00:00Contando como eu conheci o amor da minha vida e fiquei viúva em 3 minutos.
00:04Acho que é uma história muito parecida com um filme de romance,
00:07porque o fato é que eu sou de Fortaleza, o Ever de Curitiba,
00:11e a gente se conheceu em São Paulo, que já é uma improbabilidade, né?
00:14Que era um evento no estádio, era 12 horas de música e tudo mais,
00:17e parecia que a gente era, que éramos melhores amigos de uma vida toda.
00:21E aí depois a gente começou a namorar à distância, na pandemia,
00:24mas eles não imaginavam que realmente, 8 meses depois, a gente se casou mesmo.
00:28A gente estava num contexto assim, ele finalmente estava vivendo de música,
00:32eu estava vivendo de arte, da escola.
00:36Porém, fazia uns meses que eu e ele ficava doente.
00:39Quando foram fazer a cirurgia para desviar do tumor ou para tirar o tumor,
00:44viram que era o câncer metastótico.
00:45Então logo depois, assim, uma semana ou duas semanas depois,
00:49veio a notícia de que não tinha cura.
00:50Então a gente sabia que teria ali 10 meses a 1 ano de vida pela frente.
00:54E aí, ali, acho que uns 2, 3, 4 meses depois que a gente descobriu,
00:59foi quando eu entrei na coisa de registrar.
01:02Eu vou filmar tudo que der, tudo que puder, eu vou fazer vlogs.
01:06Comigo falaram, agora é viver, vive, vive.
01:08E a gente viveu, a gente começou a viver, viver.
01:10E produzindo conteúdo.
01:11Porque eu queria viver, mas ter esses momentos guardados.
01:15Começou.
01:21A quimioterapia também foi um momento que a gente tentou, né?
01:24Mas não adiantava.
01:25Que debilitou muito ele.
01:26Então o medo daquela fraqueza dava um medo da morte.
01:31Aí ali a gente começou a conversar sobre a morte.
01:33Foi quando ele falou que queria que eu jogasse as cinzas em Fortaleza,
01:37numa praia específica que ele gostava muito,
01:39em Curitiba e em Lyon, na França, que foi onde ele morou.
01:42Ele começou a criar essas coisas, essa prática, nos últimos meses,
01:46de dizer o que ele queria.
01:48Então eram de coisas muito bestinhas, assim,
01:51tipo, sobre o meu cabelo.
01:52Outra coisa que ele falava muito era, tipo assim,
01:54não, não dá certo não, tem que arranjar o marido.
01:56Tem várias comidas da França que ele pediu pra comer.
02:00Eu não sou o que você vai falar, mas tem um queijo lá que ele quer que eu prove.
02:04Pão ao chocolate.
02:06E quando ele me pede pra jogar as cinzas nesses três lugares,
02:10ele me desafia a não ficar quieta, né?
02:13Então eu acho que todas essas coisas,
02:15até ele pedir pra eu paquerar,
02:17ele tá me pedindo pra viver isso.
02:19No fundo, no fundo, parece um mapa pra me movimentar.
02:22Toda essa viagem ali pela Europa
02:23é um grande combo de coisas que ele me pediu.
02:27E um recado que eu deixo pras pessoas que passaram por isso
02:31é que vocês não estão sozinhos.
02:33Eu acho que às vezes o luto, ele mente pra você,
02:36dizendo que você não pode ser feliz.
02:37Se você fosse feliz, você tá dizendo que você gostou que a pessoa morreu.
02:41Não é verdade.
02:42Ser feliz, você tá honrando a pessoa que partiu.
02:44Já é, de certa forma, uma ferida cicatrizando, entendeu?
02:47De, cara, eu fico feliz em poder honrar.
02:50E fico segura de que eu não tô errando com ele.
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