00:00Eu soube no final do dia do sábado, porque um dos agressores ficou com ela durante o dia até a
00:08noite,
00:08só quando ela conseguiu pedir ajuda na mãe de santo dela no terreiro,
00:13no qual um dos agressores foi junto com ela para o terreiro e só saiu de lá quando a mãe
00:19dele chamou ele
00:20para fazer a reunião com a mãe dos outros agressores.
00:25Então, eu só soube na tarde, ela não conseguiu me pedir ajuda, porque segundo um desses agressores,
00:31o outro estava ameaçando ela também e me ameaçando, então ela ficou com medo.
00:36Você recebeu que tipo de ameaças?
00:38Ele não falou propriamente para mim, nem para ela, os outros passavam para minha filha,
00:44que se ela denunciasse, se falasse o que aconteceu, ia vir atrás da gente,
00:50porque sabe o endereço, eles vieram aqui, então sabe o meu endereço, sabe a minha rotina,
00:56mesmo porque como ele era o amigo de infância dela, desde os seis anos de idade,
01:00ele sabia a minha rotina, ele sabe que eu saio cedo de casa, que eu volto,
01:03que ela permanece sozinha, porque o meu marido também trabalha, então eles tinham acesso a tudo.
01:08Então, para eles, ela era uma presa fácil e como um dos tios dos agressores é de outro meio,
01:16eles poderiam vir aqui e fazer qualquer coisa, tanto com ela quanto comigo.
01:19Foram quatro adolescentes, ela não sabe muita coisa, porque creio que ela foi doopada,
01:26ela não lembra do que aconteceu.
01:28Quando ela deu por consciência, haviam dois adolescentes em cima dela,
01:35ela imediatamente, ela nem conseguiu visualizar o rosto, porque ela estava zonza,
01:38ela foi para o bairro do banheiro, um desses adolescentes, que era o melhor amigo dela,
01:44ajudou ela a tomar banho, estendeu a toalha para ela e fez ela dormir novamente,
01:50no qual todos estavam aqui ainda.
01:53Quando ela recobrou a consciência de novo, que deu para ela perceber o que havia acontecido,
02:00eles já não estavam mais no local.
02:02Ela entrou em contato com esse amigo de infância dela, querendo saber o que havia acontecido,
02:07porque ela não se lembrava, como consta nas mensagens que eles trocaram,
02:11que ela não lembrava.
02:12Ele, friamente, falou que tanto ele quanto o outro e o outro havia praticado
02:20e que um deles havia apenas olhado, mas também não tem como saber.
02:23Ou seja, um amigo de infância participou da violência sexual.
02:26Sim, diz ele que estavam os dois e logo após ele pediu desculpa, como se fosse resolver.
02:33Outros dois também pediram desculpa, como se fosse resolver alguma coisa,
02:37mas a gente sabe que a sequela é para o resto da vida, né?
02:41Como que as mães desses adolescentes ficaram sabendo do que aconteceu?
02:46Eles mesmos contaram.
02:48Eles mesmos contaram, quando eles viram o que tinha feito, né?
02:52Eles entraram em contato, eles contaram tudo.
02:54A princípio, eu achei que elas tinham entendido o que tinha acontecido,
03:01porém, no domingo, quando eu estava com ela no hospital,
03:05elas começaram a sediar para conversar com ela,
03:08e eu falando a todo momento, eu não quero conversar,
03:10não tenho o que conversar, nada que vocês fizerem, falarem, vai resolver o que foi feito.
03:14Eu quero cuidar da minha filha, eu estou no hospital.
03:16Respeite ela, não, mas tem que fazer uma reunião,
03:19a gente precisa se reunir, eu reuni para quê?
03:22Eu quero te ajudar.
03:23Ajudar no quê?
03:24Não tem o que você ajudar.
03:26Só que a minha menina, ainda em estado de choque, negação,
03:30eu não sei descrever,
03:32porque até quando as médicas perguntavam,
03:34você está bem?
03:35Ela perguntava, mãe, eu estou bem?
03:38Então, assim,
03:39para a mãe ver um negócio desse,
03:41é muito triste.
03:42para mim ver a cena da minha mais velha chegando em prantos,
03:47que ela uivava, ela não chorava,
03:50que o hospital inteiro saiu para ver,
03:54mesmo não podendo,
03:55a médica permitiu que a minha mais velha fosse comigo lá dentro ver a irmã.
03:59Então, assim,
04:03eu não sei descrever o que é.
04:05Mas, mesmo assim, a minha menina insistiu muito na cabeça dela.
04:09As mães não tinham culpa na cabeça dela.
04:12As mães estavam destruídas e ela queria ouvir o depoimento das mães para falar com ela.
04:19Ela foi ter a porta do hospital,
04:22mesmo contra a minha vontade,
04:24que eu deixei claro para uma das mães dele,
04:26mesmo contra a minha vontade,
04:27elas foram para lá.
04:29E a primeira coisa que uma das mães fez foi,
04:32me conta o que aconteceu.
04:34Ela sabia o que aconteceu,
04:35porque os filhos haviam dito
04:37e os colegas também haviam contado.
04:39Só que quando o hospital tomou ciência,
04:42que a minha menina estava lá na porta com eles
04:44e eles fizeram,
04:45ficou tudo tipo na nossa frente,
04:47nos acuando,
04:48o hospital retirou a minha filha,
04:51me proibiu de ir na parte da recepção,
04:53não podia ir mais.
04:55E eles ficaram para o lado de fora do hospital.
04:57O hospital acionou o 180,
05:00abriu o protocolo,
05:02me instruiu a chamar a polícia
05:03e eles falaram que não tinha problema,
05:04que eles iam aguardar a polícia.
05:06Ou seja, depois de tudo,
05:08vocês ainda foram pressionadas, acuadas,
05:12ameaçadas?
05:13Como é que foi?
05:14Sim, a gente foi acuada
05:15para que a minha filha contasse
05:18o que viveu,
05:20como que se ela contasse,
05:22fosse resolver alguma coisa,
05:24como que se a brutalidade do que foi feito com ela
05:27fosse pouco,
05:28que ela tivesse que relembrar, relembrar, relembrar,
05:30estando no hospital,
05:31tomando várias medicações,
05:33tomando várias injeções,
05:35passando por diversos exames,
05:36se submetendo a um exame
05:38que a gente sabe,
05:39nós mulheres,
05:40que não é fácil
05:41a gente está fazendo o exame
05:43depois de tudo o que aconteceu
05:44e elas não tiveram sensibilidade
05:46como mãe,
05:47como ninguém.
05:47Alguma chegou a falar
05:48que era advogada
05:50e que se fosse na polícia,
05:52vocês chegaram a receber
05:53algum tipo de ameaça
05:54nessa linha?
06:00Uma delas que é advogada
06:03praticamente disse
06:04que não iria dar em nada
06:05porque são adolescentes,
06:07adolescentes com adolescentes,
06:08não dá em nada.
06:10Ontem,
06:11quando a minha filha,
06:12por desespero,
06:15postou
06:15nas redes sociais minhas,
06:17sem a minha autorização,
06:18que eu não sabia,
06:19sem a minha autorização,
06:20a foto deles,
06:22relatando tudo o que aconteceu,
06:24que eu...
06:27relatando tudo o que aconteceu
06:28com ela,
06:29ela ligou,
06:31furiosa.
06:32Uma mãe ligou?
06:33É.
06:33A mãe do melhor amigo de infância dela,
06:35que é advogada,
06:36ligou
06:36e disse que
06:38agora ela não conversaria mais comigo,
06:40que não teria mais conversa,
06:41como se eu quisesse conversa com ela.
06:43Não teria mais conversa,
06:45que ela iria me processar,
06:47porque eu,
06:48uma adulta,
06:49estava expondo
06:50crianças
06:52na rede social.
06:53Não sei se criança abusa de outra criança,
06:56porque se os filhos dela,
06:57se o filho dela é criança,
06:58a minha também é.
06:59E a minha estava dentro da casa dela.
07:02Agora,
07:03eles estão falando que
07:04a minha filha estava na casa de um dos supostos abusadores,
07:08e não na casa dela.
07:09Na própria casa?
07:11Na própria casa dela.
07:12Então,
07:12assim,
07:13graças a Deus,
07:13temos câmeras,
07:15temos fotos e vídeos deles dentro da minha casa,
07:20com horário,
07:22com data,
07:23e com endereço na foto.
07:25Então,
07:25não tem como alterar e burlar isso.
07:28Então,
07:28elas podem falar que a minha filha estava em outro lugar,
07:31elas podem falar que a minha filha está mentindo,
07:34que está querendo destruir a vida dos filhos delas,
07:36mas a família foi destruída.
07:38Foi a minha filha que teve a intimidade dela violada,
07:44contra a vontade dela.
07:45Foi eu, mãe dela,
07:47que estou destruída.
07:48E foi a irmã dela,
07:51que também está destruída,
07:52e não sabe mais como viver com isso.
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