00:00Presença divina, um homem, ignorante ainda das leis de Deus, caminhava ao longo de enorme pomar.
00:07Conduzindo um pequeno de seis anos, eram Antoninho e seu tio, em passeio na vizinhança da casa em que residiam.
00:14Contemplavam, com água na boca, as laranjas maduras e respiravam, a bom respirar, o ar leve e puro da manhã.
00:22A certa altura da estrada, o velho depôs uma sacola sobre a grama verde e macia e começou a enchê
00:28-la com os frutos que descansavam em grandes caixas abertas, ao mesmo tempo que lançava olhares medrosos em todas as
00:36direções.
00:37Preocupado com o que via, Antoninho dirigiu-se ao companheiro e indagou.
00:42Que fazes, titio?
00:44Colocando o indicador da mão direita nos lábios entreabertos, o velho respondeu.
00:49Psiu! Psiu!
00:50Em seguida, acrescentou em voz baixa, aproveitemos agora, enquanto ninguém nos vê, e apanhemos algumas laranjas, as escondidas.
00:59O menino, contudo, muito admirado, apontou com um dos pequenos, dedos para o céu e exclamou.
01:06Mas, os o senhor não sabe que Deus nos está vendo?
01:09Muito espantado, o velho empalideceu e voltou a recolocar os frutos na caixa, de onde os havia retirado, murmurando.
01:18Obrigado, meu Deus, por haveres despertado a minha consciência.
01:21Pelos lábios de uma criança, é, desde esse momento, o tio de Antoninho passou a ser realmente outro homem.
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