00:01Uma coisa que me interessa muito saber é o que é que diferenciou, o que é que fez com que
00:04o teatro negro conseguisse criar esse caminho diferente, né?
00:08Não tem como ser atriz negra ou fazer parte de uma companhia negra sem falar de Abdias, né?
00:16Abdias, como aconteceu? Você, um homem tão ocupado, um artista cheio de atividades diferentes, como aconteceu de você vir para
00:24os Estados Unidos?
00:24Bem, eu recebi um convite da Farfield Fundesta para vir aos Estados Unidos conhecer os problemas da educação e da
00:33cultura do negro norte-americano.
00:36Nós, como construção, temos uma tendência a entender a história de maneira consecutiva, né?
00:41A gente acha que quando uma coisa é superada, a gente vai para uma outra etapa e as coisas não
00:46vão ser mais vividas.
00:47Mas não é dessa maneira que se coloca. Blackface está aí.
00:51Não há nada mais teatral do que o Blackface. E, no entanto, esta representação é um apagamento, uma supressão.
00:59Se a gente está aqui nessa sociedade dizendo que temos uma democracia racial, né? O que é uma mentira.
01:05Mas, ao mesmo tempo, existe esse país que fala isso? Por que você vai utilizar dessa máquina racista?
01:14Vem da própria personalidade do Abdias, essa construção de um sujeito incomodado.
01:21Um sujeito incomodado, mas um sujeito também, assim, extremamente ativo, corajoso.
01:26E o Tê, ele se encarregou de criar essas... de desenvolver essas necessidades, criar vários caminhos e marcar uma geração
01:37que depois sucedeu.
01:39E o Tê, ele se encarregou de criar vários caminhos e marcar uma geração.
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