00:00Agora são quatro horas e vinte e um minutos. A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, a presidência da
00:06República, Daniela Marques, foi uma das convidadas do Fórum Empresarial do LIDE no Rio de Janeiro.
00:13No encontro, a ex-presidente da Caixa Econômica fez duras críticas aos rumos do debate sobre o fim da escala
00:21seis por um. Quem acompanhou foi o Daniel Lia. Vamos ver.
00:24A coordenadora da pauta econômica do plano de governo de Flávio Bolsonaro, do PL, Daniela Marques, classificou como populista inoco
00:34o debate sobre o fim da escala seis por um.
00:38É um debate populista inoco na realidade atual das famílias brasileiras. O cara tem que ter liberdade para trabalhar o
00:44quanto ele quiser.
00:45É uma ficção dizer que está se concedendo alguma coisa, enquanto quem produz não vai ter condição e vai ter
00:54um custo enorme em relação a isso.
00:56Então o problema não é a seis por um. O problema é a falta de liberdade do cidadão para discutir
01:01o seu contrato com o empregador sem o Estado interferir.
01:03Então somos a favor da liberdade, da ampliação dessa liberdade.
01:07Então deveria ter todas as jornadas permitidas e cabe ao trabalhador e ao empregador decidirem de que forma eles querem
01:14construir os seus contratos.
01:16Daniela Marques enxerga que os gastos públicos precisam ser reduzidos de maneira severa.
01:22Para ela, não se pode colocar na pauta qualquer discussão sobre ajuste estruturante antes que esse problema seja enfrentado.
01:33E não há moral para discutir nenhum ajuste em nada da população brasileira enquanto não se olhar para o excesso
01:41e o desperdício de recursos.
01:43Não há moral de Brasília para discutir nenhuma medida estruturante em relação a qualquer programa estruturante, se não cortar na
01:54própria carne.
01:54A executiva defende a redução da esplanada e mira o número máximo de 25 ministérios.
02:02Atualmente, o Brasil possui 38 pastas, sendo 31 ministérios tradicionais, 3 secretarias com status ou nível de ministério e 4
02:14órgãos equivalentes a ministérios, como o Banco Central e a Advocacia Geral da União.
02:22Vamos às análises novamente com a Cíntia Nunes neste final de semana.
02:27Cíntia, quero ouvi-la dividir em duas etapas.
02:30Uma sobre a escala 6x1, porque aparentemente não há um espaço diante do calendário eleitoral para se analisar essa medida
02:38no Congresso Nacional que está totalmente esvaziada.
02:41Em outro ponto é sobre a redução da esplanada.
02:44Aumentou muito no governo Lula porque Lula fez várias alianças e aí não tem almoço de graça, né?
02:49Quem esteve lá na campanha quis receber de alguma forma durante a gestão e aí Lula teve que aumentar essa
02:56esplanada.
02:57Aumentou e muito, inclusive, automaticamente o orçamento também tem que aumentar.
03:00Como o Flávio até aqui não tem tantas alianças, isso deve refletir em um eventual governo de Flávio?
03:08Porque se aqui o Centrão não quis compor, como ficaria lá na frente em janeiro de 2027?
03:16Bom, vamos lá, Bruno, pela ordem das suas perguntas, né?
03:19Em relação à escala 6x1, eu concordo em partes com as falas anteriores sendo mostradas, porque, de fato, no mundo
03:28ideal, sim, o trabalhador deveria ter plenas condições de decidir qual é a escala em que ele vai trabalhar.
03:35Porém, essa não é a realidade de possibilidade de decisão de grande parte dos trabalhadores.
03:43Primeiro porque tem uma hipossuficiência, uma hipossuficiência econômica e, na prática, isso, com certeza, levaria à imposição de escala sob
03:52pena de que ou você quer assim ou você não vai ter emprego.
03:55Então, não acredito que, no Brasil, nós tenhamos condições, pelo menos no trabalhador de piso, nos assalariados, dificilmente a gente
04:05teria condição de colocar um sistema como esse para que isso funcionasse de forma justa.
04:11Por outro lado, a escala 6x1 é algo que deve ser avaliado.
04:17As pessoas precisam ter uma qualidade de vida melhor, mas não dá para discutir a toca de caixa, não dá
04:23para ignorar os reflexos que isso vai trazer para quem cria e gera emprego.
04:28Então, é uma hipocrisia dizer, e é populismo, sim, apenas dizer vamos aprovar para todo mundo ficar feliz, bater palmas,
04:36porque dois minutos depois a gente vai ter uma enxurrada de desemprego.
04:40Então, isso é algo que precisa ser debatido, mas debatido com seriedade, sem pressão eleitoreira, para que sejam atendidas, talvez,
04:50regras de transição,
04:52para que seja possível criar-se um ambiente adequado com proteção, tanto para o empregador, o empresariado, e também aos
05:01empregados, para que tenha uma qualidade de vida melhor.
05:04Então, esse é um ponto.
05:05O outro ponto da sua pergunta é que, de fato, os gastos públicos, eles têm sido um debate durante todo
05:14este governo.
05:15Aliás, verdade seja dita, em vários governos, né?
05:18Os cofres públicos, ordinariamente, gastam muito mais do que recebem.
05:24E esses gastos, se fossem gastos direcionados à saúde, à educação, seria maravilhoso.
05:30Mas nós estamos falando de gastos que vão para cargos públicos.
05:35Então, quanto não cortarmos, não for cortado aí do próprio couro, é hipocrisia realmente exigir que outros setores façam o
05:44corte.
05:44Se é verdade que Flávio Bolsonaro, eventualmente eleito, vai ter uma estrutura menor, é o que se espera.
05:54Porque, se não, também vai, ano que vem, as pessoas vão colocar esse questionamento de uma promessa de um governo
06:02mais enxuto,
06:03de uma administração mais enxuta, e vai perder crédito também.
06:07Então, minimamente é o que se espera.
06:09Mas ainda mais do que reduzir a quantidade de ministérios, é verificar a eficiência, as atribuições e as necessidades desses
06:18ministérios.
06:19Porque, convenhamos, criar ministérios e dar empregos, dar cargos, e muitos cargos que decorrem de um único ministério,
06:27apenas por questões de aliança política, é honestamente desperdiçar o dinheiro que deveria ser direcionado à melhoria de vida do
06:37contribuinte e do cidadão.
06:39Então, realmente se espera que, se Flávio Bolsonaro for eleito, que isso aconteça.
06:43Agora, se ele não for, que o governo Lula também repense essa situação, porque senão o Brasil, muito em breve,
06:50vai quebrar.
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