00:09Oi, mana, maninha, se organizando para o grande dia.
00:18Ela chega no quarto com todo o hematoma no rosto, eles não tiveram o cuidado de limpar,
00:26portanto eu me assustei muito com a cena, porque eu não esperava, né?
00:30Ela veio completamente assim, toda desconfigurada, com sangue no rosto,
00:34e assim, eu achei aquilo muito estranho e questionei.
00:38Aí a enfermeira que veio do centro cirúrgico com ela falou para mim que era normal,
00:43que logo viria a enfermeira que vai passar a noite com a gente e faria a limpeza do rosto dela.
00:49Então aqui estava tudo dentro do protocolo, era assim mesmo que funcionava.
00:54Só que eu falei, poxa, recebê-la desse jeito é bem difícil para a gente que está aqui,
01:00porque ela está completamente, além de ela estar toda suja do centro cirúrgico, né?
01:05Ela está toda desconfigurada desse jeito, então...
01:09Mas eles disseram para mim que era normal, que assim era o procedimento.
01:13Ela volta mais ou menos assim por volta de umas sete, sete e pouco,
01:17ela já está falando, só que a fala dela era com muita dificuldade,
01:22por conta desse problema que eu notava desde quando ela chegou.
01:26A língua dela estava muito, muito inchada.
01:29Então ela falava comigo com muita dificuldade, né?
01:32E assim que, por volta de umas oito e quarenta da noite, nove horas,
01:38ela já começa a reclamar que a clótida dela estava fechando, entendeu?
01:43Então ela chama a enfermeira, ela me chama, mana, mana,
01:46mas ela fala com a voz como se estivesse afogando.
01:50Dali à frente, ela já começa a sentir, sabe?
01:54Cada vez mais, cada vez mais.
01:56Às dez e quarenta da noite, que a minha irmã começa a passar muito mal.
02:01E eu via tudo o que a enfermeira falava para mim,
02:04que era normal, né?
02:06Nesse momento que eu discuto com a enfermeira,
02:09que ela me puja assim na antessala,
02:11ela pega em mim e fala assim,
02:13olha, irmã, você está nervosa, né?
02:17Está deixando a sua irmã nervosa,
02:19está deixando a Andréia nervosa,
02:21e agora a sua irmã está dando piti.
02:23Isso que ela está fazendo é piti.
02:26E aí foi onde eu fiquei muito, muito nervosa, né?
02:29Que eu falei, olha, isso é normal para você, para mim não.
02:32Eu estou notando que a minha irmã não está bem,
02:34ela está pedindo um médico, ela tem direito a um médico.
02:36Mesmo assim, ela saía lá fora, disfarçava,
02:39que chamava o médico, voltava sem o médico.
02:42Tinha a plantonista, que por volta de umas,
02:45se eu não me engano, umas sete e pouco,
02:47ela veio no quarto, se apresentou,
02:50porque estava mudando o turno, né?
02:53Se apresentou como uma médica plantonista,
02:56nesse momento ela olhou a pressão da Andréia,
02:58falou que a pressão da Andréia estava normal,
03:00a oxigenação dela estava normal,
03:02e a Andréia reclamou para ela,
03:04que estava já sentindo.
03:05Porque quando eu vejo que a minha irmã está demais,
03:07eu vou lá e vejo a oxigenação da minha irmã caindo.
03:12Daí eu pego a minha irmã no braço,
03:14e minha irmã fala para mim,
03:15que foram as últimas palavras dela.
03:17Mama, mama, eu desomorramo.
03:20Aí veio e começa toda aquela massagem,
03:24ela totalmente despreparada,
03:26porque ela estava sem luva,
03:28ela estava com o rosto de que estava dormindo.
03:30Elas ficaram assim, sem saber o que faziam.
03:33E eu agoniando ali, até pedindo,
03:36até pelo amor de Deus,
03:36que a minha irmã estava morrendo,
03:38minha irmã estava morrendo.
03:39Eu ligo no grupo,
03:40que eu estava no grupo que a minha irmã colocou,
03:42aonde a equipe médica está, né?
03:45Eu ligo no grupo,
03:47e eles não me atendem.
03:48O doutor chegou no hospital,
03:50era duas e vinte e sete da manhã,
03:52foi quando ele chega no hospital.
03:53A minha irmã morreu nos meus braços.
03:57Ali ela já estava sem vida.
03:59Tudo aquilo que eles fizeram,
04:01eles ficaram duas horas e meia
04:03em cima da minha irmã,
04:03eu assistindo tudo, eu vendo tudo,
04:06presenciei tudo.
04:07Eles disseram que a minha irmã morreu
04:09por trombose,
04:12e que a trombose atingiu o coração,
04:15deu uma parada.
04:16Muito difícil.
04:17Muito.
04:18Porque ela clamou,
04:19ela pediu, eu gritava.
04:22Sabe aquela sensação de você estar vendo?
04:25A pessoa, a pessoa,
04:27tanto que você ama tanto,
04:29que ela era a minha alma branca,
04:30nós éramos muito ligadas.
04:32Eu vejo a minha irmã morrendo ali,
04:34tem uma hora que ela segura no braço da enfermeira,
04:38tipo assim, sabe?
04:40Me acorde, pelo amor de Deus.
04:42A minha irmã está morrendo.
04:44Eu não consigo falar com nenhum dos médicos.
04:47Sabe, Fernando?
04:49Nós achamos que houve negligência
04:51da parte do médico
04:53no antes operatório,
04:56no pré, né?
04:56Pré-operatório,
04:58no operatório
04:59e no pós-operatório.
05:01Porque, afinal de contas,
05:03a cirurgia custou
05:04cento e dezoito mil reais.
05:06É uma cirurgia cara, né?
05:09Que ela trabalhou muito,
05:10mais de dois anos trabalhando
05:12para guardar esse dinheiro.
05:14Então, era o sonho dela.
05:15Hoje, depois que a gente colocou aqui na mídia,
05:19mas olha,
05:19choveu de pacientes falando dele,
05:22reclamando dele,
05:24falando que quase morreu com ele.
05:26Uma veio falando que a colega morreu
05:29há três anos atrás.
05:30Mas ficamos sabendo que uma criança,
05:33porque ele é otorrino,
05:34ele não é cirurgião.
05:36Operou uma criança de 13 anos,
05:38acho que da adenoide,
05:39do nariz,
05:40morreu também.
05:42Então, agora,
05:43a gente está vendo
05:43tanto de pessoas
05:45que vêm falar dele.
05:47Falar que ele é um grosso,
05:48que ele é um mal educado,
05:49que ele não é ser humano.
05:52É só médico.
05:53Não é ser humano.
05:54Então, nós temos aqui
05:55um turbilhão de pessoas
05:58conduídas com a situação,
05:59falando que não é para deixar passar,
06:01impune,
06:02e que ele realmente não é uma pessoa boa.
06:07Então, é assim,
06:08foi uma fatalidade?
06:10Não.
06:11Eu não penso que foi.
06:12Foi uma negligência.
06:14Foi uma incapacidade
06:16e um erro de técnica.
06:18É só isso que eu busco
06:19e eu peço,
06:21principalmente nós mulheres,
06:22que a gente consiga levar
06:23a nossa voz
06:24com um pedido de justiça.
06:27Porque eu vi tudo
06:28e o que eu vi
06:29e o que eu passei
06:30não pode ser desconsiderado.
06:32É!
06:34É!
06:35É!
06:37É!
06:40É!
06:40É!
06:41É!
06:41É!
06:41É!
06:41É!
06:41É!
06:42É!
06:43É!
06:44É!
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