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  • há 2 dias
Motorista do Uber acaba banido após gravação de assédio

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Transcrição
00:00Uma estudante filmou o assédio que sofreu de um motorista de transporte por aplicativo durante uma corrida.
00:06O vídeo, que você viu agora há pouco, foi publicado nas redes sociais e aí outras vítimas também apareceram. Veja
00:12só.
00:13Eu namoraria contigo se tu não tivesse namorado.
00:16É, mas eu acho que tem idade pra ser meu pai, assim.
00:19Não sou teu pai, nada.
00:21Mas tem idade.
00:23Eu faria coisas que teu pai não faria.
00:25Ao longo do trajeto, Carolina, de 17 anos, revelou que era menor de idade e gravou a conversa com o
00:32motorista de aplicativo.
00:3414 anos por cima, tu já é responsável.
00:37Eu fiquei com medo de ser mais grossa com ele, ele acelerar o carro, mudar o destino da viagem.
00:43Tipo, a sensação que tu sente é de inutilidade, sabe? Porque tu não tem o que fazer.
00:47A estudante, que conversou com a nossa equipe autorizada pela mãe, publicou os vídeos em uma rede social e denunciou
00:55o assédio à Uber.
00:56Eu recebi relatos de várias meninas que ele já fez isso com outras passageiras, sabe?
01:00A empresa Uber informou que considera inaceitável e repudia qualquer ato de violência contra mulheres.
01:07A conta do motorista foi banida assim que a passageira fez a denúncia.
01:12Carolina e a mãe também registraram um boletim de ocorrência contra o homem.
01:17Acho que não tem que deixar passar, porque temos que ser respeitadas, não interessa a idade.
01:22É repugnante ouvir, né? Eu faria coisas que o seu pai não faria.
01:27Uma menina estava ouvindo isso e resolveu gravar, mas quantas não gravam?
01:31Quantas não tem esse ímpeto de gravar, né?
01:33A gente fica indignado de ouvir, né?
01:36Passa por isso, sofre e fica calada.
01:37Exatamente, fica calada, né?
01:39Agora, isso ali, doutora, é considerado um assédio, uma importunação sexual?
01:44O que é aquele crime ali? É um crime, né?
01:47Sim, bom dia, Andressa.
01:48Aquilo ali que a gente viu e que costuma acontecer muito é importunação sexual.
01:53Por quê?
01:54Porque no assédio nós temos que ter uma hierarquia de trabalho, de função,
01:58mas alguma questão de hierarquia de funcionário para chefe, por exemplo.
02:03Quando a gente fala de importunação sexual, nós estamos falando de buscar um ato libidinoso
02:08para a busca do seu prazer sem o consentimento da vítima.
02:11Não chega a ser um estupro, mas aquele encostar no ônibus, aquela cantada que ela não gostou.
02:17Não é uma cantada, é velado, né?
02:20É uma violência velada, digamos assim.
02:22E isso, hoje em dia, é crime e com pena de um a cinco anos.
02:26Antigamente, nós tínhamos um problema e a sociedade ainda não se adaptou a isso,
02:30que é o quê?
02:31Você tinha isso, mas tinha uma brecha na lei.
02:34O Código Penal não previa a importunação sexual.
02:36Ela só passou a existir a partir de 2018.
02:38Então, com isso, a sociedade tem que se adaptar e as mulheres, principalmente as vítimas,
02:45elas têm que entender que isso, sim, é crime que pode e deve ser reportado às alegacias das mulheres,
02:49às especializadas.
02:51Então, e ela foi esperta de gravar.
02:53Até a gente tem recebido aqui, ó,
02:55nossa, que esperta que ela foi em gravar.
02:57Parabéns, menino, diz a Elisângela Pampolin, né?
03:00Mas muitas se sentem tão, num drama tão grande que não lembram de gravar e que ficam com medo,
03:08realmente, de ser levada para um outro lugar, enfim, né?
03:11E dizer uma coisa pior.
03:12E outras até são julgadas, né?
03:14O que a gente costuma dizer.
03:15Infelizmente, a mulher é muito julgada.
03:16Quando ela vai passar essa informação, essa situação de sofrimento,
03:21porque é um desconforto, o que a gente falou, ouvindo, assistindo,
03:24que não foi com a gente, a gente se sente enojada, então ela é julgada.
03:27Mas se você estava sozinha naquele carro, por que você estava sozinha?
03:30Isso é o desafio da sociedade, é não julgar, mas sim acolher
03:34e dar condições para que ela possa superar essa situação e não passar mais por isso.
03:38E não culpar, né, Luciana?
03:39Sim, não culpar, exatamente.

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