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No Papo Antagonista desta quarta-feira, 22, falamos sobre as notas fiscais emitidas pelo escritório de advocacia do senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro para empresas ligadas ao contador Rogério Lourenço Novo.

Ele é apontado como o operador de firmas de fachada utilizadas pelo empresário Daniel Vorcaro para movimentar dinheiro do Banco Master.

Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.

Apresentado por Madeleine Lacsko, Duda Teixeira e Carlos Graieb o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.

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00:20O Antagonista
00:57O Antagonista
01:13O Antagonista
01:15O Antagonista
01:17O Antagonista
01:47O Antagonista
01:49O Antagonista
01:52O Antagonista
01:55O Antagonista
01:58O Antagonista
02:01O Antagonista
02:02O Antagonista
02:02O Antagonista
02:08O Antagonista
02:08O Antagonista
02:08O Antagonista
02:08O Antagonista
02:23vingança. Estou aqui para me vingar dessa gente. Pretendo beneficiar o filho meu sim. Confesso
02:29publicamente que eu votei no Lula. Olá, boa noite. Eu sou o Duda Teixeira e começa agora mais uma
02:37edição do Papo Antagonista, ao vivo na TV BMC e no canal do portal O Antagonista no YouTube.
02:44Hoje é quarta-feira, 22 de julho de 2026. Vamos aos destaques do dia. Transações sob suspeita.
02:55Documentos revelam que o senador Flávio Bolsonaro emitiu um milhão e meio de reais em notas
03:02fiscais para empresas investigadas no esquema ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
03:08Repercussão diplomática. A fala de Flávio Bolsonaro durante reunião com embaixadores
03:15estrangeiros gerou críticas de pré-candidatos à presidência, que classificaram as declarações
03:22como inadequadas. Renovação no PT. O Partido dos Trabalhadores enfrenta entraves internos
03:31para formar novas alianças regionais e lançar candidaturas competitivas para as próximas
03:38eleições. Ataque na direita. Ronaldo Caiado ironiza Eduardo Bolsonaro usando a expressão
03:46pateta da política brasileira. Clássico na música. Após quase 50 anos fora de cartaz,
03:54a ópera Tristão e Isolda, composta por Richard Wagner, volta ao palco do Teatro Municipal de
04:03São Paulo. Produção, pode tocar a vinheta.
04:06Aconteceu. Você fica sabendo aqui. Papo Antagonista.
04:12O escritório de advocacia do senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro emitiu um milhão
04:20e meio de reais em notas fiscais para empresas ligadas ao contador Rogério Lourenço,
04:28apontado como operador de firmas de fachada utilizadas pelo empresário Daniel Vorcaro para
04:34movimentar 58 milhões do Banco Master. Segundo uma reportagem do portal Metrópolis, duas notas
04:43no valor de 500 mil reais, foram emitidas em abril de 2025 para a Copenhagen Consultoria,
04:53empresa que recebeu 58 milhões de reais de Vorcaro. As notas, no entanto, acabaram sendo canceladas
05:01na mesma data. Dois dias depois, uma terceira nota de 500 mil reais foi faturada para a contábil
05:09Correia, empresa do mesmo contador, sem registro de cancelamento.
05:16Flávio gravou um vídeo se explicando. Vamos assistir.
05:20E hoje o Metrópolis faz uma matéria criminosa querendo marginalizar a advocacia.
05:27Eu fiz um trabalho para uma empresa, fui contratado para isso, prestei serviços a advocatícios,
05:33tudo certo, relação completamente legal e privada. E em outra oportunidade, eu não
05:40aceitei trabalhar para esta empresa chamada Copenhagen, que supostamente é usada por Vorcaro,
05:47foi usada por Vorcaro para fazer pagamentos para algumas pessoas. Não foi o meu caso.
05:52Eu estou tendo que explicar porque eu não recebi o dinheiro desta empresa, porque eu não
05:57quis trabalhar como advogado para elas. Cancelei duas notas fiscais. As notas fiscais que foram
06:02canceladas do meu escritório, portanto não movimentou nada, não teve prestação de serviço,
06:08não teve absolutamente nada de errado. Ninguém tinha, apenas o meu escritório. Eu não sou
06:13investigado em nada. Ou seja, algum órgão governamental, não vou falar qual que eu suspeito,
06:20mas algum órgão governamental pega isso criminosamente, quebrando o meu sigilo, sem
06:25nenhuma espécie de investigação formal, sem autorização judicial, sem nada, gente,
06:29não tem nada. E vaza isso para a imprensa.
06:33Bom, daqui a pouquinho a gente vai ter o diretor da sucursal de Brasília, o Wilson Lima,
06:38para comentar esse episódio. Agora, já adianto aqui, é complicadíssimo. O senador Flávio
06:46Bolsonaro, que já vinha enfrentando alguns desgastes na sua pré-campanha para presidente,
06:54depois daquele áudio que aparece conversando com o Daniel Vorcaro, pedindo 134 milhões de reais para
07:02produzir o filme Dark Horse nos Estados Unidos. Agora, se essas informações agora se confirmarem,
07:11estaria recebendo valores de uma empresa que tinha alguma ligação ali com o Daniel Vorcaro,
07:19quer dizer, a empresa era de um contador que fazia movimentações para o Daniel Vorcaro, mas de dinheiro
07:27que seria diretamente para o escritório de advocacia do Flávio Bolsonaro. E aí já levanto aqui um ponto
07:35que é o seguinte, se você é um senador da República e não quer ser acusado ou criticado por conflitos
07:45de interesse,
07:45então não exerça outras atividades. Se Flávio Bolsonaro estava trabalhando como advogado e prestando serviço
07:56para outros clientes, então ele já tinha essa consciência de que em algum momento poderia acontecer
08:05algum tipo de acusação, de crítica ou de denúncia. Naturalmente, se você tem um senador que tem um escritório
08:15de advocacia e que está atuando nessa profissão, pode ser uma maneira de influenciar o trabalho no senado
08:26dessa pessoa. Você contrata o escritório de advocacia e depois pode ou não pedir alguma coisa em troca.
08:34Então é uma situação que em si só já é super complicada e propensa a esses tipos de críticas, de
08:45denúncias e de acusações.
08:48E aí tem uma coisa que, vou usar aqui uma expressão que o meu colega Wilson Lima gosta de usar
08:54muito,
08:55que ele fala, o roteirista do Brasil tomou um alucinógeno, que justamente a empresa que recebeu duas notas fiscais
09:05que foram canceladas depois tem esse nome, que é Copenhagen.
09:10E Copenhagen, obviamente, remete imediatamente a Copenhagen, dessa vez com K,
09:16que é a franquia da loja de chocolates, chocolates maravilhosos, mas que teve uma acusação do Ministério Público
09:26do Rio de Janeiro que estaria sendo usada para lavar dinheiro das rachadinhas de Flávio Bolsonaro.
09:36Então, óbvio, quando Flávio Bolsonaro aparece num vídeo e fala simplesmente essa palavra Copenhagen,
09:44a gente já lembra da outra Copenhagen.
09:50Enfim, acaba se enrolando mais uma vez e ainda que as duas primeiras notas,
09:57então estamos falando aqui de três notas, cada nota no valor de 500 mil reais,
10:04somariam um milhão e meio de reais, mas as duas primeiras notas foram canceladas.
10:09Aí também tem várias perguntas que ficam no ar.
10:14Por que emitir duas notas e depois cancelar?
10:20É um trabalho, é um custo e você só pode emitir nota depois que você tem algum contato,
10:27as informações da outra empresa.
10:29Então, de alguma maneira, já seria um indício.
10:33E depois a outra pergunta é, por que depois fazer uma terceira nota,
10:39sendo que o diretor dessa outra empresa, que eu acho que é a Contábil,
10:43esqueci o nome, eu pego aqui o nome da empresa, é bem facinho de pegar,
10:50Contábil Correa,
10:52que tem o mesmo, a empresa é do Rogério Lourenço Novo,
10:57que é também dessa Copenhagen.
10:59Então, quer dizer, essa terceira nota por uma outra empresa é uma tentativa de remediar algum problema
11:06daquelas duas primeiras notas.
11:09Então, o Flávio Bolsonaro vai ter muito o que explicar nessa história.
11:16Ele gravou um vídeo,
11:18essa notícia do portal Metrópolis é de hoje,
11:21ele gravou um vídeo muito rapidamente,
11:24tentando dar a sua explicação,
11:28mas vai ser um problema para ele.
11:31O Flávio, agora, sábado,
11:33que tem a convenção do PL,
11:37que teria como objetivo
11:42sacramentar o nome dele como o candidato,
11:45então, do PL para a presidência da República,
11:48enquanto que vai ter presença do presidente da Argentina,
11:52Javier Milley.
11:53Então, está muito próximo desse momento,
11:56que é super importante,
11:58de ir lá e confirmar,
12:01consolidar essa candidatura,
12:02mas eis que surgem novos motivos de preocupação
12:08que deixam essa candidatura mais capenga do que já estava.
12:14Então, problemas aí para o Flávio Bolsonaro vai ter provavelmente muita dificuldade aí para se explicar demais essas críticas e
12:25mais essas acusações.
12:27A gente está agora, então, com o Wilson Lima, lá de Brasília.
12:31Wilson, tudo bem? Boa noite.
12:34Boa noite, Duda. Boa noite para você, meu amigo e minha amiga do Papo Antagonista.
12:40Diga lá, meu caro.
12:41Sempre um prazer estar com você aqui no Papo.
12:45Wilson, bom, essa nova história do portal Metrópolis,
12:49falando dessas três notas que a empresa do Flávio Bolsonaro teria emitido e duas foram canceladas.
12:56Como é que isso reverberou aí em Brasília?
13:03Meu caro Duda, o grande problema da pré-campanha do Flávio Bolsonaro é justamente esse tipo de situação.
13:11O Flávio Bolsonaro tentou minimizar,
13:14teve gente do PL que já pediu e aí já fez aquela cobrança marota,
13:19perguntando para ele,
13:21meu amigo, nós já conversamos no passado, você disse, jurou de pé junto que não tinha mais nada,
13:27que estava tudo organizado, que não tinha mais,
13:30que a gente poderia ficar despreocupado.
13:33Aí aparece essa história publicada pelo jornal Metrópolis, né?
13:37Como eu me lembrei agora da frase da Madarra,
13:40quando ela fala que o roteirista de Brasil fuma crack, né?
13:43Porque é impressionante que uma das empresas beneficiadas tem o nome de Copenhagen, sabe?
13:49É brincadeira isso aí, sabe?
13:52O roteirista do Brasil é maluco, só pode.
13:56Porque quanto mais você, quanto mais as coisas acontecem,
13:59quanto mais o tempo passa, mais a gente se surpreende, ou não, né?
14:03Mais fica, a gente, nós ficamos atômitos com esse tipo de revelação.
14:09Mas o fato é que essa revelação criou uma cisão na campanha,
14:15nesse primeiro momento.
14:16Tem a turma ali do Deixadisso, que diz, não, isso aqui vai passar,
14:20isso aqui é só um factóide,
14:21que é a turma ali dos Estados Unidos e da Austrália,
14:25que vai passar um pano lindo para essa situação.
14:30Mas, de novo, ô Duda,
14:33é esse tipo de revelação que aumenta a desconfiança.
14:36Por isso, inclusive, que partidos do Centrão têm tanta resistência
14:39no embarque direto em relação à campanha do Flávio Bolsonaro.
14:44Por exemplo, hoje, o PP, União Brasil, bateu o martelo.
14:47Olha, não vamos manter a nossa neutralidade,
14:50a gente não vai embarcar no palanque do Flávio Bolsonaro.
14:53Então, justamente por conta disso,
14:56por medo dessas revelações,
14:58revelações que vêm a conta gotas.
14:59E a cada revelação que aparece,
15:01é um dano a mais para a imagem do senador Flávio Bolsonaro
15:07e um problema a mais para Rogério Marinho
15:10e a cúpula da campanha terem que administrar.
15:13Não é um processo fácil, não é fácil.
15:16Mas, agora, vai chegar aquela fase das explicações.
15:20Tem uma parte, tem uma turma ali do comitê de campanha
15:23que já disse, não, o Flávio já falou,
15:25está tudo ok, está tudo organizado,
15:26não vamos criminalizar a advocacia,
15:29como disse o senador.
15:31Mas tem uma ala que levantou o alerta.
15:35Ô, qual vai ser a próxima?
15:36Essa é a grande pergunta do comitê de campanha.
15:39Wilson, e é comum que senadores que são advogados
15:46continuem exercendo a profissão de advocacia
15:49no mesmo tempo que trabalham como parlamentares?
15:52Porque aí você abre uma margem
15:55para que aconteçam esses conflitos de interesse, não?
16:00Duda, vamos lá.
16:02Assim, no mundo teórico, não seria o ideal.
16:05Mas, na prática, acontece.
16:08Eu acho que, nesse ponto, a gente também tem que falar
16:12que isso, de fato, é uma prática até relativamente comum.
16:18Quem é advogado não deixa de advogar
16:20porque tem um cargo eletivo.
16:22Logicamente que o ritmo, que o número de ações
16:26que aquela pessoa comanda é muito menor.
16:28Agora, ô, Duda,
16:30algo que sempre achou,
16:33algo que Brasília sempre teve muita dificuldade de entender
16:37foi a relação do Flávio Bolsonaro com a advocacia.
16:43O Flávio Bolsonaro, ele não é conhecido
16:45por ser um exímio advogado,
16:47por ser um grande defensor ou algo parecido.
16:51Ele tem a OAB dele, enfim,
16:53tem o registro da ordem,
16:55mas ele não é nenhum advogado com isso.
16:57Não é, por exemplo, como o Jeffrey Chiquini,
17:00que vai ser candidato agora a deputado federal.
17:02E ele já deixou claro, olha,
17:04eu vou ser candidato a deputado federal,
17:05se eu tiver meu mandato,
17:07vou manter o meu escritório de advocacia.
17:10Então, assim,
17:11então, mas o Jeffrey já tem uma caminhada longa, né?
17:15O Flávio tem uma caminhada relativamente recente
17:17nesse mundo.
17:20Mas, ô, Duda, eu acho que nesse caso,
17:23para mim, a questão mais complicada nessa história
17:26é aparecer um vínculo direto
17:29do Flávio Bolsonaro com as empresas do Daniel Vorcaro.
17:33E o problema é que ele jurou de pé junto,
17:36teve uma reunião no Pérez,
17:38salvo engano, acho que foi em,
17:40estamos agora em julho,
17:41se não me engano, foi em maio.
17:42Foi maio ou abril?
17:44Acho que foi maio.
17:46Em que ele foi apertado
17:48por todos os seus colegas do PL
17:50e eles reforçaram.
17:53Senador, tem alguma coisa?
17:55Flávio, tem mais outra coisa?
17:57Nós vamos ser pegos de surpresa?
18:00Haverá outra coisa?
18:01Ele, não, não tem, não tem, não tem, não tem, não tem,
18:04não tem, negou, negou, negou, negou, negou.
18:06E agora aparece mais uma.
18:09De novo, isso só reforça
18:12que vão aparecer mais coisas contra o Flávio.
18:16E a cada situação que,
18:18e a cada instante que aparece um fato novo,
18:21é outro elemento que o Flávio vai ter que,
18:24vai ter que administrar.
18:26E isso, ô Duda,
18:28e isso pode ser fatal para as pretensões
18:31do Flávio Bolsonaro.
18:33Porque, de novo, eu volto a...
18:36Eu reporto aquela metáfora do voto da Dona Amélia.
18:41Sabe?
18:41O voto, o voto bolsonarista,
18:44o camarada que acredita que houve fraude em 22,
18:46o camarada que até pensou em ir para os quartéis,
18:49protestar contra a vitória do Lula.
18:52Esse eleitor,
18:53que ele iria votar no Flávio Bolsonaro,
18:56ia votar porque, enfim,
18:58foi uma ordem do capitão reformado,
19:00mas esse voto,
19:01ele pode perder esse voto.
19:04Que é um voto meio pêndulo,
19:06que o cara vai falar,
19:07pô, por quê?
19:07Porque esses episódios que estão sendo revelados
19:10batem justamente no medo
19:12que a Dona Amélia tinha do Flávio.
19:15Ah, é filho do Jair,
19:16mas é cheio de enrolada,
19:18é cheio de problema.
19:19Então, assim,
19:21uma coisa é votar no pai,
19:22outra coisa é votar no filho enrolado.
19:25E isso,
19:26esse tipo de revelação pode complicar muito
19:29a campanha do Flávio Bolsonaro.
19:32Wilson, e você comentou isso
19:34de que nenhum partido entrou
19:35na campanha do Flávio Bolsonaro.
19:37Isso é impressionante,
19:39porque, vamos lembrar que
19:41essa pré-candidatura foi anunciada
19:45em dezembro do ano passado.
19:47A gente já está no final de julho.
19:51Teve cartinha do Jair Bolsonaro
19:53pedindo ali a união da direita
19:56em torno do filho dele,
19:58e nenhum desses partidos do Centrão
20:01entraram nessa história.
20:04E aí concordo com você, Wilson,
20:05deve ter agora uma desconfiança enorme
20:08com o Flávio Bolsonaro,
20:10com as coisas que ele não avisou
20:13que poderiam estar aparecendo.
20:15E aí, Wilson, a gente comparar
20:17a situação de Jair Bolsonaro
20:21em 2022, nessa altura do campeonato,
20:25claro que ele ainda estava como presidente,
20:27mas ele tinha ali apoio do PP,
20:30do União Brasil,
20:31do Republicanos, né?
20:33Quer dizer, a direita já esteve unida
20:36em torno do nome de Jair Bolsonaro,
20:39mas dessa vez com o filho dele
20:43esse movimento não aconteceu.
20:45Talvez, se Jair Bolsonaro
20:47tivesse escolhido algum outro nome,
20:49como Tarcísio de Freitas,
20:51a situação ia ser muito diferente.
20:53A gente teria, sim, já uma união da direita,
20:56mas como acabou preferindo
20:57alguém da própria família,
20:59talvez com o objetivo de manter
21:00uma certa dominação do clã
21:03na direita toda,
21:06realmente não conseguiu atrair
21:08mais nenhuma sigla, né?
21:10Wilson, você quer comentar
21:11mais alguma coisa nesse assunto
21:12antes da gente passar para o próximo?
21:16Tudo.
21:17Eu só quero reforçar uma coisa
21:19muito rapidamente, né?
21:20Porque esse é que é o grande,
21:22um grande ponto.
21:23PT, União Brasil,
21:26eles têm desconfiança
21:28em relação ao Flávio.
21:28Amigo, se o Ciro Nogueira
21:30está com medo de embarcar
21:32na candidatura por receio
21:34de que apareça algo novo,
21:35isso para mim é muito simbólico.
21:37Exato.
21:38Bom, vamos dar uma olhadinha
21:40nos comentários que vocês escreveram
21:42aqui no nosso chat do YouTube.
21:44Deixa eu ler.
21:45Parker SP,
21:46cancela sua candidatura também, Flávio.
21:49Faria um bem ao país.
21:52Próximo.
21:53Jorge Gomes,
21:54que candidato é esse
21:56que precisa ficar se explicando,
21:58se explicando?
21:59Até quando isso?
22:01Fora Flávio Bolsonaro,
22:03fora Lula.
22:05Próximo.
22:05Eliana Maria,
22:07esse tariflável,
22:08olha, esse é o apelido
22:09que o pessoal do PT
22:11está tentando colocar no Flávio, né?
22:13Esse tariflável não merece ser eleito
22:15nem para síndico,
22:17não merece confiança.
22:21Tatiana Salles,
22:22até o Valdemar,
22:24Lorde Valdemort,
22:25já disse que Flávio
22:27não estava preparado
22:28para concorrer à presidência.
22:31Foi imposição do pai dele.
22:35Olha,
22:36a Tatiana,
22:37aliás,
22:38foi um superchat,
22:39é isso?
22:39Muito obrigado
22:40pela contribuição aqui
22:41para o nosso jornalismo.
22:42e ela escreveu,
22:44se o Lula ganhar
22:46em primeiro turno,
22:47é possível?
22:47A direita finalmente
22:49toma vergonha na cara
22:50e enterra o bolsonarismo
22:53de vez?
22:54Está perguntando.
22:56Mas algum Cláudia Machado
22:58está explicado
22:59como ele comprou
23:01a mansão dele
23:02em Brasília.
23:04Marcílio Monteiro,
23:06Duda,
23:06essa pré-candidatura
23:08vai cair de podre,
23:09não tem jeito.
23:11E Gleice Marques Gonçalves,
23:14Flávio Bolsonaro
23:15derrotando Flávio Bolsonaro.
23:19Exatamente.
23:20Bom,
23:20convido vocês ali
23:21para responderem
23:22a nossa enquete.
23:23A nossa enquete
23:24é sobre um assunto
23:25que a gente vai tratar
23:26logo mais,
23:27que é a dificuldade
23:28do PT
23:29de encontrar
23:30candidatos.
23:31Tiveram,
23:32acho que foi o quarto nome,
23:34lá em Minas Gerais,
23:35o Patruz Ananias.
23:37Tentaram três antes,
23:39não conseguiram.
23:40Então a pergunta é
23:40por que o PT
23:41está com dificuldades
23:43para encontrar
23:44candidatos.
23:46Primeira resposta é
23:47os bons
23:48são de outros partidos.
23:51Não há
23:52petistas
23:52jovens.
23:54Não querem
23:55se sacrificar
23:56como aqui
23:57o Haddad
23:58em São Paulo
23:59ou a dependência
24:01do Lula.
24:03E convido vocês
24:04também
24:04para votarem
24:06lá no
24:06IBESH,
24:07no Antagonista
24:09como o melhor
24:10canal
24:11de política,
24:12dá para votar
24:13todo dia,
24:14a gente já tem
24:15o QR Code
24:15na tela
24:17e é importante
24:18para a gente
24:19ter esse reconhecimento
24:20para a gente
24:21chegar,
24:21levar o nosso
24:22jornalismo
24:23a mais pessoas.
24:24Bom,
24:25vamos para o próximo
24:26assunto.
24:27O pré-candidato
24:28à presidência
24:29Ronaldo Caiado
24:30alfinetou o adversário
24:32Flávio Bolsonaro
24:33pelo encontro
24:34realizado com
24:35representantes
24:36estrangeiros
24:37em Brasília.
24:38Vamos assistir.
24:41Aliás,
24:42esse daí
24:43não é um vídeo,
24:44é um tweet
24:45do Ronaldo Caiado
24:46de hoje
24:47e ele escreve ali
24:4842 embaixadores
24:50numa sala.
24:53Dava
24:53para vender
24:54soja,
24:56dava
24:56para abrir
24:57mercado
24:58para a indústria,
24:59dava
25:00para atrair
25:00investimento,
25:02escolheram
25:03falar
25:03de urna
25:04eletrônica.
25:06No encontro,
25:07Flávio pediu
25:08a diplomatas
25:08estrangeiros
25:09o envio
25:09de observadores
25:10internacionais
25:11para o pleito
25:12presidencial
25:13de outubro.
25:14Durante a fala,
25:15o filho do ex-presidente
25:16associou
25:17às urnas
25:18eletrônicas
25:19brasileiras
25:19à empresa
25:21venezuelana
25:21Smartmatic,
25:23repetindo
25:24uma alegação
25:24já refutada
25:25pelo Tribunal
25:26Superior Eleitoral
25:27em ciclos
25:28eleitorais
25:29anteriores.
25:31Vamos assistir.
25:31Inclusive,
25:32utilizando uma
25:33documentação
25:33do próprio
25:34Serviço de Inteligência
25:35americano,
25:36a CIA,
25:37apontando
25:38sobre a
25:40possibilidade
25:41de vulnerabilidade
25:42do sistema
25:43eletrônico
25:44de votação.
25:45E uma das
25:46suspeitas
25:46é que uma
25:47empresa
25:47chamada
25:48Smartmatic,
25:49de origem
25:49venezuelana,
25:51é que tenha,
25:52uma das
25:52suspeitas
25:52é que tenha
25:53havido
25:53uma programação
25:54para alteração
25:55das votações
25:57naquele país
25:58nas eleições
25:59de 2010,
26:01se não me engano.
26:04Dados de inteligência
26:05de 2004
26:06a 2020,
26:07nas eleições
26:07de Venezuela.
26:08E as eleições
26:10sob suspeitas
26:11que são citadas
26:12nos relatórios
26:12da CIA
26:13são as de 2012.
26:14Não vou
26:15entrar em mais detalhes,
26:16mas só para
26:17deixar registrado
26:18que muitas
26:19dessas máquinas
26:20que são utilizadas
26:21nas eleições
26:21brasileiras
26:23têm a mesma
26:24origem
26:25dessa empresa
26:25venezuelana.
26:26Então,
26:26pedido que eu
26:27faça a todos
26:28aqui,
26:28não estou
26:30questionando
26:30o sistema
26:31de votação
26:32brasileiro,
26:32mas que todos
26:33os países
26:34possam mandar
26:35a maior quantidade
26:35de observadores
26:36possíveis
26:37para as nossas
26:37eleições,
26:37como sempre fazem,
26:39e também
26:39pessoas que
26:40tenham conhecimento
26:41sobre essa
26:43tecnologia
26:43e como o Brasil
26:45pode ter eleições
26:46mais seguras
26:47e transparentes.
26:49E o Renan Santos,
26:52já candidato
26:52pelo Missão,
26:53também criticou
26:55o filho 01
26:55de Jair Bolsonaro
26:57nas redes sociais.
26:58Vamos assistir.
26:59Que muito surpreso
26:59que o meu
27:00colega e concorrente
27:01Flávio Bolsonaro,
27:02colega de eleições,
27:03ele tenha feito
27:04a mesma reunião
27:04que eu fiz
27:05com os embaixadores
27:06e, primeira coisa,
27:08não falou inglês.
27:09Eu estive lá,
27:09vamos falar inglês,
27:10que é uma língua
27:11que os outros conhecem,
27:12que o mundo conhece
27:12e que mostra
27:13que o presidente
27:13da República
27:14está pronta
27:14a dialogar com um.
27:15Dois,
27:16foi novamente
27:16ficar falando de UNA.
27:18Qual a imagem
27:18que a gente passa
27:19para o mundo,
27:19candidato que ainda
27:20está em segundo
27:21colocado nas pesquisas
27:22falando que a UNA
27:23não funciona.
27:24O mundo trata
27:24o sistema eleitoral brasileiro
27:26como um sistema
27:26não só funcional,
27:27mas democrático
27:28e um sistema
27:29que pode ser servido
27:30de inspiração
27:31para outros lugares
27:31que têm eleições
27:32mais lentas.
27:33E não é que ele
27:33não precisa de melhoras,
27:34sempre precisa de melhoras,
27:35mas o que ele ganha
27:36fazendo isso?
27:37Será que ele quer
27:37tirar a candidatura dele?
27:39Será que no fundo
27:39ele está se auto-sabotando
27:40e imaginando que ele
27:41tem outros problemas
27:42que podem levar
27:42a não ganhar a eleição?
27:44Pois é,
27:45Flávio Bolsonaro,
27:46mais uma vez,
27:47e não estou nem falando
27:48do caso da tarifa,
27:48nos fazendo passar vergonha
27:50naturalmente.
27:52Conversa agora
27:53com o Wilson Lima.
27:55Wilson,
27:56o Renan faz uma pergunta
27:57do que ele ganha
27:58fazendo isso.
27:59Você tem uma explicação?
28:01Não ganha nada.
28:03Só faltou
28:04o Flávio Bolsonaro
28:05falar
28:05The urnas on the table
28:07ou The Brazilian urna
28:09is broken
28:10ou The Brazilian urna
28:11is fake.
28:12Alguma coisa
28:12nessa linha,
28:13entendeu?
28:14Não ganha absolutamente nada,
28:16só perde.
28:16É mais um tiro
28:18no pé
28:19durante a pré-campanha.
28:21E pareceu muito
28:23o Duda,
28:26nessa fala
28:27do Flávio,
28:27pareceu muito
28:28que ele já deu
28:29uma pré-justificativa
28:30para uma eventual derrota
28:32caso ela venha a acontecer.
28:34Me pareceu aquela
28:35só,
28:36olha,
28:36vamos aqui,
28:37já vamos contemporizar,
28:39né,
28:39vamos,
28:40entendeu?
28:41E vamos dar
28:41uma brecha aqui
28:43para justificar
28:44um eventual fracasso.
28:45o que é muito ruim,
28:47sabe?
28:48Eu falei isso
28:49hoje no meio-dia,
28:50para você conseguir
28:52fraudar as urnas
28:53é um,
28:54sabe,
28:55demanda uma logística,
28:57sabe,
28:59é surreal.
29:00Não é uma coisa simples,
29:01não é você simplesmente
29:02apertar um botão
29:03e você consegue resolver.
29:04Não,
29:04para você conseguir fazer isso
29:05seria um esquema
29:07de proporções
29:08bíblicas,
29:09algo,
29:09eu diria que
29:10para você conseguir
29:11fraudar a urna
29:11de forma efetiva,
29:12você teria que gastar
29:14na casa das centenas
29:16de milhões de reais,
29:16entendeu?
29:17Então faz sentido
29:17você roubar,
29:18entre aspas,
29:19uma eleição
29:20com esse custo.
29:22Então,
29:23assim,
29:24para mim tem muita
29:25teoria da conspiração
29:26em relação
29:27às urnas eletrônicas,
29:29logicamente que
29:30todo o processo
29:31de totalização
29:32de votos
29:33seria bom
29:34que de fato
29:35ele fosse um processo
29:36mais confiável.
29:38As urnas eletrônicas
29:39brasileiras
29:40são infalíveis?
29:41Não,
29:41não são infalíveis,
29:42mas elas têm
29:43um nível
29:44de confiança
29:45altíssimo.
29:46Eu diria até isso,
29:47para quem acompanha,
29:48esse tema
29:49da urna eletrônica,
29:50gente,
29:50as pessoas
29:51debatem
29:52com uma certa paixão,
29:53mas sempre
29:54quando vem esse embate,
29:55eu lembro
29:55da época
29:56de apuração
29:57das eleições
29:58nos anos 80
29:59e início
30:00dos anos 90.
30:00Gente,
30:01quem lembra
30:01daquela época?
30:02Na época
30:03não era repórter,
30:04é óbvio,
30:04mas eu cheguei
30:05a acompanhar
30:05de perto
30:06o processo
30:07de apuração
30:07de cédula
30:08de papel.
30:09Para quem
30:10não lembra,
30:11era uma coisa
30:12absurda,
30:12porque o camarada,
30:13você tinha lá
30:14o fiscal
30:14que contava
30:15voto manualmente,
30:17uma,
30:17duas,
30:17três,
30:18quatro,
30:18cinco cédulas,
30:19dava voto
30:20para A e para B,
30:21e esse camaradinho
30:22que de vez em quando,
30:23opa,
30:23esse aqui
30:24não é voto A,
30:25é voto B.
30:26Então,
30:27era uma coisa
30:27absurda,
30:29sabe?
30:30E aí,
30:30às vezes,
30:31as pessoas
30:31não conseguem,
30:32não lembram
30:33desse tempo
30:34maluco.
30:35É comum,
30:35também tem uma turma
30:36que não lembra
30:36do tempo
30:37da hiperinflação
30:37nos anos 80 e 90.
30:40Então,
30:41o Duda,
30:41na prática,
30:42o Flávio só
30:43criou uma confusão
30:44para ele,
30:44porque ele criou
30:45uma animosidade
30:46dentro da campanha,
30:47criou uma animosidade
30:48com os integrantes
30:49do Supremo
30:50e criou uma animosidade
30:51com os integrantes
30:52do Tribunal Superior
30:53Eleitoral.
30:55E a cereja do bolo
30:57é que ele acabou
30:58colocando
30:59o Cássio Nunes
31:00Marques,
31:01o presidente
31:02do Tribunal Superior
31:03Eleitoral,
31:03indicado por Jair Bolsonaro
31:05numa baita de
31:05maçaia justa,
31:07de forma desnecessária,
31:08absolutamente
31:09desnecessária.
31:10Está lá o Nunes Marques
31:11quebrando o galho
31:12da campanha
31:13do Flávio
31:13e vai lá o Flávio
31:15e me solta
31:15uma dessa.
31:17Então,
31:17assim,
31:18uma fala
31:19desnecessária,
31:20que ele não
31:20precisava falar isso,
31:22não contribui em nada,
31:24ele só perde
31:25e, de novo,
31:26para a campanha
31:27só reforça
31:28o sentimento
31:30do eleitor de centro.
31:31Ah,
31:32o Flávio Bolsonaro
31:33quer,
31:34ele quer se aparentar
31:35como um Bolsonaro
31:36domesticado,
31:37mas esse tipo de fala
31:38o mar para o cima
31:39é de um outro Bolsonaro,
31:41aquele raiz,
31:42aquele mais radical.
31:45Esse impacto
31:46que você comentou,
31:47Wilson,
31:48agora no Nunes Marques
31:49é um ótimo ponto
31:50que você trouxe para cá,
31:51porque, de fato,
31:52o Nunes Marques
31:53estava ali
31:54ajudando muito
31:55a campanha
31:56do Flávio Bolsonaro,
31:57tanto que
31:58censurou
31:59uma pesquisa
32:00da Atlas Intel
32:00que mostrava
32:01o impacto negativo
32:03dos áudios
32:05entre Flávio Bolsonaro
32:06e Daniel Forcaro
32:07na campanha
32:08do Flávio Bolsonaro.
32:10Então,
32:10ele estava
32:10fazendo coisas
32:12meio que,
32:13aparentemente,
32:14querendo ajudar
32:14a mesma campanha
32:15do Flávio
32:17e até veio com aquela ideia
32:18de um selo
32:19de acurácia eleitoral,
32:21tipo um certificado
32:23que o TSE
32:24daria
32:25para os institutos
32:25de pesquisa.
32:26Então,
32:27isso dentro
32:28do discurso
32:29do Flávio Bolsonaro
32:30de que tem institutos
32:31que são confiáveis,
32:32outros que não,
32:33e aí,
32:34de repente,
32:35acaba ganhando
32:37esse abacaxi
32:38do Flávio Bolsonaro.
32:41Não faz o menor sentido,
32:42não faz o menor sentido.
32:43De novo,
32:44criar uma crise
32:45de forma desnecessária.
32:46é uma fala desnecessária.
32:50Wilson,
32:50a gente vai passar
32:51para o próximo assunto,
32:52mas queria que você
32:52ficasse com a gente
32:53para comentar.
32:54Pode ser?
32:54Vamos falar da dificuldade
32:55do PT
32:56em arrumar candidatos.
32:58Pode ser?
32:59Pode ser,
33:00Duda.
33:00Estou aqui disponível mesmo.
33:02Vamos lá.
33:02Vamos que vamos.
33:03Vamos lá, então.
33:04A dificuldade do PT
33:05em renovar
33:06suas lideranças
33:07e formar candidatos
33:09competitivos
33:09aos governos estaduais
33:11tem se tornado
33:12um dos principais
33:13desafios
33:14da legenda
33:15para as eleições
33:16de outubro.
33:17Sobre esse assunto,
33:18a gente conversa também
33:19com o nosso repórter
33:20João Pedro Fará,
33:21ele que fica lá
33:22no Rio de Janeiro.
33:23João Pedro,
33:24tudo bem?
33:24Boa noite.
33:26Boa noite, Wilson.
33:27Boa noite, Duda.
33:28Tudo certo.
33:30João,
33:30você andou estudando
33:32de perto
33:32a situação
33:34lá em Minas Gerais.
33:36Você pode contar,
33:37o PT
33:39não foi a primeira
33:40tentativa,
33:41não foi a segunda,
33:42não foi a terceira,
33:43eles tiveram
33:45muita dificuldade
33:46lá de arrumar
33:47um candidato
33:48ao governo
33:48do Estado
33:49em Minas Gerais,
33:50não foi isso?
33:52Pois é,
33:53eu acho que ao contrário
33:53do Flávio,
33:55que tem dificuldade
33:56na sua candidatura
33:58majoritária,
33:58o Lula
33:59parece estar
34:00num cenário
34:00um pouco mais confortável,
34:01mas em relação
34:02ao governo estadual,
34:04o plano do Lula
34:05sempre foi
34:06o ex-presidente
34:06Rodrigo Pacheco,
34:08mas ele anunciou
34:09que vai se retirar
34:10da vida pública
34:11no fim desse ano,
34:12então começaram
34:14as discussões
34:15para ver
34:15quem seria
34:16de fato
34:16o candidato
34:17do PT
34:18para o governo
34:19de Minas Gerais,
34:19que eu acho
34:20que é o caso
34:20mais emblemático
34:21da dificuldade
34:22que o PT
34:23tem em conseguir
34:24um candidato próprio
34:25aos governos
34:26estaduais.
34:27Um dos nomes
34:27cotados
34:28era da ex-prefeita
34:29de Contagem,
34:30Marília Campos,
34:31só que ela
34:32reclamou,
34:32criticou
34:33dessa demora
34:34na definição
34:35do Pacheco.
34:36Ela disse
34:36que não entendeu
34:37muito o fato
34:38do PT
34:38ter dado
34:39tanto tempo
34:40assim
34:40para um político
34:42que não era
34:42da legenda,
34:44não é da sigla.
34:45Um outro nome
34:46que foi ventilado
34:46também
34:47era o do ex-prefeito
34:48de Belo Horizonte,
34:49o Alexandre Calil,
34:50do PDT,
34:51mas ele também
34:52rejeitou o convite
34:53e hoje negocia
34:54uma composição,
34:55inclusive,
34:57com o PSDB
34:57do Aécio Neves.
34:59E com a desistência
35:00então desses nomes
35:01acabou
35:01que o PT
35:02definiu
35:02que o candidato
35:04será o Patruz Ananias,
35:05deputado federal,
35:07que já foi prefeito
35:09em Belo Horizonte,
35:10é ligado
35:10à teologia
35:11da libertação,
35:12advogou
35:13em movimentos populares,
35:14só que não era
35:15o nome
35:15principal
35:16do PT
35:17para essa candidatura
35:18muito importante
35:19no segundo maior
35:20colégio eleitoral
35:21do país.
35:22Então,
35:23ele mesmo assim
35:24disse que estava
35:24motivado
35:25para unir o PT
35:26em torno
35:26da sua candidatura.
35:27E aí eu conversei,
35:28inclusive,
35:29eu já vou
35:29adiantar aqui,
35:30Duda,
35:31se você me permite.
35:31Fique à vontade.
35:32Vai ter a nossa
35:34reportagem
35:35sobre essa dificuldade
35:36do PT
35:36em construir
35:37candidatos.
35:38Eu conversei
35:39com o Leonardo Barreto,
35:40que sempre participa
35:41aqui do Papo Antagonista,
35:42e ele me trouxe aqui
35:43pontos muito interessantes
35:44sobre essa dificuldade
35:45do PT.
35:46A primeira delas,
35:47na avaliação dele,
35:48é que o PT já herda
35:49esse desgaste
35:50sofrido pela legenda
35:51desde o impeachment
35:52da Dilma Rousseff.
35:54Não à toa,
35:54nas últimas eleições
35:55de 2020,
35:56o partido comemorou
35:57essa retomada
35:58de algumas prefeituras
36:00importantes,
36:00prefeituras-chave.
36:01Só que nos governos
36:02estaduais,
36:03permaneceu ele restrito
36:04aos estados
36:06do Nordeste.
36:07Aí a gente vê
36:07Piauí,
36:08Rio Grande do Norte,
36:09enfim, a Bahia.
36:10E outro ponto
36:11que ele trouxe também
36:12é a dificuldade
36:13do Lula
36:14conseguir fazer
36:15sucessores.
36:16Ele concentra
36:17muito esse protagonismo
36:18do PT
36:19em torno dele,
36:20não conseguindo passar
36:21isso para outros.
36:22A gente viu,
36:22por exemplo,
36:23como o Haddad
36:24teve dificuldade
36:25na eleição
36:25em que o Lula
36:26esteve preso,
36:26ainda assim,
36:27o PT com aquela
36:28narrativa de continuar
36:30em torno do Lula,
36:31ainda que preso
36:32condenado,
36:33a gente vê
36:34essa mesma dificuldade
36:35na construção
36:36do Sudeste.
36:36O maior colégio eleitoral,
36:37o Haddad,
36:39refugou,
36:39não aceitou,
36:40até o último minuto
36:41essa candidatura
36:43ao governo do Estado.
36:44No Rio,
36:45o Eduardo Paes
36:46será apoiado
36:47pelo Lula,
36:47no Espírito Santo,
36:48o Helder Salomão
36:49do PT está
36:50em terceiro lugar,
36:51enfim.
36:51Então,
36:52parte dessa crítica
36:52dentro da esquerda
36:53recai sobre essa dificuldade
36:55do Lula
36:55em formar novas lideranças.
36:57Eu acho que o último ponto
36:58importante para trazer aqui
36:59é que,
36:59diferentemente do PT,
37:00a gente vê que o PSOL
37:01tem figuras novas,
37:03de Vérica Hilton,
37:04o Boulos também.
37:05Então,
37:05são algumas diferenças
37:06que eu vou trazer
37:07nessa reportagem semanal
37:09aqui da nossa Cruzoé.
37:10Exato.
37:11O PT até tentou
37:13fagocitar ali o PSOL
37:14justamente para ter
37:16nomes mais jovens,
37:17mas o PSOL
37:18não quis.
37:19Aí o PT realmente
37:21tem enfrentado
37:22muita dificuldade,
37:23mesmo quando
37:24tenta algum partido aliado,
37:26também tem dificuldade
37:28de encontrar alguém
37:29que tope.
37:30Wilson,
37:31você vê também
37:31essa dificuldade do PT
37:33de encontrar
37:35candidatos?
37:37Tudo.
37:37O PT virou
37:38refém do Lula.
37:39Essa que é a grande verdade.
37:40Virou refém do Lula,
37:41virou refém
37:42da figura do Lula
37:44e como
37:44ninguém consegue crescer
37:46para além do Lula,
37:47o partido
37:48ele agora
37:50começa a minguar.
37:51João Pedro,
37:52tem uma coisa
37:53que você estava falando
37:54na tua exposição
37:57que eu acho
37:58que para a gente
37:58poder ficar de olho
37:59em 2026,
38:01porque alguns
38:02estados importantes
38:03o PT pode perder,
38:04viu?
38:05Bahia,
38:07com o estado
38:08comandado pelo PT
38:09historicamente,
38:09lá vai ter uma briga
38:10de foice,
38:11a CM Neto
38:12com o Jerônimo Rodrigues.
38:13Assim,
38:14essa derrota,
38:15uma eventual derrota
38:16do PT na Bahia
38:16pode ser simbólica.
38:18Ainda no Nordeste,
38:19se não me engano,
38:20acho que Rio Grande do Norte
38:21o PT não é favorito
38:22e você,
38:22e também tem
38:23um encostado
38:24em que o PT
38:25tem algum favoretismo
38:27é Piauí,
38:28tá?
38:29Ou seja,
38:30é uma situação
38:31muito complicada.
38:32Além disso,
38:33tem outras candidaturas,
38:34outras eleições majoritárias
38:37em que o PT
38:38deve perder a sua vaga
38:40justamente
38:41por um partido satélite.
38:42Aí,
38:43você citou
38:44o próprio PSOL,
38:45eu lembrei agora
38:46do caso
38:46do Rio Grande do Sul,
38:47é que o Paulo Paim
38:49sai do Senado,
38:50o cenário
38:51perdão,
38:51o Paulo Paim
38:52senador
38:52de longa data
38:54e aí
38:55ele pode ser substituído
38:58talvez
38:59pela Manuela Dávila,
39:00que é do PSOL,
39:01porque o Paulo Pimenta
39:02ele não está
39:03numa situação boa
39:04lá no Estado.
39:05Então,
39:05é uma situação
39:06muito dramática
39:08do PT
39:09nas eleições
39:10de 2026.
39:13E,
39:13Duda,
39:13falando ainda
39:14sobre essa questão
39:14da renovação,
39:15é bom lembrar
39:16que o PT
39:16tentou atrair
39:17a Erika Hilton
39:18para o partido,
39:20tentou fazer,
39:21olha,
39:21vamos lá,
39:22vem para cá,
39:22vamos conversar,
39:24nos ajude aqui
39:24a fazer uma boa bancada,
39:26só que aí
39:27quando ela foi negociar
39:28recursos do fundo partidário,
39:30bateu
39:31em um problema
39:32chamado José de Seu.
39:33Ela queria receber
39:34mais do que o de Seu
39:35e aí os caras,
39:36olha,
39:37não,
39:37mas o de Seu aqui
39:38é da turma
39:39dos antigos,
39:40dos jurássicos,
39:41eu não vou desprestigiar
39:42o José de Seu
39:43para privilegiar
39:44uma parlamentar
39:46que está chegando
39:46no partido agora.
39:47Então,
39:47o partido tem isso,
39:49tem a receita,
39:50tem esse problema
39:51que o partido
39:52está apodrecendo,
39:54é o partido
39:54que ele está
39:55perdendo a sua validade.
39:56A militância de rua
39:57que foi tão
39:59predominante
39:59no PT
40:00nos anos 80
40:01e nos anos 90
40:02não existe mais,
40:03você não tem mais
40:04uma militância de rua,
40:05hoje a militância
40:06ela é basicamente
40:07virtual,
40:07essa militância
40:08quem domina
40:09é o bolsonarismo.
40:10Então assim,
40:11juntando tudo isso
40:12e fora,
40:13ô Duda,
40:14eu acho que o PT
40:15tem um problema sério
40:17que é se descolar
40:18da realidade.
40:20O PT precisa,
40:21se ele quiser
40:22se reerguer,
40:24se ele quiser
40:25ter uma sobrevida
40:26de anos,
40:27ele precisa se
40:28reconectar
40:29com a sociedade.
40:30Várias bandeiras
40:31que o partido
40:32tem levantado
40:34nos últimos anos
40:35não são as bandeiras
40:36que as pessoas,
40:37não são os desejos
40:38da população,
40:38não é o que a pessoa
40:39quer, sabe?
40:41Ah,
40:42redução da jornada
40:43de trabalho?
40:44Ok,
40:45é um tema importante,
40:46bacana?
40:47É,
40:47mas o camarada
40:49está preocupado
40:49com o preço
40:50da picanha.
40:51Então,
40:52o PT precisa entender
40:53a questão
40:54dos trabalhadores
40:54de aplicativo.
40:56O PT resistiu
40:57muito para perceber
40:58que essa é uma
41:00modalidade de trabalho
41:01nova
41:02e que as pessoas
41:02gostam,
41:04sabe?
41:04O camarada do Uber,
41:05ele não quer
41:06se sindicalizar,
41:07ele não quer pagar
41:08a FGTS,
41:09ele não quer pagar
41:09a INSS,
41:11sabe?
41:11ele quer ter o dinheirinho
41:12dele livre
41:13para ele poder gastar
41:14no final do mês
41:14com o que ele quiser.
41:15Então,
41:16o PT não percebeu isso
41:17e fica lá no Congresso
41:18do PT,
41:18ah,
41:18vamos regulamentar
41:19o trabalho
41:19por aplicativo.
41:20Então,
41:21vai ter alguma taxa?
41:22É,
41:22vai ter uma taxinha aqui.
41:23Ou seja,
41:24as pessoas,
41:25a demanda da sociedade,
41:26o PT,
41:27ele ainda imagina
41:28o trabalhador
41:30como um ser
41:31pobrezinho,
41:32como um ser frágil,
41:33mas esse trabalhador,
41:34esse ser
41:35de frágil,
41:36ele não tem mais nada
41:37do Uber,
41:38e Pedro?
41:38Não, Pedro?
41:40Exato.
41:40João,
41:41quer comentar
41:41mais uma coisinha?
41:43Não,
41:43eu acho que realmente
41:45é uma comparação
41:46muito importante também
41:47a que fazem
41:48em relação ao PSDB,
41:49que desde a saída
41:50do Fernando Henrique,
41:51da vida pública
41:52e também do Serra,
41:54se tornou um partido
41:54pequeno,
41:55né,
41:55na Nico,
41:56em comparação
41:56com o que já foi antes.
41:57Então,
41:58eu vi até uma analogia
41:59interessante agora,
42:00só lembrando em Copa do Mundo,
42:01como é que seria
42:02a Argentina sem o Messi,
42:03como vai ser o PT
42:04depois sem o Lula,
42:05né?
42:05Parece que o PT aposta
42:07e todas as fichas,
42:08então,
42:09no Lula nessa eleição,
42:10de outubro,
42:11mas,
42:11como a gente vai mostrar,
42:12os governos estaduais
42:13têm dificuldade
42:14para formar nomes.
42:17Lembrando que essa dependência
42:18que o PT tem do Lula
42:19também é uma decorrência
42:22do que foi a Lava Jato, né?
42:23Quer dizer,
42:24havia outros políticos,
42:27petistas,
42:29Palocci,
42:30o Vacari,
42:31né,
42:32que serviam ali
42:33de contraponto
42:34para o Lula
42:35de vez em quando,
42:36mas,
42:36de repente,
42:37todo mundo vai preso,
42:38José Dirceu também,
42:40e aí o Lula
42:41meio que fica sozinho, né?
42:42Hoje tem esse retorno
42:45do José Dirceu,
42:47mas,
42:49ele está bem mais fraco
42:51do que era antes,
42:52muito menor
42:52do que já foi,
42:53né?
42:54Já foi um cara
42:54super importante,
42:56era o cara que comandou
42:57o Mensalão
42:58e também estava
42:59no Petrolão, né?
43:00Hoje é um resquício
43:02só do que foi no passado.
43:05Bom,
43:05gente,
43:06queria agradecer
43:06a participação aqui
43:07de João Pedro Farrar
43:08e Wilson Lima
43:09no Papo Antagonista,
43:10super obrigado
43:11por vocês terem aceitado
43:12o nosso convite.
43:16Tchau, gente,
43:17boa noite,
43:18até mais.
43:19Tchau,
43:19boa noite.
43:20Boa noite,
43:21bom,
43:22volto aqui
43:23a convidar vocês
43:25para responderem
43:26a nossa enquete
43:27lá no chat
43:28do YouTube,
43:29a pergunta é
43:30sobre esse tema
43:31que a gente acabou
43:32de falar,
43:32porque o PT
43:33está com dificuldades
43:34para encontrar candidatos,
43:36os bons
43:37são de outros partidos,
43:40não há petistas jovens,
43:43não querem se sacrificar
43:45e essa dependência
43:47do Lula
43:47que a gente acabou
43:48de comentar.
43:49Produção,
43:49a gente só tem
43:50alguns comentáriozinhos
43:51para ler,
43:51sobre esse assunto
43:52que já passou
43:53ou seguimos adiante?
43:55Vamos lá,
43:56Joacir dos Santos,
43:58Lula pode
43:59dispensar
44:00o marqueteiro,
44:00a família
44:01Bolsonaro
44:01faz o trabalho,
44:04exatamente.
44:05Antônio Manuel,
44:06tomara que venham
44:08muitos e muitos
44:09observadores
44:09para ver
44:10as eleições
44:10no Brasil,
44:12todos irão
44:13copiar
44:13o sistema
44:14brasileiro
44:15porque ele
44:16é perfeito,
44:18escreve Antônio Manuel,
44:19mais uma dele,
44:20larga a mão,
44:21Wilson,
44:22ninguém quer
44:22a volta
44:23do papelzinho,
44:24nem o bolso,
44:26Bolsonaro,
44:27DR Fer,
44:29a verdade
44:29é que
44:30se derrotado
44:31sempre vai
44:32alegar
44:33que houve
44:34fraude.
44:36E agora
44:36vamos falar
44:37de cultura,
44:38vamos já
44:39falar de ópera,
44:40turma?
44:41Vamos falar
44:42então
44:42o Alex Aguilera,
44:45ele é
44:46diretor
44:46de ópera
44:47e
44:48está agora
44:49numa produção
44:50do Teatro Municipal
44:52aqui em São Paulo,
44:53ele está
44:54produzindo
44:55Tristão
44:56e Isolda,
44:57que é uma
44:57ópera
44:57do Wagner,
44:59ele está
45:00lá na Espanha
45:01e topou
45:02aqui conversar
45:02com a gente
45:03no Papo
45:04Antagonista.
45:05A gente já está
45:06com o Alex
45:06na linha,
45:07Oi Alex,
45:07tudo bem?
45:08Boa noite.
45:10Tudo bem,
45:11boa noite,
45:11obrigado pelo convite.
45:13Eu que agradeço
45:14você ter aceitado
45:15a sua participação
45:17aqui no Papo.
45:18Alex,
45:19bom,
45:19estamos falando
45:19de ópera
45:20que não é
45:22um tipo
45:24de espetáculo
45:26que atraia
45:27multidões,
45:28mas eu fui tentar,
45:29por exemplo,
45:29comprar o ingresso
45:30do Tristão
45:30e Isolda
45:31tudo esgotado,
45:33e a gente tem
45:35um público
45:35aqui no Brasil
45:36muito cativo
45:38e que se interessa
45:39muito,
45:40ainda mais
45:40quando vem
45:41uma ópera
45:42do Wagner.
45:44O que
45:45que você
45:47atribui
45:48essa procura,
45:50essa demanda
45:51pelas óperas
45:52no mundo
45:52de hoje?
45:55É,
45:56em relação
45:57ao Brasil,
45:58eu acho que
45:58é a falta
45:59de ópera,
46:00né?
46:00Isso é uma coisa
46:01que eu sempre digo,
46:02por exemplo,
46:04deveria ter
46:04mais óperas,
46:05porque o povo
46:06que gosta de ópera,
46:07quem gosta de ópera
46:08vai à ópera,
46:09entendeu?
46:10É o povo fiel,
46:11mas quando tem
46:12poucas opções,
46:14então a coisa
46:15já não é mais
46:16tão legal,
46:17entendeu?
46:17Então,
46:18quando vem
46:18uma ópera
46:19assim,
46:19tipo a textão
46:20isolda,
46:21que é raríssimo
46:21de se fazer,
46:22aliás,
46:22pela dificuldade
46:23que isso leva,
46:25é óbvio que
46:25todo mundo
46:26vai querer assistir
46:27e cinco
46:28récidas
46:29parecem poucas,
46:30mas é o que
46:31se faz,
46:31no geral,
46:32a não ser
46:32que você tenha
46:33um terceiro
46:34elenco,
46:35mas aí as coisas
46:36já se complicam.
46:38Ópera,
46:38eu acho que,
46:39apesar de não
46:40atrair multidões,
46:41como o senhor fala,
46:42atrai os seus
46:42fiéis e os
46:44teatros
46:44estão cheios
46:45sempre.
46:45Ópera é um lugar,
46:47é um tipo
46:48um templo,
46:49para mim,
46:49onde o pessoal
46:50vai assistir,
46:50quer assistir ao vivo,
46:52não é a mesma coisa
46:52assistir em casa,
46:53um DVD,
46:54alguma coisa assim,
46:55a experiência
46:56de você estar
46:58sentado
46:58e assistindo
46:59aquela magia
47:00acontecer
47:01é única,
47:02eu acho que é isso
47:03que também atrai
47:03muitas pessoas.
47:06A ópera
47:07como essa
47:08envolve o trabalho
47:09de quantas pessoas,
47:10assim,
47:10mais ou menos,
47:11para ter uma ideia?
47:15Dependendo
47:15da ópera,
47:16você pode chegar
47:17fácil,
47:18fácil a umas
47:18duzentas
47:19e picos pessoas.
47:21Menos de duzentos
47:22é raro,
47:23mas se for
47:23umas duzentas
47:24pessoas.
47:26E Alex,
47:26sempre que uma
47:27ópera é encenada,
47:30os produtores,
47:31eles fazem
47:33adaptações,
47:36geralmente
47:37adaptações
47:38no cenário
47:39são muito
47:39comuns,
47:40ou na vestimenta,
47:42mas tem outros
47:43lugares também
47:44que a adaptação
47:45vai muito além,
47:47inclui personagens
47:48novos,
47:49muda o texto,
47:51existe
47:53algum limite
47:54de até onde
47:55se pode
47:57alterar
47:58ou adaptar
47:59uma obra,
48:00uma ópera,
48:01como é que você vê isso?
48:04Olha,
48:05eu acho que
48:05quando se fala
48:06de arte,
48:07limite não existe,
48:08limite é o céu,
48:09mas também tem
48:10todo o lance
48:11de você
48:12tentar
48:13pelo menos
48:14respeitar o
48:14livreto,
48:16respeitar a história
48:17tal qual ela é,
48:18mas como eu digo,
48:20existe campo
48:21para todo mundo.
48:22Eu, por exemplo,
48:23eu não gosto
48:23de extrapolar muito,
48:25eu gosto
48:26de contar a história
48:27que o compositor
48:27escreveu,
48:28a história
48:29que o libretista
48:30escreveu,
48:31eu, por exemplo,
48:32sou dos poucos,
48:34talvez,
48:35encenadores
48:36que eu não gosto
48:37de fazer
48:38uma narrativa
48:38paralela,
48:39e eu sei
48:40que isso,
48:41de repente,
48:42até pode me
48:42prejudicar,
48:43mas eu não
48:44acho que
48:45para você
48:45fazer uma ópera
48:46você tenha
48:47que modificar
48:48o que foi
48:49escrito,
48:49entendeu?
48:50Para isso,
48:51eu apelaria,
48:51por exemplo,
48:52a compositores,
48:53excelentes aliás,
48:54que existem ainda
48:55atualmente,
48:56de fazer uma ópera
48:57com aquilo
48:57que eu quero contar.
48:59Eu posso fazer
48:59uma encomenda,
49:00o teatro
49:00pode fazer uma encomenda,
49:01pode pedir
49:02para o compositor
49:03fazer uma ópera
49:03de X e X ou seja lá
49:06o que for.
49:06E aí você consegue
49:08mostrar aquilo
49:09que você quer.
49:10Agora,
49:11você pegar uma ópera
49:12que foi tipo
49:12Testão Isuda
49:13e transformá-la,
49:14sei lá,
49:15transformá-la
49:15num campo de batalha
49:17agora em Beirute
49:18ou sei lá,
49:19em Gaza,
49:21eu acho que é
49:22puxar demais,
49:23entendeu?
49:23Puxar demais da corda.
49:25É,
49:26e acho que um problema
49:27dessas adaptações
49:28que acontecem
49:29a todo momento
49:30é que você insere temas
49:32que são estranhos
49:34à ópera
49:35e aí parece que
49:36as óperas começam
49:37a ficar todas iguais,
49:38né?
49:38Ou todos os teatros
49:39que você vai,
49:40você já consegue saber,
49:43ah, vamos falar de índia,
49:43vamos falar de mulher,
49:44vamos falar de negro,
49:46você fala,
49:46nossa,
49:47já vi isso antes,
49:48né?
49:50É,
49:51acontece que,
49:51né,
49:52essa onda
49:53vem da Alemanha,
49:54né?
49:54Que não é de hoje,
49:56Regi Theater
49:56não é de hoje,
49:58que é uma direção
49:59de ópera
50:00do Regi Serra,
50:02né?
50:02A visão dele,
50:03isso já existe
50:03desde os anos 70,
50:0480,
50:04já na Alemanha
50:05se fazia,
50:06que é extrapolar tudo,
50:08né?
50:08Procurar aquilo que eu falo,
50:10procurar a feiura,
50:11né?
50:11Mas não é bem assim,
50:13mas é o que eu acho.
50:14Então,
50:15já hoje em dia,
50:16os ensinadores
50:17já estão querendo
50:18contar outra história,
50:20tipo assim,
50:20querer contar uma história
50:21atual com uma história
50:22antiga,
50:23medieval,
50:23por exemplo,
50:24transformar,
50:25extrapolar para,
50:26digamos,
50:27chegar ao público
50:28de hoje.
50:28Eu acho que isso
50:29está errado.
50:29o público de hoje,
50:31pela minha experiência,
50:32jovens que é uma ópera,
50:33eles querem ver
50:33uma ópera tal
50:34como foi feita.
50:35Não é que tem que ser
50:36antigo,
50:38caquético,
50:38sabe?
50:39Cheio de pó.
50:40Não, não.
50:41Você pode ir perfeitamente
50:42e mostrar.
50:43Como quem vê agora
50:44a minha produção
50:45de história,
50:45Isolda,
50:46ela respeita
50:47perfeitamente
50:47a partitura,
50:49mas ela não é antiga.
50:51Ela usa de coisas
50:52modernas,
50:52tem projeções,
50:54a luz é moderna,
50:56a direção de atores
50:57é atual,
50:58não é uma coisa antiga.
51:00Então,
51:01é isso que eu tento
51:03sempre contar
51:04para as pessoas,
51:04que cada um faz
51:06aquilo que quiser,
51:07obviamente,
51:07mas eu sou mais
51:08daquelas pessoas
51:09que gostam
51:10de mostrar a ópera
51:11com uma linguagem nova,
51:13com uma roupagem nova,
51:14mas respeitando
51:15o libreto
51:17e a música,
51:18especialmente,
51:18do compositor.
51:19Eu não gosto
51:20de alterar,
51:20de botar música
51:21de outra ópera,
51:23de outro compositor,
51:24dentro de um...
51:25para mostrar aquilo
51:26que eu quero mostrar.
51:26eu acho que isso
51:28resta muito
51:29ao que é
51:30a ópera
51:31hoje em dia.
51:32Imagino que
51:34seja importante
51:35ser fiel,
51:37ou minimamente
51:37fiel à obra,
51:38porque
51:39se você adapta
51:41demais,
51:42a mensagem
51:43do autor
51:44você não consegue
51:45transmitir,
51:46ela acaba se perdendo,
51:48ela fica secundária,
51:49você muda demais,
51:50e aí a gente
51:51não permite
51:52que aquela obra
51:53que foi escrita
51:53há 300,
51:55400 anos,
51:57não chegue
51:58como deveria
51:58para o público atual.
52:00Há mensagens
52:01importantes
52:01que o passado
52:02pode trazer
52:02para o presente,
52:04certo?
52:07Certíssimo.
52:08Eu acho que...
52:09Pode falar,
52:10pode falar.
52:11Não,
52:12desculpa,
52:13eu entendo
52:13o pessoal raciocínio,
52:14pode falar.
52:16Não,
52:17eu estava dizendo
52:18que qual é
52:19a necessidade,
52:19francamente,
52:21qual é a necessidade
52:21de querer
52:23mudar
52:23uma mensagem,
52:25uma história
52:25daquilo que foi feito,
52:27para que foi feito,
52:29entendeu?
52:29Qual a necessidade
52:30disso hoje em dia?
52:31Então,
52:32partindo dessa pergunta,
52:34eu sempre me faço isso
52:35quando eu vou montar
52:36uma ópera,
52:37o que eu quero
52:37que o público vê,
52:39o que eles precisam sentir
52:40quando eles veem
52:41uma cena salminha?
52:42Então,
52:43eles querem ver
52:44aquilo que o Wagner
52:45explicou,
52:46aquilo que o Wagner
52:47fez,
52:48ele mesmo,
52:49o libretto,
52:50ele que elaborou o libretto,
52:51ele quis contar uma história,
52:52quem sou eu
52:53para ir modificar isso,
52:54entendeu?
52:55Eu acho que
52:56a umidade do ensinador
52:58tem que existir,
52:59você não é maior
53:00que o compositor.
53:02E, Alex,
53:03agora uma pergunta difícil,
53:04por que que Wagner
53:05marca tanto,
53:06você escuta
53:07uma música do Wagner
53:08e depois aquilo
53:09não sai da cabeça,
53:09é um grude danado,
53:11você tem uma explicação?
53:14eu acho que a explicação,
53:16não existe
53:16a explicação lógica,
53:17acontece que Wagner
53:19ele não faz óperas,
53:21entendeu?
53:21Eu já sempre falo,
53:23pode ser que no comecinho,
53:24em Riennes,
53:25alguma coisa assim,
53:26ele escrevia ópera,
53:26depois mudou a linguagem dele.
53:28E Testão Isoda
53:29não é uma ópera,
53:30assim,
53:31é uma ópera do,
53:32tipo assim,
53:32você pega uma ópera
53:33e é uma ópera,
53:34né?
53:34Eu acho que vai
53:35muito mais além,
53:36é uma experiência,
53:37realmente.
53:37quem entra e vê
53:38uma ópera de Wagner,
53:40jamais sai indiferente.
53:41Você pode achar que,
53:43ah,
53:43foi muito longo,
53:44repetitivo,
53:45porque a gente está
53:45acostumado a ver
53:46as óperas clássicas,
53:47né?
53:47Do repertório italiano,
53:49francês,
53:49talvez.
53:50Mas quando você entra
53:51no mundo do Wagner
53:52e você se deixa levar,
53:54é aquela coisa,
53:55aquele som,
53:56aquela massa sonora
53:57que não para,
53:58né?
53:58Que te faz sentir
53:59quase que fisicamente mesmo.
54:01Eu tenho experiências físicas
54:02quando vejo Wagner,
54:03quando escuto Wagner.
54:04Então,
54:05eu acho que é isso
54:06que faz com que você
54:06fique presente,
54:07preso a essa música.
54:08É como se fosse
54:09uma novidade, né?
54:10Só que hoje em dia,
54:11mas quem não conhece ópera,
54:13quem nunca viu Wagner,
54:14se entrega
54:15e se deixa levar
54:16porque tem uma coisa,
54:17uma magia,
54:18como se fosse quase
54:19como uma bruxaria,
54:20eu dizia,
54:21para você se encantar
54:23com essa música.
54:25Você falou em massa sonora
54:27e bruxaria.
54:28Acho que você definiu
54:30muito bem aí o Wagner.
54:32Agora, você falou
54:33que essa é uma ópera
54:33difícil de ser feita,
54:35por quê?
54:38porque pelos personagens,
54:40né?
54:40Os cantores,
54:43o papel da Isolda
54:45é gigantesco
54:46e o papel do Tristão
54:47já nem se fala, né?
54:48Tristão, para mim,
54:49eu acho que é
54:49um dos mais difíceis,
54:51se não o mais difícil
54:52do repertório.
54:53E você precisa
54:54de uns cantores
54:56extraordinários
54:57para poder levar
54:57a cabo
54:58essa empreitada
55:00que eu chamo, né?
55:00porque uma viaja
55:03quatro horas e meia
55:04de música
55:04aguentando
55:05com toda aquela massa
55:06sonora
55:07que tem da orquestra,
55:08a voz tem que passar
55:09por em cima,
55:10então você precisa
55:12realmente de atleta
55:13assim mesmo, né?
55:14Para poder fazer esse papel
55:15e hoje em dia
55:15não existe tantos
55:17tristões pela vida,
55:19entendeu?
55:19Então,
55:20pouquíssimos cantores,
55:21os tenores
55:21que conseguem fazer
55:22dignamente o papel.
55:24Então,
55:24os bons,
55:25excepcionais,
55:26ainda é muito mais difícil.
55:28E, Alex,
55:29você já dirigiu
55:30óperas
55:31para o público
55:33brasileiro
55:33e também
55:35para o público
55:36internacional,
55:37acho que na Europa,
55:39né?
55:39Você já fez
55:40óperas
55:40lá e cá, né?
55:43A recepção
55:44do público
55:45brasileiro
55:46é diferente
55:47do público
55:48de outros países?
55:49Tem alguma
55:50peculiaridade?
55:53Eu fiz no Brasil,
55:54já fiz duas óperas
55:55antes de ser tristão,
55:56sei que é uma terceira
55:57vez que eu faço
55:58ópera no Brasil
55:59porque
56:01teve uma lenda
56:02por aí
56:02dizendo que eu
56:03não era brasileiro.
56:04Então,
56:05por isso não me convidavam.
56:06Tudo bem.
56:07Não sei quem lançou
56:08essa lenda aí,
56:10mas tudo bem.
56:11Mas o público,
56:13olha só,
56:13o público brasileiro
56:14é muito generoso.
56:15É a diferença gigantesca
56:17entre o público europeu.
56:19O público brasileiro
56:20adora,
56:21aplaude muito,
56:22aplaude em pé
56:23e isso é uma coisa
56:23que é raro
56:25ver na Europa.
56:26Na Europa,
56:26o pessoal
56:26é muito mais crítico,
56:28talvez pela quantidade
56:29de óperas que eles veem,
56:31que é uma coisa
56:31muito mais assequível,
56:33tem mais óperas,
56:33tem mais opção.
56:34Então,
56:35eles têm
56:36esse lado
56:37um pouco
56:37muito mais crítico,
56:39ainda mais na Itália,
56:40que tem toda aquela
56:40parte dos lodjones,
56:42que eles vai,
56:43tem muita vale na Europa.
56:45No Brasil,
56:46raramente,
56:46acho que eu nunca vi
56:47ninguém ser vaiado.
56:49Ninguém.
56:50Então,
56:50é essa diferença
56:51que o público brasileiro
56:52é muito generoso,
56:53muito agradecido.
56:55você falou isso,
56:56eu lembrei que
56:56eu fui assistir um concerto
56:58na cidade do México
57:00e ninguém ficou de pé
57:01e eu estranhei,
57:02porque eu estou acostumado
57:03aqui toda hora,
57:04as pessoas aplaudem de pé,
57:07mas talvez seja,
57:09o que você acha,
57:11a gente pode explicar isso,
57:12do brasileiro
57:13aplaudir tanto
57:14e aplaudir de pé,
57:15você acha que é uma
57:16deferência
57:17à arte
57:19ou é uma falta
57:20de capacidade
57:21de crítica
57:22de notar
57:23quando há defeitos?
57:26Não,
57:27eu acho que é uma
57:28deferência,
57:29realmente,
57:29eu acho que o público
57:31brasileiro
57:32tem muito mais
57:33afeção
57:34com os artistas,
57:35que ele sabe
57:37que é uma empreitada
57:37difícil,
57:39longa,
57:39que requer de trabalho,
57:40sacrifício e tal,
57:42eu acho que o público
57:43brasileiro tem mais noção
57:44disso,
57:44eles têm mais consciência
57:45do trabalho feito,
57:48daquilo que o artista
57:49entrega para o público,
57:50é uma coisa,
57:51eu acho,
57:51também cultural,
57:52nós gostamos muito
57:53de ver atores,
57:56quando você é um ator
57:56global na rua,
57:58as pessoas tiram fotos,
58:00essas coisas todas
58:01que aqui existem muito pouco,
58:02então sempre teve isso,
58:04eu acho que é também
58:04essa cultura nossa
58:06de televisão,
58:08de novelas,
58:09aquelas coisas
58:09que a gente gosta,
58:11a gente gosta muito
58:11dos que estão no palco,
58:13a gente gosta muito
58:14de assistir alguém
58:16entregando a sua arte,
58:17eu acho que isso é uma coisa
58:18que deve ser aplaudido
58:20no Brasil,
58:21eu gosto muito disso,
58:22eu acho incrível
58:23que as pessoas no Brasil
58:25aplaudam muito
58:26e aplaudam em pé,
58:27porque eu acho que
58:28para os atores,
58:30para os cantores,
58:31isso é o alimento
58:33da alma,
58:34que 90% das pessoas
58:36que fazem esse métier
58:39que eu chamo,
58:39fazem pelo público,
58:41porque por dinheiro
58:43não é,
58:43quem se dedica
58:44no mundo da ópera
58:45não vai ficar rico nunca.
58:46Exato.
58:47Alex,
58:47super obrigado
58:48pela sua participação
58:49aqui no Papo Antagonista,
58:50abraço e boa ópera.
58:54Obrigado,
58:55muito obrigado a todos,
58:56obrigado.
58:57Gente,
58:57vamos olhar rapidinho
58:58o resultado da nossa enquete,
59:00porque o PT está com dificuldades
59:01para encontrar candidatos,
59:0360% dependência do Lula.
59:05É isso aí,
59:06esse foi mais um Papo Antagonista,
59:07boa noite.
59:08Eu preciso construir uma narrativa
59:10para destruir o inimigo.
59:11Que vingança.
59:12Estou aqui para me vingar
59:13dessa gente.
59:14Pretendo beneficiar o filho meu,
59:16sim.
59:16Confesso publicamente
59:17que eu votei no Lula.
59:32e aí
59:37e aí
59:40e aí
59:40e aí
59:41E aí
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