A Floresta de Fontainebleau fica a menos de sessenta quilômetros ao sul de Paris e cobre cerca de vinte e cinco mil hectares. É uma das maiores florestas da Europa central e uma das mais antigas sob proteção humana. Hoje, com as ondas de calor cada vez mais intensas, ela voltou a chamar a atenção do mundo. Tudo começou na Idade Média. A partir do século XII, os reis da França escolheram essa região como reserva exclusiva de caça. A floresta era cercada, guardada e reservada à nobreza. Entrar sem permissão era crime grave. Por séculos, ela existiu para servir à coroa. No coração da floresta está o Castelo de Fontainebleau, residência favorita de Francisco I, que o transformou em palácio renascentista no século XVI, e de Napoleão Bonaparte, que assinou ali sua primeira abdicação em 1814. O castelo é Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. No século XIX, pintores como Camille Corot e Jean-François Millet instalaram seus cavaletes entre as árvores de Fontainebleau. Esse grupo ficou conhecido como Escola de Barbizon e revolucionou a pintura ao ar livre, abrindo caminho direto para o impressionismo que viria depois. A floresta abriga mais de mil espécies de plantas e centenas de espécies de insetos e aves. Suas formações rochosas de arenito são únicas na região. Hoje, trilhas bem sinalizadas recebem milhões de visitantes por ano, e parte da área é reserva biológica integral. Uma floresta que sobreviveu a reis, revoluções e guerras enfrenta agora incêndios alimentados pelo calor extremo. Preservar Fontainebleau é preservar não apenas árvores, mas camadas de história, arte e vida selvagem que formam a memória viva da Europa.