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  • há 2 dias

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Esportes
Transcrição
00:01A essência do futebol não pode ser violada, não pode ser agredida por interpretações
00:10distorcidas dessa base, muito menos se por questão de conveniência.
00:21Olá amigos do futebol e de sua arbitragem, Manuel Serapel Filho, ex-arco da FIFA, ex-dirigente
00:27de arbitragem da CBF, integrante do comitê consultivo da Internacional Futebol Associaio
00:33Borde por dois anos e também autor do projeto VAR.
00:38Vou conversar com vocês desta feita sobre um lance e suas repercussões paralelas acontecido
00:46no jogo da partida de ida entre Vasco e vitória pela Copa do Brasil nessa quarta-feira, 26
00:54de agosto do ano ocorrente.
00:57O lance em questão é a expulsão do jogador Barros do Vasco, porque com mão deliberada,
01:06que é indiscutível, teria impedido uma clara oportunidade de gol da equipe do Vitória.
01:15A discussão está sendo levantada apenas por uma questão geográfica, a distância que
01:27o jogador tacante tinha em relação à meta adversária.
01:33Esse é um elemento relativo.
01:36O jogador pode estar em sua própria metade do campo, na sua intermediária, e ter, claro,
01:42a oportunidade de gol, se tiver apenas o goleiro à sua frente e se os adversários não puderem
01:48alcançá-lo naturalmente.
01:50Nesse caso, sobremodo, o atacante do Vitória estava correndo para a frente, a bola foi cortada
02:00pelo defensor do Vasco com mão deliberada, que estava correndo na direção oposta de sua meta,
02:08e o jogador do Vitória teria condições amplas, porque o domínio da bola era clara, de com
02:14a bola dominada, vamos imaginar, 40 metros de distância para a linha de meta, mas o chute
02:22é feito antes, na entrada da área, o que significa que essa distância foi diminuída para
02:2926, 27, 28 metros, e o único defensor que estaria mais próximo da jogada do Vasco era
02:40o Cuesta, que estava a mais de 10 metros de distância lateralmente e mais ainda, cara,
02:47torcedor.
02:48Isso é muito importante.
02:49Com seu corpo em posição de quem ia atacar, quer dizer, estaria correndo para a direção
02:56oposta para onde a jogada se desenvolveria naturalmente depois que tocou no jogador do
03:03Vitória.
03:03Então, a distância não é uma questão geográfica, é uma questão de essência de futebol.
03:09Um atacante com a bola, ainda que tenha que dar 3, 4 toques, com um adversário que esteja
03:15a 10, 12, 15 metros de distância dele, com o corpo na posição invertida, como já mencionamos,
03:21os gols, jamais o alcançaria, jamais lhe causaria nenhum incômodo para que ele, sozinho com
03:28o goleiro, fizesse o gol.
03:32É só perguntar, um atacante que tem uma jogada dessa ordem e que vai à frente e perde
03:39o gol, depois não é chamado de perna de pau?
03:42Depois, não vou dizer, até minha avó faria esse gol?
03:45Então, a claríssima oportunidade de gol é indiscutível.
03:50Então, o Kandasan analisou mal, mas o Daniel Novebins recomendou a revisão e o Kandasan
03:59reviu sua posição, analisou o contexto da jogada, a essência do futebol e decidiu
04:05corretamente pela expulsão do Barros.
04:08clara oportunidade de gol, o defensor do Vasco, o Cuesta, jamais alcançaria o atacante
04:17do Vitória e a distância não é geográfica, mas é-se no contexto do futebol.
04:23Às vezes, o atacante, estando mais distante da meta, ele tem mais chance de dar um balão
04:29por cima do goleiro, driblar alongamente o goleiro e depois ter a meta vazia, aberta,
04:34sem nenhum defensor para lhe incomodar e ele bater na bola com muita facilidade.
04:39Então, a essência do futebol tem que prevalecer e deve prevalecer sobre essa suposição de
04:49que o defensor poderia chegar e não poderia.
04:52O atacante correria, repito, 26, 27 metros e o defensor a 10 metros de distância lateralmente
05:00com o seu corpo voltado para o sentido oposto, jamais o alcançaria ou, mais ainda, jamais
05:07o incomodaria.
05:08Então, decisão correta e expulsão correta.
05:11Mas, torcedor, esse lance exige uma análise mais aprofundada para a gente tentar mostrar
05:19o equívoco que está graçando no nosso futebol quando todos os árbitros, solenemente, sem
05:27nenhuma prudência, marcam todo e qualquer toque de mão acidental quando ele não acontece
05:37na grande área e sendo do defensor.
05:43Recentemente, houve um gol do Mirassol que foi anulado com um erro grosseiríssimo que
05:47a bola bateu acidentalmente e não interferiu em nada na trajetória da bola e o gol foi
05:54anulado desclassificando o Mirassol no jogo com o Internacional.
05:58Pois bem, essa filosofia de dizer se pegou na mão você marque logo é uma filosofia que
06:04fere a essência do futebol.
06:06Nós diríamos até adjetivando que é uma filosofia covarde, porque a essência do jogo, a regra
06:14diz que a mão acidental não é punida salvo se impedir uma clara oportunidade de gol ou
06:19se um atacante fizer o gol imediatamente.
06:22Se há um toque acidental, o árbitro não pode marcar essa infração.
06:28Mas no nosso futebol está agraçando esse desvio da essência da regra do jogo.
06:36E toda e qualquer mão está sendo marcada por todos os árbitros, por uma talvez filosofia
06:44nefasta.
06:45É mais fácil explicar que foi mão porque você tem um toque a seu favor, do que justificar
06:53que não foi mão.
06:54O que é acidental, o que é claramente acidental, todos nós sabemos e a regra diz que não é
07:00acidental.
07:00Então, não pode haver essa premissa de ser mais fácil, porque afinal de contas a dificuldade
07:07de uma atividade não se resolve com facilidade que vira a sua finalidade.
07:13Imagine um milímetro num foguete da NASA, para mais ou para menos, um milímetro não é nada,
07:19vamos deixar para lá.
07:20O foguete vai explodir e pega fogo.
07:23Então, no futebol, se a postura da mão é natural, compatível com o seu movimento e
07:30o toque é acidental, não se pode marcar infração nem no meio de campo, nem na grande área.
07:36Resultado, neste lance houve o toque da bola na mão do jogador do Vitória, que se o Ape
07:45tivesse visto teria marcado, mas como não viu e foi para a revisão, ficou claro que
07:50foi acidental, ele não pode marcar sob pena de violar frontalmente a regra do jogo.
07:56Então, este lance do jogo do Vasco com o Vitória tem mais esta conotação para a gente
08:03analisar essas mãos marcadas acidentais no meio do campo, solenemente, em qualquer circunstância,
08:10do que o próprio lance em si que, a nosso ver, respeitando opiniões contrárias, é muito
08:20claro, de claríssima oportunidade de gol, jogador tendo todo o campo para dirigir-se
08:28para a meta, saber por onde optar, tendo a possibilidade de cobrir o goleiro de distante,
08:34de modo que a clara oportunidade de gol ficou indiscutível e este lance da mão acidental
08:41do atacante do Vitória, que foi interpretada corretamente pelo Kandansan e também pelo
08:47Bins, serve de alerta para a comissão de arbitragem acabar com essa história de toda a mão
08:55acidental no meio de campo a marcar, porque isso está ferindo a regra do jogo, quebrando
08:59a dinâmica do jogo, prejudicando o jogo e buscando solução para onde não há problema
09:08com violação clara da regra do jogo.
09:11Torcedor, a expulsão do Barros foi adequada e a interpretação da mão acidental também
09:18foi adequada e tem que prevalecer em todos os lances, o árbitro tem que interpretar.
09:23O Daniel Bins foi muito feliz ao recomendar a revisão, porque, conquanto tenha um liames
09:31e um interpretativo, a clareza pela essência do futebol, como já dissemos, dá clara oportunidade
09:37de gol, é indiscutível e a decisão final foi muito bem tomada.
09:44Foi bom falar com você, torcedor, e até uma próxima oportunidade.
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