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  • há 2 meses

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Transcrição
00:00O saque de cargas na região de Nova Laranjeiras voltou a ser frequente e é
00:05muito comum os acidentes envolvendo caminhões naquela região até pelas
00:09características ali das rodovias estaduais e federais que cercam o
00:13município. Indígenas, é claro, se aproveitam da situação para agir
00:18rapidamente. As autoridades têm total conhecimento disso porque o saque
00:23acontece com o atendimento do acidente em andamento, inclusive. Mas fiscalizar
00:28isso tudo ainda é um grande desafio. Novamente o saque de cargas volta a
00:34preocupar o setor de transporte. A ideia é que se a carga está no chão é porque não
00:38tem dono. Isso é um equívoco tremendo. Primeiro porque realmente alguém vai
00:43responder por aquela mercadoria, seja o embarcador, o transportador, o próprio
00:49seguro. Há uma semana um caminhão com 19 toneladas de alimentos tombou na PR-473
00:56em Nova Laranjeiras. O motorista não se feriu, mas parte da carga foi saqueada por
01:02um grupo de 60 indígenas que vivem na região. Foi o segundo daquele dia porque
01:07um pouco antes, na BR-277, o tombamento de um caminhão com frango congelado também
01:14teve a carga saqueada por cerca de 80 indígenas. O motorista, Fábio Luiz de
01:21Andrade, 31 anos, morreu dois dias depois do acidente.
01:25Ele estava com o braço preso, não conseguia sair do veículo, estava muito ferido, né?
01:30Tanto que veio a falecer depois e ele não tinha o que fazer ali na situação. E, além
01:36de tudo, essas pessoas não se importam, são criminosos que não se importam com a
01:42vida da pessoa que está ali. Jamais vão deixar de sacar a carga para ajudar um ferido, né?
01:47Devido ao histórico, a região realmente é complicada em relação aos saques de
01:52cargas, né? Mas, lógico, não é só a região de Nova Laranjeiras que isso acontece.
01:59Esse é um problema cultural no nosso país, né? É realmente um desrespeito, um descaso
02:05acontece com a propriedade alheia, né? Principalmente na questão dos acidentes.
02:11De acordo com a Polícia Rodoviária Federal de Cascavel, o saque de cargas acontece sempre
02:17de maneira muito organizada. Um grupo vai para a rodovia, recolhe esse produto e leva para
02:24a aldeia, onde já tem alguém esperando com o carro pronto para receber e depois vender
02:31esse produto. Então, são duas ilicitudes. O saque de carga, ele é crime, mas quem recebe
02:38e depois revende esses produtos também acaba sendo um criminoso.
02:42A quantidade de pessoas que fazem esse saque é muito grande. É em torno de 80 a 100 pessoas
02:49que estão ali fazendo o saque. Fora os que já estão no meio do mato aguardando a mercadoria
02:54para levar para o comércio para vender essas mercadorias.
02:57Mesmo sabendo que é crime, o saque de cargas voltou a ser praticado com frequência nas
03:03estradas do Paraná. Em Nova Laranjeiras, a incidência é bem maior. Por conta do aldeamento
03:09indígena, a PRF lembra que fiscalizar o saque de carga não é prioridade.
03:15A prioridade da PRF é o atendimento às vítimas, aos feridos que estão ali e também
03:22a segurança viária, que é o trânsito no caso.
03:26Quando é possível registrar imagens do saqueamento, a polícia civil é quem investiga o roubo
03:32da carga. No entanto, a sensação de impunidade, involuntariamente, motiva o crime.
03:38Impunidade, realmente, é isso que encoraja as pessoas a tomarem tais atitudes.
03:45Digamos que a gente faça a prisão de dois ou três ali que estão, com certeza os outros
03:50se revoltariam e viriam para cima dos policiais. A quantidade de policiais e a quantidade de saqueadores,
03:56é muito divergente.
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