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  • há 5 semanas

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00:00Estamos iniciando mais um Momento Agro e o assunto hoje é mais do que atual.
00:06Nós vamos falar sobre os efeitos do clima na cafeicultura.
00:10Para me ajudar nesse bate-papo, temos aqui hoje, nós convidamos o professor Fábio Partelli.
00:17Ele, vou até olhar a minha cola, gente.
00:19Ele que é engenheiro agrônomo, doutor em produção vegetal, pesquisador,
00:24professor titular da UFSS e organizador geral do simpósio do produtor de Conilão
00:31e o simpósio de pesquisas e tecnologias em Cofia Canéfora.
00:37E a Sara Dussou, é isso, Sara?
00:40Até pedi para ela, me ensina, gente, como é que fala o seu nome.
00:43Ela também é engenheira agrônoma, doutora em fisiologia vegetal,
00:48pesquisadora do Incapé, professora e orientadora do curso de agronomia da FAESA,
00:54professora e orientadora nos programas de pós-graduação da UFSS.
00:59E nós vamos começar, gente, fazendo já essa pergunta,
01:03que muita gente ainda fica se perguntando, né?
01:06Tem crise climática? Nós estamos vivendo uma crise climática, professor?
01:11Boa tarde, bom dia, né? Saudações aí a todos.
01:15Na verdade, o planeta, ele é cíclico em questões climáticas.
01:20Isso já é de conhecimento e todo mundo tem noção disso, né?
01:25Os motivos do aquecimento, algumas pessoas ainda questionam.
01:29Mas uma coisa é fato, o planeta tem aquecido nos últimos anos, né?
01:34Os termômetros espalhados aí pelo planeta não mentem.
01:38Então, há uma identificação de aquecimento médio aí do planeta de 1 a 1,5 graus, principalmente no ano passado.
01:47Ao mesmo tempo, a gente vê reportagens aí de frios, mas agora recentemente a gente está vendo reportagens de calor
01:53intenso, principalmente na Europa, né?
01:56Apesar de estar, esse ano está um friozinho até maior do que a média, né?
02:00Fez frio esse ano, né?
02:01Aqui na nossa região.
02:03Mas, por outro lado, você tem calor extremo em algumas regiões onde é verão agora, né?
02:08Como, por exemplo, a Europa e até mesmo os Estados Unidos.
02:11Então, essa confusão aí, dessas alterações, elas realmente existem.
02:16E, realmente, a gente tem observado, né?
02:18A gente, né?
02:19Quem trabalha com o clima mundial, um aquecimento aí de 1 a 1,5 graus, né?
02:25Em média no planeta.
02:27Então, é fato.
02:28É, isso é um fato, né?
02:30Como o professor Partelli acabou de dizer pra gente.
02:33E aí, pra nós, né?
02:35O que nos interessa hoje aqui, o nosso bate-papo é...
02:40Os efeitos dessa mudança, desse aquecimento que o professor acabou de falar pra gente
02:44na cafeicultura.
02:46A gente sabe da importância da cafeicultura pro Espírito Santo.
02:49É um produto, pra economia do Espírito Santo, extremamente importante.
02:54E como é que fica, Sara?
02:57A cafeicultura nesse clima.
03:00O nosso café conilão, robusta, o arábica, ele aguenta essa temperatura?
03:05Como é que pode ficar essa situação?
03:07É, o que a gente, além dessa questão de temperatura,
03:11esse aquecimento que a gente tá observando no mundo,
03:16ele também altera o fluxo das chuvas, né?
03:20Então, a gente tem chuvas acontecendo em momentos que a gente não tinha, né?
03:26Então, esse ano mesmo, a gente teve o inverno chuvoso, né?
03:31E aumento da intensidade, né?
03:34Dos extremos.
03:35Então, a intensidade de chuva, a intensidade de temperatura.
03:39Então, a gente tá tendo temperaturas mais baixas do que as usuais
03:43e temperaturas mais elevadas do que as que a gente tem observado naturalmente, né?
03:48Então, o problema desse aquecimento global,
03:51ele é muito maior do que só a temperatura, né?
03:55E aí, como o café, o café, ele tem um ciclo fenológico
03:59que ele exige ali dois anos, né?
04:01De controle ali, e todo o ciclo dele é dependente de fatores climáticos.
04:08Então, a gente, esse ano mesmo, como a gente teve um inverno mais frio
04:13e um inverno chuvoso, a gente observa que a gente teve
04:18uma desregularização da abertura das flores, né?
04:22Então, a gente tem material genético...
04:24Já impacta na produção.
04:25Exato, porque o café, como ele é auto-incompatível,
04:29ele precisa de que os clones que estão ali plantados
04:31abram as flores juntos, né?
04:34A gente, embora a gente tenha uma florada, né?
04:36Que a gente chama ali, uma florada que coincide,
04:40geralmente 70%, 60%, isso depende muito,
04:44mas essa florada é coincidente, mas tem as outras 30% de flores
04:50que não abrem juntas, né? Muitas vezes.
04:51E esse ano a gente observou que isso aconteceu de uma forma mais intensa
04:55com alguns clones.
04:56A gente teve clones abrindo flores antes mesmo da colheita.
05:00E como os outros clones não estavam,
05:02dificilmente eles vão ter fertilização,
05:06ele dificilmente vai ter produção desse material genético.
05:09Então, já começa esse ponto.
05:11Além disso, a gente tem notado, né?
05:14Um aquecimento logo após as chuvas.
05:17Então, geralmente em novembro, a gente tem um período de chuvas
05:20bastante intensas aqui no nosso estado, na região norte, né?
05:24E quando chega em dezembro, dezembro, janeiro, fevereiro,
05:28vem um sol...
05:30Escaldante.
05:31Escaldante.
05:32E com isso vem o aquecimento, né?
05:34Então, a temperatura se eleva, a gente tem regiões aqui
05:36que a gente conseguiu registrar 40 graus,
05:38que é uma temperatura que excede muito a capacidade de...
05:42Praticamente quase todas as culturas, né?
05:44De produzirem de uma forma eficiente.
05:47Então, a gente tem observado perdas.
05:49Perdas de produtividade e perdas de tamanho de grão.
05:55Então, os grãos estão ficando menores,
05:58aumento de grãos xoxos, ou seja, perda de rendimento,
06:02também tem acontecido com alguns clones, né?
06:05Então, é perceptível, né?
06:08Nos últimos três anos,
06:09o impacto dessa mudança climática na cafeicultura.
06:13Ou seja, esse problema do clima,
06:15ele afeta desde lá a floração,
06:17pelo que você está falando, né, Sara?
06:19Que essa chuva irregular,
06:20que aí acontece essa floração também irregular,
06:23e acontece também depois no momento da granação.
06:26É isso, professor?
06:27Ela impacta em dois momentos.
06:29Ela pode prejudicar aí nessas duas circunstâncias.
06:32É isso?
06:33Olha só.
06:34Ela pode acontecer em qualquer fase da planta,
06:36mas tem as fases mais críticas, né?
06:38Como relatado aí pela doutora Sara.
06:43Recentemente, a gente, o agricultor,
06:46ele até tem percebido menos estresse.
06:49Se a gente for voltar lá atrás.
06:51Ou seja, nós tivemos aí um problema dois anos atrás,
06:53se eu não me engano,
06:54foi com alta temperatura,
06:56que segundo aí os dados, as reportagens,
06:58nós falamos em algo em torno de 25% da produção,
07:01que deixou de produzir em função
07:03dessa alta temperatura mencionada pela Sara,
07:06que aconteceu em novembro, dezembro,
07:07se eu não me engano, em 2023,
07:09que afetou a produção de 2024.
07:11Então, foi um problema de alta temperatura.
07:14Ondas de calor muito acima da média
07:16que o Brasil viveu.
07:18Mas também, não muito distante,
07:20volto a dizer,
07:21todo o fenômeno climático, ele é cíclico,
07:23nós tivemos uma grande seca.
07:25É só a gente voltar a oito anos, né?
07:272014, 15, 16.
07:28Nós tivemos uma seca severa
07:31já no segundo semestre, né?
07:34No verão, digamos assim, de 2014.
07:37Veja só, em 2014,
07:39nós produzimos quase 10 milhões de sacas
07:41de conilon.
07:43Aí veio esse estresse aí em 2014,
07:45que afetou a produção de 2015,
07:48que veio para 7,6 milhões de sacas.
07:51Ou seja, em função dessa seca
07:53no segundo semestre de 2014.
07:562015 foi um ano para esquecer, né?
07:59Sim.
08:01Catastrófico, choveu menos de 400 milímetros
08:03em vários lugares do norte do Espírito Santo.
08:05Então, entrou janeiro sem chuva,
08:07fevereiro.
08:08No inverno, choveu um tiquinho,
08:10mas é pouco.
08:11Aí começou a virar o ano,
08:13não, de 2 de novembro não passa, né?
08:15É, o dia de finados, né?
08:16A tradição.
08:17E não choveu, e virou dezembro.
08:19Só foi chover em meado de janeiro de 2016.
08:22Então, isso provocou morte aí.
08:25Quem sabe, os agricultores tinham água.
08:27Acabou, a água acabou,
08:28porque não aguentou esse tempo todo sem água.
08:30Tinha irrigação, mas não tinha água depois, né?
08:33Ótimo, algumas regiões que tem aquifra,
08:35água subterrânea, beleza,
08:36mas algumas regiões,
08:38principalmente Jaguaré,
08:40Vila Valéria, Rio Bananal, São Gabriel,
08:41aquela região sofreu muito,
08:43porque não tinha água.
08:45E aí nós tivemos uma produção de 2016
08:48de 5 milhões de sacas.
08:50Metade daquilo que a gente poderia produzir.
08:54As lavouras rebrotaram,
08:56o café, a gente cansou de ver lavoura
08:58praticamente morta na parte superior.
09:01Essas lavouras foram recepadas
09:03e quase que milagrosamente voltaram, né?
09:06Ou seja, o café é um bicho difícil de morrer, né?
09:08Existente, né?
09:09E aí brotou, mas já brotou tarde,
09:11não deu café em 2016,
09:13não deu café em 2017.
09:15Então, a produção de 2017
09:16foi de menos de 6 milhões.
09:20Veja só, a seca de 14, 15
09:22que afetou a produção de 15, 16, 17.
09:27Em 2018, ela chegou em torno de
09:29menos de 9 milhões.
09:32E aí só foi recuperar plenamente
09:35em 2019.
09:36Com isso, o nosso cafeicultor,
09:39o nosso pesquisador, aprendemos muito, né?
09:41Então, hoje a gente está mais preparado
09:43para uma seca.
09:45Mas se vier uma seca da magnitude daquela,
09:48com certeza, muita gente
09:51vai ter problema, né?
09:53Porque realmente foi uma seca muito grande,
09:55as pessoas têm mais água hoje,
09:57mas o nível tecnológico melhor,
09:59as pessoas irrigam melhor,
10:00mas irrigam bastante.
10:02Antes era a inspeção,
10:03mas hoje tiramos a inspeção,
10:06botamos o gotejamento, né?
10:08O sistema mais eficiente de água,
10:09mas continuamos usando muita água.
10:11Então, se vier uma seca muito drástica,
10:14vamos voltar a ter problema.
10:15Então, é isso.
10:16Isso é uma das mudanças climáticas
10:18que deixam esses fenômenos,
10:21digamos assim,
10:24cíclicos,
10:25um ciclo um pouco mais curto
10:27e, às vezes,
10:28podemos ser mais intenso.
10:31Isso na chuva,
10:32principalmente quando a gente pensa
10:33em chuva em excesso.
10:36Chuva em excesso também é problema.
10:37A gente viu esse ano,
10:38ano passado,
10:39problemas aí, né?
10:40Em alguns municípios do sul do estado,
10:41principalmente,
10:42pelo excesso de chuva,
10:44porque quanto maior a temperatura atmosférica,
10:48mais água eu tenho no sistema,
10:51na atmosfera.
10:52Então, a chuva pode ter uma intensidade maior.
10:55Ou seja, professor...
10:56Isso é física, né?
10:56Sim.
10:57Ou seja,
10:58quando a gente fala de mudança climática,
11:00a gente não está falando só de temperatura alta,
11:02só de muito sol.
11:04Também pode vir muita chuva
11:06e também prejudicar os cultivares.
11:08Seca,
11:09muita chuva.
11:10Temperatura muito alta.
11:13Você falou de uma coisa
11:15que me ocorreu aqui,
11:16uma pergunta, professor.
11:17Você está falando da irrigação,
11:19que hoje a gente tem irrigação.
11:21Muita gente,
11:22depois, justamente,
11:23dessa estiagem de 2014,
11:25fez muitos reservatórios de água.
11:28Enfim,
11:29mas em tempos de mudanças climáticas,
11:31com a temperatura tão alta,
11:33a irrigação sozinha,
11:34ela resolve tudo?
11:37Não resolve tudo, né?
11:38Porque a irrigação é manter a água molhada,
11:40mas aí,
11:41quando a gente pensa em temperatura,
11:42a gente fala da folha,
11:43principalmente,
11:44a folha está produzindo fotossíntese,
11:46lá tem enzimas,
11:47lá tem o processo da produção de carboidrato,
11:50então,
11:50tudo isso é um processo metabólico
11:53que a planta tem.
11:54E que a alta temperatura atrapalha.
11:55Que afeta,
11:56afeta lá,
11:57por exemplo,
11:57a questão da abertura estomática,
11:59afeta a questão das enzimas,
12:00a rubisco,
12:01a pep case,
12:02que fazem o processo metabólico
12:04da folha girar, né?
12:07Você tem ali a fase física,
12:09que é a absorção de luz,
12:10essa interfere pouco.
12:12Que é a fase física da fotossíntese,
12:14que a gente chama.
12:15E aí,
12:16depois tem a fase bioquímica.
12:17A fase bioquímica depende de vários fatores.
12:20Água,
12:22substrato,
12:22né?
12:23CO2, né?
12:23Que é o substrato,
12:24nutriente,
12:25então,
12:25isso tem que estar chegando bem.
12:26E aí,
12:27quando eu tenho temperatura muito baixa,
12:29ou temperatura muito alta,
12:31é um ser vivo.
12:33Isso também sofre estresse,
12:34igual a gente.
12:35Aí,
12:35as enzimas,
12:36principalmente as enzimas,
12:37elas passam a não funcionar muito bem.
12:40E aí,
12:42vai diminuir a produção,
12:43pode ter queima,
12:44pode ter um monte de processo, né?
12:46Exatamente.
12:46Gente,
12:47isso é uma forma bem resumida, né?
12:48Lógico,
12:49para explicar isso,
12:50é um aula, né?
12:50Sim.
12:50A palavra seria equilíbrio,
12:52né, professora?
12:53É,
12:53o grande problema
12:55é quando você tem estresse combinado,
12:58né?
12:58Então,
12:59como a gente está comentando aqui,
13:00um dos estresses que a gente consegue mitigar
13:03é a questão da seca, né?
13:05Então,
13:05a gente consegue hoje ter irrigação
13:08e consegue ter,
13:09inclusive,
13:09barragens,
13:10reserva de água
13:12para conseguir suprir essa demanda,
13:14desde que não seja muito intensa, né?
13:16Como o professor ressaltou.
13:19Mas o grande problema
13:21é quando a gente tem a combinação dos estresses.
13:24Ou seja,
13:25quando você tem seca combinado com alta temperatura,
13:28aí o processo fica muito mais drástico
13:30porque a planta,
13:31ela utiliza a água
13:33que ela absorve na raiz
13:35para resfriar a parte aérea.
13:37Então,
13:38se você não tiver água,
13:39ela não consegue resfriar.
13:41E aí,
13:41a temperatura dela aumenta muito mais, né?
13:45Então,
13:46esse é um grande problema.
13:47Quando a gente fala de temperatura,
13:49a gente tem que lembrar
13:49que a planta,
13:51ela,
13:51ela,
13:52o conforto térmico ideal
13:54para o metabolismo
13:55é cerca de 22 graus, né?
13:58As enzimas, né?
13:59O funcionamento metabólico, né?
14:01Do que o Partelli comentou,
14:03ele ocorre de uma forma ideal
14:04com essa temperatura baixa, né?
14:07Então,
14:08dentro da planta,
14:09ela tende,
14:10ela tenta minimizar
14:11esses extremos de temperatura,
14:13mas quando aumenta muito a temperatura
14:15e quando falta água,
14:16ela limita a capacidade dela
14:18de resfriar.
14:19E aí,
14:19um ponto que é muito importante
14:21e muitas vezes a gente não considera
14:22é a questão da temperatura alta
14:24à noite.
14:26Porque à noite,
14:27a planta,
14:28ela está,
14:28ela não consegue fazer
14:30um processo dela básico
14:32que é a fotossíntese.
14:33Então,
14:33à noite não tem processo fotossintético
14:35que é onde ela sintetiza carboidratos.
14:37Então,
14:38para que ela consiga sobreviver
14:39naquele,
14:39durante o período noturno,
14:41ela precisa
14:43quebrar os carboidratos
14:45que ela armazenou
14:46durante o dia.
14:47Usar a reserva, né?
14:48Usar a reserva.
14:49Se ela tiver à noite
14:51com um processo respiratório maior,
14:53respiração,
14:53ela é a quebra
14:54dessas moléculas
14:55para gerar energia, né?
14:57E outras moléculas ali
14:58para manter metabolismo.
15:00Então,
15:00se ela tiver uma respiração
15:02muito elevada à noite
15:03devido ao aumento
15:03da temperatura noturna,
15:05ela vai usar as reservas
15:07que ela conseguiu sintetizar
15:08de dia
15:09e as reservas
15:10que ela tinha armazenado
15:12para manter fluxo
15:12de produção.
15:14Então,
15:15esse é um ponto
15:15muito sério
15:16e a gente tem
15:17pouca capacidade
15:19de evitar
15:21os extremos térmicos, né?
15:23Então,
15:23esse é um grande problema.
15:25Diferente da seca
15:26que a gente consegue
15:27resolver,
15:28mas a temperatura
15:29ela está muito ligada
15:30ao material genético.
15:32É como nós, né?
15:35Seres humanos
15:36tendem a ter diferenças
15:37em relação
15:38a como que a gente percebe,
15:39como que a gente sente
15:40os extremos climáticos.
15:41A planta é igual, né?
15:43Exatamente.
15:43Na verdade,
15:44então, gente,
15:44assim,
15:45essa questão da mudança climática
15:47tem duas realidades.
15:48tem a seca,
15:48que a gente já falou
15:49que você pode
15:50até um certo tempo
15:51resolver com irrigação
15:52e tem a questão
15:54da temperatura.
15:56Qual?
15:57Aí a gente vai
15:58para uma outra coisa,
15:59assim,
16:00o que a gente está falando
16:01aqui desde o começo
16:02é que essa é uma situação
16:03posta.
16:05A mudança climática
16:07está aí,
16:07o professor falou
16:08da questão
16:09de um grau a mais
16:10de temperatura.
16:13Como resolver isso?
16:14Tem como resolver?
16:17Olha,
16:18o que a gente pode...
16:20Existem tentativas
16:22de minimizar
16:23os efeitos
16:25dos extremos térmicos.
16:26Um deles
16:27é a gente selecionar
16:28materiais genéticos
16:29que sejam mais tolerantes
16:31à temperatura.
16:32Então,
16:33isso é parte
16:33do estudo
16:34do professor Partelli
16:35e de outros pesquisadores
16:37aqui no Estado
16:37que buscam
16:38materiais genéticos
16:39que sejam mais tolerantes,
16:41temperaturas altas
16:42e temperaturas baixas.
16:43Esse é o primeiro ponto,
16:45é o genótipo,
16:46material genético.
16:48O segundo ponto
16:49é a gente utilizar
16:51estratégias.
16:52Existem alguns produtos
16:53que são comercializados
16:54hoje,
16:55eles são chamados,
16:57são bioestimulantes.
16:59São produtos,
17:00geralmente,
17:01fertilizantes orgânicos
17:02que,
17:04quando aplicados
17:04na planta,
17:05formam uma película
17:07que são chamados
17:08de protetores solar.
17:09Então,
17:11assim como nós
17:12temos acesso
17:13aos protetores solares
17:15físicos
17:16e químicos,
17:17então,
17:18aquele que forma
17:18uma barreira
17:19é o físico
17:20e aquele que penetra
17:22e ativa sistemas
17:22de defesa
17:23é o químico.
17:25Então,
17:26também existem
17:27no mercado
17:27os compostos
17:28que podem ser aplicados
17:30na planta
17:30para aumentar
17:32a reflexão de luz
17:33ou reduzir
17:35ali os efeitos
17:36da temperatura elevada.
17:38Então,
17:38tem sim soluções,
17:40mas isso tudo
17:41tem limitações.
17:43Como o professor falou,
17:45no cenário mais otimista
17:46é o aumento
17:47de um grau.
17:49Tem cenários
17:50que prevêem
17:51aumentos
17:52até de dois graus.
17:53E aí,
17:54em cenários
17:55como esse,
17:56a gente tem mais
17:57dificuldade
17:57de ter estratégias
17:58para minimizar
18:00esses efeitos climáticos.
18:01Entendi.
18:02Sara,
18:03quando você fala
18:04dessa questão
18:04do protetor,
18:05eu tinha até anotado
18:06aqui para te perguntar
18:07porque assim,
18:08como é que a gente está nisso?
18:09Já tem alguma coisa
18:10no mercado?
18:11Ou isso é só um estudo?
18:14Já tem alguma coisa
18:14que comprove os efeitos
18:15desse protetor?
18:17Isso quando estiver
18:18no mercado,
18:18se ainda não está,
18:19vai ser uma coisa
18:20acessível
18:20a todos os produtores?
18:22Como é que está isso?
18:23Olha,
18:24é uma tecnologia
18:25super acessível.
18:26Hoje,
18:27a gente tem aqui
18:27no Espírito Santo,
18:29são cerca de seis
18:32produtos comerciais
18:33que são comercializados
18:34como os protetores solar.
18:36já testados,
18:38já no mercado mesmo?
18:39Já comercializados.
18:40Testados
18:41é uma palavra
18:43muito forte.
18:44Muitas vezes,
18:45esses produtos
18:46são colocados
18:47no mercado
18:47porque é uma tecnologia
18:48que se baseia
18:49em conhecimento científico,
18:52como eu disse,
18:53em relação
18:53à reflexão de luz
18:54ou ativação
18:55de sistemas de defesa,
18:57mas que muitas vezes
18:58não foram validados
19:00em campo.
19:02Então,
19:02infelizmente,
19:03a gente tem esse problema.
19:04existem produtos
19:05no mercado
19:05que são comercializados,
19:07mas que não foram
19:08comprovadamente validados.
19:10A gente não tem certeza
19:12se aquilo realmente
19:12é um benefício.
19:13O preço entre eles
19:14varia muito.
19:16A gente tem
19:17uma comparação
19:18de 300 reais
19:20a mil e tantos reais,
19:22porque
19:23quando a gente
19:24considera
19:25a dose
19:25por hectare
19:26de recomendação.
19:28Então,
19:28esse preço varia muito.
19:30Então,
19:30o que a gente
19:31como pesquisador
19:32está fazendo?
19:32A gente está
19:35pegando
19:35esses compostos
19:36comerciais
19:37e mais alguns
19:38compostos
19:39que a gente sabe
19:39que são importantes,
19:40mas que ainda
19:41não são produtos
19:41comerciais
19:42e testando
19:43para desenvolver
19:44um plano de manejo
19:45para calor.
19:46Então,
19:47a gente está fazendo
19:47esses testes
19:48e verificando.
19:50Em campo,
19:51porque é exatamente
19:52o que tem que ser feito.
19:53A ideia nossa
19:54é aplicar
19:55esses compostos
19:56no período
19:56que a gente
19:57tem
19:58extremos
19:59aumentos de temperatura,
20:00que é dezembro,
20:02janeiro e fevereiro,
20:04de forma
20:05que a gente
20:06verifique
20:06a eficiência
20:07daqueles compostos
20:09no processo
20:10fotossintético,
20:11porque como o professor
20:12mesmo ressaltou,
20:13o principal problema
20:14é na fotossíntese,
20:16ou seja,
20:17a folha
20:18é o alvo principal
20:19de alterações
20:20devido a temperaturas
20:21elevadas.
20:22Então,
20:22a gente verifica
20:23se esses produtos
20:23de fato
20:24são eficientes
20:26para a fotossíntese
20:27e o reflexo
20:28na produção.
20:30tanto em termos
20:32de produtividade
20:33como em termos
20:34de qualidade
20:35do grão.
20:37Então,
20:37a gente está
20:37fazendo esses testes.
20:38Que já é um outro
20:38problema também,
20:39professor.
20:40A gente falou
20:40do problema
20:41para a planta,
20:42para a folha
20:43e a qualidade
20:43do grão
20:44também é outro.
20:46Pode afetar também.
20:50Veja só,
20:52nós aí
20:52temos várias formas
20:53de tentar
20:54driblar
20:55os problemas
20:56do clima.
20:58doutora Sala,
20:59professora também
21:00colocou aí
21:01da questão
21:02de você ter
21:03um produto
21:04que vai melhorar,
21:06que vai dissipar
21:07o excesso de luz
21:08e vai ser bom.
21:09Esse é um método.
21:10Mas tem vários outros,
21:12como ela também colocou.
21:13A planta.
21:14A planta é uma linha
21:15de trabalho importante
21:16de selecionar materiais
21:18mais tolerantes
21:20aos estressos.
21:22Isso é feito,
21:22isso não é do dia
21:24para a noite.
21:25Isso demora.
21:26isso às vezes
21:27a academia
21:28tem que conhecer
21:29fisiologia,
21:30bioquímica,
21:31melhoramento,
21:32genética,
21:33para você ter ideia,
21:35essas alterações
21:36mudam muito
21:37de planta para planta,
21:39de condições climáticas
21:40adversas.
21:41Então,
21:42vou dar um exemplo
21:42para você.
21:43Nós fizemos um trabalho
21:44em parceria
21:45com a Universidade de Lisboa,
21:47o trabalho foi publicado
21:48em uma revista
21:48muito bacana,
21:50onde mostrou
21:51que quando eu tenho
21:52alta temperatura
21:54e ao mesmo tempo
21:55alto CO2,
21:57teoricamente a temperatura
21:58está aumentando
21:59no planeta
22:00porque tem mais CO2
22:01na atmosfera,
22:02o efeito do dano
22:04é menor.
22:05Ou seja,
22:06é como se houvesse
22:07uma fertilização
22:08de carbono
22:08e a planta
22:09estressa menos.
22:10Se você botar
22:1142 graus
22:12de temperatura
22:12com 380 ppm
22:15de CO2
22:16é uma coisa.
22:16Se você coloca 700,
22:18a planta sente menos
22:19e recupera mais de pressa.
22:20Então,
22:21a planta também
22:21tem uma capacidade
22:22fantástica
22:23de se adaptar
22:24às mudanças.
22:25E aí, lógico,
22:26é o processo de evolução.
22:27Tem planta mais,
22:29planta menos.
22:30E aí tem vários mecanismos,
22:34moléculas antioxidativas,
22:35também tem a questão
22:37de ciclo desexantina,
22:39tem um monte de coisa
22:40aí que não vale a pena
22:41de ficar aqui mencionando,
22:43mas que a planta
22:43tem diferença.
22:44Então,
22:44uma das ações
22:46é a planta,
22:47mas essas vezes
22:48o produtor
22:48vai usar o que tem aí,
22:50o que está à disposição
22:51e tal.
22:52E aí,
22:53tem outras duas frentes
22:54importantes.
22:55Uma delas
22:56é a mitigação.
22:58Eu sei que nós,
22:59no Espírito Santo,
23:00o produtor,
23:00ele é minúsculo
23:01quando a gente pensa
23:01em planeta,
23:03mas eu acho que cada um
23:04pode fazer a parte dele.
23:05Eu acho que isso aí,
23:06o cafeicultor capixaba,
23:08o agricultor,
23:09tem feito isso até muito bem,
23:11porque hoje a gente
23:12produz 5,
23:136 vezes mais café
23:14numa área menor
23:15do que há 30 anos atrás.
23:16muitas áreas
23:17de parambeira,
23:20que inclusive
23:20eu já cheguei
23:21a colher café
23:21nessas áreas
23:22ainda quando
23:23adolescente,
23:24hoje estão fixando
23:26carbono
23:26através de
23:29recuperação
23:30de ar degradado.
23:31Então,
23:31de modo geral,
23:33as propriedades
23:33agrícolas,
23:35muitas delas
23:36estão até talvez
23:37com saldo positivo
23:38de carbono,
23:38ajudando a mitigar
23:41as mudanças.
23:42Mas a gente é pequeno
23:44e a gente percebeu
23:45que não adianta,
23:46que o negócio está aí,
23:47mesmo a gente mitigando
23:47um pouco,
23:48a gente continua
23:48usando o carro,
23:51gasolina,
23:51CO2,
23:51então assim,
23:52a gente sabe
23:52que é um processo,
23:54uma mudança lenta.
23:55Mas o que está em,
23:57o que a gente pode fazer
23:59é o que a gente
23:59costuma chamar também,
24:01não é a gente,
24:01é a sociedade,
24:02de adaptação
24:03às mudanças climáticas.
24:06Essas adaptações,
24:07inclusive existe um plano
24:08de mudanças climáticas
24:09no Espírito Santo,
24:10inclusive a gente participa
24:11da equipe,
24:13e aí a gente tem que,
24:14o que a gente pode fazer?
24:15O que o Estado pode fazer?
24:17Quando eu falo Estado,
24:17é federal,
24:18estadual,
24:18municipal,
24:19o que o agricultor
24:20também pode fazer?
24:21E aí quando eu penso em
24:23adaptação às mudanças climáticas,
24:24eu tenho que pensar
24:25em atacar os problemas.
24:27Então quais são os problemas?
24:29Que podem surgir?
24:31Falta d'água.
24:32Então eu tenho que fazer
24:33o máximo
24:34para armazenar água,
24:37barragem,
24:37barragem,
24:38mas eu também posso fazer
24:40o máximo
24:40para absorver a água
24:42quando cai,
24:44para não deixar ela cair,
24:46provocar erosão,
24:47além de tudo,
24:48então eu tenho que segurar
24:49o efeito esponja,
24:50quanto mais eu segurar
24:51através de manejo
24:52do solo,
24:54através de terraciamento,
24:56micoterraciamento,
24:57ou seja,
24:57também são importantes
24:58para essa água
24:59ser retida na propriedade.
25:00Ou seja, professor,
25:01tem essa parte
25:02que a Sara falou
25:03de fazer todas
25:04essas pesquisas,
25:05de desenvolver esses produtos,
25:07mas tem também
25:08aquilo que o produtor
25:09pode fazer lá na roça,
25:11lá no terreno dele,
25:13na comunidade dele,
25:14pode fazer a parte dele?
25:15Pode fazer a parte dele,
25:16uma barragem pequena
25:17o produtor faz,
25:18uma barragem grande,
25:19opa,
25:19prefeitura,
25:20estado, município?
25:21Exato.
25:22Então assim,
25:22mas não é só barragem,
25:24você também tem que fazer
25:25um trabalho de retenção
25:27dessa água,
25:28terraços,
25:29micoterraços,
25:30ou uma coisa
25:30que eu costumo dizer
25:31que ainda o agricultor,
25:33acho que a maioria
25:33faz certo,
25:34mas alguns ainda
25:35insistem em deixar
25:37a área totalmente limpa,
25:38aí vem a chuva,
25:39a erosão,
25:40então aquela erosão
25:41além de levar nutrientes,
25:42também está deixando
25:44de armazenar água.
25:45Então,
25:46é uma questão
25:47de adaptação
25:49às mudanças.
25:50Depois,
25:51além da questão
25:52dos produtos,
25:53que eu acho
25:54importantíssimo,
25:55momento certo,
25:56produto certo,
25:56eu também posso começar
25:58a trabalhar com árvores,
25:59arborização.
26:01Então,
26:01qual o índice
26:02certo de arborização?
26:04Tudo é muito novo,
26:05qual a melhor árvore
26:06para plantar junto
26:07com café?
26:08Então a gente vê
26:09muita experiência
26:10de agricultores,
26:11no passado o pessoal
26:12fez muito café
26:12com seringueira,
26:14café com cedro,
26:15mas o cedro
26:16não foi muito bem,
26:17hoje a gente vê
26:17muitos casos
26:18de café
26:19com mogno africano,
26:21então assim,
26:22lógico,
26:23ninguém vai plantar
26:24o espaçamento
26:25de mogno
26:26pensando em produzir café,
26:28então assim,
26:28eu acho que também
26:29vale a pena
26:30uma forma
26:30do agricultor
26:31também começar
26:31a plantar um pouco
26:32mais de árvore,
26:33no meio da lavoura
26:34é complicado,
26:34mas nas linhas,
26:36nas áreas assim
26:37de divisa,
26:39assim,
26:39sempre tem um espaço,
26:41né?
26:41Para deixar o ambiente
26:41um pouco mais fresco,
26:43também é outra forma
26:45de você provocar
26:46a adaptação
26:47aos problemas
26:48que estão aí,
26:49né?
26:50Então é isso,
26:51é muita coisa,
26:51é um universo
26:52o simples manejo
26:55da planta daninha
26:56já melhora a absorção
26:58de água
26:58e não só isso,
27:00quando você tem
27:01uma camada
27:02de matéria orgânica
27:03ou verde
27:03ou morta que seja
27:05e um solo limpo,
27:07sem nenhum cisquinho,
27:09a temperatura
27:10nesse solo,
27:11a pleno solo,
27:12o efeito,
27:13né?
27:13Também a temperatura
27:14é maior,
27:15a planta adulta,
27:16tudo bem,
27:16mas quando a planta
27:16é pequena,
27:17se você tem um solo
27:18melhor manejado,
27:19você tem menos estresse
27:21de temperatura
27:22para essa planta.
27:23Então são práticas simples
27:24que também podem ajudar
27:26a você,
27:28você não,
27:29ajudar a planta
27:31a vencer,
27:32a sofrer menos
27:33com os estresses.
27:34Entendi.
27:35Professor,
27:36você falou uma coisa
27:36interessante aí
27:37e eu queria colocar
27:39para fazer,
27:39me veio essa dúvida,
27:40você falou que a planta,
27:41o café,
27:43ele tem essa capacidade
27:44de se adaptar.
27:47Isso é para os dois,
27:49para o arábica
27:49e para o conilão,
27:50como é que é isso?
27:51Ou um é mais
27:52que o outro,
27:52tem mais ou menos
27:54essa capacidade
27:55de adaptação?
27:57São capacidades diferentes,
27:58processos de onde
27:59eles evoluíram,
28:01ou seja,
28:01o cofre é canefra,
28:02uma região mais quente,
28:04então ele acabou
28:04ao longo do tempo
28:05se adaptando melhor
28:06às condições climáticas
28:07de alta temperatura.
28:08Por sua vez,
28:10quando é muito frio,
28:11ele não criou mecanismos
28:14para tolerância ao frio.
28:17Então você tem diferença,
28:18mas o princípio fotossintético,
28:22maquinaria fotossintética,
28:23um palavrão aí,
28:24os fisiologistas vão me
28:25crucificar depois,
28:27mas para deixar mais fácil
28:28para o ouvinte,
28:30ou seja,
28:31o princípio da planta
28:32às vezes é o mesmo,
28:34só que o seu foco
28:36às vezes é diferente,
28:38ou seja,
28:38o princípio de você criar
28:42moléculas antioxidativas,
28:43aliás,
28:44às vezes as duas espécies têm,
28:47só que às vezes atuam
28:48de forma diferente.
28:50E aí eu acho que o que
28:50a Sarah,
28:51que até deve dar aula
28:52nisso daí,
28:53pode até complementar,
28:55lógico,
28:56eu sei que se ela falar
28:56muito cientificamente
28:57as pessoas não vão entender,
28:59mas não é muito simples
29:03falar de fisiologia bioquímica
29:05falando aqui em pouco tempo
29:07de forma rápida.
29:08É de uma forma
29:09que o produtor entenda também
29:10essa questão.
29:11Para você,
29:12uma coisa que a gente,
29:14quando a gente fala
29:15de temperatura,
29:15uma coisa que a gente tem
29:16que estar sempre pensando
29:17é que a planta,
29:19ela tem,
29:20a planta,
29:20todos os animais também,
29:22a gente tem,
29:23nas células nossas,
29:24a gente tem membranas,
29:26então dentro das células
29:28e fora das células
29:28são sistemas de membrana
29:30e membrana basicamente
29:31são lipídios,
29:33e lipídio é manteiga,
29:36então você imagina
29:37o que acontece com a manteiga
29:39quando você coloca ela
29:40na geladeira.
29:41ela fica mais rígida.
29:42Quando você tira ela,
29:44coloca ela no tempo
29:45e se tiver um dia
29:46muito quente,
29:48você tem a manteiga líquida.
29:49Então é isso que acontece
29:51com as células.
29:51Fluidez, né?
29:52Sim.
29:52Exato.
29:53Então o que acontece com as células?
29:54As células ficam com as membranas
29:56mais fluidas
29:57ou mais rígidas
29:57e isso atrapalha
29:59todos os processos
30:00que são regulados ali
30:03e afeta principalmente
30:04a fotossíntese
30:06e a respiração
30:07que são processos
30:08que dependem de uma estrutura
30:09de membrana funcional, né?
30:12E isso faz com que a planta
30:14ela comece a ter
30:15uma série de problemas oxidativos
30:18que começam a ocorrer
30:19porque vão vazando
30:20moléculas oxidativas, né?
30:23E aí aumenta o estresse oxidativo
30:25e com isso exige que a planta
30:28tenha sistemas
30:30de defesa dessas moléculas oxidativas
30:32eficientes.
30:33E essa capacidade antioxidante
30:36ela varia
30:36de genótipo para genótipo, né?
30:39De espécie para espécie.
30:41Até mesmo essa capacidade...
30:42No caso do conilão e do arábica,
30:44não é isso, professor?
30:45Até mesmo essa capacidade
30:46de alterar os lipídios da membrana,
30:49então assim, vamos dizer assim,
30:51fazer uma membrana
30:52mais igual uma manteiga
30:53ou uma membrana
30:54mais igual um óleo, né?
30:56Isso varia de cada
30:58espécie
30:59e isso tem uma adaptação
31:00ao longo da temperatura.
31:02Digamos, se uma folha
31:03foi desenvolvida
31:04numa temperatura mais alta,
31:06ela vai desenvolver
31:07mecanismos adaptativos
31:09para tolerar aquela
31:10temperatura alta.
31:11Se a folha foi desenvolvida
31:12em uma temperatura mais baixa,
31:13isso vai acontecer
31:14em relação a baixa temperatura, né?
31:16Então ela tem essa capacidade.
31:18Embora essa capacidade
31:20seja limitada, né?
31:21E é importante
31:22que a gente tenha
31:23variabilidade genética
31:25para selecionar indivíduos
31:26que sejam mais adaptados
31:28a regiões específicas.
31:29Existem alguns materiais,
31:31como o Partelli falou, né?
31:33Em questão de...
31:33Dentro do
31:36cofcanéfora,
31:37que ele é mais plástico,
31:40ou seja,
31:41ele tem uma capacidade
31:42de se ajustar
31:42a várias condições
31:43e outros que são menos plásticos.
31:46Ou seja,
31:46são menos fáceis
31:48de adaptar
31:48em regiões distintas, né?
31:50Entendi.
31:51A Sara me fez lembrar aqui
31:52um dos trabalhos
31:54que eu fiz lá em Portugal
31:55no meu...
31:56parte do meu doutorado
31:57foi justamente avaliar
32:00dois materiais de conilon
32:02e três de arábica
32:03em condições
32:04de baixa temperatura
32:05na época.
32:07E aí,
32:08além de outras coisas
32:09que a planta tem
32:10como mecanismo,
32:11um deles foi justamente
32:12associado
32:13à questão da fluidez
32:14da membrana.
32:15E eu lembro que...
32:17que você tem ideia
32:18como é que a coisa
32:19é complexa, né?
32:21Na época eu separei,
32:23tirei o cloroplasto
32:25da folha,
32:26processo laboratorial,
32:28separei as classes lipídicas
32:30do cloroplasto,
32:336, 7, 8 classes lipídicas,
32:35e identifiquei
32:37os ácidos graxos
32:38dentro de cada classe lipídica
32:41para discutir
32:43que alguns clones
32:44é...
32:46digamos assim,
32:47mantinha a qualidade
32:48melhor dessa manteiga,
32:49ou seja,
32:49não ficava tão rígida
32:50para ter rachamento,
32:52mas também não ficava
32:53tão líquida
32:54para também ter
32:56descontrole
32:57de troca de fluxo, né?
32:59E aí você fala,
32:59bacana,
33:00o que isso se viu?
33:01Tá, de princípio
33:02é fronteira do conhecimento,
33:04mas de princípio
33:05hoje com a evolução
33:06da molecular,
33:08da engenharia genética,
33:09você pode
33:10identificar
33:11os genes
33:12que estão relacionados
33:14a essas tolerâncias,
33:15são N tolerâncias,
33:17como eu disse,
33:18tem essa,
33:19tem antioxidativo,
33:21tem a questão
33:22do ciclo da zéaxantina
33:23que eu considero
33:23muito bacana,
33:25você pode tentar
33:25identificar os genes
33:26e a longo,
33:28médio e longo prazo
33:28tentar até mesmo,
33:30quem sabe,
33:30desenvolver plantas
33:32que sejam mais adaptadas,
33:35mais tolerantes
33:35a essas adversidades.
33:36para essa nova realidade,
33:38digamos.
33:38Mas é um caminho,
33:39isso é fronteira
33:40de conhecimento,
33:40é pesquisa,
33:42né?
33:43E é um processo
33:44de evolução
33:45que as instituições
33:46de pesquisa,
33:47academia,
33:47todo mundo trabalhando
33:48junto,
33:49e aí é lógico,
33:50também precisa
33:50de recursos financeiros,
33:51né?
33:52Que seja do Estado,
33:53de iniciativa privada,
33:54para a gente trazer
33:54conhecimento,
33:56quanto mais conhecimento,
33:58gera resultado científico,
33:59gera conhecimento,
34:00gera produto tecnológico,
34:02e que, né,
34:03faz com que o agricultor,
34:06além de fazer aquilo
34:07que ele pode fazer,
34:09mas também recebê-lo,
34:11né?
34:11Sim.
34:11Das instituições,
34:12também um produto
34:13mais resistente,
34:14com mais qualidade.
34:15A gente já está,
34:17estamos nos encaminhando
34:18para o final
34:18do nosso programa,
34:20do nosso videocast,
34:22e eu gostaria de,
34:23assim,
34:24de entender
34:24dois pontos com vocês.
34:26Primeiro,
34:27a questão do impacto,
34:29né?
34:29Em um pior cenário
34:31do que pode acontecer.
34:33E o que a gente tem
34:34de novidades,
34:36né,
34:36que vocês podem contar
34:38sobre essa coisa
34:40de pesquisa
34:41em termos de novos genótipos,
34:44novos clones,
34:47de plantas tolerantes
34:49a essa questão,
34:50a essa realidade.
34:52Vamos falar primeiro
34:53da questão dos impactos,
34:56Sarah.
34:57É, olha,
34:58os impactos,
34:59eles são evidentes, né?
35:01Então, a gente já sabe
35:02que eles são imprevisíveis,
35:05a gente pode dizer
35:06dessa forma,
35:07porque como
35:08essas mudanças climáticas,
35:09elas alteram
35:10a frequência dos eventos,
35:12né,
35:13e a intensidade
35:13dos eventos climáticos,
35:15a gente vai ter situações
35:17que podem impactar
35:18mais ou menos
35:19a produção.
35:20Então,
35:21o impacto vai depender
35:22de quando,
35:23no ciclo fenológico
35:25da cultura,
35:25esses eventos climáticos
35:27acontecerem,
35:28tá?
35:28Então, você pode ter
35:29perdas de produtividade,
35:31perdas de qualidade
35:32de grãos, né?
35:34Então, redução de rendimento,
35:36redução de tamanho
35:37de grãos, né?
35:38De qualidade.
35:39De qualidade de bebida, né?
35:42A gente já tem estudos
35:43que comprovam
35:43que quando a gente tem
35:44um microclima
35:46mais favorável,
35:47que muitas vezes
35:48é conseguido
35:49com os consórcios,
35:50que o professor ressaltou,
35:51a gente melhora
35:52a qualidade da bebida, né?
35:55E isso já é comprovado
35:57há muito tempo
35:58no Arábica
35:59e no Conilon, né?
36:01O Robusta,
36:01a gente já tem isso
36:02também comprovado
36:04recentemente, né?
36:05Então, também ocorre
36:06perda de qualidade.
36:08Eu posso dizer que
36:09os eventos climáticos
36:11que a gente está observando,
36:13eles vieram para ficar
36:14na agricultura, tá?
36:15Mas é importante
36:17aquilo que o professor
36:18coloca,
36:18que a gente não pode
36:20só pensar
36:21em termos de proteção
36:22ou em termos de genótipo.
36:24o agricultor,
36:24ele precisa
36:25fazer um ajuste fino
36:27na nutrição das plantas,
36:28porque uma planta
36:29que não foi
36:30bem nutrida,
36:31ela vai ter
36:32menor capacidade
36:33de tolerar
36:33qualquer estresse climático.
36:35Sim, de se adaptar a esse...
36:36Exato.
36:37Então, se ela não tiver
36:39micronutrientes específicos,
36:40ela não consegue
36:41ativar as enzimas
36:42antioxidantes,
36:44para você ter uma ideia, né?
36:45Então,
36:46todo aquele balanço
36:47nutricional
36:48de macro e micronutrientes,
36:50análise de solo,
36:51de folha,
36:52precisa ser realizado
36:53de forma eficiente,
36:54o manejo da água,
36:56utilizando técnicas
36:57para definir
36:59a quantidade
36:59que deve ser irrigada,
37:01também deve ser feito,
37:03preservar o solo, né?
37:04Então,
37:04existe uma série
37:05de estratégias
37:06que o agricultor
37:07deve intensificar
37:09para conseguir
37:10manter a produção
37:11com menor perdas, né?
37:14Sim.
37:15Porque não tem como
37:16voltar atrás
37:16no que está posto aí
37:17do clima, né?
37:18Então, agora,
37:19é olhar para frente.
37:20É,
37:20dificilmente a gente consegue
37:22hoje ter uma agricultura
37:23livre de eventos extremos, né?
37:25A gente precisa agora
37:27desenvolver estratégias
37:29para mitigar
37:30e otimizar as estratégias
37:33que já existem
37:34para a gente cultivar
37:35uma planta mais saudável.
37:37Entendi.
37:37E novidades, professor?
37:39Olha só,
37:41é...
37:42Quando a gente faz
37:42ensaio de competição,
37:44né?
37:45Num campo onde testa
37:46vários clones
37:46em ambientes diferentes,
37:47a gente, de uma certa forma,
37:49a gente ficava avaliando
37:50a tolerância dessas plantas
37:52a essas condições.
37:53Sim.
37:54A gente não ficar,
37:55às vezes, medindo,
37:56mas mede no final
37:57o que é mais importante
37:58que é a produção.
38:00Então,
38:01o ensaio de competição,
38:02que o Incapé já tem ele,
38:03fez diversos aí
38:04ao longo do tempo
38:05e continua fazendo.
38:07Continua fazendo.
38:07Os colegas da Embrapa
38:08também estão fazendo.
38:09Então, assim,
38:10é muita gente.
38:10Então, é muita gente fazendo.
38:11Aliás,
38:12é até pouca gente
38:13comparada à equipe do Arábica.
38:15Né?
38:16Então,
38:16poderíamos ter mais gente
38:18fazendo ainda.
38:19E aí,
38:19é lógico,
38:21se nós já somos poucos,
38:22aquilo que cada um faz
38:23soma-se.
38:24Ajuda, né?
38:25Ajuda.
38:26Ou seja,
38:27a UFES lançam a cultivar,
38:28é mais uma oportunidade
38:29que o Café Cultor,
38:30a Embrapa lança,
38:31o Incapé lança,
38:31ou seja,
38:32o Agricultor também lança
38:33a cultivar,
38:34existe essa possibilidade.
38:35Então, assim,
38:36o que a gente tem
38:37de ensaio de competição aí,
38:38né?
38:38A gente já tem alguns
38:39concluídos,
38:39a gente tem sete cultivares
38:40registrados de café.
38:42Algumas já estão em desuso,
38:43né?
38:43Porque cada ano
38:45vai surgindo coisa melhor.
38:46Vai se renovando, né?
38:48Ninguém praticamente
38:48planta os clones
38:49de 30 anos atrás,
38:50né?
38:51Vai surgindo coisa melhor.
38:52Eu quero agradecer
38:54a Sara,
38:55quero agradecer
38:56o Partelli, né?
38:57Que toparam
38:58vir aqui bater
38:58esse papo com a gente,
39:00tirar esse monte
39:01de dúvida
39:01que a gente tem.
39:02Eu tenho certeza
39:02que a gente continuaria
39:03aqui conversando,
39:05sei lá,
39:05por mais o dobro
39:07desse tempo
39:07que a gente ficou,
39:08porque, assim,
39:09o assunto
39:09é mais do que atual,
39:11é mais do que importante
39:13discutir e aprender
39:15e entender
39:16como lidar
39:17e como o professor
39:18disse.
39:19Isso não é um problema
39:20da academia, gente.
39:21Isso não é um problema
39:22dos pesquisadores.
39:23Isso é uma situação
39:25posta
39:26que os produtores
39:28têm que entender
39:29o seu papel
39:30e dar a sua contribuição.
39:33Então, assim,
39:34a gente vai encerrando
39:35por aqui,
39:36deixando,
39:37agradecendo
39:38a todos
39:39que estão
39:39nos acompanhando
39:40e deixando
39:43esse recado,
39:44que cada um
39:45faça essa reflexão,
39:46cada produtor aí
39:47faça essa reflexão
39:48de qual o seu papel.
39:50Muito obrigada
39:51pela audiência
39:51de vocês,
39:52muito obrigada,
39:53Sara,
39:54muito obrigada,
39:54Partelli
39:55e até o próximo
39:56Momento Agro.
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