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  • há 10 horas
Nova York — Rua 42 com a 7ª Avenida. Trigésimo nono andar de um hotel localizado em um arranha-céu próximo da Times Square na cidade que nunca dorme. Diante de uma vista encantadora de Manhattan, um senhor amazonense de 78 anos radicado em Brasília desde 1963, quando desembarcou aos 15, articula o adeus a uma relíquia. Pioneiro da capital, Lincoln Lucena esteve no último jogo de Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, no Giants Stadium, atual MetLife, palco do empate do Brasil com Marrocos por 1 x 1, da eliminação contra a Noruega por 2 x 1 nas oitavas e da final da Copa do Mundo no próximo dia 19.

Antes da entrevista exclusiva ao Correio Braziliense, Lincoln se emociona: “Sentem-se aí, vou fazer uma apresentação”, anuncia, em um momento Broadway no início da noite nublada. Ele caminha até um estojo tratado com o zelo de um colecionador, retira o ingresso da partida de 1º de outubro de 1977 na qual Pelé defendeu o New York Cosmos no primeiro tempo e o Santos na etapa final, diante de 75.646 súditos.

Lincoln entrou no modo desapego. Não foi a Nova York interessado nos jogos do Brasil. A jogada ensaiada dele com sapatos de andarilho pelo coração da Big Apple teve como endereço a Madison Avenue. Lá fica a badalada Sotheby’s, uma das casas de leilão mais badaladas do mundo. Quase meio século depois do jogo, ele decidiu abrir negociação para a venda do tíquete histórico.

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🎥: Victor Parrini/CB/D.A. Press

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Transcrição
00:00Aqui está a relíquia histórica que eu tenho guardada há 49 anos.
00:04É isso.
00:05Eu tenho que confirmar que estou aqui por Pelé,
00:09a quem tive a honra de ver a sua última partida
00:12e receber um autógrafo dele no ingresso dessa partida.
00:16Eu vim aqui para tentar oferecer ao público americano
00:20a oportunidade de conhecer mais sobre o Pelé
00:22através de um leilão que vai ser realizado ainda esse ano.
00:26Eu quero reconhecer que ele ficou grande demais para mim.
00:31Eu já tive com ele o tempo que eu achei necessário, 49 anos.
00:35Então eu quero deixar como um legado histórico para o futebol brasileiro
00:38e para quem não conhece, se pudesse ficar no Brasil,
00:42tanto melhor na CBF como uma marca histórica do grande Pelé.
00:48Eu trabalhava com o ministro Mário Henrique Simonson, no Ministério da Fazenda
00:51e evidentemente tive a sorte de estar com ele aqui nos Estados Unidos
00:56numa reunião do Fundo Monetário Internacional em Washington
00:58e fiquei sabendo desse jogo, que seria num sábado.
01:02E comentei com ele e para minha surpresa ele achou muito interessante a ideia
01:06de vir ver o Pelé e eu vim com ele de lá de Washington aqui.
01:10E aí chegando, fomos ao estádio, eu comprei o ingresso,
01:14ele recebeu um convite e acabou recebendo o ingresso dele,
01:19mas eu comprei, eu paguei 10 dólares na época.
01:21E aí, então, evidentemente, tive a sorte de chegar no final da partida,
01:26ir ao campo de futebol e ir ao vestiário,
01:29porque estava credenciado para poder ir,
01:32e o ministro, a importância do ministro, podia entrar.
01:36E o ministro não foi, mas eu fui e, por sorte, encontrei o Pelé
01:39terminando de se enxugar.
01:41E eu pedi a ele, vim dar uma felicidade a ele,
01:45ofertar o meu abraço, ele disse assim,
01:47Como é seu nome?
01:48Eu queria que você desse um autógrafo nesse ingresso.
01:51Ele disse assim, como é seu nome?
01:52Lincoln Lucena.
01:54Ah, então, ao amigo Lincoln Lucena do amigo Pelé.
01:57Aqui está a relíquia histórica que eu tenho guardada há 49 anos.
02:01É isso, quase 50 anos.
02:03É, quase 50 anos.
02:04E posso, estou me desapegando dele com a sua presença
02:08e de todos os queridos amigos do futebol de Brasília e do Brasil.
02:13Música
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