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O amanhecer não nasce: ele impõe,
Como um veredito sem tribunal,
Rompe a noite que se decompõe
Em restos de um pacto ancestral.

A luz não veio corrigir o fracasso,
Nem separar virtude de engano,
Limitou-se a expor, no mesmo espaço,
A matéria densa e exata do humano.

Tudo o que dormia no intervalo
Entre o cansaço e a lucidez
Retorna sem metáfora ou halo
À crueza elementar do "talvez".

O amanhecer não pede fé nem nome,
Não se rende ao sofrimento que o evoca,
Ele passa, e ao passar consome
Toda ilusão que ainda nos toca.

O amanhecer não pede fé nem nome,
Não se rende ao sofrimento que o evoca,
Ele passa, e ao passar consome
Toda ilusão que ainda nos toca.

Nenhuma promessa governa o céu aberto,
Nem lição escondida no fulgor do dia,
A manhã apenas expõe, em movimento incerto,
A repetição exata do que já existia.

Quem atravessou a noite sem amparo
Conhece o custo exato da vigília,
Viver não lhe pareceu gesto raro,
Mas tensão contínua contra a inércia do dia.

E quando o sol, enfim, se estabelece
Sem júbilo, culpa ou direção,
Resta ao humano aquilo que permanece:
Habitar o tempo, sem redenção.

O amanhecer não pede fé nem nome,
Não se rende ao sofrimento que o evoca,
Ele passa, e ao passar consome
Toda ilusão que ainda nos toca.

O mundo retorna sem preparo algum,
Alheio ao que a memória consagrou,
Nada ali responde ao comum,
Nada deve ao sentido que a história criou.

O que chamam início é só fratura
Na continuidade do escuro extenso,
Toda manhã confirma a estrutura
Da realidade que dispensa consenso.

Assim o dia insiste, indiferente,
À esperança, ao medo, e a cada perversão,
Ser manhã é apenas ser presente
No curso impessoal da iluminação.

O amanhecer não pede fé nem nome,
Não se rende ao sofrimento que o evoca,
Ele passa, e ao passar consome
Toda ilusão que ainda nos toca.

O dia inteiro apenas é, agora,
A mente solta o que a aprisiona,
Sem buscar dentro ou fora,
A alvorada vem, e impulsiona.

O amanhecer não pede fé nem nome,
Não se rende ao sofrimento que o evoca,
Ele passa, e ao passar consome
Toda ilusão que ainda nos toca.

____________________________

Astrikos Katoikos
Copyright ©️ 2022/2026
Todos os Direitos Reservados ®
✓✓ videoclipe criado com o app Sondo, 2026

Solveig, a Demônia, é a cantora:
https://youtu.be/ZGRnQyxAu0Q?is=Uz0WI29ShAHKKiIk
https://youtube.com/shorts/fp6ldoxxiSI?is=wNONGZZxR6ZDuxep

#astrikoskatoikos #punk #blues #hades #inferno #hell

Categoria

🎵
Música
Transcrição
00:11O amanhecer não nasce e lhe impõe
00:16Como um veredito sem tribunal
00:19Rompe a noite que se decompõe
00:23Em restos de um pacto ancestral
00:26A luz não veio corrigir o fracasso
00:31Nem separar virtude de engano
00:34Limitou-se a expor no mesmo espaço
00:38A matéria densa e exata do humano
00:42Tudo que dormia no intervalo
00:46Entre o cansaço e a lucidez
00:49Retorna sem metáfora ao halo
00:53A crueza é elementado, talvez
00:56O amanhecer não pede fé nem nome
01:00Não se rende ao sofrimento que o evoca
01:04Ele passa e ao passar consome
01:08Toda ilusão que ainda nos toca
01:29O amanhecer não pede fé nem nome
01:33Não se rende ao sofrimento que o evoca
01:36Ele passa e ao passar consome
01:41Toda ilusão que ainda nos toca
01:47Nenhuma promessa governa o céu aberto
01:51Nem lição escondida no fulgor do dia
01:54A mãe apenas expõe em movimento incerto
01:59A repetição exata do que já existia
02:02Quem atravessou a noite sem amparo
02:07Conhece o custo exato da vigília
02:10Viver não lhe pareceu um gesto raro
02:14Mas tensão continua contra a inércia do dia
02:18E quando o sol enfim se estabelece
02:22Sem júbilo, culpa ou direção
02:25Resta humano, aquilo que permanece
02:29Se habitar o tempo sem redenção
02:34O amanhecer não pede fé nem nome
02:38Não se rende ao sofrimento que o evoca
02:41Ele passa e ao passar consome
02:46Toda ilusão que ainda nos toca
03:16O amanhecer não se rende ao sofrimento que o evoca
03:20O mundo retorna sem preparo algum
03:24Alheio ao que a memória consagrou
03:28Nada lhe responde ao comum
03:32Nada deve ao sentido que a história criou
03:36O que chamam início é só fratura
03:40Na continuidade do escuro extenso
03:44Toda manhã confirma a estrutura
03:47Da realidade que dispensa consenso
03:52Assim o dia insiste indiferente
03:55A esperança ao medo e a cada perversão
03:59Ser manhã é apenas ser presente
04:03No curso impessoal da iluminação
04:08O amanhecer não pede fé nem nome
04:13Não se rende ao sofrimento que o evoca
04:16Ele passa e ao passar consome
04:21Toda ilusão que ainda nos toca
04:40O dia inteiro apenas é agora
04:44A mente solta o que aprisiona
04:48Sem buscar dentro ou fora
04:51A alvorada vem e impulsiona
04:55O amanhecer não pede fé nem nome
04:59O amanheceram
05:10O amanheceram
05:13O amanheceram
05:14O amanheceram
05:26O amanhecer não pede fé nem nome
05:31Não se rende ao sofrimento que o evoca
05:35Ele passa e ao passar consome
05:39Toda ilusão que ainda nos toca
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