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  • há 3 meses

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00:02Oi pessoal, meu nome é Raíza Noá, sou atriz, comediante e roteirista, estou no centro de Vitória
00:08e este ano completo 32 anos, assim como o Festival de Cinema de Vitória.
00:13O cinema brasileiro vive um momento promissor. Produções nacionais têm conquistado reconhecimento dentro e fora do país.
00:19No Espírito Santo, esse cenário também é especial.
00:22No último ano, um cineasta capixaba ganhou o principal prêmio do Festival de Cinema de Vitória,
00:26consolidando a presença do nosso estado no mapa audiovisual brasileiro.
00:30Essa conquista é reflexo das transformações que o setor vem passando nas últimas décadas.
00:35Para entender essa jornada, convidamos você a mergulhar nos arquivos da TV,
00:39relembrar momentos marcantes, descobrir bastidores e conhecer os personagens que ajudaram a construir essa história.
01:00É uma eternidade da emoção.
01:02Sala de cinema é um templo.
01:04Festival de Cinema é uma congregação de realizadores com o público.
01:09É uma forma de aproximar o espectador da produção.
01:13E ele faz com que a gente possa entender outras realidades, compreender, desejar também,
01:19e a partir delas entender a nossa.
01:20Elas se identificam com personagens complexos, na tela de cinema,
01:30elas conseguem entender a complexidade que elas são.
01:33Porque você vê na televisão, em casa, é uma coisa, você vê isso em uma atividade coletiva,
01:40uma sessão coletiva com o público rindo, se emocionando.
01:44Isso é um cinema, eu particularmente gosto de ver filme no cinema.
01:50Cinema é no cinema.
01:52O cinema, ele eterniza tanto fatos como trágicos, alegres.
02:01É um momento de eternizar aquele tema e aquela emoção.
02:06Então a gente acaba utilizando o cinema como uma certa projeção
02:10para os desafios que a gente impõe a nós mesmos.
02:15E o cinema acaba movendo determinadas partes internas que a gente desconhece.
02:23Você perder as salas de cinema é perder a capacidade de se indignar.
02:27Porque uma plateia, um espectador indignado, ele soma quantas filosofias você entende naquele trabalho,
02:38quantas leituras você pode fazer daquele filme.
02:41A gente está sempre se perguntando, e a obra sempre responde para nós alguma coisa.
02:46Aonde que ela vibra, aonde que ela toca, onde nos reconhecemos.
02:51Você se vê, você compartilha as emoções que você vê na tela,
02:57e isso é uma sinergia, há uma sinergia entre a obra de arte e o espectador.
03:05O barato de fazer filmes é também poder botar a minha colherzinha no meio disso.
03:09É contar algumas histórias que me interessam, alguns pontos de vista
03:13que eu sinto falta dentro do cinema geral e que eu posso trazer a mais.
03:17Quando você começa a contar suas próprias histórias,
03:20cada vez mais você quer fazer que ela chegue a mais e mais público.
03:24Acho que é por isso.
03:26Eu, pelo menos, faço cinema por isso.
03:29Gosto de se fazer cinema por isso.
03:33Luz, câmera.
03:35Ação!
03:36Antes de sair de Vitória, eu já era amiga do Marcel Cordeiro.
03:42E aí um dia mudei para Vitória, com uma semana que eu encontrei com ele na rua,
03:46aí ele falou comigo, olha, eu vou fazer um filme em Vitória.
03:50Você não quer fazer a produção?
03:52Eu falei, cara, nunca nem vi uma câmera.
03:55Flora é uma situação estranha, bonita, misteriosa e de mudança.
04:02Flora é um ponto de encontro de várias possibilidades ao mesmo tempo.
04:06O primeiro curta que eu fiz na vida foi aqui, no Espírito Santo,
04:10com as produtoras desse festival, a Lúcia e a Beatriz.
04:13Estou visto o festival crescendo, tenho orgulho do trabalho delas.
04:17Vou para a Itália dia 25, começo a montar o filme e com certeza o filme deve estar pronto no
04:22final de janeiro, começo de fevereiro.
04:24Eu me sinto um pouco padrinho do Vitória Cinema e Vídeo, mesmo sem ser, é lógico.
04:30Praticamente eu fui o responsável por esse encontro entre Lúcia Caos e Beatriz Dendenberg.
04:39A gente tinha trabalhado junto no meu segundo filme, Flora, com Celto Mello e Regina Braga.
04:45Foi todo rodado no Espírito Santo.
04:47E aí a gente assumiu, transformamos em mostra competitiva e na época era ainda beta cam, vídeo, película.
04:57E fizeram do Vitória Cinema e Vídeo uma vitória, um movimento, debates, cores, luzes, gente.
05:08Eu sei que esses primeiros filmes que eu fiz foram muito importantes também, porque neles eu fiz continuação,
05:17eu fiz decupagem de roteiro, eu fiz direção de arte, fiz tudo.
05:21E tudo aprendendo ali na prática.
05:23Tudo meu é muito, sempre foi muito na prática.
05:26É muito bacana saber que de uma certa forma eu também estou dentro do Vitória Cinema e Vídeo.
05:44Uma retomada do cinema brasileiro agora, é um bom momento.
05:49Em Vitória, praticamente todo o nosso aprendizado em cinema vem da prática.
06:04O que você está achando de fazer esse filme aqui em Vitória?
06:06Eu estou gostando muito. Estou adorando. Não tenho vontade de fazer outra coisa atualmente.
06:11Eu não conhecia o Espírito Santo, né?
06:13E estou achando um estado bem bonito, com praias lindas, as pessoas muito simpáticas, entendeu?
06:19Eu espero voltar a produzir mais aqui no Santo Santos.
06:23Eu nunca fui daqueles que dançam, sempre fiquei no canto, como um camaleão.
06:31Me misturo na cena, sempre dou o show.
06:36Bato palma pra palhaço.
06:38Eu acho o cinema capixaba super potente.
06:42Assim, maravilhoso.
06:44Durante uma semana, a Vitória vai se transformar na capital nacional do cinema.
06:49Um lugar de procura de todo mundo cinematográfico, toda produção cinematográfica.
06:53Eu acho que essa mostra é um ponto de partida muito importante pra nós.
06:57As imagens estão muito bonitas.
06:58E aqui, tem tudo bem?
06:59Tudo bem, está tudo no ritmo.
07:01Eu ouço falar que é um festival muito gostoso, muito bacana, muito bom, assim.
07:05As pessoas sempre curtem muito vir pra cá.
07:07Tem filmes experimentais, tem comédia, tem coisas mais pesadas.
07:12Primeiro, eu fiquei muito bem impressionado com o público, né?
07:19Talvez!
07:21O festival tem um charme por ele acontecer nesse cinema, né?
07:24Cine, teatro, glória.
07:26Há muitos anos, o Glória não abriga tantos profissionais da área de cinema numa única sessão.
07:53Por 32 anos, Vitória se reinventa entre imagens, sons e aplausos.
07:58Entre as ruas do centro, nasceu e cresceu um festival que se tornou um espelho da alma local.
08:04O Festival de Cinema de Vitória.
08:06Desde o primeiro, eu tive esse sentimento de alegria mesmo, de ver o cinema lotado.
08:15Aí você chegar aqui fora, aquela fila imensa, fila dobrando o quarteirão, e todo mundo, todo mundo de Vitória, aquele,
08:24sabe?
08:25Eu falava, gente, caraca, a gente conseguiu.
08:28Hoje a nossa sessão vai percorrer a memória coletiva do evento e tentar compreender as possibilidades do nosso cinema.
08:35E o que ele transforma para a nossa cidade.
08:38Vitória, a capital capixaba, comemora uma década de criação do Festival Vitória Cine Vídeo.
08:44O Festival Cine Vídeo de Vitória tem importância porque Vitória foi o lugar, no Espírito Santo, em que se recomeçou
08:55a fazer cinema nos anos 90.
08:56No começo de 92, o primeiro filme rodado aqui, nessa fase da retomada, foi o Vagas para Moças de Fino
09:05Trato.
09:06E aproveitou o lado de Vitória, de grande cidade portuária.
09:15Depois nós tivemos o Lamarca, em que Vitória serviu para cenas urbanas, passadas no Rio, em São Paulo e em
09:22Salvador.
09:22Na verdade, o Lamarca trouxe o cinema brasileiro, junto com outros filmes, de volta.
09:28Faz parte da história do cinema brasileiro.
09:30E o Fica Comigo, da Tizuca, foi feito mais recentemente, pegou o lado do litoral.
09:36E teve um quarto longa também, produzido por uma produtora daqui, dirigido por um crítico de cinema daqui.
09:43Eu fiz um longa-metragem aqui, em 94, que foi muito bem no Festival de Gramada.
09:50Eu ganhei meu primeiro e único, Kikito, de melhor atriz, com um filme daqui.
09:55Um filme de um diretor capixaba, que era o Hamilton de Almeida.
09:59Ele morreu.
10:01Então, eu sou muito ligada, porque era o primeiro filme desse diretor também.
10:06Era o terceiro de uma época, onde Vitória estava se fortalecendo como um grande polo de cinema.
10:12O primeiro filme capixaba, do polo de Vitória.
10:15E logo depois acabou esse polo de cinema.
10:18Então, as coisas se montam e se desmobilizam com muita rapidez também.
10:23Eu sinto muita falta do Hamilton.
10:25Acho que ele seria a grande figura, a grande crítica do nosso filme seria dele.
10:30O Inocente é o suspense que estreia no Cine Paz.
10:33Um cara super querido, apaixonado pelo cinema.
10:36O prazer de fazer o primeiro filme capixaba.
10:39Ali estava começando o polo de cinema de Vitória.
10:41Uma busca do cinema brasileiro, esse reencontro do cinema brasileiro com o seu grande público,
10:46com o povo brasileiro.
10:47O Espírito Santo como um todo, a gente considera uma síntese do Brasil.
10:52Ter esse festival aqui, que é um lugar em que se pensa cinema,
10:56há toda uma juventude interessada em vídeo, interessada em curtas metragens.
11:03Eu vejo que há uma visão, um pensamento cinematográfico na cidade.
11:07A sensação de que deu certo, de que valeu a pena todo o esforço, as noites sem dormir.
11:15Continuar, eu acho que é continuar.
11:16Sempre continuar e estimular a produção do Espírito Santo, a produção audiovisual do Espírito Santo.
11:20Que cresça, que as pessoas compreendam que o cinema é uma forma,
11:23é um fator de crescimento cultural, desenvolvimento e criação de identidade.
11:26Me fala alguma coisa então sobre o festival.
11:29Ah, eu acho que o festival foi mais uma vitória, assim, para a cidade, né?
11:34Cada vez mais a gente tem um número maior de filmes realizados aqui,
11:39por isso a gente procura a cada ano também aprimorar as oficinas que a gente oferece.
11:48E cada vez mais eu acho que a gente está se situando no cenário nacional,
11:52isso para a gente é muito importante.
11:57Cada projeção é uma forma de contar quem somos, o que sentimos e para onde queremos seguir.
12:03Para os realizadores, técnicos, críticos e espectadores, o cinema é uma forma de existir e resistir.
12:10O festival não apenas revela talentos, ele costura gerações.
12:25A vida precisa de qualquer coisa para uma ativação.
12:30E eu já não amo a ativação.
12:32Eu não tenho saudade nem de mim.
12:38É muito bom ser homenageado, eu acho que das coisas boas da idade, é isso, né?
12:44Que de repente a gente tem já uma historinha para trás e você saber que essa história é reconhecida,
12:50que ela teve alguma importância para alguém.
12:53O grande ator Lima Duarte.
12:55E essa é a gente do cinema.
12:58E sou muito feliz de ser um personagem do cinema.
13:02Eu queria agradecer imensamente ao pessoal de Vitória, a cidade de Vitória,
13:07o pessoal que faz cinema em Vitória, o pessoal que pensa em Vitória,
13:11pelo carinho, pela generosidade, pela ternura que estão me tratando nesse mundo.
13:33O cinema sempre foi o sonho da minha vida, desde criança.
13:38Era o que eu gostava e continuo gostando.
13:42Esse grande artista brasileiro, João Joredo.
13:44Muito obrigado, muito obrigado a ele, ao público.
13:50É muito gratificante você ser reconhecido na terra onde você nasceu.
14:01Foi uma grande emoção, eu não esperava.
14:06A gente nunca está preparado para uma homenagem.
14:36Isso vai ser emocionante e a gente vive de emoções.
14:39Eu passei dois anos da minha infância aqui, morei aqui.
14:42E vivi coisas muito bacanas, tenho altas lembranças.
14:46E tenho um carinho especial pelo festival também.
14:49E estou me sentindo uma alegria, parece dia do aniversário.
14:52O cinema, eu acho que as pessoas se encantam, se apaixonam,
14:57porque é a única arte que tem a linguagem dos sonhos.
15:02Nenhuma outra arte tem uma linguagem tão poderosa como essa, porque é exatamente a linguagem dos nossos sonhos.
15:08E por isso o cinema é tão penetrante nas nossas consciências, nos nossos espíritos.
15:18É porque a gente transforma realidade em sonhos.
15:23Mais do que uma mostra de filmes, o festival é um lugar de encontros.
15:27É onde a ficção toca a realidade.
15:30Ao longo de três décadas, personagens saíram das telas para os palcos e para a vida das pessoas que sonham
15:36aqui.
15:36Vitória não é apenas cenário, é narrativa.
15:39A recente produção cinematográfica Capixaba esteve bem representada
15:44e recebeu menção honrosa pelo filme Macabeia, de Elivieira Júnior, Lisandro Nunes e Virgínia Jorge.
15:51Eu já fui de espectador, participante de oficina, já fui oficineiro, já fui concorrente, jurado, jurado pela seleção.
15:58E esse ano estou concorrendo de novo no festival.
16:00E o vencedor é Grinalda, de Elivieira Júnior, do Cora Espírito Santo.
16:09E vou dedicar esse prêmio à Letícia Braga, que é a atriz do filme, que sem ela não haveria o
16:14Grinalda.
16:15O legal do Vitória Cine Vídeo é que à medida que ele foi crescendo, toda a minha geração de realizadores
16:19também cresceu junto.
16:20A gente começou primeiro fazendo oficinas ainda quando eram estudantes, depois participou do concurso de roteiro.
16:24Eu ganhei o primeiro concurso de roteiro do festival, que deu origem ao meu primeiro filme.
16:27É um festival que tem uma participação popular muito forte, é um festival também de entrada franca.
16:31E permite ao público de Vitória conhecer a produção de curtas-metragens do país todo, né?
16:39E justamente localizado, posicionado no final do calendário do ano de novembro, ele dá uma espécie de resumão do que
16:47foi a produção de curtas no país no ano.
16:50É fundamental para a vida cultural, para a formação de público, não só de Vitória, mas do Espírito Santo inteiro,
16:58né?
16:58Porque, de um lado, ele serve para apresentar para o público o que está acontecendo de mais interessante, de mais
17:06inovador,
17:06de mais relevante dentro do cinema brasileiro, né? De curta e de longa-metragem.
17:12Ele também serve como uma janela importantíssima para os realizadores daqui, para os nossos filmes serem exibidos,
17:18não só para chegar ao público capixaba, mas também da inserção da gente dentro do Circuito Nacional de Festivais,
17:23porque ele também é um dos mais importantes festivais do Brasil, um dos mais antigos em atividade, né?
17:27Ele está na representatividade do cinema nacional, porque, assim, a gente tem uma média todo ano de 1.500, 1
17:35.800 inscrições para o festival, entendeu?
17:39E a gente só consegue selecionar, no máximo, 100 filmes, porque a gente não tem janela de exibição mesmo, a
17:47gente não tem, né? Um cinema.
17:51Estar funcionando há mais de 30 anos, ter mais de 30 edições, não é para qualquer evento.
17:56Então, tem essa centralidade, formação de público, de revelar novos talentos locais e de outros estados também,
18:03curtas que acabam sendo premiados aqui ou que ganham uma reação boa do público, né?
18:08Isso meio que dá um impulso maior para a carreira desses filmes.
18:12E também ele forma, né, novos espectadores e novos realizadores, né?
18:17Inicia as pessoas em oficinas, então, leva o cinema também para outros lugares, para além da sala de cinema, né?
18:24Eu acho que o festival, ele fomentou a cadeia produtiva e fomenta até hoje, tem uma geração que saíam profissionais
18:36das oficinas do festival, de uma semana.
18:39E saíam e iam trabalhar, tem vários aqui que trabalham em agência de publicidade, tem alguns diretores que saíram das
18:45oficinas do festival.
18:46Eu nunca acreditei que um filme meu pudesse, de fato, estar projetando para aquele mar de gente assistindo e absorvendo
18:56tudo aquilo que a gente vem construindo,
18:58às vezes, em um, dois, três, quatro anos, né?
19:02E pensando que aquele filme foi feito para isso.
19:05E o Festival de Cinema de Vitória é exatamente esse canal de conexão entre o cineasta e a plateia, e
19:16a audiência, assim.
19:17Ele ajuda a sociedade capixaba a viver um pouco mais essa vida do audiovisual,
19:21e a conhecer os diversos brasis que tem dentro do Brasil e que o nosso cinema apresenta.
19:35Eu faço isso mais por prazer, não por dinheiro, né?
19:38Porque dinheiro, né? Por enquanto, eu não ganhei quase nada, não.
19:42O sonho do seu Manoelzinho ainda é viver só de cinema, mas enquanto isso ainda não acontece,
19:47a família dele vive com bastante dificuldade, hoje com dois salários mínimos, que são da aposentadoria,
19:53que a mãe dele recebe. Como é que tem sido aqui o dia a dia de vocês?
19:56Mesmo tendo aparecido em alguns programas de televisão, a situação permaneceu mais ou menos a mesma, né, Semanaelzinho?
20:02É, menina. Melhorou foi só no nome, né? A situação ainda é a mesma.
20:14Falei que achou esse carro.
20:16Esse carro é muito importante para mim, é coisa de família.
20:18Eu acho que o mais importante foi o momento que o filme foi exibido, esse telão maravilhoso,
20:24foi impactante para mim, mesmo conhecendo o filme, é um impacto ver um filme numa tela tão grande.
20:29A gente brinca, tem tanta coisa que não quer ver.
20:35Eu acho que muita gente que começou a trabalhar com cinema, com vídeo e com a área de audiovisual,
20:42começou se inspirando com a programação do festival.
20:47Eu acho que a grande coisa do festival é um celeiro de ideias.
21:00Eu sou um cineasta capixaba e filmes como O Prédio Vazio,
21:05eu acho que ele é feito por o público capixaba principalmente.
21:09Porque é só o público capixaba que vai entender um filme feito em Guarapari em sua totalidade.
21:15Então é essa nossa sociedade que vive extremamente acelerada, veloz, e a gente nunca tem tempo para olhar para o
21:20outro.
21:21Pensando no que vai ganhar, se vai receber algum prêmio de roteiro.
21:24Tem coisa de cinco minutos, são duas locaçõezinhas só, três dias de filmagem, ele é bem chutinho mesmo.
21:30É um outro lado de uma época.
21:34Gostei da receptividade, as pessoas pareciam ter saído felizes do cinema.
21:38Minha relação com o Festival de Cinema de Vitória é muito antiga.
21:42Eu lembro quando ele se chamava Vitória Cine Vídeo, lá nos anos 90, eu era meio criança, meio adolescente,
21:47eu estava lá no festival tendo a experiência de ver pela primeira vez um filme capixaba no cinema.
21:56E para mim isso foi muito impactante, porque eu estava acostumado aí no cinema para ver Tartaruga Ninja,
22:03Van Damme, Xuxa, Sérgio Malandro, e de repente eu estava vendo ali a minha cidade projetada.
22:08E eu estava, de repente, me vendo também, porque isso me ajudou a entender que
22:14não era um sonho tão distante trabalhar com cinema, de repente ter um filme meu ali.
22:21E isso foi muito marcante também, né?
22:25O Festival de Vitória é um festival que está totalmente ligado à minha formação.
22:28Quando eu comecei a pensar em fazer cinema, foi no festival que eu consegui...
22:34que eu consegui ter contato com esse cinema, um cinema independente.
22:38Eu acredito que o Festival de Cinema de Vitória é um patrimônio da cidade.
22:42Eu estou participando nesse festival com o filme A Sabotagem da Muqueca Real.
22:45É um curto em 35 milímetros, é um filme manifesto para um Brasil mais verdadeiro, mais nacional.
22:58É um momento de a gente assistir toda essa produção recente do cinema brasileiro
23:03e também do cinema capixaba, uma parte dela que vocês vão ver na tela do Sesc Glória.
23:09Então, convido a todo mundo para estar presente e celebrar o cinema.
23:14Essa expressão artística, cultural, que tanto diz sobre quem nós somos e sobre o que é nosso país.
23:21É um lugar acolhedor, é um lugar que faz a gente aqui no Espírito Santo se ver, se reconhecer,
23:29reconhecer as nossas histórias, reconhecer a nossa cara, a nossa gente,
23:33numa plataforma que é cada vez mais rara, que é o cinema público, coletivo, gratuito,
23:39com muita gente na sala, numa época de streaming, de ver muita coisa em casa, sozinho, no celular.
23:46A gente tem também que pensar que por mais que os streamings sejam legais,
23:50no sentido de que eles levam o audiovisual à nossa casa, eles ainda são muito restritivos.
23:56Eu faço exceção aqui ao YouTube, porque no YouTube cabe tudo.
23:59Mas os streamings pagos que a gente costuma assinar, eles têm catálogos muito pequenos
24:03e uma pouca abertura ao produto nacional.
24:07Então, eu acho que o espaço dos festivais é mostrar justamente como há muita coisa interessante
24:12sendo feita no Brasil, ajudar a fazer repercutir, né?
24:16E eu acredito que os streamings deveriam começar a observar esse cinema e trazer para dentro dele.
24:21É, isso aí, tem o Fellini dizer que televisão é eletrodoméstico, com todo o respeito, né?
24:28Que também, quando bem utilizada, vira arte também, né?
24:33Então, são linguagens diferentes.
24:34A televisão tem a sua facilidade de você ver em casa, você ver no celular, na rua, em qualquer lugar.
24:43Agora, o cinema, você interrompe a sua vida por um certo tempo, duas horas e tal,
24:48para viajar naquela experiência, né?
24:52Porque é uma experiência coletiva, geralmente, né?
24:54O cinema, ele te traz vários cenários, várias perspectivas de crescimento, né?
25:03Agora, quando você exibe, que você vê que a plateia entendeu o seu filme, né?
25:09É bom demais, é uma coisa sensacional, é misterioso.
25:15E isso é fundamental para também alimentar um cinema que seja feito aqui, né?
25:20Do cineasta que está trabalhando com recursos de um edital, até um jovem realizador ou realizadora
25:29que está vindo de uma comunidade, que está vindo da universidade, que está vindo de um projeto social.
25:35Eles conseguem produzir os seus filmes, tendo na cabeça que a gente pode estrear,
25:41a gente pode começar a história desse filme que a gente está fazendo aqui,
25:45naquela tela do Festival de Vitória, onde todo mundo que a gente ama,
25:49onde todo mundo que a gente reconhece como parceiro comunitário vai estar lá assistindo.
25:55O público que vai no festival é um público que reage, que torce.
26:02Da mesma forma que o torcedor do Futebol Capixaba também é muito passional,
26:05o público do cinema aqui também é muito vibrante e muito vibrante com as próprias produções, né?
26:16O cinema que é feito aqui.
26:18Acabem tantos espíritos santos dentro de um espírito santo só,
26:21que a gente também vê, nesses 30 anos, como a produção local cresceu, se diversificou
26:26e foi buscando outros assuntos, outros sujeitos, outras linguagens, né?
26:32Para tentar dar conta dessa diversidade.
26:33A gente vive num país de dimensões continentais que é muito diverso.
26:37O cinema desse país tem que ser diverso também.
26:40A gente teve que formar a plateia.
26:42A gente formava a plateia indo para as escolas,
26:45convidando os alunos, colocando ônibus para buscar os alunos,
26:49oferecendo lanche para os alunos.
26:51Então, era um trabalho de um ano inteiro nas escolas,
26:55aí fazendo pequenas sessões de cinema dentro das escolas
26:59para poder os alunos entenderem o que era um festival de cinema.
27:03Eu sou do Piauí, então vim para Vitória realmente pelo curso.
27:08E eu sempre tive muita vontade de fazer cinema,
27:11eu sempre gostei muito de contar histórias e de imaginar cenários e, enfim, muitas coisas.
27:17Depois, no curso, eu entendi que tinha muito mais coisas, assim, além de contar histórias.
27:22É uma forma de você conseguir levantar voz, de conseguir levantar certas pautas.
27:28E eu achei isso ainda mais interessante.
27:30Quando eu cheguei, literalmente estava na semana já do festival,
27:33então foi meio que uma aula barra festival que a gente foi.
27:38E você ver aquilo em tela grande, com várias outras pessoas, compartilhando aqueles filmes tão fora desse eixo comercial hollywoodiano,
27:49é uma coisa muito bonita, dá a vontade.
27:52Eu quero participar disso.
27:54Claro que eu tenho orgulho de tudo que eu construí sem ser do cinema.
28:02Porque eu fiz aprendendo, eu aprendi.
28:07Sou feliz, apesar de todos os desafios.
28:11Porque todo ano eu tenho que reinventar o festival.
28:14Todo mundo que acredita que o audiovisual salva, que o audiovisual é importante.
28:19O que ainda me move para continuar é essa diversidade.
28:25E você também resistir.
28:26Esses anos todos, não é para qualquer um, não.
28:30É muito difícil.
28:32Porque tem dia que você fala, vou desistir, chega.
28:34Não dá mais.
28:36Mas aí, dois minutos depois, vem uma coisa linda.
28:39E aí você já muda tudo.
28:41E eu vou embora.
28:42E vai estar tudo certo.
28:43E no final dá tudo certo.
28:44Eu acho que quando você quer e você coloca na sua cabeça que isso vai dar certo,
28:56eu acho que dá.
28:59Observar e acreditar, sempre.
29:20Eu sei que o tempo vai passar
29:26E as coisas vão ficar
29:30Porque acredito em mim
29:34E o tempo passa a flutuar
29:39E a chance de eu ficar
29:43Depende só de mim
29:49Começo uma nova história e aviso
29:55Não vai ter lugar pra você
29:58Onde sobra juízo
30:02Todo amor que eu amei
30:06No fundo eu dediquei
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