Para o sociólogo Jessé Souza, a explicação para a queda de governantes que implementaram políticas de inclusão social no Brasil não reside na corrupção, mas sim em um movimento histórico de resistência da elite. Em sua análise, existe uma "raiva de classe" por parte de uma elite que se sente ameaçada por qualquer projeto que beneficie as camadas mais pobres da população.
Souza argumenta que essa "elite do atraso" nutre um profundo "ódio ao pobre" e uma visão elitista que desqualifica o brasileiro pobre como "inconfiável" e "moralmente questionável". Essa visão, que ele considera um reflexo da herança escravocrata brasileira, fundamenta um discurso seletivo de combate à corrupção, usado como ferramenta para desestabilizar governos populares.
O sociólogo identifica um padrão histórico que ele chama de "cultura de golpes de Estado", no qual a elite promove a derrubada de governantes que ousam olhar para os mais pobres. Como exemplos, ele cita Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart, Lula e Dilma Rousseff—todos, em sua visão, "defenestrados" por essa mesma elite que não tolera a perda de seus privilégios.
Em obras como A Elite do Atraso e A Herança do Golpe, Jessé Souza busca desmascarar essa estratégia de dominação e revelar como a mídia, o Judiciário e a intelectualidade, ao reproduzirem a narrativa elitista, atuam como "forças de reprodução do sistema", mantendo o povo em um "estado permanente de letargia".
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