogar um pouco mais, ter essa relação estreita.
13:45Em 2018, quando houveram vários casos de violência no Morro da Piedade,
13:50o Instituto Raiz teve que tomar uma atitude mais social no nosso coletivo.
14:00Muitas famílias foram expulsas da comunidade, outras tiveram que sair.
14:06E no nosso Instituto, a gente fez um levantamento das famílias que saíram,
14:12foram 40 famílias, cerca de 200 pessoas.
14:15E nós conseguimos, junto com a Defensoria Pública,
14:18entrar com o processo para conseguir o aluguel social para essas famílias.
14:22Saiu o resultado no final do ano passado.
14:25E esse ano, algumas famílias já estão recebendo esse aluguel
14:29e outras estão fazendo o cadastro.
14:32Então, a gente tenta fazer essa diferença.
14:36E olha, o Flávio Souza, que parabéns ao Projeto Raízes.
14:39E realmente estão de parabéns pela iniciativa e pelo apoio.
14:42Vamos falar um pouquinho de Vila Velha e Serra?
14:44Porque esse é um questionamento que é importante a gente esclarecer.
14:47Porque não adianta estabelecer políticas públicas sem entender o que realmente a população está querendo,
14:53está precisando, né, secretária?
14:54Correto. Por isso o espaço da divulgação é tão importante quanto a execução.
14:59Que muitas pessoas não sabem que esses espaços existem e são espaços oficiais e são órgãos de controle social
15:06que, além de contribuir para a construção, fiscalizam a execução e aprovam as contas, que são os conselhos.
15:13O lugar de participar efetivamente como cidadão, de uma maneira legítima, é através da participação nos conselhos.
15:22Nós temos o Conselho da Criança e do Adolescente, o Conselho de Assistência Social, que ele é paritário.
15:28Ou seja, metade é sociedade civil e metade é poder público.
15:33E se a sociedade civil não concordar, não aprovar, não colocar fé em determinada ação,
15:38ela não é aprovada e ela não é viabilizada porque o recurso não vai ser liberado.
15:43Então, a sociedade civil participa ativamente através dos conselhos.
15:47Um exemplo é agora, nós estamos com um chamamento público em aberto em Vila Velha, de quase um milhão de
15:52reais.
15:53A seleção vai até o dia 13 de março.
15:56A parceria é com o Conselho da Criança e do Adolescente, que fez toda a sistemática de avaliação junto com
16:04a Secretaria de Assistência.
16:05Nós vamos escolher 10 ONGs que vão pulverizar esses atendimentos nos bairros.
16:10E é o Conselho de Criança e Adolescente, formado pela sociedade civil, que nos indica quem são essas entidades.
16:17E as empresas precisam investir mais no fundo da infância e da adolescência,
16:22que é da onde vem o recurso que o Conselho faz essa divisão, essa distribuição.
16:28Então, é muito importante participar do Conselho, estar atento às reuniões.
16:32Pode ser conselheiro, pode ser só ouvinte, pode ser voluntário.
16:36É muito importante a participação da sociedade civil e a gente chama a participação, está aberta.
16:42E na Serra?
16:42Então, no município da Serra, nós já temos essa tradição de parceria entre o poder público e a sociedade civil.
16:49Muitos projetos importantes que hoje são referências no Estado do Espírito Santo,
16:55eles nasceram e foram reconhecidos pela municipalidade e hoje são referências importantes no Estado.
17:03Eu queria só citar um exemplo, por exemplo, aqui da Rede Aica,
17:07que é um projeto da onde surgiu o Jeremias, que hoje é conhecido nacionalmente.
17:15Então, a gente consegue, por meio desses projetos que nascem da sociedade civil
17:20e são apoiados pelo poder público, descobrir novos talentos e fazer bons encaminhamentos
17:27para que essas pessoas, os jovens e adolescentes, tenham uma nova perspectiva de vida.
17:32Então, na Serra, existe essa perspectiva de parceria e o poder público entende como prioritário essa relação.
17:41Então, nós temos também o Conselho da Criança e do Adolescente como grande parceiro.
17:47Nós sempre trabalhamos para valorizar e fortalecer o fundo.
17:53A Serra tem um fundo da infância e do adolescente muito importante, significativo.
17:58Nós trabalhamos com chancela no município e isso tem gerado frutos muito positivos
18:05para todas as entidades que participam do Conselho e tem conseguido fazer com que a gente amplie
18:12os investimentos, sobretudo voltados à criança e do adolescente,
18:16para que esse jovem, esse adolescente, ele não chegue ao limite da vulnerabilidade.
18:22Eu acho que eu queria frisar que o nosso trabalho, sobretudo, é um trabalho de prevenção.
18:29Tanto poder público quanto sociedade civil, nós temos que trabalhar para isso.
18:34Porque corrigir o ato é mais difícil, mas a prevenção é muito mais fácil e a Serra tem essa perspectiva.
18:43Agora, o senhor fala que a prevenção é muito mais fácil, a prevenção é o ideal.
18:46É o ideal, claro.
18:46Mas não é o que a gente acaba vendo.
18:48A realidade, a gente que vai aqui acompanhando as notícias, isso eu não digo só no município da Serra, não,
18:54tá, secretário?
18:55Estou falando de uma forma geral, aqui no Espírito Santo, no Brasil inteiro.
18:59Porque esse é um problema que a gente vê em todo o país.
19:02Isso é a cultura do Brasil, investida.
19:03Tem que mudar, tem que mudar.
19:05E qual é a sociedade, entre aspas, né?
19:07A política de assistência social, ela é uma política de portas abertas, mas a adesão, ela é voluntária.
19:13Então, nós temos um trabalho de formiguinha, de criar os projetos, de apresentar, chamar para participar,
19:21mas se a pessoa não quiser, a assistência não pode obrigar.
19:24Pois é, aí eu volto a falar aqui da questão do que é apontado pelas pessoas.
19:28Mas será que é isso que eles querem?
19:30Esse projeto que está oferecido é o que a população está desejando?
19:34É o Conselho, a participação no Conselho, é ali que eles têm que falar o que querem.
19:37É ali que todo mundo tem que participar, né?
19:38A gente falou aqui sobre a questão das drogas, que são realmente um grande problema.
19:43O tráfico, gente, acaba sendo a principal causa de jovens no mundo do crime.
19:47E olha só, hein?
19:48No ranking dos delitos mais comuns entre os detentos do país, está exatamente o tráfico de drogas, viu?
19:55Segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias de 2019,
19:58mais de 160 mil prisões feitas até junho do ano passado estavam relacionadas ao tráfico de drogas.
20:05Em seguida, aparecem aí crimes contra o patrimônio e furtos simples.
20:09Números que assustam a gente e que faz a gente também questionar uma coisa, né?
20:14Será que a cadeia, ela vai resolver?
20:16Porque o censo, mesmo o censo, mostra que ainda faltam mais de 300 mil vagas
20:21nas unidades carcerárias do país.
20:23Ou seja, o nosso sistema penitenciário está superlotado.
20:27Aí o cara vai lá, pratica um crime, é preso pela polícia, a justiça condena.
20:32E aí? Vai para o presídio.
20:34Mas na hora que sair, como é que ele vai sair?
20:36Que é o que a gente acaba vendo, né?
20:38Como que sai? Sai pior?
20:40Você tocou num assunto muito importante.
20:42Porque a demanda que a gente vê, o clamor da sociedade, por exemplo, na TV, nas entrevistas,
20:48é sempre novas unidades de saúde e novas escolas.
20:53Então, o foco é muito saúde e educação.
20:55Só que a política de assistência social, ela promove e ela trabalha a educação integral
21:01da família.
21:02Porque essa pessoa que sai do presídio vai voltar para onde?
21:05Para uma família, para uma comunidade.
21:07Em que situação?
21:08Exatamente.
21:09Esse doente vai sair do hospital e essa criança que vai no contraturno, ela vai para a família
21:15e para a sociedade.
21:16Então, quem cuida dessa política pública da família é a assistência social.
21:21Então, essa consciência, porque não é obrigatório como é a escola.
21:25A Keila Bárbara, aqui na transmissão, no Facebook, está falando o seguinte.
21:29A linguagem de muitos técnicos que estão à frente de serviços, como o CRAS, unidades
21:34de saúde, entre outros, é muito distante da linguagem popular.
21:38O poder público precisa usar a linguagem do povo.
21:41É.
21:42Eu acho que é importante a gente ter essa compreensão também, né?
21:46A gente, no município da Serra, a gente busca, ao máximo, estabelecer um contato mais
21:52direto e franco com a população.
21:54Isso é uma preocupação e é um exercício que a gente persegue diariamente, né?
22:00É fato também que a gente precisa qualificar os nossos técnicos para que isso aconteça.
22:06E a gente tem feito isso.
22:08Mas o nosso público também é um público de extrema vulnerabilidade, né?
22:15E a gente vai buscando construir a política também junto com eles.
22:20Nós não podemos ter também uma perspectiva, e eu acho que precisava falar isso aqui,
22:26da culpabilização apenas do indivíduo, né?
22:29Existe uma estrutura que gera uma exclusão social e que a gente, como poder público,
22:39luta cotidianamente para que isso não aconteça, para mitigar, para minorar.
22:46As pautas que estão colocadas no Brasil hoje, a principal delas é o desemprego.
22:52O desemprego gera uma exclusão social.
22:55A periferia, ela, é claro que a violência não é, não está restrita à periferia,
23:03mas são as zonas mais vulneráveis.
23:06E a gente precisa olhar com prioridade para essas zonas.
23:10No município da Serra, a gente tem procurado fazer isso.
23:13E é o que a gente espera, né?
23:14Aqui a gente acaba entrando também com uma cobrança do poder público,
23:18que tem que fazer, tem que fazer a diferença, porque assim como está,
23:22não dá para continuar.
23:23A gente vê aí a situação, parece só piorar nas comunidades.
23:27A gente está até como representante das comunidades, que trabalha bem,
23:30vê de perto a situação difícil que o povo enfrenta.
23:33A gente tem uma desigualdade absurda aqui no país, e isso precisa mudar, né?
23:38Então, a gente faz questão de abordar aqui, saber o que as prefeituras têm feito
23:41e também passar informação para o pessoal de casa, né?
23:44O último apelo que eu queria fazer, até pegando um bom exemplo, né, do projeto do Raízes, né?
23:49É, por exemplo, o que eles conseguiram de evolução e de apoio é porque são uma instituição regularizada,
23:57juridicamente apta, inscrita no Conselho.
23:59Então, conseguem participar dos nossos chamamentos públicos nos municípios,
24:03conseguem captar recursos diante de empresas que financiam projetos sociais.
24:09Então, é muito importante também que os bons projetos que existem nas comunidades
24:14procurem apoio e auxílio para se regularizar.
24:18Lá em Vila Velha, por exemplo, a gente tem um serviço chamado Serates,
24:21que ajuda nessa regularização.
24:23Que bom, olha, eu agradeço muito a presença de vocês, um ótimo fim de semana.
24:27Obrigada, viu, pelo bate-papo e que as coisas melhorem, né?
24:30É o que a gente espera.
24:31Nós que agradecemos a oportunidade, que é uma oportunidade ímpar,
24:35sobretudo para a gente divulgar os nossos serviços e a importância da prevenção.
24:40É isso aí, uma ótima tarde, bom fim de semana para vocês, viu?