00:00Porque eu sou um banqueiro, injustiçado, só porque eu roubo 100 milhões de dólares,
00:05as pessoas me levam a mal, ninguém me entende.
00:07Mas você tá investindo na cultura?
00:09É, pra quê cultura?
00:12Entendeu?
00:13Aí complica.
00:14Mas é uma peça de três décadas, né?
00:16Foi escrita três décadas e, infelizmente, continua atual.
00:20Sim, bem atual.
00:21Bem atual, o texto foi atualizado, mas não precisa atualizar tanto assim.
00:25Agora, falando sério, vale ressaltar uma coisa.
00:28O Juca, que nos deixou enquanto a gente estava ensaiando,
00:32ele escreve esse texto há três décadas, mais de três décadas,
00:38e a capintaria dele é precisa.
00:40A gente só atualizou os eventos.
00:44Ele falava de Delugues Soares, Mensalão do PT, Banco Nacional.
00:48A gente só trouxe, infelizmente, pra cá, um banco master careca do INSS
00:54e essas coisas todas que estão rolando.
00:56Eu tenho a impressão de desconexão quando faz uma piada com a atualidade, assim.
01:02Quando eu vejo no palco, às vezes eu fico,
01:04ah, não precisava estar fazendo essa piada, porque tu tá em boga.
01:07Mas é impressionante como o público faz de bem.
01:10É, precisa, precisa fazer, porque ele se identifica, o público se identifica daí.
01:14Sem dúvida.
01:15Fala, caraca, é isso mesmo.
01:17O teatro, ele é transformador, ele não é mantenedor e ele é catártico.
01:21Então, a gente acaba falando aqui em cima o que a maioria das pessoas gostaria de gritar aos brados na
01:28rua,
01:28é o que elas estão sentindo.
01:30Ele se identifica e reage.
01:33Fala, pô, estão falando por mim, tem um ar alto aí do meu sentimento, da minha aflição.
01:39E a certeza é que várias vezes eles aplodem cena aberta.
01:46Principalmente as falas da dona Lina, que é a professora, né?
01:50Flávia Garrafa, Flávia Garrafa.
01:52E do Cássio Escapim, que é o Roberto, o gerente do banco.
01:54Ou seja, as pessoas da peça que trabalham honestamente e são usurpadas.
02:01Exatamente, o Tata falou isso.
02:04Eles são a referência do público, porque é uma professora e um gerente de banco.
02:10Gente que rala pra caraca, ganha salário baixo e vive sendo usurpada e traída e enganada.
02:16E aí, quando eles se manifestam, as pessoas se reconhecem neles.
02:20Eles são os mocinhos da história, né?
02:22Os mocinhos.
02:23E nós, os bandidos.
02:25É, nós somos bandidos.
02:27Ela é bonitinha assim, mas ela é bandida pra caraca, mãe.
02:31Por uma questão de empatia mesmo.
02:33O que acontece durante, no decorrer da peça,
02:36a questão dessa família, de como inclusive ela consegue dar a virada
02:41em cima dos poderosos das finanças,
02:46eu acho que a plateia se identifica também por isso.
02:50Pela maneira como a gente consegue virar a trama.
02:54Parece que eles se sentem vingados, né?
02:57Vencemos também.
03:00Identificados.
03:00Até uma coisa assim, de economizar, economizar, economizar,
03:03pra conseguir ter alguma coisa.
03:05E aí você vê aquela pataquada de gente roubando e tal.
03:08E aí vai dando um...
03:09Peraí, peraí, peraí.
03:10A gente vive num momento onde existe um descaramento,
03:15absolutamente nenhum poder, nenhum pudor em se roubar,
03:20nenhum pudor em acumular dinheiro ilicitamente,
03:24nenhum pudor de sonegar imposto,
03:27nenhum pudor de ter estratégias paralelas
03:29pra que você possa preservar a fortuna do teu tataraneto.
03:35Então eu acho que a gente se dedica também...
03:39E eu acho que a vilania da classe minoritária muito rica do Brasil
03:44não está nem só...
03:46E existe muito, né?
03:47Na corrupção, na lavagem de dinheiro, né?
03:50Tá em não pensar no povo.
03:52Tá em não dividir uma parte que seja dessa grana.
03:56Em pensar em coisas que possam ser benéficas...
04:00Benéficas.
04:01Benéficas para o povo, entendeu?
04:02Isso também é uma vilania.
04:03Você querer ficar aglomerando riqueza, né?
04:07Acumular, acumular sem fim.
04:08Na minha opinião, isso também é uma vilania.
04:10As pessoas dão risada, mas a gente não faz graça.
04:14Elas dão risada porque ou elas se identificam com o drama,
04:17ou é aquela coisa que o Paulo sempre fala,
04:19a pessoa trupica na rua, as pessoas dão risada,
04:22depois elas vão ajudar.
04:24E aí a comédia aqui, o Juca achava,
04:28quer dizer, não só ele, mas sim, isso ele sempre falava,
04:31que o melhor jeito de fazer o público pensar,
04:34ir pra casa e pensar,
04:36é através do deboche da comédia.
04:38Então acho que a gente atinge esse objetivo.
04:40Pessoal, venha assistir Caixa 2.
04:43Aqui no Teatro das Artes,
04:45sexta, sábados e domingos.
04:47Sextas e sábados às 20 horas e domingo às 18.
04:50Os ingressos estão na Eventim e o nosso Instagram é
04:54arroba caixa2 no teatro.
04:56E se você vier aqui, você pode fazer um videozinho,
04:58uma fotinho assim, que se ninguém tá vendo,
05:01vai compartilhar nas redes sociais.
05:02A gente vai adorar ter vocês na nossa plateia, viu?
05:04Tchau, tchau.
05:05Beijo.
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