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  • há 4 semanas
Conheça os desafios do local e quais são os próximos passos para uma possível regularização

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Transcrição
00:00Meu sonho é ter um pedacinho de terra que eu posso plantar, colher.
00:04O sonho de todas as pessoas é ter um lugar para morar, né?
00:07E aqui foi o lugar que eu achei.
00:13Na área de quase 295 mil metros quadrados, na região dos bairros de Abaeté e Normilha da Cunha, em Vila
00:20Velha,
00:20as histórias contadas nas ruas de terra batida são parecidas.
00:24Eu morava em Santa Rita, 600 reais eu pagava de aluguel.
00:30Eu tenho problema com essa pena, se eu trabalhar muito, eu não consigo.
00:34Eu nunca consegui nada de auxílio.
00:37Aí eu falei com ela, falei, vamos ficar aqui.
00:40Aí eu fiz um barraquinho, era pequenininho, aí o pessoal foi me dando madeira e nós foi construindo.
00:46Esperança e conquista são os nomes das ocupações que abrigam cerca de 800 famílias desde 2017.
00:53O batismo das vilas, que os moradores querem ver reconhecidas como o bairro, é fruto dos sentimentos do mesmo nome.
01:00Eu tenho cinco anos que eu estou aqui, nessa luta.
01:04A minha esperança aqui é eu comprar material e fazer uma casa aí, em nome de Jesus.
01:13Conseguir esse lugarzinho aqui foi com muita luta, né?
01:16É uma conquista muito grande.
01:18Eu entrei para cá, para ter esperança mesmo, a gente conseguir aqui, essa terra, pedindo a Deus que dê certo.
01:30Apesar da vontade dos moradores, uma disputa judicial pela reintegração de posse pode dar novos rumos aos imóveis.
01:38A defesa do proprietário da área afirma que houve uma invasão ilegal no local.
01:44Situação que preocupa quem vive atualmente na região e não terá para onde ir, em caso de reintegração de posse
01:50do terreno ao proprietário.
01:52Eu vivo de Bolsa Família, que nós vivem oito pessoas, são seis crianças e dois adultos.
01:57Eu não consigo mais emprego porque eu não consigo trabalhar, porque eu vivo através de remédios, né?
02:04Na casa, além de juvenil, quatro das crianças dependem de remédios ou tratamentos especiais,
02:11que muitas vezes nem chegam por causa da dificuldade na marcação de consultas ou pela falta de dinheiro.
02:19Nelson, a esposa Rosa e a vizinha Maria Regina são apenas alguns dos muitos moradores que perderam suas principais fontes
02:27de renda
02:28e foram para a Vila Esperança, em busca de um canto próprio para viver, sem gastar o pouco que tem
02:34com o pagamento de aluguéis.
02:36Hoje, eu me sinto assim, mesmo com o salário mínimo, se eu ganhar hoje um salário mínimo, já me sobra.
02:44Eu faço a compra para dentro de casa, já compro um prego, já compro uma telha.
02:49Se eu ganho mil, eu não posso gastar mil, trezentos, eu vou lá comprar o material.
02:54No lote recebido pela liderança comunitária, Juvenildes e o marido José Carlos, assim como Nelson e outros vizinhos,
03:01plantam frutas, legumes e verduras. A alimentação do casal e das seis crianças, muitas vezes, é baseada no que é
03:08acolhido ali mesmo.
03:10Nós vivem nossas plantações, né? Aqui mesmo já tem muitos plantos ali no fundo, ali, plantado.
03:15Aqui é colher muita banana, é limão. E só não tem hortinha ainda porque é por causa de água, né?
03:21A gente usa água conforme tem que usar.
03:23Para cada um dos moradores, a principal expectativa é voltada para a regularização do espaço.
03:28Em meio à briga judicial, eles pedem o reconhecimento do bairro e a instalação de energia e fornecimento de água,
03:35o básico para terem o mínimo de dignidade.
03:39Em liminar, que foi acatada pelo Supremo Tribunal Federal, a Defensoria Pública do Espírito Santo apontou que,
03:46antes de haver a reintegração de posse, é preciso dar atendimento social para as famílias,
03:51com identificação do perfil socioeconômico e das vulnerabilidades de cada um dos moradores.
03:57Todos nós amamos o Vila Esperança. O Barro do Vila Esperança é o nosso sonho, né? O sonho de todos
04:02morar aqui.
04:03Para mim, representa muitas coisas. A alegria que eu tenho com os meus filhos vêm para aqui, os meus netos.
04:10Chego ali, eu tenho o prazer de sair catando lenha, fazer uma fogueira.
04:14Eu sinto que sim, esse barraque de madeira, para mim, é como se fosse de alvenaria. Eu não sinto que
04:18aqui é um barraco.
04:19O pessoal fala barraque, o pessoal fala que é barraco, não. É minha casa. Minha casa e minha vida.
04:23Eu creio que sonhos nenhum vai ser enterrado aqui dentro. Vai ser fluido. Sonhos, projetos aqui vão fluir.
04:33E não vão conseguir enterrar, porque Deus está na calma.
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