00:00E aí pessoal, tudo bom? Hoje a gente vai ver algumas situações de pânico operacional nas emissoras.
00:05Vamos lá ver isso comigo!
00:11Alberto Villas, que trabalhou no SBT, contou ao livro de Maurício Sticer, Um Fato Curioso.
00:16Ismael P. Pfeiffer, editor de economia, preparou um gráfico comparativo com os preços de um automóvel Gol,
00:23o mais vendido da época. Os preços variavam muito, e a concessionária mais cara mostrada na VT
00:29era a Vimave. Lilian e Tfib, que apresentavam o jornal no SBT, não pensou duas vezes e improvisou um texto
00:36no final.
00:37Olha, aqui vai um conselho, não passe nem na calçada dessa tala de Vimave.
00:41O que a Lilian não sabia é que a empresa que ela pediu para o público não passar nem na
00:46calçada
00:47pertencia ao grupo Silvio Santos, que por sua vez era dono do SBT.
00:50Ou seja, ela estava falando mal de uma empresa do próprio patrão, mas não aconteceu nada, ninguém deu atenção a
00:56isso.
00:56No programa do Bozo no SBT, um redator junto com o Valentino Guzzo, fizeram uma cena em que eles eram
01:03índios.
01:03Tinham que fazer um recado para o Bozo através de fumaça.
01:07Guibe e Valentino pegaram um saco de carvão moeiro inteiro, botaram em outro saco, como se fosse pano,
01:13para fazer o sinal de fumaça.
01:15A fumaça teria subido a ponto de prejudicar a exibição do programa.
01:19Segundo Luiz Ricardo, a emissora foi para um intervalo e não tinha nem o que colocar no ar.
01:24Os diretores da emissora ficaram irritados com a situação e as câmaras ficaram sujas.
01:29Essa situação é relatada no livro A Globo, volume 13.
01:33Em 1987, Ricardo Pereira, então editor-chefe do Globo Esporte, achou que tinha um gancho de intervalo impactante para o
01:40último bloco do programa.
01:42A frase, vai ter campeonato, queira CBF ou não queira CBF, era parte de uma entrevista dada a Globo pelo
01:49então presidente do Clube dos 13,
01:51Carlos Miguel Aydar, no auge de uma crise em que havia até a possibilidade de aquela associação de clubes poderosos
01:58realizar um campeonato brasileiro à revelia da CBF.
02:02Pereira, claro, não hesitou em emoldurar a frase de Aydar com o título de chamada em que se lia,
02:08ou vai ao racha. Mal sabia Pereira que no momento em que a chamada foi ao ar por volta do
02:13meio dia e meia,
02:14antes do intervalo comercial que precederia o bloco em que a reportagem completa seria exibida,
02:20estava em andamento no Rio um almoço no qual o mesmo Carlos Miguel Aydar e o então presidente da CBF,
02:26Octavo Pinto Guimarães, buscavam um acordo.
02:28Thelmo Zanini, o então chefe da redação de divisão de esportes da emissora,
02:33sabia não só do almoço, mas também do imenso problema que uma eventual ruptura entre as cartolas
02:39representava para a Globo, a época alinhada do Clube dos 13, interessado em transmitir o campeonato.
02:45E foi o próprio Zanini quem surgiu no switcher do Globo Esporte e esbaforido instantes depois da chamada ir ao
02:51ar.
02:51Pelo amor de Deus, essa fala não pode entrar no ar, não pode entrar no ar, tem que cortar.
02:58Por quê? Não houve tempo para a Zanini explicar.
03:00Nos minutos que antecederam a apresentação da reportagem e durante os quais Pereira e a equipe do switcher
03:06fariam mais um dos milagres operacionais que às vezes aconteceu nos bastidores da emissora.
03:12Diante do desespero do Thelmo e com apenas dois minutos para fazer qualquer mudança,
03:16corri para a central técnica e beneficiado pela sorte de a fala do Aydar estar no final da reportagem,
03:22combinei com todos um switcher que cortaria o trecho no ar e foi o que eu fiz.
03:27O telespectador deve ter estranhado a falta da fala exibida na chamada,
03:31mas a matéria já mostrava que havia uma determinação do Clube dos 13 de fazer um campeonato.
03:36A fala era a cereja do bolo.
03:38Ali Kamel, em sua estreia na Globo, viveu uma situação complicada.
03:43Quando viu de perto perplexo o resultado de uma pane técnica raríssima na mesa do switcher do Jornal Nacional,
03:49já a partir da apresentação de manchetes na escalada daquele dia e que chegaria a tirar o Jornal do ar
03:55por alguns minutos.
03:56Eu achei que tinha entrada no maior furada.
03:58O Jornal Nacional entrou no ar, aí a escalada gravada.
04:01Daqui a pouco a coitada da Fátima Bernardes, eu não entendia nada.
04:05E aí o Schroeder começou a gritar, chama o Zé Ricardo e eu falei, no que eu fui entrar?
04:10Uma gritaria, uma barata voa, uma coisa inacreditável, todo mundo muito nervoso gritando
04:17e o diretor lá panaca sem saber nem por onde começar.
04:20As emissoras abriam mão de exibir alguns eventos esportivos em prol da grade e programação que precisava ser respeitada.
04:27A Globo, volume 3, Metamorfose, é relatado que a jornalista Rosana Araújo viveu um episódio inacreditável
04:34num ginásio em São Caetano, São Paulo, durante a transmissão de uma partida entre Brasil e Argentina
04:41pelas eliminatórias do vôlei masculino para as Olimpíadas de Sidney.
04:45Naquele dia, com muitos anúncios para pagar, a Globo tinha programado um intervalo comercial maior
04:52que os 3 minutos e meio previstos pelos organizadores da competição, ou seja, um problema, né?
04:58Rosane, a responsável pela coordenação da equipe da Globo no ginásio, foi avisada em cima da hora
05:03no fone de ouvido pelo diretor Emanuel Castro.
05:07Aí ela se aproximou do delegado da Confederação de Vôlei na beira da quadra
05:11e pediu que ele esperasse mais um minuto antes de reiniciar a partida,
05:15recebendo de volta um surpreendentemente de jeito nenhum.
05:19Bom, Emanuel, cara, eles estão dizendo aqui que não vão parar 4 minutos, não.
05:24Ah, não quero nem saber, Rosane, vai ter que ter.
05:27Enquanto isso, a Globo continuava exibindo comerciais e, entre a negativa do Cartola
05:32e a ordem do chefe, Rosane, como ela lembra em seu depoimento ao Memória Globo em 2016,
05:38resolveu entrar em quadro junto com os jogadores brasileiros e argentinos
05:41e ficar lá, com o fone enorme no ouvido, sem que as pessoas entendessem o que se passava.
05:46Fui entrando, entrando, e aí o árbitro e o delegado da Confederação
05:50olhavam pra mim, tipo, o que essa maluca tá fazendo?
05:54E aí o cara pitou, os dois times se formaram na quadra e ficaram lá parados.
05:59O jogador Carlão, eu lembro, se acabando de rir.
06:03O Radamés Latari, que era técnico, também ria pra caramba
06:06e ia lá no meio da quadra e os comerciais rolando.
06:09Emanuel, o árbitro, está olhando pra mim.
06:12Fica aí, não sai daí.
06:13O ginásio lotado, então, percebeu que Rosane estava segurando o reinício do jogo
06:18e os torcedores começaram a reclamar com xingamentos.
06:22De camarote, na chamada posição de comentarista do ginásio,
06:26aguardando os acontecimentos, o narrador Luiz Roberto, segundo Rosane, também se esbaldava de rir.
06:32Emanuel, estou sendo xingada aqui.
06:34Fica, fica, vai ficando, vai ficando.
06:36Emanuel, o árbitro está vindo na minha direção.
06:39Eu estou vendo.
06:40Quando o árbitro pôs a mão no ombro de Rosane,
06:43veio pelo fone o aviso de que a Guba, depois de pagar os comerciais daquele break,
06:48já estava exibindo o sinal do ginásio.
06:51Sai, pode sair.
06:52E esse foi o nosso vídeo de hoje.
06:54Espero que vocês tenham gostado.
06:56Se inscreve no gostei bonito aí embaixo.
06:58E até o próximo vídeo.
07:00Tchau.
07:06Tchau.
07:07Tchau.
07:07Tchau.
07:08Tchau.
07:10Tchau.
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