00:00Com três anos de idade, meus pais, minha avó descobriram que eu não escutava.
00:06Aí eles levaram o médico e falaram que eu nasci com a perda, que chama severa, perda severa.
00:14Aí aos poucos anos, eu fui começar a perder a perda.
00:19Todo ano perdiam a perda.
00:21Aí a gente mudava os aparelhos, os recursos, aqueles menor para o maior.
00:27Aí de repente, chegou com 17 anos, né, aí comecei a ter a perda profunda.
00:37Então eu usei vários tipos de aparelhos.
00:42Aí tinha um, dois, três, quatro, cinco.
00:44Aí chegou os últimos aparelhos e não segurou a perda profunda.
00:50Só que aí a gente, o médico falou assim, agora a gente vai ter que realizar o implante com o
00:58CREA.
01:00E não foi fácil para chegar nesse momento, não foi fácil.
01:04Você, isso era a minha voz?
01:06Porque eu nunca ouvi minha voz até hoje.
01:09Porque era muito diferente o aparelho normal do que o implante.
01:14Nada a ver.
01:16Então quando ela falou, oi, tudo bem?
01:18Aí eu fiquei assim, em choque com a minha voz.
01:22A coisa que eu nunca ouvi.
01:24Então, aquele momento foi assim, muita alegria.
01:30Minha mãe estava ali, tadinha, estava chorando.
01:33Aí teve o vídeo, aí eu falei assim, fala uma coisa, mãe, eu quero ouvir.
01:38Tadinha.
01:38Ela chorou muito aquele momento.
01:41É como se fosse criança ouvindo a primeira vez, sabe?
01:45Mas na verdade, a tecnologia do implante com o CREA, ele é o recurso melhor para ouvir.
01:53Eu comecei a ter mudança de fala.
01:56A coisa que eu não conseguia falar a palavra e eu estava conseguindo.
02:00Então era surpresa para mim.
02:02Aí coloquei as músicas, uma música que eu gosto, para ver, é totalmente diferente.
02:11Tipo assim, todos os dias a gente prende algum som.
02:16Igual o vento, o som meio que sopra, sabe?
02:21Você sente aquele vento leve, mas um som, você sente o vento, o som.
02:26Então, cada dia é melhor recuperação, cada dia é melhor emissão em algum tipo de sol.
02:35Mas o que mais que eu estou gostando nesse momento é minha própria voz.